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Arrastão: Os suspeitos do costume.

Ainda bem que sabemos todos o que é melhor para eles

Daniel Oliveira, 28.09.06
71% dos iraquianos quer a retirada das tropas americanas do seu país, no próximo ano, diz uma sondagem dirigida pela International Policy Attitudes (PIPA) da Universidade de Maryland e realizada pela World Public Opinion. Dos que defendem a retirada rápida, 37% querem que ela aconteça em seis meses e 34% optam por uma retirada gradual durante um ano. 20% defende a retirada apenas nos próximos dois anos e apenas 9% quer que as forças americanas permaneçam no território até estarem garantidas as condições de segurança. A defesa de uma retirada no espaço de um ano é claramente maioritária entre os xiitas (74%) e sunitas (91%). Apenas entre os curdos se fica pelos 35%.



78% dos iraquianos considera que a presença americana cria mais conflitos do que previne – 82% entre os xiitas, 97% entre os sunitas e 45% entre os curdos. 53% dos iraquianos considera que a retirada das tropas americanas fortaleceria o governo iraquiano e apenas 23% pensa que o enfraqueceria.



61% dos iraquianos apoia os ataques às forças americanas. (62% nos xiitas, 91% nos sunitas e 15% nos curdos).



77% dos iraquianos acredita que os EUA pretendem ter bases militares permanentes no Iraque e 78% está segura que mesmo que o governo iraquiano exigisse, nos próximos seis meses, a retirada das forças americanas elas não o fariam.



No entanto, 96% os iraquianos desaprova os ataques a forças de segurança iraquianas. 100% desaprova ataques a civis.



94% desaprova a Al Qaeda (82% tem uma opinião muito negativa). Quanto a Ossama bin Laden, a opinião negativa é de 93%.



A maioria dos iraquianos faz um balanço positivo da queda de Saddam Hussain. Mas a violência e a presença americana parecem estar a moderar as terríveis memórias que têm do ditador.



PS: Para quem se interessa, vale a pena ler a totalidade do inquérito (em PDF), para perceber o sentimento de insegurança dominante no Iraque (sobretudo entre os sunitas) e como há por ali mais bom-senso do que se imagina. Como muitos aceitariam que os EUA tivessem algum papel não-militar na estabilização do país mas pensam que, mesmo aí, eles estão a fazer um mau trabalho. Acreditam mesmo que a sua partida diminuiria a violência inter-étnica que a maioria associa a estrangeiros. Os iraquianos querem um governo forte no lugar das melicias. Querem sentir-se seguros e pensam que isso não é possível com os EUA presentes. A comparação de muitos dos resultados com os de há nove meses é perturbante. Os curdos continuam mais satisfeitos que os restantes com a situação actual e os sunitas cada vez mais desesperados. Ver também a popularidade de Sadr, Hezbollah, Sistani, Ahmadinejad e Ossama bin Laden. Comparar por etnias e grupos religiosos. Um excelente trabalho na mais importante sondagem aos iraquianos publicada até agora.

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