Terça-feira, 28 de Agosto de 2007
por Daniel Oliveira



Raramente um debate tem apenas o seu valor facial. Quase sempre, quando correntes de opinião se envolvem em disputas argumentativas em torno de um caso concreto estão a debater mais do que estão a debater. É o caso do Verde-Eufémia. A prova está até neste blogue. Depois de condenar o acto e de desvalorizar a sua importância, escrevi muito sobre o assunto. Porque que me pareceu que quem ia alimentando este assunto tinha uma agenda que ultrapassava o caso concreto. Hoje é evidente que assim era.

Os objectivos são fáceis de identificar: criminalizar o Bloco de Esquerda, desacreditar a agenda ecologista, tornar o valor da propriedade privada num valor absoluto e condicionar as formas de contestação muito para lá dos limites do que tem sido habitual.

Vamos por partes:

1. Não é a primeira vez que perante uma acção em que o BE não está envolvido se tenta, de todas as formas, envolvê-lo. E são sempre casos em que tenha sido violada a lei. Se não há qualquer prova procuram-se indícios atrás de indícios, por mais longínquos que sejam, tentando criar a suspeita sem que ela tenha alguma vez de encontrar comprovação. Quem conhece quem? Quem esteve um dia com quem? Quem já falou com quem? Quem apoiou ou convidou no passado quem, numa investigação quase pidesca.

Nesta prespectiva, um partido político teria de se responsabilizar não só por o que fazem os seus dirigentes e militantes, mas também pelos actos de apoiantes ou mesmo de pessoas com quem se tenha cruzado numa sala.

O objectivo é transportar, no imaginário das pessoas, o Bloco para fora da lei e da democracia. Antes fazia-se isso com o PCP, hoje faz-se com o BE e voltará a faze-se com qualquer outra força que esteja fora do consenso ao centro. Tanto mais quanto maiores sejam as possibilidades de essa força influenciar a governação.

Com as tentativas de fazer um paralelo com extrema-direita pretende-se criar o mesmo cordão sanitário que a nossa história obrigou a manter com eles. É um exercício perigoso, porque, para manter o paralelo, os seus advogados terão de desvalorizar actos como homicídios e espancamentos pelos quais os grupos de extrema-direita europeus são conhecidos. Mas, acima de tudo, trata-se de corrupção moral.

Outro paralelo: com o terrorismo. Não é de hoje. Há anos que alguns comentadores se esforçam por provar, analisando cada palavra à lupa, que os bloquistas terão uma simpatia escondida para com o terrorismo, seja ele o do nacionalismo basco ou do fundamentalismo islâmico. E se Maomé não vai à montanha, a montanha vai a Maomé. Se a ideia não pega, então chama-se terrorismo a tudo o que possa ser condenável e que o BE não tenha condenado nos exactos termos definidos por quem o ataca. A irresponsabilidade é evidente: de tanto banalizar a palavra acabará por se enfraquecer o seu significado.

Há nesta tentativa de criminalização do adversário político duas motivações.

Uma é pessoal, quase psicanalítica. Se repararmos, entre os mais obcecados com o Bloco de Esquerda (muito para lá do que a sua real influência justifica) estão pessoas que têm em comum um dado biográfico: foram de extrema-esquerda. Nada de mal, cada um tem o passado que tem e deve viver bem com isso. Em muitos casos é evidente que vivem mal. A vontade de “matar o pai” ou a pura incapacidade pessoal de analisar a mutação que aconteceu na extrema-esquerda ultrapassa em muito o domínio do racional.

Mas há uma outra razão, bem mais pragmática. Reparem que é a mesma direita que nestes dias tem apontado o dedo acusador ao BE que nas semanas anteriores nos explicou que o BE se tinha aburguesado e moderado e que se preparava para cair nos braços do PS. Claro que a tese da aliança com o PS pretende, antes de mais, irritar a base eleitoral do Bloco. Mas aceitemos que quem a defende acredita mesmo nela. E é pelo menos incontestável que o Bloco desbloqueou a impossibilidade da esquerda à esquerda do PS participar no poder. Perante esta constatação, que na cabeça destes opinadores estará eminente, criar um cordão sanitário em volta do Bloco é uma urgência. Apesar da evidente contradição - um partido cada vez mais moderado e reformista e cada vez mais revolucionário e “terrorista” -, assustar a extrema-esquerda com a rendição ao poder e o centro com os excessos cumpre a mesma função política: excluir o BE de qualquer ambição de crescimento e de conquista de poder.

