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Arrastão: Os suspeitos do costume.

Um bonito ajustamento

Sérgio Lavos, 30.05.13

O Governo, pela voz do arrivista ignorante Pedro Passos Coelho e do alucinado Álvaro, não se cansa de falar em reformas estruturais para recuperar a década sem crescimento e o país reentrar no caminho da competitividade e do crescimento. Essas "reformas estruturais" não passam de um eufemismo - mais um - para reduzir direitos aos trabalhadores e colocar empresas públicas lucrativas nas mãos de privados. E assim tem sido feito: as indemnizações por despedimento foram bastante reduzidas, o código do trabalho alterado para permitir maior facilidade nos despedimentos, a duração e o valor do subsídio de desemprego foram baixados até nos aproximarmos das economias de leste, quatro feriados nacionais foram cortados, reduzindo assim o valor do trabalho por hora. E claro, as privatizações estão a avançar (mesmo que o ritmo não seja muito acelerado). Resultado? O PIB começou a cair perigosamente, o desemprego a aumentar vertiginosamente e a dívida pública aproxima-se de níveis nipónicos (o paper dos guros de Gaspar, Rogoff e Reinhardt, aponta para a insustentabilidade da dívida pública que ultrapasse os 90%). Ah, mas pelo menos as reformas estruturais estão a impulsionar uma maior competitividade do país, certo? Errado. Portugal caiu cinco posições no ranking da competitividade, estando agora em 46.º entre 60 países, na zona Euro apenas à frente da Grécia. Curiosas são as razões para esta queda, todas consequência directa das ditas reformas estruturais. Segundo o instituto que elaborou este ranking as seis principais razões para a pouca competitividade são: a inexistência de crescimento económico; a fraca resiliência económica; a elevada taxa de desemprego, sobretudo entre os jovens; os encargos fiscais; a elevada dívida pública; e a coesão social. O Governo está de parabéns. As suas políticas conseguiram-nos tornar, em apenas dois anos, um país ainda menos atractivo para o investimento. Este está a ser, sem qualquer dúvida, um bonito ajustamento.

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