Sexta-feira, 27 de Setembro de 2013
por Daniel Oliveira

 

Tenho por hábito falar de forma transparente do meu voto. A simulação de neutralidade de comentadores politicamente alinhados (como é natural que sejam os comentadores) sempre me irritou. Nada me obriga a dizer em quem voto. Mas prefiro assim. Tudo claro.

 

Fosse do Porto e a minha decisão estava tomada. Votaria, com toda a certeza, em José Soeiro e na lista do Bloco de Esquerda. Porque há ali uma forma diferente de olhar para a política e para o papel dos partidos na vida local. Fosse de Coimbra e faria mais do que votar: estaria seguramente envolvido na lista Cidadãos por Coimbra, onde se criou uma alternativa consistente à extraordinária mediocridade que uma cidade que produz inteligência tem tido como classe dirigente. Se fosse de Braga votaria na lista cidadãos e, acima de tudo, contribuiria para tirar da Câmara uma das mais vergonhosas gestões autárquicas do País, apadrinhada com afinco pelo Partido Socialista. Fosse de Loures e votaria no Bernardino Soares e na CDU, com uma candidatura sólida e capaz provocar uma mudança num dos mais maltratados concelhos limítrofes de Lisboa. Enquanto em Almada estaria provavelmente a votar contra a mesma CDU, que, do urbanismo à política fiscal, mais não faz do repetir os piores vícios da pior gestão autárquica. Muitas vezes com a conivência complexada da vereadora do Bloco de Esquerda. O que deixaria os dois partidos de fora da minha escolha. Já em Cascais, contribuiria, com o meu voto, para não permitir que o presidente da Associação Nacional de Farmácias, candidato do PS, levasse os seus negócios para a autarquia. Em Oeiras, onde quase todos parecem ter dificuldades em apresentar alternativas credíveis à trupe de Isaltino, votaria no Bloco e no seu candidato ecologista. E no Funchal, cidade com a qual tenho uma ligação emocional, votaria na candidatura liderada pelos socialistas, que junta grande parte da oposição madeirense e que pode retirar ao PSD a capital da Região Autónoma. E esgotaram-se aqui os concelhos sobre os quais tenho informação suficiente para imaginar como votaria. Só que não voto em nenhum deles e por isso a minha opinião vale muito pouco, podendo até estar a cometer algumas injustiças. Nasci, cresci, vivo, trabalho e voto em Lisboa. E conheço muito bem a minha cidade.

 

Serviu todo este exercício para tentar explicar, com exemplos práticos, o meu critério de voto. Nunca me abstenho. Raramente voto em branco ou nulo, porque me custa aceitar que, perante tantos candidatos, nenhum me mereça sequer o benefício da dúvida. A não ser numa situação absolutamente extraordinária, não voto em partidos contrários às minhas convicções políticas gerais. No atual contexto, com este governo, não votaria com toda a certeza. Bem sei que as eleições são autárquicas. Mas seria idiota ignorar as suas repercussões nacionais. Fora estas condições, e já não sendo eu militante de um partido, o meu voto decide-se tendo em conta a realidade local. Nem todas as listas independentes são livres, nem todos os candidatos da CDU são competentes, nem todos os candidatos do BE são inovadores, nem todos os candidatos do PS são uma opção aceitável. E sim, as pessoas, e não apenas os seus programas e as siglas partidárias que os apoiam, também contam.

 

Tal como aconteceu há quatro anos, decidi não participar em nenhuma campanha para a Câmara Municipal de Lisboa. Nada teve a ver com qualquer tipo de autolimitação imposta, por ser comentador. Considero isso um absurdo. Não sou nem nunca quis ser ou parecer neutral. Por isso até participei na campanha dos Cidadãos por Coimbra e numa outra, o Move Alcântara, um movimento de cidadãos a uma freguesia lisboeta. Correspondem as duas ao que entendo que devem ser as listas independentes. Tenho três votos e dois já estão destinados. É para a Câmara e para a sua presidência que não me decidi. Acho que, em toda a minha vida, é a segunda vez que me encontro, tão próximo das eleições, nesse limbo deprimente onde habitam os indecisos (a outra foi na reeleição de Soares).

