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Arrastão: Os suspeitos do costume.

Notícias da frente vermelha (com um ligeiro desvio à boca da baliza)

Sérgio Lavos, 29.10.10


Acabei de perder mais uma declaração do Presidente da República ao país (a que eu mais lamento foi aquela sobre o estatuto político, ou jurídico, ou lá o que foi, dos Açores), mas parece que ele terá dito que espera haver um entendimento entre PSD e PS. Imagino que a ideia de "magistratura activa" passe por estas intervenções que apenas excitam os fãs da linha dura e um ou outro doido que, por manifesta ausência de concorrência, acha Cavaco a quinta essência do estadista, uma espécie de Churchill mais magro e abstémio. Cavaco tem o mérito de ter dado o empurrão inicial ao país na direcção ao abismo, conduzindo-o pelas maravilhosas auto-estradas que romperam a paisagem nacional e nos colocaram na cauda do desenvolvimento europeu. Não serei eu a retirar-lhe esse mérito, e certamente que a sua campanha, sem outdoors mas com um assinalável excesso televisivo, não irá deixar de vincar a sua vocação bartlebyana, entre o silêncio e o vazio de ideias, ponderando nos bastidores o melhor caminho para a sua (mediana) glória.

Não terá sido tempo perdido, portanto, aquele que passei a ver o Benfica-Paços de Ferreira, e apercebi-me de que passou uma semana sem notícias da frente vermelha. Vocês sabem que eu sei que vocês sabem que eu sei que o Benfica encaixou três jogos medíocres de seguida, dos quais perdeu um, com uma equipa a sério, o Lyon, e ganhou os outros dois, parecendo embalar numa sequência vitoriosa. Descontada a influência da recuperação para a vida de Roberto - e resta saber se esta recuperação também se estenderá ao futebol -, o grande factor de sucesso (bela expressão da modernidade) nestas últimas semanas tem sido a fraqueza dos adversários. O que pode ser um problema; como se viu em França e na Alemanha, falta ainda alguma qualidade e bastante classe para enfrentar os adversários mais difíceis. As contratações serão um caso a estudar: Gaítan é o quê? Um médio-esquerdo? Um número dez? Saberá fazer um passe de risco, um centro decente? Grandes questões que acentuam a inexistência de César Peixoto enquanto verdadeira alternativa a Fábio Coentrão (como a clonagem parece ser ainda uma utopia, continuaremos a vê-lo apenas ou como defesa ou como médio; apesar de por vezes parecer que faz os dois lugares ao mesmo tempo). O Benfica tem sido, nos últimos jogos, uma equipa segura na defesa e pronta a cometer um hara kiri a cada momento na zona do meio-campo (talvez o jogo de hoje seja a excepção). Resta-nos esperar que surjam lances como o de Aimar - mas será que Jesus sabe que apenas aparecem em situações excepcionais, geralmente acompanhadas de sinais de presença divina, como dilúvios anunciados que põem a nu a ineficiência do Presidente da Câmara de Lisboa? Não sei, mas sei que, tão surpreendente como as folhas das árvores caducas caírem no Inverno entupindo as sarjetas de Lisboa, é a eficácia constante do FCP a cada campeonato; portanto, a pergunta obrigatória é esta: o que terá passado pela cabeça da direcção e do treinador que terá levado a uma tão má preparação desta época?

Mas, de qualquer maneira, já sabemos: o mundo pode mudar em quinze dias.

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