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Arrastão: Os suspeitos do costume.

A coisa absoluta

Daniel Oliveira, 12.02.05
«O PAÍS precisa de uma coisa nova no governo», disse, esta semana, José Sócrates à Antena 1. E é tudo o que tem para dizer. Que é nova e que, sendo uma coisa, precisa de ser absoluta. Ou seja, o país precisa de uma coisa absoluta. Só que, digo eu, o problema está mais na coisa do que, salvo seja, na sua dimensão.

Olhemos para o passado: foi por falta de maioria absoluta que Guterres travou a reforma fiscal de Sá Fernandes? Foi por falta de maioria absoluta que Pina Moura aldrabou as contas públicas jurando ter 1,9 de défice? Foi por falta de maioria absoluta que houve Armando Vara, Fernando Gomes, Narciso Miranda? Foi por falta de maioria absoluta de Guterres perdeu as autárquicas e se foi embora? Com maioria absoluta teria corrido melhor?

Foi por falta de maioria absoluta que o défice aumentou ainda mais com Durão Barroso? Que houve mais 200 mil desempregados? Que Portugal se enterrou na crise? Foi por falta de maioria absoluta que Durão perdeu as Europeias e se foi embora? Foi por falta de maioria absoluta que Santana foi o que foi? Com maioria absoluta teria corrido melhor?

Nos últimos 18 anos nenhum governo morreu às mãos da oposição. Todos se finaram de morte natural ou por suicídio inevitável. Ou porque estavam cansados ou porque eram maus. Nenhum caiu por ser minoritário.

As perguntas são estas: Com maioria absoluta do PS haverá uma reforma fiscal? Será defendido o serviço público de saúde? Haverá clareza nas contas públicas? Voltará a existir Rendimento Mínimo e será revogada a lei laboral? Grande parte da direita sabe que Sócrates já ganhou as eleições e conhece tão bem como eu as respostas a estas perguntas. Só uma coisa lhes tira o sono: um PS dependente da sua esquerda.

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