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Arrastão: Os suspeitos do costume.

O prisioneiro

Daniel Oliveira, 08.01.05
AMANHÃ, a Palestina vai a votos. Esperar destas eleições uma mudança substancial para o Médio-Oriente não é apenas uma ingenuidade. É má-fé. A Palestina não é nem será uma democracia plena porque as democracias exigem estados viáveis e autónomos. Pedir à Palestina democracia e controlo da segurança é o mesmo que pedir a um prisioneiro que guarde a sua prisão.

Por agora, a Palestina ainda será o que Israel quiser que a Palestina seja. Israel, que goza de um estranho estatuto de excepção na comunidade internacional, tem tornado aquele território ingovernável. Não há democracia dentro de muros. Dentro de muros só pode haver caos, violência e corrupção. E só quando Israel compreender - ou a comunidade internacional obrigar Israel a compreender - que viverá melhor com uma Palestina livre e viável é que poderá encontrar, em conjunto com o lado de lá do Muro, a paz. O seu futuro está preso às gigantescas prisões que são a hoje a Cisjordânia e Gaza.

Uma mais do que improvável vitória de Mustafa Barghouti, primo de um outro Barghouti mais conhecido, e defensor de uma terceira via de desobediência civil não armada e de combate à corrupção, seria a melhor notícia para a Palestina. Mas nem tamanha surpresa faria esquecer as demolições, as execuções e a humilhação diária dos «checkpoints». Por enquanto, a democracia na Palestina está nas mãos do seu carrasco.