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Arrastão: Os suspeitos do costume.

Nem eduquês, nem coisa nenhuma

Sérgio Lavos, 01.08.13

 

Lembram-se da aposta no ensino profissional prometida por Nuno Crato, no início desta legislatura? Esqueçam-na. O ministro do rigor e da exigência, uma promessa enquanto escritor de best-sellers anti-facilitismo, transformou-se no carrasco do Ensino em Portugal, com terríveis consequências a médio e longo prazo. 

 

A 27 de Julho, dois meses depois da data prevista e a menos de dois meses do início do ano lectivo, o ministério da Educação enviou para as escolas a informação sobre a nova rede escolar. Como os professores e as escolas em geral são mais competentes do que Crato e o ministério da Educação, as turmas, nesta data, já estavam feitas. Os cortes draconianos na rede escolar, que atingem o ensino regular e sobretudo o profissional, apanham milhares de alunos já matriculados em turmas que deixarão de existir. Lá se vai a aposta no ensino profissional, tudo em nome de uma austeridade que agora foi rebaptizada pelos propagandistas do regime como "novo ciclo". O resultado? Dois mil alunos que tinham escolhido a via profissional vão ficar sem aulas durante o próximo ano e mais 300 professores poderão ser despedidos. A meta de pelo menos 50% dos alunos do Secundário no ensino profissional, prometida por Nuno Crato com pompa e circunstância, foi definitivamente esquecida, apesar do ministro continuar a mentir na televisão dizendo que nenhum aluno ficará sem turma. 

 

Já lá vão dois anos desde que esta desgraça em forma de Governo atingiu o país. Dois anos de destruição de conquistas civilizacionais de décadas. Daqui a algum tempo veremos em que lugar Portugal estará nos rankings da educação. Só há uma classe que o ministro Nuno Crato não descura: o ensino corporativo. O aumento da dotação orçamental, tanto em 2012 como 2013, prova quais são os objectivos deste Governo. Com mais ou menos fogo-de-artifício, o desmantelamento do ensino público continua. Afinal, quem quer mesmo prejudicar os alunos?

 

Adenda: a ler também este texto.

2 comentários

  • Sem imagem de perfil

    jo 01.08.2013


    O seu comentário parece-me um pouco demagógico.
    O post refere-se ao facto de o ministro da educação estar neste momento a fechar turmas deixando menos vagas nas escolas do que os alunos matriculados. Não me parece que isso esteja a ser feito para melhorar a qualidade do ensino.
    Dizer que, como o seu filho não aprende matemática, concorda que se deixem alunos sem acesso à escola (é disso que andamos a falar), é um pouco incoerente.
    Concordo que o ensino poderia estar melhor mas dizer que fazer a gestão do número de turmas e de alunos por ano no fim de julho - quando as matrículas foram em junho -  não é maneira de melhorar nada. Serve apenas para sabotar.
    Não tenho nada contra as pessoas indicarem a sua ocupação mas devia ter indicado que não é professor do ensino básico.
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