 

Como o voto no autarca profissional itinerante não é uma possibilidade e, nos pequenos partidos, não vislumbro nada com qualquer interesse, sobram três candidatos: João Ferreira, da CDU, João Semedo, do Bloco de Esquerda, e António Costa, do PS. Desculpem falar dos candidatos, mas as câmaras tem uma estrutura fortemente presidencialista. Ignorar os candidatos a presidentes é absurdo.

 

Quanto a João Ferreira, sei que foi eurodeputado e, ao que parece, razoavelmente competente. Mas desconheço em absoluto o seu pensamento sobre Lisboa. Ao ler as entrevistas que deu fiquei a achar que não sou o único. E com a leve sensação que a sua candidatura tem como único objetivo dar-lhe a notoriedade suficiente para que ele encabece a lista da CDU às próximas eleições europeias. Seja como for, não tenho ouvido da CDU, em Lisboa, um discurso alternativo consistente. A maior campanha que a coligação fez foi contra a redução de freguesias em Lisboa, assunto sem qualquer eco nas aspirações dos lisboetas (que me parece que até acharam muito bem, tendo em conta a absurda quantidade de freguesias na capital e o facto da Câmara se ter antecipado a burocráticas imposições externas) e que tinha como principais destinatários os próprios eleitos da CDU. De resto, concordando com várias críticas que fez à gestão de António Costa, a oposição foi permanente e sem critério, sem que, ao fazê-lo, se tenha demarcado do PSD e do CDS. Daqui a quatro anos logo se verá o que mudou e se estou a ser injusto na minha avaliação. A minha dúvida está, por isso, entre António Costa e João Semedo (para a Assembleia Municipal já reservei o meu voto para a Ana Drago).

 

Confesso que o meu voto em António Costa seria o natural. Foi, genericamente, um bom presidente de Câmara. Foi seguramente, com Jorge Sampaio, o melhor que Lisboa conheceu (tarefa relativamente facilitada). O seu trabalho é desigual e, em áreas como o urbanismo, deixa a desejar. Como nunca votei em candidatos perfeitos, o facto de ter resolvido os problemas financeiros da autarquia (o buraco de Santana e Carmona foi colossal) sem reduzir drasticamente serviços, mantendo a cidade a funcionar e até avançado com novos projetos, não despedindo trabalhadores e ainda integrando os que estavam a recibos verdes, seria mais do que suficiente para o meu voto. Em tempo de crise, António Costa mostrou que há formas de a contornar. E, quando tudo no País está pior, o que não depende do poder central em Lisboa está genericamente melhor. A esmagadora votação que as sondagens preveem e o apoio alargadíssimo que Costa conquistou, da direita à esquerda, resultam disso mesmo.

 

Teria boas razões para não votar no Bloco de Esquerda. Não me esqueço do seu comportamento no processo Sá Fernandes. Sou alfacinha apaixonado, daqueles que acham que ter nascido em Lisboa é uma sorte comparável a ganhar o totoloto. A política local diz-me muito. Foi aí que começaram as minhas divergências mais profundas com o Bloco. E que se confirmaram pelo comportamento dos eleitos na Assembleia Municipal, que, nos assuntos mais inacreditáveis, se puseram ao lado do PSD. Mas também não desconheço que a escolha de João Semedo (assim como a de Ana Drago) corresponde a um virar de página. E que o próprio já assumiu a vontade de ter o Bloco a participar no executivo, com pelouro. Uma mudança na política local pela qual batalhei, sem sucesso, durante anos. E que tem, nestas eleições, os protagonistas certos.

 

Felizmente, a minha indecisão não nasce da falta de escolha. É entre um presidente que merece o meu voto e um candidato que eu gostaria de ver como vereador, pelas enormes qualidades que lhe reconheço e para desembruxar de uma vez as convergências que se podem fazer à esquerda sem que ninguém seja obrigado a violentar-se. Dum lado, o que é justo, tendo em conta o passado: um bom presidente e um comportamento errático do Bloco. Do outro, o que posso esperar do futuro: uma maioria absoluta esmagadora que se pode tornar autista e um vereador capaz de assumir responsabilidades. É entre o que sei e o que espero que me decidirei. Sem nenhum apelo ao voto que não seja este: tudo menos Seara. Nem precisam de mais: passeiem por Sintra e vejam como se pode governar durante tanto tempo um concelho sem fazer seja o que for. Lisboa dispensa o regresso à mediocridade.

