Saltar para: Post [1], Comentar [2], Pesquisa e Arquivos [3]

Arrastão: Os suspeitos do costume.

A verdade dói e não tem cura

Sérgio Lavos, 04.10.10


Cantava Zeca Afonso sobre a formiga seguindo em sentido contrário, e é natural pensar na canção lembrando Lula da Silva, o presidente cessante do Brasil. Há ali um ritmo na música de Zeca que faz lembrar o melhor balanço de João Gilberto, por exemplo. O Governo Lula apenas pode contar com o outro Gilberto, menos músico e mais político - mas não o suficiente. Chegou, e o legado de Lula é mais claro olhando para algo que os seus adversários gostam, em outras situações, de exibir: os números da economia. Como o Daniel já explicou, o Brasil em oito anos cresceu como nunca, tornando-se uma potência económica, mas sem esquecer os milhões de pobres que os sucessivos regimes ditatoriais ou neoliberais foram criando. Até parece ser possível gerar riqueza tornando o fosso entre ricos e pobres mais curto, não é? O caminho contrário de Lula - crescer sem deixar ninguém para trás - confundiu a direita brasileira e também a que por cá grita contra o Estado Social e clama por um neoliberalismo desregulado. Há quem ache que tudo começou com Fernando Henrique Cardoso, mas vamos lá fazer as contas: os números indicam o contrário. Há também quem tenha andado oito anos a falar em corrupção; curiosamente, os mesmos que não falam (nem falaram) dela a propósito do Governo de Cardoso. A verdade trama o pior dos pessimistas. Agora, há alguns adeptos da filosofia marialva-taxista que, entre o insulto fácil e a sacudidela ao nível de um postiço brega de Jorge de Sena, comparam Dilma Rousseff a uma manicure. Lula era bêbedo e iletrado e um marxista da pior espécie, lembram-se? Dilma é apenas manicure. Parece-me um avanço. O carreiro em sentido contrário está feito; Dilma tem a vida facilitada.

Comentar:

Se preenchido, o e-mail é usado apenas para notificação de respostas.

Este blog tem comentários moderados.

Este blog optou por gravar os IPs de quem comenta os seus posts.