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Arrastão: Os suspeitos do costume.

«The Corporation»

Daniel Oliveira, 19.03.05
PSICOPATAS. É assim que o documentário canadiano, que este fim-de-semana estreia em Lisboa, define as grandes empresas internacionais. Sintomas: incapacidade de se reger por uma ética pública, de manifestar preocupação pelo bem comum e de reconhecer a culpa. Dirigidas por funcionários, detidas por uma massa informe de accionistas, a moral é-lhes completamente estranha. O lucro é a medida de todas as suas medidas.

The Corporation conta-nos algumas histórias. De como a Fox News despediu dois jornalistas por eles se recusarem a mentir numa questão de saúde pública que envolvia outra grande empresa, a Monsanto. «Gastámos três mil milhões de dólares com estes canais. Nós é que dizemos o que são as notícias». De como, na terceira maior cidade da Bolívia, uma empresa proibiu a população mais pobre de recolher a água da chuva, porque lhe pertencia. De como uma empresa de vestuário explora o trabalho infantil em países do Terceiro Mundo e gaba-se de ajudar instituições de apoio à infância.

Os seus administradores até podem ser movido pelos melhores sentimentos. Mas a empresa não lhes pertence e não lhes são permitidas extravagâncias éticas. É uma pena, mas o mundo não é perfeito.

Estas empresas dominam hoje grande parte das decisões que se tomam neste Planeta. A Monsanto tenta impedir agricultores indianos de produzirem as suas sementes. A Carlyle compra presidentes. A Halliburton vende guerras. Centenas de empresas patenteiam códigos genéticos, fazendo da nossa identidade o maior negócio do futuro. Estes monstros económicos são um perigo para as nossas democracias, para a nossa liberdade e para a nossa saúde. São estas obras de Frankenstein que aqueles que se dizem liberais vêem como modelo para as nossas vidas. Psicopatas.