Quarta-feira, 28 de Junho de 2006
por Daniel Oliveira



O referendo à legalização do aborto deverá ser em Janeiro. Havia duas maneiras de mudar a lei: ou no Parlamento ou por referendo. Mudar a lei no Parlamento, baseando-se no facto da anterior consulta popular não ter sido vinculativa, sendo formalmente correcto, deixaria a lei aprovada politicamente frágil. Sabendo que não há, no PS, maioria para essa decisão, quem se concentra nesta hipótese está mais interessado em debater as culpas (reais) do PS neste processo, aproveitando a questão do aborto para desgastar o governo, do que em mudar realmente a lei. O referendo pode ser arriscado, sabendo-se que os sectores mais fanatizados da Igreja se vão empenhar e não havendo segurança que o PS não repita o mesmo comportamento de há oito anos, mas dá muito mais força a uma nova lei.

Sempre defendi a solução do referendo. Uma lei que foi chumbada por referendo deve ser aprovada por referendo. Argumentos meramente formais não resolvem a importância simbólica da vitória do "não", há oito anos. E sempre defendi que caso a direita não deixasse que o referendo acontecesse, então sim o Parlamento deveria mudar a lei. Mas, seja como for, aquilo para que não estou disposto a contribuir é para uma nova derrota da mudança desta lei medieval. E espero que não haja ninguém, entre os que a querem mudar, que ponha divergências tácticas à frente das convergências políticas, ganhos partidários à frente de urgências de civilização. Espero que os opositores a este referendo não se transformem, mesmo sem o querer, em aliados dos opositores à mudança desta lei, desmobilizando o voto e beneficiando a abstenção.

Vai haver referendo. O que interessa agora é ganha-lo. Os ajustes de contas partidários só podem levar a uma derrota. O que interessa é convencer os eleitores a tirar Portugal das mãos de fundamentalistas. As pequenas vinganças entre a esquerda têm de ficar para mais tarde. Começou a campanha.


por Daniel Oliveira
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11 comentários:
Anónimo
O aborto é um tema demasiado sério para fazer humor.É também um tema que não pode ser partidarizado e que não é de esquerda nem de direita(seja lá isso,o que for).Espero que,desta vez os porta-bandeiras não estraguem a votação...

deixado a 28/6/06 às 23:36
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Daniel Oliveira
Reconheço sem drama. Mas entre os apoiantes do Bloco e o Bloco propriamente dito há alguma diferença.

deixado a 28/6/06 às 17:48
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VR
Daniel,
Tens razão quando dizes que o PS nesta matéria é só asneiras, boicotes, disparates e traições.
Mas deves também reconhecer que o folclore de muitos simpatizantes do BE também não tem ajudado muito

deixado a 28/6/06 às 17:45
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RAF
Caro Daniel,
Concordo que não faz sentido empurrar para o Parlamento uma decisão como a do aborto. Esta é uma questão civica e de consciência, que os partidos instrumentalizam em batalhas menores, e que seja qual for a posição de cada um, merece ser discutida com uma elevação, que o próprio assunto em si, já dificulta (não precisamos dos partidos para atrapalhar ainda mais o debate).

deixado a 28/6/06 às 15:59
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Daniel Oliveira
E acho extraordinário que alguém do PS responsabilize outro partido que não o seu por ainda não termos a lei alterada. Extraordinário!

deixado a 28/6/06 às 15:12
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Daniel Oliveira
Refiro-me à campanha para o referendo. Real, em matéria de referendos ao aborto os dirigente do PS deviam estar calados. A história de asneiras, boicotes, disparates, traições é já tão grande que ninguém, nem mesmo os socialistas que e conheço, levantam a voz para defender o PS, seja o de Guterres seja o de Sócrates.

Esperemos que mude agora.

deixado a 28/6/06 às 14:17
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real
Qual campanha Daniel ? a frase é muito ambígua...

Se fôr a do referendo, espero que lá no comité central do BE onde tens assento, faças chegar a mensagem que é muito importante que na campanha o BE não leve ninguém que agora quer votar SIM a depois votar NÃO. Já era um grande ganho.
A irresponsabilidade, o mau gosto e o pindérico modernismo da esquerda festiva, têm sido os maiores aliados do Não. Gostaria que tivessem aprendido alguma coisa. Duvido.

deixado a 28/6/06 às 14:09
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Anónimo
Ó Daniel, eu cá até sou a favor do aborto, e acho que a presente lei tem de ser alterada a fim de dar mais tempo aos interessados para tomarem as suas decisões.

Só não compreendo é o recurso ao referendo.

Em primeiro lugar porque o Governo foi eleito com maioria e pode decidir como entender, sem necessidade ao novo referendo.

Em segundo lugar porque se trata de uma mera alteração de pormenores à lei já existente, referentes a prazos e a condições.

E porquê um referendo? Para os TGVs e para a Ota não foi necessário nenhum. Assim como para fechar as maternidades...

Caso tivesse ocorrido um sobre estas matérias eu sei qual era a resposta dos cidadãos, em oposição com as decisões governamentais já tomadas.

Em terceiro lugar, porquê novo referendo? Não houve já um?

Ou será que, como a resposta foi negativa, ir-se-hão fazer tantos referendos quantos os necessários até haver um que responda sim? Parece-me pouco transparente.

Acho que se estão a inventar questínculas para atrasar a simples alteração da lei vigente - que é urgente.

deixado a 28/6/06 às 14:02
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dario
É verdade Daniel, esta lei tem de ser alterada. É uma vergonha um país europeu continuar, como dizias, com esta "lei mediaval".
PS: Esperemos que os portugueses comecem a perceber a diferença que pode fazer entre ir votar, ou ir à praia!?!

deixado a 28/6/06 às 13:12
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ezer
E isso não é andar a reboque da direita? quando diz:'sempre defendi q caso a direita não deixasse q o referendo acontecesse ,então sim o Par(a)lamento deveria mudar a lei'.Depois,dizem que a esquerda (atenção, oPS não faz parte)não tem iniciativas.Mas quem são eles, senão a parte de fora do iceberg da Desumanidade.Eu preferia ser o parlamento,mas não sabia que os xuxas nisso abrissem mão.Tem razão,daquela gentalha é de esperar TUDO.Vejam a Sra Ana Gomes deve ir comer da mão das petrolíferas da Austrália-uma vergonha!

deixado a 28/6/06 às 13:12
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