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Arrastão: Os suspeitos do costume.

A biodiversidade

Daniel Oliveira, 05.02.05
É como o campeonato nacional. Os dois são maus. Ou melhor: um é mau. Diz pouco ou nada. Mas de repente já nem se nota. Porque o outro é... como é que hei-de dizer? O outro é... Santana Lopes. Sabem aquela vergonha quando sentimos compaixão pela figura alheia, por mais distante que ela nos seja? É isso que se sente com Santana. Nunca foi nada, mas vencia. E dos vitoriosos nunca nos rimos. Agora é um farrapo em delírio, sempre a tropeçar em si próprio.

A frase mais alucinada saiu-lhe quando, falando da clonagem e da eutanásia, afirmou: «o choque tecnológico também entra aqui, na biodiversidade e na eutanásia». Santana desfaz-se em palavras, mas nunca faz a menor ideia do que está a dizer. Não há maneira de pôr isto de uma forma simpática: é absolutamente ignorante. Tão ignorante que nem sonha que é ignorante. Como animal político, trata-se de um fenómeno de tal forma absurdo que devemos defender a sua sobrevivência. A bem da biodiversidade.

O momento mais estranho, que melhor representa a tragicomédia em que se transformou a sua campanha, foi exactamente aquele em que Santana resolveu falar das questões «civilizacionais». Sempre pensei que esta obsessão pela eutanásia e pelo casamento de homossexuais tivesse como objectivos não falar da economia e da crise social, dar gás aos boatos sobre Sócrates e, imitando a estratégia de Bush, unir a direita em torno do preconceito. Mas Santana, para parecer moderno e talvez «tecnológico», acabou o debate mostrando simpatia pelas duas causas. Depois de ter perdido o centro-direita para o PS, deu a direita, de mão beijada, ao CDS.

Só em dois momentos esteve, não digo bem, mas mais ou menos normal: quando disse que as propostas do PS eram muito parecidas com as do PSD e quando lembrou o que será o regresso dos guterristas. Na primeira, porque não anda longe da verdade. Na segunda, porque conseguiu, por minutos, que nós nos esquecêssemos dele.

E perante tudo isto, Sócrates não teve de fazer nada, não teve de dizer nada, não teve de se comprometer com nada a não ser repetir banalidades. Exactamente como ele gosta. Um ar decidido enquanto o adversário se atira ravina abaixo. Mas neste confronto com um cadáver adiado, Sócrates tem um problema: não tem como dramatizar estas eleições.

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