O episódio de Silves foi apenas mais um pretexto para mostrar a suposta “agenda escondida” do Bloco, que Pacheco Pereira há tanto tempo denuncia. É uma táctica antiga: se o nosso adversários não diz nem faz aquilo pelo qual o condenamos tentamos provar que não o dizendo ou fazendo o pensa e apoia quem o faz e assim não debatemos com ele, mas com os nossos próprios fantasmas.

2. Depois da falência do comunismo e da crise da social-democracia, a agenda ecologista é das poucas com capacidade de mobilização transversal e de alargamento de influência que a esquerda transporta. Sobretudo entre os jovens. O sucesso (exagerado) do documentário de Al Gore é prova disso mesmo. Mais: nos países desenvolvidos os argumentos ecológicos são, na prática, dos poucos que conseguem ser maioritários no “main stream” e que simultaneamente põem em causa o capitalismo selvagem. Quando todas as evidências científicas dão força aos movimentos “verdes”, quando o que está em causa é a própria sobrevivência do Planeta e saúde das pessoas, é preciso retirar aos argumentos ecológicos credibilidade política. Acções como as do Verde Eufémia são sopa no mel para este objectivo. Cavalgar nesta rara oportunidade é fundamental para a direita.

Para além da agenda ecológica, o debate sobre os transgénicos carrega consigo outro, bem mais interessante e com enormes implicações políticas e económicas, referente ao domínio das multinacionais sobre toda a nossa cadeia alimentar e a criação de uma dependência da população mundial para com meia dúzia de corporações. Um debate assustador e que pode bem ter-se perdido, em Portugal, graças a esta acção disparatada.

3. Uma das grandes linhas divisórias entre esquerda e direita é o valor da propriedade privada. Era ainda, até hoje, consensual na maioria das sociedades que se trata de um valor subalterno em relação a outros, como o da vida, o da defesa da saúde e o da liberdade. Uma das coisas que a direita mais liberal (e até menos liberal) se tem esforçado é para alterar esta hierarquia. É mesmo a única forma de se tornarem culturalmente incontestados, transformado o seu corpo ideológico num sistema de valores universal. Ao comparar a violação da propriedade privada com o terrorismo podem perder credibilidade, mas de tanto o repetir vão fazendo o seu caminho.

4. Em Portugal, a liberdade foi conquistada na rua. A democracia nasceu da desordem e da desobediência. O PREC acabou e assistimos à normalização que, na minha opinião pouco popular a muita esquerda, era necessária. Mas a semente da desobediência ficou. Ocupações de fábricas e empresas, em momentos socialmente mais conturbados, não eram vistas pela generalidade das pessoas com reprovação. Nem cortes de estrada. Quem não se lembra do bloqueio na ponte 25 de Abril e de Mário Soares, como Presidente da República, a defender o direito à indignação? Restaurar a sentido de obediência é, para a direita portuguesa, geneticamente autoritária, quase um desígnio.

Neste debate em torno do que se passou em Silves, que a esquerda perdeu por não poder defender uma acção indefensável, e que a direita ganhou ( só não ganhou totalmente por ter forçado demasiado a nota ) ao conseguir impor na agenda informativa a sua própria agenda, não me juntaria nunca, mesmo condenado, ao coro de indignação. Uma acção idiota não me leva a escolher como aliados aqueles que nas motivações que os levam a este debate só podem ser adversários.


por Daniel Oliveira
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18 comentários:
Há quase 30 anos Raymond Aron, face à já então evidente derrocada do marxismo, escrevia que "alguns esquerdistas foram tentados pelo terrorismo, outros procuraram refúgio na ecologia e na defesa da natureza"

São estes os tontos do milheiral...pensando que descobriram agora a pólvora.