 

Publicado no Expresso Online


por Daniel Oliveira
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66 comentários:
JgMenos
Lá vão os dois votos para o Bloco e um lambidela para o PS.

deixado a 27/9/13 às 10:41
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José Peralta
JgMenos

Então dê lá a sua lambidela no PSD e no CDS !

Ou eles não merecem ?

Aqui tem a "minha" ! Mas por interposta pessoa...

(...) "Estas eleições foram eleições livres da troika, para a asneira e para a coisa boa, capazes de ainda manter algum espaço saudável em que o garrote vil das "inevitabilidades" não entra. Foram eleições em que o PSD e o CDS prometeram pontes e calçadas, túneis e aquedutos, livros gratuitos e medicamentos para todos, óscares de Hollywood e prémios internacionais de arquitectura, ou seja, foram eleições que ocorreram nos bons e velhos idos do esbanjamento no seu máximo esplendor. Sócrates devia sentir-se em casa, no meio dos cartazes autárquicos, Passos Coelho devia pintar a cara de preto por não conseguir convencer os seus méritos de empobrecer. Mas, bem pelo contrário, andou nas arruadas soterrado por círculos de guarda-costas e de polícias. Estranho, não é ?" (...)
 
(...) "A coisa está tão negra e tão confusa, tão desesperançada, que nem o ministro da propaganda Maduro, está com força anímica para inventar mentiras eficazes." (...)
 
José Pacheco Pereira (in "Público-28-9-2013)

(Sublinhados meus !)

 


JgMenos
O espírito do 'lambedor' não é estruturalmente diferente do espírito do 'detractor'.
Ambos enfermam duma disfunção de carácter que se revela pela exclusiva exaltação da parte que lhe satisfaz um qualquer mesquinho interesse ou sentimento.
O Pacheco Pereira vive um grave ataque de mesquinhez, tanto mais ridículo quanto mais revela os pastos marxistas em que por tanto tempo ruminou.
Frustado o seu projecto de ser o alter ego de um 'Príncipe' reage a tudo que se lhe apresente como Poder.


José Peralta
JgMenos

Deve ser o mesmo espírito "de...tractor", a mesma disfunção de caracter, que têm Manuela Ferreira Leite, António Capucho, Bagão Felix, entre outros, pela simples razão de que não têm capacidades, vida profissional, experiência política.

Sim, porque nenhumas outras razões lhes assistem, para tomarem as posições que agora tomam !

Partido-dependentes, "arredados" das benesses, das prebendas e mordomias que o "quebrado" dá aos que se lhe mantêm  "fiéis", só falam por despeito, vingança, "disfunção de caracter" !

(Parece ainda não ter reparado, mas você não descola desse "argumento" ! Difícil arranjar outros, mais "argumentativos" e...convincentes, não é ? Lança-se um labéu...e pode ser que pegue ! Nem sequer é original).

Não sabendo fazer mais nada na vida, sendo "viciados" nessas mordomias que lhes mantinham o "status", enveredam agora pela maledicência, pela intolerância, pela raiva contra quem lhes "fez (nos faz !) tanto bem"...

Não renego as opiniões que, num passado recente, eu tive sobre Ferreira Leite e Pacheco Pereira. Mas é-me impossível não estar de acordo com o que eles e muitos outros, da área dos dois partidos, agora dizem. Só que eles, têm a inegável coragem de o dizer públicamente !  

Já "putas" isentas, que "não enfermam de uma disfunção de caracter, que lhes satisfaça quaisquer mesquinhos interesses e sentimentos", são os que se mantêm caninamente fiéis à "voz do dono", qualquer ela seja. 

