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Arrastão: Os suspeitos do costume.

A novela das 8

Daniel Oliveira, 26.02.13

Assisti há pouco a uma trabalho "jornalístico" na TVI que me deixou arrepiado. O caso Giselle, que tanto tem dado que falar (dramas com crianças valorizam os intervalos publicitários dos noticiários), serviu para um momento "Casa dos Segredos". O pai da criança, que deveria ter estado com ela no fim de semana, bate à porta da escola e pergunta pela filha. Os donos da escola dizem que ela não está. Chama a polícia e ali mesmo faz a sua queixa. Tenta ligar para a filha, que tem o telemóvel desligado. E ali, em frente às câmaras, que registaram estes momentos "espontâneos", se vai lavando a roupa suja. A vida de uma criança exposta a um País inteiro. Para mais tarde ela recordar. Sobre o caso em si, nado tenho, obviamente, para dizer. Não conheço nem o pai, nem a mãe, nem a criança e não me parece que a arena mediática seja o melhor lugar para defender o superior interesse da criança. Mas sobre a reportagem há muito para dizer. 


As disputas em torno da guarda dos filhos são, infelizmente muito comuns. Geralmente feias, não é raro que as crianças se transformem em joguetes nas guerras entre os adultos. Mas, com a preciosa ajuda de jornalistas, passa-se agora para uma nova fase: a exibição destas guerras em horário nobre, para gáudio da coscuvilhice pública, transformando crianças em atores involuntários da novela das 8. Que pais tomados pela raiva, pelo desespero ou pelo despeito, tanto faz, percam a noção do que realmente é melhor para os seus próprios filhos ainda se pode fazer um esforço para compreender. O que é indecoroso é que quem está de fora e livre de emoções aproveite a falta de bom-senso dos outros para alimentar novelas à custa de crianças. Que haja tanta gente disponível para vender a sua privacidade em troca de 5 minutos de fama (e tanta gente disponível para a comprar) não me choca. Cada um, sendo adulto, fará da sua vida o que melhor entender. Mas dá para deixar as crianças de fora deste pornográfico circo?

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