deixado a 29/8/07 às 21:53
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ETOLOGIA DO BÉU-BÉU

Quem alguma vez se tenha debruçado, por pouco que fosse, sobre a etologia do intelectual béu-béu, vulgo guarda-portão, sabe que lema inspira a intervenção pública deste tipo de animal: Forte com os fracos e fraco com os fortes.
A sequência de acontecimentos mediáticos Verde Eufémia-Somague foi a este respeito perfeitamente elucidativa. Os primeiros não podem ser menos do que "um bando de energúmenos", cujas acções atiçam nos béu-béus uma indignação qui lo mé tri ca e coros de ai-deus que a democracia está em perigo. Os segundos, uma gente gira e bem intencionada, para cujos pecadilhos se reserva um longo e curioso silêncio ou, quando muito, brevíssimos reparos nada embaraçados.

Esta fauna de prestáveis recadeiros, sempre necessária à oligarquia do momento, é tão velha como o mundo e define-se pela aplicação sofística e mercenária que dá à sua mioleira. Com as suas cabecinhas em forma de casse-tête, sempre prontos a goelar contra os crimes dos pequenos e a silenciar ou desculpar os dos grandes, os intelectuais béu-béu existem para promover o interesse do particular contra o comum, do lobo contra o rebanho, da injustiça contra a equidade, da propriedade contra a liberdade. Se Cristo aterrasse amanhã na Portela, seria imediatamente saudado pelos béu-béus tugas como “terrorista moral” ou coisa que o valha.

Embora formado num niilismo moral muito prático e rentável, o béu-béu não gosta que lhe chamem cínico nem sofista. Compreende-se: é tão fácil vender a “alma” como difícil é admitir que se a vendeu. Daí que o béu-béu tenha uma razão suplementar (não estritamente profissional, digamos) para detestar quem quer que lhe lembre a humanidade e o direito dos fracos, o mesmo é dizer, quem quer que lhe lembre a sua filhadaputice, a indignidade moral da sua opção béu-béu. Não admira que as mais encarniçadas acusações a Robin Hood procedam invariavelmente de antigos “companheiros de luta”, de trânsfugas ao ideal de justiça que na juventude os levara à floresta de Nottingham. Só esse mecanismo de auto-defesa (que de intelectual, em rigor, pouco tem) explica a inaudita sanha que os béu-béus costumam reservar para quem quer que aponte o dedo ao seu patrão, entendendo eles (e bem) que a crítica ao dono é extensível ao jeco.

deixado a 29/8/07 às 18:39
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Daniel Oliveira
O que é a civilização "capitalista"?

deixado a 29/8/07 às 15:59
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O DO tem razão, mas não pelas razões que avança.
De facto os OGM são hoje tb (sobretudo?) um pretexto para declamar o ódio à civilização "capitalista" .
Pretexto tanto mais remunerador, quanto o sector é liderado pelos EUA, o Grande Satã.
É mais ou menos como a questão climática e o CO2.
Nem a "pólvora" foi descoberta agora: há quase 30 anos Raymond Aron, face à evidente derrocada do marxismo, escrevia que "alguns esquerdistas foram tentados pelo terrorismo, outros procuraram refúgio na ecologia e na defesa da natureza" .
Há imensas coisas terrivelmente mortíferas,neste mundo, mas os temas que dão gás à indústria da indignação quando, de algum modo, só são aqueles aos quais é, de aalgum modo possível associar a culpa do Satã de serviço.

Não parece haver nenhuma prova de que os OGM "façam mais mal que a aspirina, o bife de lombo, ou o cozido à portuguesa.

A sua malignidade, tanto quanto se sabe, é um mito urbano embrulhado em pseudociência e espalhado pelos habituais "progressistas " de barriga cheia, para atacar as "multinacionais", e os "capitalistas", enfim, o clássico rol de diabretes.

