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Arrastão: Os suspeitos do costume.

Um exemplo para a greve de amanhã

Daniel Oliveira, 26.06.13

Os sindicatos dos professores fizeram mal em exercer o direito greve que, na forma como uma parte razoável dos políticos portugueses o vê, nunca deve ser mais do que simbólico. Fizeram? Pela primeira vez, nos dois últimos anos, o governo sentou-se mesmo à mesa das negociações. Não antes da greve aos exames. Não antes da greve às avaliações. Mas quando se corria  risco de se instalar o caos nas escolas.

 

Apesar de ainda não haver acordo, os professores conseguiram, com as suas greves, a integração de mais medidas que contribuirão para que não haja professores com horário-zero e em risco de ir para "requalificação" (eufemismo para despedimento). Um regime que só se aplicará aos professores a partir de fevereiro de 2015. O limite geográfico para a mobilidade dos professores dos quadros de escola que não tenham serviço letivo passou a ser de 60 quilómetros, tal como acontece com a restante Função Pública. E o governo garantiu que o aumento do horário de trabalho para as 40 horas incidirá apenas na componente não leciva de trabalho individual. Por fim, a direção de turma volta a integrar a componente letiva.

 

Os professores não terão conseguido tudo. Mas conseguiram, pela primeira vez em qualquer confronto com este governo, cedências relevantes. E por isso, a FNE desmarcou as greves e a Fenprof interrompeu-as (com excepção, claro, da greve geral). Para os que, durante o último mês, zurziram nos professores, fica uma importante lição: mostrar indignação no facebook e falar mal dos "políticos" serve de muito pouco se não se está disponível para levar até ao fim, de forma consequente, o confronto. O governo conta com a divisão das pessoas. Desta vez não lhe chegou.

 

Amanhã, há uma greve geral. O exemplo dos professores deve ser, para todos nós, uma inspiração. Solidário com esta greve, não encontrarão no Expresso Online nenhum texto meu.

 

Publicado no Expresso Online

3 comentários

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    Pedro Santos 26.06.2013

    Ataque aos funcionários públicos ? O senhor já viu bem, já analisou bem, a quantidade de privilégios e de mordomias que essa gantalha obteve do sistema, e nas diferenças abissais que havia ha 2 ou3 anos em relação aos trabalhores do privado ?

    Se eu sou contra a "Requalificação" dos professores ? Claro que sou ! Sou a favor do "Despedimento", não vamos agora dar palavras bonitas as coisas, para mascarar.

    Porque é que um professor do Quadro da Função Pública não há-de poder ser despedido quando um trabalhador da construção civil o pode, sabe-me dizer ?



     
  • Sem imagem de perfil

    ricardo 26.06.2013

    conheço muitos professores que tinham emprego em 2010, em que não tinham emprego em 2012. acabados contratos, adeus ou vai-te embora. Não é isto que você quer? olhe que já existe!


    Alguns professores estão mesmo a pensar em ir trabalhar para a construção civil, porque foram muito bem tratados pelo estado, e tanto privilégio cansa uma pessoa.
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