Segunda-feira, 26 de Junho de 2006
por Daniel Oliveira
Kofi Annan leu, telefonou ao Bill e disse que vinha da parte do Paulo.

Actualização:

Paulo Gorjão não ficou zangado por ser comparado a Nuno Rogeiro, o que me parece óptimo, porque a intenção não era ofende-lo. Mas, mesmo sem estar zangado, reage com alguma violência: «o que me deixaria furioso era que me comparassem a Daniel Oliveira...», revela. Confesso que desde os meus nove anos que não levava uma bolada tão certeira. Não que eu achasse justo a comparação entre nós os dois. Não, valha-me Deus.

O Paulo – se ele me permite a familiaridade do tratamento – tal como Nuno Rogeiro, move-se pelos corredores do poder, conhece toda a gente e tem informações seguras vindas de quase todo o lado. Tem amigos do PSD e do PS e conta-nos em surdina o que vai acontecer. Nem sempre acerta. Quer dizer, quase nunca acerta. Mas sabe para onde isto vai. Do Minho a Timor, conhece quem manda e quem manda faz-lhe confidências. Da diplomacia portuguesa, sempre no epicentro dos grandes acontecimentos internacionais, aos ministérios que valem alguma coisa, passando por Belém e São Bento, Paulo move-se com a mestria de uma eminência parda do regime. E o doutor Paulo, que não é dado à mesquinhez de guardar para si os segredos que fazem rodar o Mundo, manda recados a governos, dá conselhos à ONU, a Alkatiri, a Xanana, a Cavaco, a Sócrates, sempre em tom amigo e condescendente.

Explica-nos com gravidade o que a espuma dos dias esconde. O seu detector de «spin doctor», emprestado por Pacheco Pereira, revela as malhas com que se fazem as notícias. Sim, porque Paulo Gorjão também conhece os corredores dos jornais e das assessorias de imprensa. Também é raro acertar, mas o detector que todos temem está lá.

Começa os seus posts com um «sejamos claros» e termina-os com um «está tudo dito», esmagando-nos a sua definitiva clareza. Avalia com ponderada justiça cada movimento de cada protagonista político. Tal como Nuno Rogeiro, leva-se imensamente a sério e acredita que nos corredores do poder se bebem as suas palavras. E tem razão. Nunca ninguém ouviu «Paulo quê? não estou a ver.»

E por isso, de facto, seria disparatado alguém, por maldade, comparar Paulo Gorjão a este badameco que, humilhado, aqui vos escreve. Quem sou eu, que raio, para merecer tanto? Um "sujeito" que participa em coisas inqualificáveis, como muito bem me define o doutor Paulo. Vivo na lama da cultura pimba e na lama da cultura pimba morrerei. Sem a respeitabilidade soporífera da academia desta província, vivo resignado à ideia de que o que escrevo de pouco serve. Resignado a nunca passar de um “sujeito” inqualificável.

Ainda assim, tenho uma pequeníssima vantagem em relação Paulo Gorjão. Não é a humildade, mal de que nunca padeci. É ainda mais insignificante do que isso: algum sentido do ridículo num país cheio de estagiários que escrevem banalidade sempre em bicos de pés.

por Daniel Oliveira
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