A esquerda hoje é isto...na falta de modelos a propor, este tipo de assuntos permite aos filhos de Rousseau atacar a civilização industrial…o Ocidente… o capitalismo.
Não falo nos idiotas úteis que executam as acções que esses, coitados, são apenas um rebanho acéfalo de imbecis tocados à vara. Merecem a nossa pena por a natureza não ter sido generosa para com eles.
Mas os Portas, os Louçãs, os Boaventuras e todos os pregadores que estão por trás, enfim, os esquerdistas alimentados pelo ódio ao capitalismo, e formatados em visões paranóicas e maniqueístas da História, são outra loiça.
Esta gente odeia a civilização industrial da qual depende porque, na sua opinião, aliena o homem da natureza e esta "civilização capitalista", é intrínsecamente má.
No fundo o problema é filosófico e psicológico.
Em termos psicológicos, é facilmente identificável um complexo de Édipo...a "Mãe Natureza", vítima do "Pai" (civilização industrial/ocidental), contra o qual se vira o filho protector (os "progressistas" e os outros idiotas úteis)). A ideia é matar o Pai e amar livremente a Natureza, alcançando a utópica felicidade eterna, sem bem que incestuosa.

Os pobres "Gualteres" que por aí abundam, pesporrentes e ignorantes, estão impregnados até à medula deste tipo de pensamento.
Como todos os utópicos em missão, acham que o problema que descrevem é o mais importante do mundo e que as pessoas têm de ser educadas/forçadas a ver o perigo da maneira que eles o imaginam, e se juntem à batalha, não se esquecendo de sugerir que quem discorde da sua visão só pode ser gente de má-fé, ou ignorante, apostada em continuar a agredir a Mãe Natureza.
Este tipo de pensamento acompanha o pessimismo tecnológico e político de Heidegger, o filósofo mais ligado ao nazismo e reivindica (como não?) um novo paradigma civilizacional pela reformulação da organização política em torno do "problema", além da, sempre exigida educação do pensamento dos homens .
Como é normal, estes "progressistas" vêem-se a si mesmos como membros de uma elite informada ( "O agricultor não está informado"- garantiu um dos idiotas úteis do milheiral; é necessária a " formação de uma corrente de opinião maioritária"-sentencia M. Portas)
"especialistas" da ecologia, detentores e supremos intérpretes da Verdade Revelada da Mãe-Terra, sumo-sacerdotes do saber ecológico, aptos a orientar a acção dos ignorantes (todos os outros) , se necessário à força.
Miguel Portas, subitamente convertido ao maquiavelismo dos fins, garante que a força é condenável, mas compreensível, face ao objectivo maior que se pretende.
É claro!

Tal como os pregadores de todas as religiões, os cereal killers são pessimistas mas utópicos. Vêem um problema e uma oportunidade.
A oportunidade de nos salvarmos, submetendo-nos à autoridade da sua visão de modo que as nossas consciências possam ser mudadas.
A “solução” exige óbviamente homens novos, reeducados nas certezas da vanguarda revolucionária, como todas as ideologias utópicas, e uma nova organização política e social.
Qual?
Eles não sabem...só sabem que é outra, que não esta!
Onde é que já ouvimos este tipo de receitas?
No fundo, quem aspira a orientar a humanidade no caminho do "bem", não pode conceber soluções meramente tecnológicas, lá onde acha que só "revolução" e a mudança de mentalidades são as soluções puras e éticas.
Face à praxis e à pregação dos novos aiatolas, tão bovinamente ecoada por uma comunicação social deslumbrada e ignorante, até o Comandante Bengala, em vez de fazer aquilo para que lhe pagam, se arvora em ideólogo e se entusiasma numa versão pós-moderna da aliança Povo-MFA.


Nada disto é novo....a estupidez humana é, garantia Eistein, uma das poucas coisas que dá a ideia de infinito, e estes cromos, que desfilam ostentando o absoluto ridículo das sua infinita estupidez, limitam-se, embora o ignorem, a repetir as imbecilidades satrianas da "multidão em fusão", numa ânsia pueril de tomar a Bastilha todos os dias.
O expoente intelectual destas manadas, é o "alteractivista" José Bové, cujas sofisticadas teses se exprimem na sublime acção de escavacar restaurantes "do Império", à cadeirada e à pedrada.
Estes alterparolos , habitados pela tolice e pelo erro, dados a "fazer a revolução", dando cabo de um milheiral, acreditam piamente pertencer uma elite esclarecida de gente que vê mais além, de gente que vê coisas absolutamente novas.
Pobres diabos....e pobres maçarocas..

