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Arrastão: Os suspeitos do costume.

Enquanto cá fora o país desespera, a direita portuguesa esfrangalha-se por causa de regulamentos internos

Daniel Oliveira, 11.03.08

Mar volta a estar flat no Atlântico

Daniel Oliveira, 04.12.07
O Tiago Mendes saiu do blogue Atlântico (leiam os oito posts de despedida do Tiago). André Azevedo Alves fará parte do Conselho Executivo da revista Atlântico. Para as pessoas de esquerda quem lêem os dois, que não têm grande vontade de debater com o "lado de lá" e que preferem divertir-se à conta da patusca, salazarenta e beata direita nacional, não pode deixar de ser uma excelente notícia. Não é o meu caso. Não se trata de escolher a "boa" e a "má" direita. Trata-se de não me apetecer ficar os próximos cinquenta anos a discutir o que já discutimos nos últimos cinquenta.

Dizem-me algumas pessoas que a minha manifestação de simpatia pelo Tiago só o desajuda. Acredito que sim. Mas estou-me nas tintas e suponho que ele também estará. Encontrei-me com o Tiago (e com o Pedro Marques Lopes, o Vasco Rato, o CAA ou a Helena Matos) no combate pela despenalização do aborto. Fiz até alguns amigos. Em muitas coisas (as que realmente contam para os próximos anos) não podíamos estar mais distantes. Noutras, menos, estamos próximos. E quem acha isto estranho ainda não percebeu que a política não é um jogo de futebol. Se a direita nunca mudar a esquerda poderá ficar, para sua desgraça, sempre na mesma. E vice-versa. Os teus ditadores, os meus ditadores, as tuas incoerências, as minhas incoerências, os teus fanáticos, os meus fanáticos, a tua violência, a minha violência, os teus esqueletos, os meus esqueletos...

Direita na blogosfera

Daniel Oliveira, 02.12.07
Não me vou envolver numa discussão que não me diz respeito. Apenas gostava de dizer que é interessante verificar que alguma clarificação começa a acontecer entre a chamada direita liberal. De um lado, liberais com os quais não concordo, mas que assumem alguns princípios básicos para qualquer pessoa que não queira abastardar a coisa: a laicidade do Estado e o distanciamento em relação às mais tenebrosas memórias da direita. À esquerda, algumas destas clarificações são também necessárias. Do outro: o sectarismo mais delirante, o fundamentalismo religioso, o conservadorismo agressivo, a intolerância em todos os domínios da vida e a simpatia não disfarçada pela mais troglodita extrema-direita. No meio, infelizmente, ainda quase todos.

Ao Tiago Mendes, Pedro Marques Lopes e CAA desejo boa sorte, apesar de não ser muito optimista. Gostava, um dia destes, de debater as grandes clivagens entre a direita e a esquerda (o futuro do Estado Providência, o papel do Estado na sociedade e na economia, os limites do mercado e por aí adiante) e deixar de perder tempo com matérias que deviam estar resolvidas há pelo menos cem anos. Tornava o debate mais difícil para a esquerda mas muitíssimo mais interessante. Tiago, Pedro e Carlos serão seguramente meus adversários políticos. Mas daqueles com quem vale mesmo a pena debater.