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Arrastão: Os suspeitos do costume.

Triângulo amoroso

Daniel Oliveira, 06.08.05
A ADMINISTRAÇÃO da Caixa Geral de Depósitos foi demitida porque não quis pagar a Ota e o TGV. Mas não se assustem. Mantém-se o Pacto de Regime. Lugares divididos por três partidos. E não lamentem o futuro dos demitidos. Estamos a lidar com gente civilizada. Os senhores, que conseguiram a proeza de tirar a Caixa do primeiro lugar da banca nacional, sairão com as devidas indemnizações. Não são propriamente baixas, como sabem. É que para ter os melhores é preciso pagar bem. E para nos livrarmos deles também.

Na mesma semana, fiquei a saber que o ministro da Economia foi, até há uns meses, administrador do Banco Espírito Santo e que este, através da Espírito Santo Activos Financeiros, é um dos principais proprietários dos terrenos nas freguesias onde ficará o aeroporto. Manuel Pinho esteve num dos grupos que mais vai lucrar com um negócio de que é um dos principais defensores. Pode não ter nada a ver. Provavelmente não tem. Mas a história começa a ficar um pouco repetitiva. Bem sei que para ter os melhores é preciso ir às empresas. Só não sei por que é que, por obra e graça do Espírito Santo, os melhores vêm quase todos do mesmo lado.

As empresas públicas servem os partidos e às vezes os privados. As empresas privadas precisam do Estado para fazer dinheiro e dos partidos para pôr o Estado a render. Os partidos, quando estão no governo, precisam do Estado para dar lugares aos seus quadros; quando estão na oposição, precisam das empresas para lá colocar os seus quadros; e, no meio, em campanhas eleitorais, precisam das empresas para ter dinheiro e do Estado para o distribuir. Funciona assim o triângulo amoroso: se tens uma empresa, mete a tua gente no Governo e nos partidos. Se tens um Governo ou um partido, mete a tua gente nas empresas. Se não tens nada, paga os impostos e não sejas populista.