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Arrastão: Os suspeitos do costume.

Compromisso Portugal

Daniel Oliveira, 09.04.05
COMO já é da praxe, os empresários portugueses deram a sua opinião sobre o programa do Governo. Ficaram, ao que parece, desiludidos. Estão no seu direito. Mas está na altura de perguntar a quem diz ter um compromisso com Portugal o que está disposto a fazer pelo país.

O tecido empresarial português é digno de um país do Terceiro Mundo. O investimento em investigação e desenvolvimento é quase exclusivamente público. Metade das empresas portuguesas foge ao fisco. Do que se gasta em formação profissional, quase nada é para trabalhadores no activo e quase tudo é subsidiado pelo Estado. Não faltam excepções a este cenário, mas meio século de proteccionismo marcou o estilo.

No entanto, cada vez que estes empresários falam é para nos explicar como deveríamos ser governados. E ninguém lhes pergunta como governam eles as suas empresas. Quanto investem em investigação. Quanto tempo de formação profissional é dado aos seus «colaboradores». O que fizeram as empresas têxteis com os subsídios para a sua modernização. Não vale a pena dizer que o problema é dos trabalhadores que temos, da lei que temos, do país que temos. A Siemens, com os mesmos trabalhadores, tem mais de mil e quinhentos engenheiros dedicados à investigação. A Autoeuropa, com a mesma lei, usa a negociação para disputar a produtividade. Muitas empresas, quase sempre estrangeiras, no mesmo país, provam que é possível fazer de forma diferente.

Não achava mal que os empresários mais reivindicativos assumissem um compromisso com Portugal: esquecerem a próxima empreitada e o próximo concurso decidido pelo próximo Governo. Querem menos Estado? Sejam mais empresa. Mas se tudo o que têm para dar ao país são lições de ciência política, bem podem vir os espanhóis tomar conta disto. Suspeito que não ficaremos pior servidos.

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