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Arrastão: Os suspeitos do costume.

Um mau negócio

Daniel Oliveira, 16.04.05
DE FACTO, o PSD é o mais português de todos os partidos. É um pequeno comerciante à espera de uma boa oportunidade de negócio. Por isso, quando chega à oposição, abre falência: não tem nada para oferecer. A sua vacuidade deixa-o sem rumo, sem quadros e entregue a quem mantenha algumas migalhas do poder: caciques locais e autarcas.

Os empresários são a base de legitimação ideológica, em qualquer país civilizado, de uma direita democrática. Mas, em Portugal, os empresários dependem do Estado. Fracos, esperam ser protegidos da concorrência, dos chineses, dos espanhóis, dos sindicatos, da seca, das chuvas, da Europa. São os mais antiliberais dos antiliberais. Num país pobre, só multinacionais e economistas é que gostam do mercado livre.

Cavaco Silva percebeu tudo isto muito bem: as elites económicas domésticas querem um Estado forte, interveniente e previsível. Que distribua o ouro do Brasil e da Europa com generosidade. Que proteja os que já estão instalados. Que ofereça uns subsídios e umas empreitadas. O cavaquismo teve muito para dar. E deu tudo. Guterres seguiu-lhe os passos.

O que se pedia a Barroso era que continuasse a obra feita: conquistar o Governo para o seu partido, distribuir a riqueza, de forma equilibrada, por clientelas privadas e públicas e, acima de tudo, ficar o máximo de tempo no poder. Era simples. Mas Barroso deitou tudo a perder. Porque, vindo da extrema-esquerda, se converteu à direita errada no país errado. A direita liberal pensa em grande e a sua clientela, a da finança, é demasiado gananciosa para o nosso capitalismo de mercearia. Durão Barroso era um megalómano. Depois de um episódio chamado Santana, a base social de apoio do PSD preferiu a segurança de Sócrates.

Durão deixou ao PSD apenas o PSD. E o PSD, sem mais nada, é Marques Mendes e Luís Filipe Menezes. Uma pobreza de meter dó.