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Arrastão: Os suspeitos do costume.

A Europa de Frankenstein

Daniel Oliveira, 02.04.05
PARA defender o «sim» à Constituição Europeia, a televisão francesa tinha convidado José Manuel Barroso para o programa «Cem minutos para convencer». Mas Barroso tem-se desdobrando em declarações públicas, cada uma mais desastrada do que a outra. A entrevista, que estava marcada para Abril, foi cancelada. Argumento: seria demasiado tempo dado a um dos lados da contenda. No caso, cem minutos de borla para o «não».

Mas o menor dos problemas dos franceses será Barroso. À direita, é a entrada da Turquia. À esquerda, é a directiva Bolkestein. O Partido Socialista Francês, em tudo diferente do nosso PS, está partido a meio.

Nada em comum entre as duas posições. A entrada da Turquia só pode ser vista como uma boa notícia. Um rude golpe para os que acreditam no choque de civilizações. Já com a directiva Bolkestein, a história é outra. Nela encontra-se o espírito da Constituição proposta. Aplicar, na criação de um mercado único de serviços, a lei do país de origem das empresas é um truque. Os liberais querem conseguir na secretaria o que não conseguem nas urnas: uma lei laboral menos rigorosa. Para o conseguir recorrem, se preciso for, à chantagem.

Venha uma constituição. E venha, urgentemente, a união política. Mas que não se perca na Europa o que se ganhou nos Estados. A bem da União, espero que os franceses chumbem esta Constituição. Nesta Europa, onde não mandam todos o mesmo, é dos eleitores franceses que agora dependemos.