E que "bom exemplo" entre outros, é um tal josé luís arnaut, que se mantém fiel "ao seu presidente", sejam  Durão Barroso, Santana Lopes, Manuela Ferreira Leite, agora o coelho, e ao que se seguirá !

É este, em suma, o caracter, verticalidade, coluna vertebral, peculiares a estes lambedores "políticozecos de aviário"...e de cartão de "sócios" ao peito, a agarrarem-se como lapas, porque não sabem fazer mais nada !

Iguais aos muitos coelhos que defecam na "coelheira"... 

E agora : Pacheco Pereira falando sobre o "estado a que isto chegou", na universidade de Verão (Loulé-Setembro de 2013)

A audiência, pouca e de idosos ! Os putos e a gentalha, devem ter ido para a praia ou para o casino, para não engolirem os sapos...
 
http://www.youtube.com/watch?v=JsCqDkLVv5U (http://www.youtube.com/watch?v=JsCqDkLVv5U)



JgMenos
Estou com pressa - por agora lembro-lhe que há um 'dono': troika...


José Peralta
A troika, tem as costas largas...


Não a posso ver nem pintada, mas tem servido de alibi à escumalha, para ir muito além dela !


Lembro (lembro-lhe) o gaspar, que teve a desfaçatez de, quando a Irlanda propôs um alargamento de quinze meses para resolução da dívida, esse fantoche disse que para Portugal, bastavam sete meses...e ainda veio gabar-se disso !


É só um exemplo entre muitos...






JgMenos
Quem tem dívidas e precisa de empréstimos entrega-se aos credores.

Aparentemente construiu uma qualquer expectativa de que o maná lhe é devido.
É uma fé como outra qualquer!
Quanto ao PPereira, depois de 6 minutos de explicação do como ia e não ia falar do que uns chamam a 'realidade' mas que não é toda a realidade, mas sim duas para trás e uma para a frente, tudo isto sem querer ser instrumental nem ontológico, recolhi-me a um sentido voto de compaixão pela 3ª idade de Loulé, e desisti! 

deixado a 29/9/13 às 16:46
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joão
Sou de Sintra e para já vejo uma coisa boa nestas eleições:  vou finalmente ver o Seara pelas costas.

PS: sou do Benfica e simpatizo com o PSD, embora vote muitas vezes noutros partidos mas, sem dúvida nenhuma, a escolha do PSD para Sintra nestes ultimos 12 anos foi uma vergonha.

O Seara deve ter sido um dos piores presidentes de câmara deste país. Não me lembro de absolutamente nada que ele tenha feito em Sintra.

deixado a 27/9/13 às 10:52
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Fenómeno do EnTroikamento
Não sou de Sintra e desconheço a realidade mas de forma genérica, tomara o país que a maioria dos autarcas (e políticos em geral) nada tivesse feito.
Não melhoravam nada, é certo, mas também não tinham dado cabo de tanta coisa que estragaram irremediavelmente.

deixado a 27/9/13 às 12:17
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Carlos Marques
João,


O que é que ser do Benfica tem a ver com o Seara? Seara não é do Benfica. Seara é do Seara. Um tipo que janta com o Pinto da Costa no dia seguinte a mais um caso Proença, um tipo que deixa o Manuel Serrão levar adereços anti-Benfica para um debate supostamente desportivo e não se vai embora no momento, é do Benfica? Seara é do Seara. 

deixado a 27/9/13 às 12:20
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Fernanda
Ai, o Seara!


Que crómio!

deixado a 27/9/13 às 22:43
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Carlos Marques
Votarei Costa. O voto no Dr. João "Jean-Luc Picard" Semedo (vejam a foto nos cartazes) é um voto para extrema-esquerdistas recalcitrantes.

Votaria Costa também para PM - talvez não votasse se fosse contra o Dr. Rui Rio -, isto apesar de corrermos o risco de ele vir a querer construir uma ciclovia Lisboa - Porto.

Costa é fixe!

