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Arrastão: Os suspeitos do costume.

A farsa

Daniel Oliveira, 29.01.05
SADR City é um bairro nos arredores de Bagdade. Antes, aparecia no mapa como Saddam City. E é isto mesmo que está a acontecer ao Iraque. Não, Moqtada al-Sadr, sobrinho do líder religioso que deu o nome ao bairro, não tomou nem vai tomar o lugar de Saddam. Está mesmo mais para lá do que para cá. Mas, no Iraque, os religiosos começaram a tratar dos assuntos do céu e da terra.

Em Sadr City, uma cidade com dois milhões de xiitas miseráveis, sempre desprezados por Saddam, diz-nos uma sondagem, ninguém faz ideia o que vai acontecer amanhã. No Iraque, mais de metade da população nem sabe o dia das eleições. Nas mesquitas, os líderes espirituais xiitas tratam do esclarecimento eleitoral: ou votam na lista abençoadas pelo «ayatollah» Sistani ou vão para o Inferno. Nas ruas sunitas, a punição é mais terrena: «Votas, morres». E por ali ninguém põe em causa a credibilidade da ameaça.

É este o ambiente que lá se vive. Bem podem os guerreiros de sofá falar de uma janela de oportunidades. A única janela que está aberta no Iraque é para o abismo. Ou a uma autocracia sucede uma teocracia, e a ordem prevalece sem oportunidade alguma para a democracia, ou, mais provável, o caos continua. Nada é promissor. Apenas um improvável benefício pode sair desta farsa: o Ocidente aprender de uma vez por todas que a democracia ou é uma conquista de um povo ou é apenas um fato engomado no corpo de um mendigo.

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