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Arrastão: Os suspeitos do costume.

O país precisa

Sérgio Lavos, 17.10.13

 

Hoje lá recebi a cartinha. No remetente, a Segurança Social. No destinatário, o criminoso que precisa de fazer uma apresentação quinzenal ao Estado, eu próprio. Lá dentro, o ISS convida-me encarecidamente a reembolsar 6% do valor dos subsídios de desemprego de Agosto e Setembro. O Estado precisa, eu tenho de devolver. Toma lá que é para não não me armar em desempregado. Quem me mandou sair de uma empresa que já me devia cinco meses de ordenado? Se não encontro trabalho, é porque não quero, sou um parasita. A esmola que o Estado me dá todos os meses é necessária para desenvolver o país. Se o Estado tiver de pagar aos 500 000 portugueses que ainda recebem subsídio, não tem depois dinheiro para injectar nos bancos ou para suportar a descida do IRC para as grandes empresas. Ainda bem que grande parte desta gente (os parasitas) está desempregada há bastante tempo, pois assim vai perdendo o direito ao subsídio. Devolvo de bom grado os 6% que os anti-patriotas do Tribunal Constitucional consideraram ser indevidamente cobrados a desempregados e a pessoas doentes. Quero que Soares dos Santos tenha uma reforma digna; que António Mexia possa manter o seu estilo de vida; que Ricardo Salgado possa esquecer-se de declarar oito milhões de euros ao fisco; que Arnaut e Catroga continuem a servir o país na administração de empresas dependentes do Estado. É para isso que eu sirvo. Ficarei mesmo à espera de receber em casa a próxima missiva da Segurança Social. Talvez traga dentro uma cápsula de cianeto. Se eu não encontrar trabalho nos próximos tempos, posso sempre abdicar de ser um fardo para o Estado. O Governo merece, os empreendedores deste país merecem, o futuro e o progresso não podem esperar. O país precisa de mim, e se for necessário dar a vida por ele, cá estarei.

5 comentários

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    Sérgio Lavos 17.10.2013

    Portanto, a solução é tratar de forma vergonhosa também os funcionários públicos?
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    Carlos Marques 17.10.2013

    Não, a solução é não ter de carregar as empresas de impostos para manter o emprego para a vida e os direitos adquiridos em troca de votos dos funcionários públicos. 


    Porque é que eles têm uma Constituição e nós temos outra? 
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    mari 18.10.2013

    Faz-lhe espécie os previlégios dos funcionários públicos, mas não da deputalhada que como faisão a 5 euros... Nunca lhe passou pela cabeça se um funcionário do privado é despedido por que uma empresa faliu de quem é a culpa, não será do próprio estado que não deveria penalizar pretensas e falsas falências, o próprio estado que vem elogiar os privados nada faz para os proteger. Falsas falências que só veêm acumular os ditos 48 mil milhões de euros que os privados não pagam e não estou a falar dos pequeninos que se lixam sempre. 
    Estou a falar do próprio regime contributivo do sistema privado que permite tanto fugas como que os trabalhadores se vejam privados das suas contribuições que se foram sei lá para onde? Relembro no tempo do Sócrates quando ele implementou a contribuição de 50% sobre o subsidio de natal para todos os trabalhadores arrependeu-se por que do sector privado só arrecadou uns meros 10%. Preocupem-se é com a corrupção, alterem a constituição para que os senhores do poder politico trabalhem em regime de exclusividade no sector público e se acabe esta promiscuidade, e ficamos todos a ganhar....
    Mas parece que isto não vos entra na cabeça.... A ignorância e teimosia é muito atrevida....


    Sim há funcionários públicos e não são mais que aqueles amiguinhos que entraram por conveniência politica a ganharem 4000 e 5000 Euros por mês, sim esse FPs é que me chocam... Voçê também é daqueles que acredita que as subvenções acabaram...
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    Carlos Marques 20.10.2013

    "mas não da deputalhada que como faisão a 5 euros" 


    estaria contra isso, mas o Sr. Daniel Oliveira afiança que não é verdade e que os deputados não têm esses privilégios e a senhora acredita no Sr. Daniel Oliveira, certo? 
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