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Arrastão: Os suspeitos do costume.

Corporações

Sérgio Lavos, 29.06.13

Irmão de presidente da Optimus indicado para liderar a AdC.

 

Num país em que são privatizadas empresas públicas que têm lucro com o pretexto de liberalização dos mercados, na prática entregando-se monopólios naturais a lucros privados, sem que os consumidores sintam os resultados dessa liberalização, é natural que se entregue a supervisão da concorrência a um familiar do principal administrador da empresa que está a ser supervisionada.

 

Na realidade, as leis do mercado não se aplicam a determinados sectores da economia. A liberalização do mercado e o fim do controlo estatal do preço dos combustíveis levou a que, em dez anos, Portugal tenha dos preços mais elevados da OCDE; a liberalização do fornecimento de electricidade e de gás natural está a ter exactamente o mesmo efeito - a privatização da EDP contribuiu para que, em dois anos, a factura de electricidade tenha aumentado exponencialmente para a generalidade das famílias e das empresas; e a concorrência entre empresas de comunicações é uma farsa - basta ser um consumidor atento para se perceber a concertação de preços e de serviços, que leva a que paguemos muito mais do que média da OCDE por serviços telefónicos e Internet, sendo a qualidade bastante inferior à média. 

 

A principal lei do capitalismo - a da oferta e da procura - não funciona. Em Portugal, quanto mais oferta existe, mais os preços sobem para o consumidor. Muitas vezes, com pior qualidade. E os sucessivos Governos estimulam e alimentam as corporações que beneficiam deste crony capitalism. O melhor dos mundos é este.

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