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Arrastão: Os suspeitos do costume.

O inútil

Daniel Oliveira, 19.03.05
PEDRO Santana Lopes abandonou a Câmara Municipal de Lisboa porque lhe acenaram com o lugar de primeiro-ministro. A curta temporada circense em São Bento chegou para que averbasse o segundo pior resultado da história do PSD. Depois de tamanha humilhação, seria normal que abandonasse, pelo menos por uns tempos, a vida política.

Mas, tratando os lisboetas como idiotas, a vida de autarca como um hóbi, a política como uma brincadeira e Carmona Rodrigues como seu criado, Santana Lopes regressou à Câmara. Lisboa é agora um depósito para quem perde eleições.

Santana não sabe o que fazer da sua vida. Porque não sabe fazer nada na vida. Nem mesmo política, diga-se em abono da verdade. Sabe concorrer a eleições e a congressos. Mas não tem uma ideia com princípio, meio e fim. É incapaz de escolher equipas. Não tem qualquer noção de responsabilidade e bom-senso. Não lê nada, nunca trabalhou realmente em nada e, como qualquer criança, enfada-se de tudo o que exija mais do que cinco minutos de atenção. A obra de Santana Lopes é Santana Lopes. Não tem, nunca terá, outra.

Dirão: mas ele foi eleito para a Câmara de Lisboa. Foi. Mas nem isso lhe dá o direito de regressar. Os cargos para que cada um é eleito são para ser tratados com algum respeito. O voto que se recebe também. Foi isso que lhe foi dito a 20 de Fevereiro e que, aparentemente, ele não entendeu.

Quando Marques Mendes chegar à liderança do PSD, tem duas hipóteses: ou recandidata Santana à Câmara da capital, para o enterrar definitivamente na sua própria derrota, ou o envia para uma saudável e instrutiva travessia do deserto. É o primeiro teste à sua liderança política.