Um aparte: Gonçalo Azevedo Ferreira, jornalista da SIC, é o novo António Tavares-Teles?
Parece que, para a SIC, o tema Jorge Jesus e a notificação incrível da noite para o dia é um assunto mais importante e muito mais grave do que a incapacidade, incompetência, impotência da Polícia para notificar Oliveira e Costa.
Está visto que Oliveira e Costa faz parte do regime, sabe muito sobre o regime, e por isso é protegido, tal como o clube do regime o é.

A SIC é anti-benfiquista. O caso Adelino Caldeira não lhes interessa. Sobre isso já não foram ouvir a correr o José Manuel Meirim. E na noite da derrota com o Chelsea, tiveram o descaramento de passar o "When the Doves Cry" no jornal da meia-noite da SIC Notícias.
O regime está podre e precisa de sangue novo.


 

deixado a 27/9/13 às 10:53
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Carlos Marques
Onde está "A SIC é anti-benfiquista." deve ler-se "A SIC é anti-benfiquista?".

deixado a 27/9/13 às 12:36
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Nunes
eh pa essa do picard fez-me rir.


Carlos Marques
boa iluminação e photoshop... o Dr. João Semedo parece que está num anúncio a cosméticos para homem...

deixado a 27/9/13 às 16:25
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Leco da Caparica
Enquanto em Almada (...) a CDU (...)mais não faz do repetir os piores vícios da pior gestão autárquica (...)

Sou deste Concelho, em verdade lhe transmito que o Sr. Daniel está equivocado, se é bem certo que não há gestões perfeitas seja do que for, o Municipio de Almada não está endividado, antes pelo contrário, na área metropolitana de Lisboa, é a Câmara que mais rápido paga aos fornecedores (máx. 45 dias) dado o rigor financeiro que nunca foi em "futebois" ou obras "faraónicas". Pode-se questionar as opções das intervenções e obras públicas (podiam ter feito isto quando fizeram aquilo) pois aos gregos e troianos não se pode agradar ao mesmo tempo. Mas dái ao Sr. Daniel apelidar de "piores vícios", deve estar mesmo muito mal informado ou não tem boas relações com o Bloco de Esquerda de Almada que apoia a CDU para que por exemplo, o PS do passado não pudesse eleger Paulo Pedroso!.

Entretanto, deixo-lhe com o uma parabola:
"naquele tempo, houve registo da 1ª consulta popular democrática da História, quando Pôncio Pilatos, regente romano da provincia da Judeia, perguntou ao povo: - Quereis que soltai Jesus ou Barrabás?
..... E o povo escolheu por maioria relativa o LADRÃO!!!"

deixado a 27/9/13 às 11:01
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Política fiscal é isto: fazer parte das poucas câmaras que têm o IMI mais alto do País, maltratando aqueles que se diz defender. É caso para dizer: bem prega frei Tomás... Política urbanística não preciso de explicar. É passear pelo concelho. Ali encontra-se o que já nem nos piores concelhos existe, desde a degradação, o péssimo planeamento, o desprezo pelos mais pobres e o império da especulação. Arrisco-me a dizer que Almada é o concelho pior gerido da Área Metropolitana de Lisboa. Talvez só consiga competir com a Amadora e, agora, com Loures, ambas do PS.


A.Silva

Mas para o Daniel, o António Costa já não tem os "piores vicios"... pois não, desde alugar espaços públicos durante 17 dias a empresas privadas, para lançamento de uma marca de carros, impedindo os moradores de frequentar os seus espaços públicos. Prática que se tem vindo a multiplicar sendo confrontados em qualquer espaço público com mais outra dessas "dignas e culturais" iniciativas, como a semana passada parte da Avenida da Liberdade estar vedada aos lisboetas para o lançamento de uma merda qualquer de uma empresa chiquérrima, ou então transformar a Praça do Comércio na quinta do merceeiro belmiro.

Ou então, o Daniel acha a gestão de Costa boa, por pretende fechar mais três hospitais da colina de Santana (um já foi fechado), para em troca entregarem os terrenos e os edificios a promotores privados ou para condominios privados, expulsando as popuações do centro de Lisboa e obrigando as populações a ter que se deslocar para cascos de rolha para irem ao hospital.

