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Arrastão: Os suspeitos do costume.

Revolution/Beatles

Sérgio Lavos, 27.05.10


Sem a pressão de ter de escrever um texto para o Arrastão - os nossos comentadores valem mesmo muito - dedico o serão a ouvir velhos êxitos dos Beatles, como costuma dizer-se, a banda da nossa geração. Da minha, que nasci em 1975, da anterior e das que virão - tanto tempo passado e continuam a ser a última novidade. De Rubber Soul em diante há poucas canções que não sejam melhores do que noventa e nove por cento do que se produz actualmente, mas a diferença nem é esta divina contabilidade. Até chegarmos aos Beatles, a música era uma cómoda com gavetas onde cabiam os vários géneros, de forma muito arrumada e certinha. Havia o blues, havia o jazz, havia o country, havia a folk. Eles pegaram nisto tudo, misturaram, cortaram e copiaram, ampliaram a experiência musical das massas e revolucionaram o mundo. Existe praticamente uma música dos Beatles inspiradora de cada género surgido depois, da pop das harmonias vocais ao punk (Revolution), ao heavy-metal (Helter Skelter), à britpop e ao shoegazing, etc, etc. Pode-se afirmar, sem exagero, que há um pouco de Beatles em quase toda a música pop posterior, mesmo naquela que recusa a herança da banda.

Para além da música, a mitologia associada. O assassinato de John Lennon por um leitor de J. D. Salinger, a suposta morte e substituição do Paul McCartney original, a aproximação a Ravi Shankar e ao hinduísmo - a melhor letra dos Beatles foi escrita por George Harrison (neste momento estou a ouvir Revolution 9, uma cacofonia de ruído aleatório que inclui a música original tocada de trás para a frente, e é um arrepio na espinha) e chama-se Within without you - a intromissão de Yoko Ono, as letras escritas sob a influência de drogas, as visitas à Rainha.

O idealismo pacifista e cínico que John Lennon mostra em Revolution continua a fazer todo o sentido nos dias que correm; acredite-se ou não em revoluções, tudo vai ficar bem.

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