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Arrastão: Os suspeitos do costume.

Memórias sem repouso

Miguel Cardina, 18.10.13

 

Erich Priebke foi o oficial das SS responsável pelo massacre das Valas Ardeatinas. Nesse lugar de Roma, a 24 de Março de 1944, 335 italianos foram assassinados a tiro. Capturados ao acaso, eram a represália a um ataque realizado na véspera pela Resistência a uma coluna nazi. Eram uma amostra da cidade a punir. Numa mensagem póstuma, divulgada após a sua morte recente, Priebke reafirmou a tese da regra dos 10 para 1 (10 italianos por cada alemão morto), colocando o ónus do massacre nas mãos da Resistência. Uma tese que, em Itália, não está circunscrita às franjas da extrema-direita. Alessandro Portelli, num livro impressionante chamado L'ordine è già stato eseguito, mostrou a inexistência de qualquer aviso prévio de retaliação e analisou como as narrativas sobre Valas Ardeatinas, no seu jogo de recriação do ocorrido, nos dizem bastante sobre o "conflito de memórias" na Itália do pós-guerra. Um conflito que se mantém, como a persistência da tese e o corpo insepulto bem o demonstram.


PS - Com o Bruno Cordovil - que me alertou para a morte de Priebke - traduzi uma colectânea de textos de Alessandro Portelli para as edições unipop. Um deles é precisamente sobre a ataque na Rua Rasella, as Valas Ardeatinas e a memória destes episódios na Itália Contemporânea.

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