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Arrastão: Os suspeitos do costume.

Breve posta de Damasco

Daniel Oliveira, 18.07.06
Não me é fácil postar aqui de Damasco, de onde parto amanhã para Palmira e para o Eufrates. Apenas dizer, rapidamente, que a cidade está cheia de libaneses e turistas fugidos do Libano. Por aqui, fala-se de, no total, 75 mil, numeros superiores aos que li hoje na imprensa portuguesa. Sejam quantos forem, os hoteis estão a abarrotar.

Os damascenos não despregam os olhos da Al-JAzeera e em cada dia que passa há mais e mais bandeiras do Hezbollah nos carros, nas lojas e nas ruas. Mesmo na zona da noite - que aqui não pára – dominada por jovens estilosos e raparigas de cabelo destapado e com roupa tão provocante como a de qualquer ocidental e no bairro cristão as bandeiras amarelas do grupo libanes dominam a paisagem. A revolta é enorme e a ditadura siria tem sabido usa-la a seu favor.

Vista daqui, ouvindo e vendo a reacção dos árabes, do mais radical ao mais moderado, a estupidez e a insanidade desta ofensiva israelita não tem paralelo recente e é bem mais grave do que se imagina. E terá piores consequencias do que se imagina. Mais um contributo para a radicalizacão do mundo árabe. Claro que estamos a umas poucas dezenas de quilómetros das zonas bombardeadas. Mas se um jovem laico e semi-ocidentalizado de uma cidade cosmopolita e multi-religiosa como Damasco tem neste momento como heróis os lideres do "Partido de Deus", imagine-se o que se passa em mais sombrias paragens. Podemos agradecer tudo isto ao senhor Ehud Olmert.

Mais tarde, postarei mais com mais pormenores. Quando regressar contarei tudo, com as fotos que fui tirando. Mais uma vez, não prometo nada em relação a brevidade da aprovação de comentários. Sigo para Palmira, Eufrates, Allepo e regressarei daqui a uma semana a Damasco. Darei novas das ondas de choque que aqui chegam da guerra. Ate já.

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