Terça-feira, 28 de Agosto de 2007
por Daniel Oliveira



O jornalismo Fox News, em que os entrevistadores não querem respostas, querem antes brilhar à custa dos entrevistados, esmagando-os e humilhando-os em directo, chegou finalmente a Portugal. Não sou ninguém para dar lições de jornalismo a Mário Crespo. Mas uma entrevista não é um debate. Não é um debate, antes de mais, porque entrevistador e entrevistado têm ao seu dispor armas desiguais. Um conduz, outro é conduzido. Um é dono da casa e outro convidado. Um domina o meio e outro muitas vezes não.

Entrevistas duras, em que se fazem perguntas difíceis, é uma coisa. Para essas deve o entrevistado esta preparado quando aceita uma entrevista. Se não está, estivesse. Transformar um entrevistado (ainda mais um entrevistado inexperiente) no palhaço de serviço (por mais que ele se preste ao papel) para um espectáculo televisivo (ou um show, como com satisfação lhe chamou o Gabriel do Blasfémias), é mau jornalismo. Claro que Crespo tem o aplauso geral. Dizem que é frontal. Permitam-me que discorde. Um jornalista não tem nada que ser frontal. Tem que não ter medo de fazer as perguntas que têm de ser feitas (convenhamos que seria estranho que Mário Crespo tivesse medo de Gualter Baptista), estar preparado, ser perspicaz e conseguir que o entrevistado diga o que realmente pensa. A frontalidade não é necessária porque a opinião do entrevistador tem de ser irrelevante numa entrevista. O que ele tenha a dizer (e não a perguntar) ao entrevistado não nos interessa para nada. Não é ele o protagonista da notícia. Numa boa entrevista ficaríamos a saber quase tudo sobre as opiniões de Gualter Baptista (mesmo as que ele preferia que nós não soubéssemos) e sobre o que aconteceu em Silves e rigorosamente nada sobre o que Mário Crespo pensa sobre o assunto.

Já agora, faço o exercício de imaginar Mário Crespo a entrevistar nestes termos o Presidente do Conselho de Administração da Somague para falar sobre o financiamento ao PSD. Impossível, não é? É mais fácil brilhar com os gualteres desta vida.

Vale a pena ler este post de Paulo Querido. Subscrevo de uma ponta à outra.

Para os comentadores que insistem em acusar-me de simpatia com a acção de Silves, está aqui a minha opinião, desde a primeira hora. Mas não contem comigo para embarcar no ambiente de histeria que artificialmente se tentou instalar.


por Daniel Oliveira
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