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Arrastão: Os suspeitos do costume.

Caos nas escolas

Sérgio Lavos, 11.09.13

A um dia do início oficial do ano escolar, o caos está instalado em inúmeras escolas do país. Há centenas de relatos de turmas no ensino básico e secundário com mais de 30 alunos - infringindo o limite instituído na lei de 30 aluno -; há centenas de turmas do 1.º ciclo nas quais estão colocados alunos de vários níveis de ensinohá alunos que ainda não sabem em que escola vão estudar; a disciplina nuclear de matemática, nos anos em que existe um novo programa - 1.º, 3.º, 5.º e 7.º ano - ainda não tem manuais e os professores nem sequer tiveram direito a dar a sua opinião sobre a escolha do mesmo. Tudo isto no dia em que Nuno Crato e Pedro Passos Coelho decidiram inaugurar uma escola que já tinha sido inaugurado há mais de um ano, cercados por barreiras policiais e sem a presença dos pais e encarregados de educação, deixados à porta. Crato, aliás, mentiu hoje descaradamente ao afirmar que a razão para a existência de turmas mistas é a existência de menos alunos em escolas pequenas. Na notícia do Diário de Notícias é referido o caso da escola da Quinta de Marrocos, em Benfica, que tem 15 turmas, das quais 10 têm alunos de anos diferentes. Também me chegou um caso passado numa escola do 1.º ciclo em Loulé, com centenas de alunos, onde os alunos do 3.º ano foram integrados em turmas do 4.º ano, sem qualquer razão para isso, até porque estamos a falar uma escola em zona urbana.

 

O que se está a passar neste momento é demasiado grave. É uma monumental trapalhada provocada pelo frémito de Crato em deixar professores no desemprego - não nos esqueçamos de que a redução de turmas imposta este ano visa enviar mais uns quantos milhares de professores para o desemprego -, e significa a degradação completa do ensino público em Portugal, isto na semana em foi anunciado um reforço das verbas que servem para financiar o lucro das escolas privadas. Turmas com quase 40 alunos, alunos dos quatro anos do 1.º ciclo numa turma só, estudantes que ainda não sabem em que escola vão estudar, tudo está a ser possível. Tudo feito às claras, sem vergonha, enquanto se inauguram estabelecimentos que já tinham sido inaugurados há um ano. Estamos a falar do futuro dos nossos filhos. Até quando aguentaremos isto?

 

Nota: quem conhecer outros casos semelhantes aos que eu descrevo, noutras escolas, deixe nos comentários ou envie-me um mail (no topo do blogue). Serão publicados no corpo deste post. 

 

Nota 2: por onde é que anda a FENPROF, que organizou tantas manifestações quando apenas estava em causa a avaliação dos professores do quadro? Os lamentos para as televisões de Mário Nogueira não são suficientes. Quando é que os professores voltam à rua?

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