Não Daniel, o teu problema não são os "piores vicios", é uma questão ideológica e provávelmente vais votar costa, porque é aquele que está mais perto de ti ideológicamente enquanto social-democrata, enquanto defensor dos restos do capitalismo!


xuxu
Daniel,


No post acima tens a resposta pela qual sera sempre impossivel uma coligacao com o BE ou PC.


Nada menos que a "perfeicao" e aceitavel. Nada menos que o totalitarismo.


E muito dificil para certas pessoas perceberem que uma escolha tem sempre defeitos e problemas. Que uma avaliacao adulta da situacao e sempre uma soma de positivos e negativos. E que por vezes temos que engolir elefantes (para mim o fecho de espacos publicos para fins privados e um elefante a engolir).


O BE/PC sao sobretudo um conjunto de pirralhos mimados que querem tudo precisamente a vontade deles. A questao Sa Fernandes nao foi conjuntural, foi estrutural.


A-Silva

Olha xuxu lá que gostes de engolir de tudo até elefantes o problema é teu e desejo-te boa sorte, eu engoli uma vez um sapo e ainda hoje me está atravessado.

Ó Daniel, olha os xuxualistas a piscarem-te o olho.

deixado a 27/9/13 às 19:25
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Augusto
XuXu, Gosto muito de propaganda, mas desde que seja assumida.


O António Costa tem muitos e graves erros na sua gestão, alguns já referi noutro comentário, e é uma obrigação dos candidatos da Esquerda a sua denuncia.


 Recebi há 2 dias em plena campanha eleitoral um boletim da minha junta, que mais não é  , que  propaganda DESCARADA ao candidato do PS.


Não se deve denunciar isto?


 O PS denunciou e bem este tipo de atitude quando o PSD geria esta junta, agora faz exactamente a mesma coisa.


Quanto ao fecho de espaços publicos para fins privados,  leia o que este mesmo Daniel Oliveira , escreveu  há alguns anos,  sobre um evento na  Praça das Flores...E penso que ele ainda não mudou de opinião.


Sobre o Sá Fernandes preferia quando ela era uma  especie de provedor dos Lisboetas, sem medo de denunciar aquilo que achava mal, hoje infelizmente acomodou-se, é  passou a engolir elefantes, mas perdeu muito do crédito que tinha,  INFELIZMENTE,



deixado a 27/9/13 às 20:07
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DO,

Não fossem as muitissimas Camaras bem geridas pelo BE e o poder autarquico era uma lastima.

Por vezes um pouco de decoro não fica mal.

Politicamente o meu inimigo politico nunca foi o BE mas sim a TOIKA interna. NAs acções promovidas pelo BE ma minha zona vou a todas, já o contrario...

deixado a 27/9/13 às 21:09
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Lear
Caro Daniel,
Sou de Almada, aqui nasci, aqui cresci e aqui vivo.
E o Daniel tem toda a razão: a CDU fez aqui durante anos e anos o pior que se possa imaginar.
Do urbanismo à política fiscal. Só se aproveita a cultura e o desporto.


Um abraço Daniel

deixado a 29/9/13 às 20:04
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Carlos Marques
Metro Sul do Tejo. Um capricho da dona presidenta... Um elefante branco ruinoso. Nem é preciso dizer mais nada. 

deixado a 27/9/13 às 12:23
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Anónimo
Sobre a gestão da CDU na CM Almada.
Assédio Moral:
http://metoscano.blogspot.pt/2011/09/assedio-moral-na-camara-municipal-de.html (http://metoscano.blogspot.pt/2011/09/assedio-moral-na-camara-municipal-de.html)
Nepotismo:
http://metoscano.blogspot.pt/2010/08/que-estranha-relacao-e-esta.html (http://metoscano.blogspot.pt/2010/08/que-estranha-relacao-e-esta.html)
Despesismo:
http://sol.sapo.pt/inicio/Sociedade/Interior.aspx?content_id=26220 (http://sol.sapo.pt/inicio/Sociedade/Interior.aspx?content_id=26220)



