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Arrastão: Os suspeitos do costume.

Notícias da frente vermelha*

Sérgio Lavos, 29.08.10


O Benfica, que parecia ter tudo preparado para avançar para outros voos, foi parado por uma ave rasteira, um Roberto que trouxe a equipa de volta à terra. O atleta parece ter-se perdido pelo caminho, preso nas redes de um negócio que Luís Filipe Vieira deveria explicar muito bem a todos os benfiquistas, mas veio à tona contra o Vitória de Setúbal, essa instituição benemérita desde 2009 (8-1 foi o ponto de partida, não esquecer isso).

A terceira jornada começa a definir posições: um Porto forte, um Sporting à procura de um pinheiro e um Braga comandado por um Domingos que, pese embora hesitações de personalidade do passado, parece ser o verdadeiro herdeiro de José Mourinho. E com esta proclamação espero concretizar a maldição associada - todos os que assim foram definidos acabaram perdidos numa qualquer quinta dimensão fundada por Luís Campos.

Roberto não merece o poleiro, nem com penalty falhado por Hugo Leal - o Moreira deve ser um dos benfiquistas mais mal tratados das últimas décadas. De titular aos 18 anos a um calvário de lesões e treinadores que sempre viram nele o patinho feio que nunca irá abandonar a ninhada, tem tido de tudo. E sem merecer. Melhor do que Quim, Júlio César ou Roberto, aceita o prolongamento de contrato em troca de um salário mais baixo. O amor ao Benfica é uma cruz difícil de carregar.

Quanto ao resto, Gaitán não é Di Maria - o óbvio ululante - mas aquele pé esquerdo pode fazer virar o sentido de um jogo. Os vinte e dois minutos de Salvio foram prometedores e a defesa parece começar a ganhar tino (se exceptuarmos o delírio momentâneo de Maxi). Falta Cardozo. Ou falta outro ponta-de-lança que não seja Cardozo. O que se passa com Rodrigo? E Coentrão corre o risco de se tornar o melhor lateral-esquerdo do mundo. Não é pouco.

A horda de anti-benfiquistas encontrou outro bode expiatório (o meu prazer culpado é ler os comentários das notícias sobre o Benfica na
Bola): a equipa adversária. Se o árbitro não se envolveu em nenhuma caso polémico (houve um penalty por marcar a favor do clube da águia, mas isso são peanuts); se os túneis ficaram desertos ao intervalo; se não houve uma qualquer intervenção divina que tivesse levado as bolas na direcção dos postes e da barra; se mesmo com inferioridade numérica jogaram muito melhor - então a culpa só pode ser do adversário, que entregou o ouro ao bandido. Hugo Leal regressou às origens e falhou o penalty de propósito; Manuel Fernandes é amigo de Jesus; os jogadores do Vitória não se esforçaram; etc., etc. Tudo bem, espero que daqui para frente a imaginação da horda continue tão fértil como neste jogo. Cá estaremos.

*Esta é uma nova rubrica, sobre o Benfica, que conto actualizar todas as semanas.

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