deixado a 29/8/07 às 15:29
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castro
Gosto do post e da clareza dele. Só era escusado a insinuação de uma teoria quase genética entre as formas de protesto actuais e o PREC. Afinal não foram estrangeiros a maioria, ou pelo menos muitos, dos que se envolveram na ceifa?
Não creio que o efeito do PREC tenha chegado tão longe.

deixado a 29/8/07 às 14:26
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João Pedro Dias
Pelo menos agora o Bloco não tem duvidas sobre o que contar da direita e os seus dirigentes serão mais cautelosos nas suas reacções a quente. Tenho quase a certeza que se o Miguel Portas tivesse tido uma reacção como a do Daniel (de condenar o acto e desdramatizá-lo)grande parte dos ataques que foram feitos ao Bloco não teriam existido. Como disse, pelo menos agora fica claro que o inimigo anda por aí e não perdoa o menor deslize!

deixado a 29/8/07 às 13:21
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Bang Bang
A verdade é que toda a gente já percebeu que o BE é um partido em crescendo e que já tem hoje muita força na sociedade portuguesa.
Um partido a abater, portanto. Não se vá dar o caso de o operariado se transformar numa classe previligiada! Bolas!!

deixado a 29/8/07 às 12:24
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nelson anjos
Subscrevo muito do que foi dito. Quanto ao que não subscrevo, respeito mas tenho outra opinião.
Penso que nenhuma mudança, no curso da história do homem - salvo as contadas à posterior pelos historiadores e sociólogos - se fez segundo a geometria rigorosa do ponto e da linha recta. Diz-se até, aí em Portugal, que "Deus escreve direito por linhas tortas". Aqui em África, os yoruba, do norte da Nigéria, dizem que "até a Deus falta inteligência". Quanto a Jesus, também não teve quaisquer pruridos em andar metido com putas e ladrões, em nome da defesa da sua nobre causa.

Se para aí estivermos virados, não será difícil ver sempre nos defensores de uma causa - que temos antes de mais o cuidado de dizer que também é nossa - a gravata mal posta, o casaco que não condiz com as calças, ou o cabelo comprido. E constituir isso na razão principal para dizer que ... não senhor! - estamos de acordo, mas não apoiamos!

deixado a 29/8/07 às 07:14
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Sebastião Dias
Mania da perseguição ou táctica? Numa altura em que os militantes do bloco se encontram ao rubro devido à vereação de Sá Fernandes numa câmara ganha pelo PS, com uma clara e fracturante divisão entre as várias facções do bloco (curiosa ironia esta, um partido que se denomina de bloco mas que desde sempre esteve, está fracturado), é de toda a utilidade congregar as massas num esforço único, utilizando a velha máxima do Porto e, sobretudo, do FCP, do «está tudo contra nós». O FCP sempre ganha campeonatos. O bloco não os ganha porque, claro, há sempre uma conspiração maquiavélica para impedir a sua progressão.
Os inimigos estão em todo o lado. É a extrema esquerda, porque ocupa o mesmo quadrante político e porque se sente acossada. É o PS, porque sente que a verdadeira oposição, a que incomoda, vem do bloco. É o PSD e o CDS. É patético.
O egocentrismo do bloco cria ao partido uma distorção da realidade. O bloco ocupa o lugar que ocupa na política portuguesa. É a força menos influente do espectro político português. Tem poucos deputados. Tem pouca implantação no poder local. Não tem vindo a registar grandes subidas nas eleições, ao contrário das expectativas dos próprios. Nã tem fazedores de opinião com capacidade intelectual para cativar fora do seu espectro político. O partido é um «jaquinzinho» com a mania que é um peixe tropical.

deixado a 29/8/07 às 00:05
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Será que não há nada que tenha um pouco mais de interesse? É que isto já se passou há vários dias, não se prolongou, não se repetiu e já esgotou a possível cobertura mediática.

Tomara que chegue o outono e termine a chamada "silly season"...

deixado a 28/8/07 às 23:52
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