 

deixado a 28/9/13 às 12:37
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"...Raramente voto em branco ou nulo, porque me custa aceitar que, perante tantos candidatos, nenhum me mereça sequer o benefício da dúvida.." - pois é precisamente aqui que muitos de nós nos encontramos. A política que se faz hoje em Portugal tem que ser arrasada de vez para podermos fazer nascer uma nova verticalidade no processo eleitoral - mais transparente, mais justo e sobretudo, mais nobre. Enquanto isso não acontece, e porque de facto perante tantos políticos e candidatos, que apesar de divergentes cores políticas continuam todos a beber da mesma velha e enquinada fonte, o meu voto será Branco. Nenhum sequer merece o beneficio da dúvida com estas regras de jogo. Muitos votos brancos deviam obrigar os politicos a refundarem a verdadeira democracia e a repensarem o enquadramento moral do que se exige a um bom politico, que represente bem os interesses do que é de todos nós, cidadãos de um país...

deixado a 27/9/13 às 11:03
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JP
Tanta palavra para não dizer nada.
Tanta desculpa para se pôr de fora do problema.

"nascer uma nova verticalidade" - LOL


Aos JPs do Mundo digo que essa verticalidade ( a da sua LoLada :-)...) está a tornar-se cada vez mais inevitável. O esterco político onde muitos insistem em banhar-se terá nas novas gerações -uma resposta bem clara e à altura das palavras e das desculpas em que não consegue ver nada...! Sou esclarecida, obrigada. Passar bem.


Tanta conversa para evitar dizer que tem saudades do fascismo. Vá, Raquel, admite duma vez. O que tu queres é um salazar em cada esquina, como qualquer taxista.

Há SEMPRE males menores. Só deixará de haver quando as Raquéis deste mundo destruírem o que resta de democracia.

deixado a 28/9/13 às 22:51
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Antónimo
Sabendo o que acha de Sá Fernandes - e que aqui assume - o melhor é não ligar peva à sua leitura sobre autárquicas. Ainda nos saíam mais Tavares e mais Alegres.

deixado a 27/9/13 às 11:05
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Dezperado
"Como nunca votei em candidatos perfeitos, o facto de ter resolvido os problemas financeiros da autarquia (o buraco de Santana e Carmona foi colossal) sem reduzir drasticamente serviços, mantendo a cidade a funcionar e até avançado com novos projetos, não despedindo trabalhadores e ainda integrando os que estavam a recibos verdes, seria mais do que suficiente para o meu voto. Em tempo de crise, António Costa mostrou que há formas de a contornar"

Antonio Costa resolveu os problemas financeiros da autarquia??? eheheheh....boa piada.

deixado a 27/9/13 às 11:13
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Resolveu, só não resolveu
O estacionamento selvagem e em dupla fila.
O problema do Parque Mayer
O problema de EntreCampos
A urbanização da Praça de Espanha
Acabar com as obras da Ribeira das Naus e avenidas seguintes.
Reabilitar os milhares de prédios da Câmara.
Libertar as centenas de prédios afectos a serviços Câmara.
Conseguir que um processo entrada na Câmara não demore cinco anos a resolver.
terminar de uma vez para sempre as "obras" nas Piscinas Municipais.
Há mais.
Fica para o próximo presidente quando este der o salto para chefiar o PS.

 

deixado a 27/9/13 às 17:33
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Ricardo
Em quem votavas em Almada então, só por curiosidade? E de que mal gestão é que estás a falar e já agora quem realmente tem responsabilidade ou de que período estás a falar? É preciso ser mais transparente do que isso que fizeste...

deixado a 27/9/13 às 11:18
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Nuno
Tenho uma ideia diferente de Lisboa. No que respeita a contas e burocracias camarárias, há opiniões divergentes... há quem diga que está pior que nunca, o buraco é colossal, e a estrutura é de uma burocracia atroz. Não conheço as contas ao pormenor, nem precisei de lidar directamente com os Serviços, por isso...
Já quanto à cidade, é verdade que não há cidades perfeitas, e Lisboa tem e terá  os problemas que qualquer metrópole, o trânsito, a poluição, etc... mas não tenho visto os avanços que o Daniel aponta, ou que a qualidade de vida tenha melhorado assim tanto. Transportes caóticos (aqui o Governo tem o dedo, mas ainda estou à espera da tal estratégia integrada da zona metropolitana), estacionamento não passa de um maná da EMEL, casas continuam a cair de podres enquanto que imóveis de valor histórico são mandados abaixo para que "alguns" possam fazer o seu negócio, etc, etc...

