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Arrastão: Os suspeitos do costume.

Led Zeppelin/Immigrant Song

Sérgio Lavos, 30.10.10


Há quem goste, nestes dias cinzentos, de ouvir música melancólica, sentado no sofá, a olhar para a chuva lá fora. Certamente haverá bandas-sonoras perfeitas para este estado de espírito. E admito já ter caído uma ou duas vezes nesse erro. Mas quando estamos limitados a um espaço reduzido e não queremos, de modo algum, cedermos a uma peregrinação ao centro comercial, juntando-nos ao desfile de zombies de fim-de-semana que não encontram nada de melhor para fazer do que olhar para as montras repletas de produtos que não podem comprar, o melhor é, no intervalo de um ou outro filme idiota que os canais nacionais nos costumam oferecer nestes dias, ouvir os clássicos.

Os clássicos, não aqueles discos do nosso crescimento - não queremos que a nostalgia dê cabo de um prazer único. Clássicos, os álbuns intemporais que chegaram até nós depois de gerações inteiras terem-nos fixados no cânone do rock. Não sinto qualquer vergonha em afirmar que apenas muito recentemente compreendi o fascínio de muitos perante os Led Zeppelin. Não terá acontecido antes por nunca ter prestado a atenção devida à melhor série de quatro álbuns da história (se excluirmos da contagem os Beatles a partir de Rubber Soul). Confesso que parte da razão da minha teimosia se funda num acidente biográfico: conheci em tempos um fanático da banda por quem não nutria muito respeito, e o preconceito sentido em relação à personagem acabou por se estender à música. Mas depois de algumas audições avulsas, admito que todo este tempo estava errado.

Immigrant Song é essencial não apenas por ser percursora do heavy-metal. Independentemente deste som ter definido um estilo musical, esta é um grande canção pela que será melhor combinação bateria/baixo/guitarra de sempre. Ao riff perfeito de Jimmy Page junta-se a bateria genial de John Bonham e o baixo acelerado de John Paul Jones. A voz de Plant confere um toque demoníaco ao conjunto; dando razão aos pais e aos avós que em tempos achavam ser o rock a música do diabo. Valha-nos deus por isso.

Os clássicos num dia de chuva. Valhalla, I am coming!

(Para uma versão ao vivo, impossível de incorporar no post, ir aqui.)

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