Sábado, 25 de Agosto de 2007
por Daniel Oliveira



«Os pais das crianças norte-americanas que participaram no polémico e ainda não estreado reality show Kid Nation, da cadeia de televisão CBS, assinaram contratos em que concordaram que os seus filhos deviam obedecer a tudo o que a produção do programa lhes dissesse durante as gravações, sob pena de expulsão, e que atribuem à CBS os direitos sobre as histórias dos 40 miúdos "de forma perpétua e em todo o universo".

O conteúdo do contrato estabelecido com os pais das crianças com idades entre os 8 e os 15 anos, que durante 40 dias habitaram uma cidade fantasma no Novo México para criarem uma sociedade sem adultos (apenas com elementos da produção presentes), foi revelado quinta-feira pelo New York Times. As crianças estão, ao contrário do que dizia a CBS, sujeitas a expulsão e foram tratadas como se de adultos se tratassem.

No contrato de 22 páginas, a CBS protege-se legalmente das limitações ao trabalho infantil, estipulando que as crianças podem ser pagas pela sua participação, mas que tal não constitui um ordenado. São também utilizadas fórmulas legais já comuns na reality-tv em que os participantes (e, neste caso, os seus pais) assumem a responsabilidade por quaisquer danos ocorridos durante as gravações, desde ferimentos a acidentes devidos a más condições de alojamento, parca assistência médica, até à morte.

Também se lê no documento que pais e menores assumem total responsabilidade por quaisquer doenças psicológicas ou físicas contraídas durante o programa, especificando mesmo que tal abrange "doenças sexualmente transmissíveis, HIV e gravidez".»

Público, hoje


por Daniel Oliveira
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7 comentários:
Luís Lavoura
Justicialista, não se trata de economia neoliberal. No liberalismo todas as pessoas são livres de vender as suas coisas, é certo. Acontece, no entanto, que uma pessoa não é uma coisa, e que uma criança não é propriedade dos seus pais. Logo, no liberalismo nenhum pai é livre de vender o filho.

deixado a 26/8/07 às 11:49
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Luís Lavoura
Excelente post. Clap, clap, clap...

deixado a 26/8/07 às 11:45
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É uma verdadeira aberração, numa sociedade que se arroga de civilizada e se acha no direito de ditar normas de conduta ao mundo inteiro. Isto é uma forma de abuso de menores como qualquer outra, pior ainda por ter a chancela dos próprios pais. E o lucro, o que é ainda mais grave.

deixado a 25/8/07 às 20:06
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Mario Cordeiro
Por alguma razão, os EUA e a Somália são os únicos países do mundo que não ratificaram a Convenção sobre os Direitos da Criança, da ONU.
Os pais não são donos dos filhos - estes têm direitos próprios, enquanto cidadãos e pessoas. E o Estado deve intervir sempre que esses direitos possam estar a ser lesados, dado que a vulnerabilidade e dependência das crianças as impede de reagir de forma considerada adequada.
Mas aposto que o programa vai ser um estouro de audiências, mesmo que a maioria o veja "indignada". Os realizadores, patrocinadores e pais estão-se nas tintas, e as crianças pensam que já ganharam a vida e ficam "famosas". Why bother...
PS: não pensemos que este espírito é só nos States - desde há 30 anos que trabalho na área dos direitos da criança e ainda me pasma o que vejo, e a duplicidade de critérios perante situações idênticas, entre outras coisas...

deixado a 25/8/07 às 14:59
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sérgio_alj
E armas?, podem levar?

deixado a 25/8/07 às 14:43
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Justicialista
Segundo a economia (neo)liberal: tudo tem um preço, tudo pode ser comercializado. O que não tiver ou não puder, é porque não existe.

deixado a 25/8/07 às 13:12
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Joana Azevedo
Só agora vi este post...
Sabem se este programa chegou mesmo a ser realizado e exibido? Isto é assutador...Faz-me lembrar vagamente o romance"Lord of the Flies"...
Está tudo doido!

deixado a 17/1/08 às 21:48
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