deixado a 27/9/13 às 11:25
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Ricardo
Não houve despedimentos na CML pela mão de António Costa?? http://lisboalisboa2.blogspot.pt/2007/11/despedimentos-no-diz-clula-do-pcp-na.html

E que dizer da externalização (venda) de serviços a privados com a consequente precarização do trabalho e baixa de qualidade?

Chiça, isto falar bem e parecer dizer coisas sensatas é fácil para alguns! Até parecia que sabias o que dizias oh Daniel!

deixado a 27/9/13 às 11:30
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Quanto às poucas dezenas (em muitas centenas) de trabalhadores precários não integrados, seria importante perceber como entraram e para quê. Acho que sabe do que falo, numa câmara onde quase todos os partidos enfiaram que puderam na autarquia.


Não conheço nenhuma câmara do PCP que tenha integrado a quantidade de trabalhadores precários que a CML integrou. E não têm poucos. Aliás, em matéria de defesa dos direitos dos trabalhadores do poder local, os trabalhadores das câmaras geridas pelo PCP estão privados, na prática, de representação sindical. Já que o STAL obedece, aí, antes de tudo, à entidade empregadora. E olhe que recebo muitos relatos disto mesmo.


A.Silva
O Daniel a propagar os mais básicos preconceitos anticomunistas: "os trabalhadores das câmaras geridas pelo PCP estão privados, na prática, de representação sindical. Já que o STAL ..."

Isto é a reprodução da mais nauseabunda verborreia anticomunista, utilizada por exemplo em Almada por CDS/PSD/PS.

Não Daniel, nas câmaras geridas pelos comunistas, nenhum trabalhador deixou de ser defendido pelo STAL, ou pelas Comissões de Trabalhadores, como a Câmara de Almada é exemplo.



Pode dar-me um exemplo de uma luta desenvolvida pelo STAL numa câmara dirigida pelo PCP? Qualquer uma dá. Não é preciso uma luta. Basta que seja um comunicado duro para a entidade empregadora. Venha um exemplo, por favor.


Carlos Marques
claro que não há... se estivessem no poder no Estado central, faziam como em Cuba... contra a realidade, não há paleio que resista...

deixado a 27/9/13 às 16:27
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Grevista
Já agora dê o Daniel o exemplo oposto. Um caso de um trabalhador de uma CM da CDU que tenha precisado do apoio e da luta do sindicato sem que este tenha agido em conformidade com o interesse do (dos) trabalhador (es).

deixado a 27/9/13 às 16:42
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vasco
Daniel, desculpe lá, mas está a falar de cor. Os seus "relatos" não valem um chavo. Ter um município com o nível cultural, desportivo, de equipamentos, e de transportes como tem Almada, estar no top das Câmaras menos endividadas e pagar a horas, não me parece muito mau. Depois de falar nos piores exemplos e que é o concelho pior gerido da AML, dar exemplos do que fala era no mínimo interessante. 

deixado a 30/9/13 às 11:55
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Carlos Marques
Ora nem mais! Por vezes penso que para reformar Portugal seria necessário ter o PCP no Governo. Era ver logo as Avoilas, os Nogueiras e os juízes do TC a colaborar. 

deixado a 27/9/13 às 12:28
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joão
Mas isso é a essência do komunismo. Os sindicatos (só um , o oficial) responde perante a entidade que manda nele: o Komité Central. Não representa trabalhadores, não deende os seus interesses, é um mero Komissário Politico do Komité Cental junto dos trabalhadores. Andam a mando do Partido e mais nada.


operário
isso é no país que vais inventado de forma a ajustar-se às tretas que vais escrevendo, Cá por estes lados o meu sindicato faz o que nós queremos que ele faça, e ponto.

deixado a 28/9/13 às 13:56
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