Sábado, 25 de Agosto de 2007
por Daniel Oliveira



O Tiago Barbosa Ribeiroo aproveita Silves, como aproveita qualquer coisa, para vir em defesa de Israel. Parece que uns tipos ocuparam as instalações de uma empresa israelita em Londres, bloquearam as suas entradas e ergueram uma bandeira palestiniana.

Acho alguma graça ao facto do Tiago se chocar com esta violação da propriedade privada. Há décadas que o mesmíssimo Estado que ele apoia incentiva os seus cidadãos a entrar pela propriedade privada alheia (que por acaso até fica noutro país), ocupa-la, expulsar de lá os seus proprietários, espetar a bandeira israelita e ali ficar a viver deste roubo com a protecção de forças de segurança. Há décadas que as casas construidas, compradas ou herdadas por palestinianos são roubadas e destruidas e as suas terras são ocupadas por recém-chegados ao território. Não se trata de nenhuma acto simbólico. Quem viola assim a tão sagrada propriedade privada ali fica para sempre, dando à ocupação e ao roubo o nome de colonato.

Se há tema que o Tiago não devia trazer para a discussão sobre o respeito pela propriedade alheia é o do conflito israelo-palestiniano. Todas estas "acções directas", por mais criticáveis que sejam, são brincadeiras de criança ao pé do comportamento ilegal dos governos que ele aqui defende. Haja algum decoro. Que a indignação não sirva para meter tudo na agenda.


por Daniel Oliveira
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9 comentários:
Euroliberal
Israel não é um estado, é um roubo de terras acompanhado de um genocídio lento e de uma bantustização apartheidesca por racistas e fundamentalistas nazi-sionistas. Esse tumor maligno para a paz mundial deve ser erradicado do Médio Oriente e a Palestina do Jordão ao mar, de Eilat a Kiriat Shmone, deve voltar a ser o que sempre foi antes da Nakba: um país livre para muçulmanos, judeus e cristãos de boa vontade, uma sociedade multicultural e democrática sem a peste sionista. O lugar dos nazi-sionistas é na forca, como os seus modelos nazis.

deixado a 28/8/07 às 08:42
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Daniel Oliveira
Ana, faça F5 depois de abrir a caixa de comentários. Os seus comentários estão cá.

deixado a 27/8/07 às 11:44
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Não é que ache que os meus comentários sejam essenciais a este blog, evidentemente, mas tem-me intrigado que nunca apareçam aqui. Como vejo que têm que ter aprovação prévia, deduzo que foram "chumbados" e, francamente, não percebo porquê. Nem sempre concordo com o que se diz aqui (como é natural e saudável) mas nunca comentei de forma menos correcta ou menos respeitosa. Será que não mereço a sua atenção, simplesmente?

Ana Vidal

deixado a 27/8/07 às 10:30
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Luís Lavoura
Excelente post. Muito bem, Daniel.

deixado a 26/8/07 às 11:42
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miguel
Caro Daniel, já tive a oportunidade de por várias vezes conversar e discutir consigo, e apesar de nos encontrar-mos numa area politica similar, nunca pensei poder dizer-lhe isto.

Tem toda a razão!

deixado a 26/8/07 às 10:57
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Justicialista
O problema da Palestina é um assunto só que só ínteressa e serve para promover politicamente alguns líderes que em nada contribuiram realmente para a paz e nem sequer estão preocupados com isso. O que lhes é interessa é que o conflito se prolongue, não só para manterem a sua influência na região, mas também para manterem o protagonismo e promoverem as suas carreiras a nível internacional.
Com a Palestina independente, será que alguém queria saber de Israel?
Há países que só se conseguem afirmar, estando em guerra. É a célebre divisão maniqueista "o bem contra o mal", que promove o nacionalismo e patriotismo exacerbado e a falsa unidade nacional.

deixado a 25/8/07 às 18:15
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Infelizmente os colonatos destruíram os esforços de Rabin e de Arafat para trazer a muito necessária paz à região...há algum tempo cheguei à conclusão que se ainda não foi atingida a paz (paz construtiva, não a paz dos cemitérios) entre Israel e a Palestina, isso acontece porque de um lado e de outro há indivíduos poderosos a quem não interessa que haja paz.

deixado a 25/8/07 às 16:53
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Filipe Abrantes
Claro que as ocupações israelitas foram sempre justificadas pelo moralismo anti-antisemita, passando por cima de questões de justiça e direitos de propriedade, etc.

Claro que não há decoro, apenas obsessão em sempre criticar o outro lado e jamais o deles.

deixado a 25/8/07 às 16:28
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Dou-lhe toda a razão, Daniel.
Mas isso não justifica outros abusos, nem que se incentive "crianças" a brincar com coisas sérias, como a propriedade privada e a lei. É perigoso chamar brincadeira a um acto de vandalismo, seja em Portugal ou na Palestina, seja num hectare ou num país inteiro.

Ana

deixado a 25/8/07 às 16:18
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