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Arrastão: Os suspeitos do costume.

Sócrates, o Gungunhana de Passos Coelho

Sérgio Lavos, 21.03.13

Faço minhas estas palavras de Rui Rocha:

"Devo ser claro. Não acredito na neutralidade política da RTP. E, se alguém por aí acredita, que levante o braço. Alguém? Pois. Ora, é à luz deste ponto de partida e do actual contexto político que deve ser analisado o regresso de Sócrates à RTP. O que temos então? Temos uma televisão pública dependente do poder político. E uma contexto de degradação das condições políticas do actual governo. Olhemos por um momento para o executivo, para percebermos melhor. O primeiro-ministro está, desde o princípio, prisioneiro de promessas eleitorais que foi quebrando, uma a uma. E de um discurso politicamente imberbe ao qual foi adicionando, nos piores momento, uma boa dose de  hostilidade em relação aos portugueses (as alusões à pieguice, ao desemprego como oportunidade, etc.), ao mesmo tempo que mostrava uma intolerável complacência com todas as distorções instaladas. O seu putativo braço direito, Miguel Relvas, revelou-se, pelas razões que todos conhecemos, o seu pé esquerdo. Alguma dignidade que restasse, ficou irremediavelmente comprometida quando entendeu partilhar com o país os dotes de barítono, entoando a Grândola. O ministro das finanças está completamente descredibilizado. Chegámos ao ponto de a Ordem dos Cartomantes, na pessoa do bastonário Marcelo Rebelo de Sousa, se permitir mandar o ministro ver se chove. O ministro da economia, por seu lado, é a nulidade que se conhece, perfil aliás absolutamente alinhado com a intenção governativa inicial de estabelecer um diktat das finanças. O resto do governo, bem, é o resto do governo, com Paulo Portas sempre fora, mesmo nas poucas ocasiões em que está cá dentro. No mais, temos uma situação económica e financeira insustentável, uma dívida impagável, e terminaremos, mais cedo ou mais tarde, por embater (ainda mais) violentamente com a realidade. Ora, sendo tudo isto assim, o regresso de Sócrates ao espaço público e mediático só pode ser entendido como um facto ao qual o actual governo não só não se opõe como, na verdade, deseja. À falta de factos relevantes de governação, de reformas estruturais, de presente e, sobretudo, de futuro, nada melhor do que a exposição periódica do responsável pelo passado. Sócrates, completamente descredibilizado pessoal e politicamente, coisa que só os apaniguados mais veementes e o próprio não entendem, é a cortina de fumo ideal para lançar sobre a situação do país, recordando em permanência aos portugueses quem é o principal responsável pela situação. Que o governo participe nesta manobra de diversão, diz bem da sua fraqueza. Que Sócrates se preste a ser exibido publicamente como o Gungunhana de Passos Coelho só será surpreendente para alguns: aqueles que esquecem a sua imensa vaidade, o seu desproporcionado autoconceito e a entranhada falta de vergonha que sempre ostentou."

6 comentários

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    operário 21.03.2013

    evoluindo no seu raciocínio, se a situação continuar a agravar e a guinar para a direita tambem poderemos no futuro vir a acusar os comunas ou bloquistas de colocar a extrema-direita no poder ao não apoiar Passos Coelho
    não faz sentido
    O meu inimigo de ontem foi Sócrates, o de hoje é P Coelho.
    Quem se lembra de Santana M Mendes ou Marcelo como responsãveis máximos do país? No entanto eles andam aí e continuam a enganar o povo na maior a bem das audiencias
    É tudo a mesma gente com ideias diferentes de como atingir o mesmo objetivo
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    Américo Gonçalves 22.03.2013

    Operário, deixe-me discordar um pouquinho: Sócrates,Santana, e já agora, todos os outros, são adversários políticos. Passo Coelho é uma invasão de marcianos, que só nos querem destruir. É "outra raça". De Cavaco a Sócrates, há uma linha condutora, um Pacto de Regime, se quiser. Passos Coelho rasgou esse Pacto em 2009, com aquele projecto de revisão constitucional.
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    operário 22.03.2013

    se decompusermos cada um desses personagens talvez possamos chegar à conclusão que são todos diferentes mas do ponto de onde os observo parecem-me todos iguais. É uma questão de prespectiva

    Respeito o seu ponto de vista senhor Américo, e o equilíbrio que há na  análise que faz aos diversos actores deste circo, mas discordo de si. Uma questão de prespectiva como disse antes
    Para mim, as mesmas forças que através dos "média" puseram o P Coelho no poder, dando mais um passo em frente,( antes tinham promovido o Sócrates contra Santana) não hesitarão em colocar um "Salazar" qualquer a gerir os negócios se se sentirem ameaçados no seu poder. Claro que preferirão sempre um simulacro qualquer de democracia á ditadura. É mais cómodo se o carneiro vier a ser tosquiado do que obriga-lo a entrar no redil
    os banksters e seus lacaios são meus inimigos
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    Américo Gonçalves 22.03.2013

    Então, trocado por miúdos: o que saíu do 25 de Novembro, foi um pacto em que PS e PSD repartiram entre si os lugares, com umas migalhas ao CDS, e o PCP era "tolerado" como anti-sistema, dentro do próprio sistema. Se o meu amigo se identifica com o PCP, então o seu ponto de vista está absolutamente correcto. Mas para aqueles que estão nesse consenso( em que me incluo), os sucessivos governos, desde 1976 até 2011, têm um centro de gravidade estável, mesmo que haja oscilações, consoante a facção dominante. A novidade chocante, para parafrasear Gaspar, é uma rotura, de uma espécie de "jovens turcos", com o consenso. Ele é a Constituição que é para rasgar; ele é o SNS que é para ir com o caraças; ele é a Educação que é um produto de luxo; ene coisas que chocam frontalmente mesmo com a matriz ideológica do PSD, a pontos do próprio Portas ter confessado sentir-se á esquerda "deste" PSD. Lembra-se da última vez que patrões e sindicatos estiveram em total sintonia, seja no que for? Pois, eu tambem não. É nesse sentido que lhes chamo "marcianos". Não fazem parte deste País político. ( E muitos dos grandes já os olham como empecilhos. O Seguro parece capaz de "voltar á normalidade")
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    operário 23.03.2013

    compreendo a sua análise, só discordo num ponto
    Onde o senhor vê uma rotura com a normalidade instalada, eu vejo um passo em frente dado pela mesma gente que anteriormente estava em sintonia com o "centrão" (vozes discordantes sempre houve)
     
    Se a crise agravar irão tentar ir mais longe ainda.

    Abraço e sorte nas suas lutas
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