Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]

Arrastão: Os suspeitos do costume.

Não desistir

Sérgio Lavos, 30.09.10


Calhou ser no dia da apresentação do PEC III o dia de luta convocado pela Confederação Europeia de Sindicatos contra as medidas de austeridade adoptadas nos países da UE. Não sei até que ponto o Governo planeou a coincidência de datas. Havia urgência, há uma crise política, indicadores catastróficos da economia. Seja como for, o que vimos nos telejornais foi um desfilar de notícias relacionadas com o PEC e o constante bombardear da alcateia de lobos liberais que opinam nas televisões parcialmente saciada - o medina-carreirismo parece estar a ter o seu dia. Gabriel Malagrida, rói-te de inveja. Não interessa que medidas semelhantes estejam a ter consequências negativas na Irlanda, ou que a eficácia em Espanha e na Grécia seja reduzida; não interessa que o imposto mais socialmente injusto de todos, o IVA, tenha sido o escolhido para sofrer uma subida. Nem que se tenha decidido descer os salários e reduzir os benefícios fiscais (medidas que irão afectar sobretudo a classe média), mantendo intocado e regime contributivo excepcional de que a banca usufrui. E também não tem qualquer importância não haver propostas reais de combate ao despesismo do Estado - a multiplicação de organismos públicos, as parcerias público-privadas, que apenas beneficiam os privados, a compra de material de guerra em tempo de paz, etc, etc, etc. Não há, nunca haverá uma real vontade de justiça social por parte deste Governo. Nem deste, nem do próximo, mesmo que mude a cor política do mesmo. O "S" de PS, mais do que nunca, nada tem que ver com socialismo.

O que se pode fazer? Seguir o exemplo de quem luta nas ruas, em
Espanha ou na Grécia, parece ser o único caminho para fazer a diferença. Os telejornais de hoje pouco mostraram das manifestações um pouco por toda a Europa. Como também não falam das greves em França. Parece que voltou a cair sobre o país um véu que parece querer esconder o que se passa lá fora. Não é quem está agora no desemprego, quem sofre e ainda vai sofrer mais com as medidas de austeridade, que é culpado da crise, por muito que nos tentem convencer disso. A crise não pode servir de pretexto para o que está a acontecer; até porque existem outros caminhos, que, infelizmente, parecem estar a perder o combate mediático com os profetas da desgraça. No meio de tudo isto, há outra coisa que me deixa intrigado: por onde anda a CGTP, que ainda há dois meses conseguiu organizar uma manifestação com 150 000 pessoas? Hoje, por exemplo, decidiu não convocar uma greve geral e limitou-se a picar o ponto nas ruas. Este não é um tempo de comer e calar - as soluções que estão a ser ensaiadas são gravíssimas e representam um retrocesso social aterrador. E nada, muito menos esta crise provocada por políticas erradas e pela complacência perante o capitalismo desenfreado das últimas décadas, pode justificar tais soluções. Mais do que uma questão de cidadania, é de sobrevivência. Se os governos tomam medidas de excepção, quem sofre as consequências também tem de as tomar. É o caminho.

25 comentários

Comentar post

Pág. 1/3