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Arrastão: Os suspeitos do costume.

A Bábá e o papá

Daniel Oliveira, 10.06.05
O DINIS, pirralho de um ano, diz, entre sorrisos: «papá, papá, papá». E «olá». Também diz olá. Esperto, o miúdo! Como o pai. «Tem o mesmo sorriso, cumprimenta as pessoas, é muito simpático», explica a Bárbara.

A esposa fala do «Manel». Com a admiração submissa que se espera de qualquer esposa, não faz a coisa por menos: «tem constantemente muitas ideias, todas boas». E Bárbara sabe, pelas «pequenas coisas», que «ele vai mudar Lisboa». É a tal intuição feminina para as «pequenas coisas». Das grandes, sabe o Manel, claro.

A irmã do Manel, a Ana, diz que «apesar do seu ar filosófico» é uma pessoa determinada e convicta. Coisa rara nas abéculas que costumam ter um ar filosófico, como sabemos. O Manel mostra que não é desses. Quando fala, é o «Correio da Manhã» e «A Capital» que traz debaixo do braço.

Foi este o vídeo de apresentação da candidatura de Manuel Maria Carrilho à presidência da Câmara Municipal de Lisboa. Nada que espante no ambiente cor-de-rosa que Carrilho cultiva.

Mostrar a vida privada, fazer dela uma arma política, tem pouca tradição em Portugal. Não que haja um especial respeito pela intimidade de cada um. Os políticos e a sua vida privada é que interessam pouco aos portugueses. A não ser que tenham uma Bábá para mostrar.

Diz-se que a vida pessoal revela o carácter do político. Por mim, ela é-me indiferente. O mais crápula dos maridos pode ser o mais competente dos líderes. O mais extremoso dos pais pode ser o mais inapto dos dirigentes. Não quero saber nada. Até porque nada me é revelado. A exibição da vida privada ou é manipulação ou é pornografia. No caso de Carrilho é as duas coisas.

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