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Arrastão: Os suspeitos do costume.

A melhor música dos anos 80 (1) - Destroyer/Kaputt*

Sérgio Lavos, 31.07.11
Férias no blogue, música em tom de nostalgia. Há para aí boas bandas que andam a ouvir coisas que não deveriam. Esta é uma delas. O vídeo é também excelente, um gozo aos nerds da era digital e uma evocação de um dos temas preferidos dos músicos dos anos 80: mulheres a dançar.

 

*Esta série é dedicada a bandas de agora que foram buscar inspiração aos anos 80. A ideia é colocar um dos nomes novos e a seguir um teledisco (como se dizia) de um original dessa década.

Amy Winehouse (1983-2011)

Sérgio Lavos, 23.07.11
Live fast, die young... no bullshit. Grande voz, o panteão dos 27 está mais rico; mas o mundo ficou a perder. Descanse em paz.
E mais: vejo repetida por todo o lado a expressão "desperdício de talento". Depois de morta, continua a ser recriminada por levar o estilo de vida que levava. Censurada por não ter feito outro disco desde Back to Black. Condenada pelas desastrosas actuações ao vivo. Não é justo. É egoísmo puro. Queremos que os nossos ídolos sejam perfeitos? Não, pedimos apenas que nos sirvam, como cantava outro perseguido pela fama, Kurt Cobain. Serve the servants - os artistas obrigados a servirem a sua arte. E nós, como vampiros, nunca nos cansamos, queremos sempre mais. Desperdício de talento, como se deus (ou alguém por ele) tivesse desperdiçado um dom em alguém que não o merecia. Amy Winehouse não era apenas um produto consumível. No fim de contas, o que lamentamos nós? A morte de alguém, ou o fim do nosso vício? Quem será, afinal, imperfeito?

Benfica/Panda Bear

Sérgio Lavos, 17.07.11

 

Noah Lennox nasceu nos EUA, no estado de Maryland. No início da década passada, formou um dos projectos musicais mais inovadores da pop dos últimos 15 anos. Conheceu Lisboa numa digressão desta banda, os Animal Collective. Gostou da cidade a ponto de se apaixonar por uma portuguesa, casar com ela (e ter dois filhos). Tornou-se num dos mais ilustres moradores da cidade. Até aqui, tudo bem. Mas a cereja no topo do bolo é a sua conversão à mais mística religião portuguesa: o benfiquismo. Adepto fervoroso, sócio, deslumbrou-se com os cânticos, com o barulho, do Estádio da Luz e gravou-os* para usar na faixa do seu mais recente álbum, Tomboy, lançado em Abril passado. Tudo somado, um homem com todas as qualidades (e nenhum defeito público). Panda Bear é o nome que usa na música. E esta, se não é melhor canção do álbum, é certamente a minha preferida. Chama-se Benfica, e é grande.

 

Letra:

 

Some might say that

To win's not all that it's about

It's just not something to say

But there is nothing more true

Or natural than wanting to win

 

There's nothing more to life

Nothing more to life

 

*Seria mais interessante se ele tivesse gravado o barulho do estádio, mas parece que não (segundo informação de comentadora); simplesmente sacou da net o som e usou-o como sample. Ainda assim, o deslumbre deve ter acontecido.

Feedback to the Future

Sérgio Lavos, 02.07.11

 

Estávamos em 1990. Os Stones Roses tinham lançado o seu primeiro álbum um ano antes. Na Hacienda de Madchester dançava-se ao ritmo de pastilhas e ao som de New Order e de Happy Mondays, de Shamen e de Inspiral Carpets, de Primal Scream pré-Screamadelica. No resto do mundo, ouvia-se Nirvana como se fosse a última esperança de uma geração - e eram, e foram, mas ainda andamos por cá. O grunge era o digestivo de um juventude consumista em fúria; o house, o tecno e o som de Madchester a refeição pantagruélica do hedonismo de quem preferia esquecer a raiva e a fúria. A Inglaterra precisava de uma Terceira Via. Os herdeiros da melancolia indie dos anos 80, das bandas da 4AD, dos sons etéreos (o cliché) dos Cocteau Twins ou dos This Mortal Coil. Os que recusavam olhar o mundo deferente, preferindo fixar o olhar nos sapatos que calçavam durante os concertos. A onda shoegazer surgia, subterrânea, com muita pretensão existencial e algum lirismo sonoro. As guitarras planando sobre vozes sussurradas, bateria em fundo quase silencioso, alguns sintetizadores. Uma pose que era uma atitude, uma atmosfera que aspirava a ser um sonho musical de adolescentes perdidos à entrada para a vida adulta. My Bloody Valentine, Ride, Slowdive. Mas também Swervedriver, Moose, Drop Nineteens (criadores do fabuloso Winona, homenagem ao ícone indie do filme Reality Bites). Os 4Adianos Lush. Mais tarde, os herdeiros Spiritualized. Quem conseguisse ouvir estas bandas fora de Inglaterra poderia considerar-se um afortunado. Eu fui. Havia um tipo na minha faculdade que usava uma t-shirt com a imagem do palhaço da capa de Going Blank Again. Seria difícil ser mais cool do que aquilo, achava eu (por onde andará?). 

 

Os anos passaram. Deixei de ouvir shoegazing. No final dos anos 90, uma banda de Leiria (o antro alternativo daquela década), os Phase, tentaram recriar este som. Niguém na altura soube quem eram (entretanto o guitarrista, Ricardo Fiel, está na banda de David Fonseca). Voltei, e o mundo comigo, a ouvir falar deste som Sofia Copolla. Depois de ter convidado outra banda etérea, os Air, para comporem a banda-sonora de Virgens Suicidas, pediu a Kevin Shields, o mentor dos My Bloody Valentine, para criar o som de Lost in Translation. Renascia o gosto pela melancolia, um desencanto juvenil desembocando uma vida adulta. Um estilo. Nesse ano, 2003, é editada uma compilação com bandas shoegazing, de 1990 a 1992 (a brevidade é a chave do movimento). Feedback to the Future é o nome da compilação. O feedback das guitarras mais um futuro que parecia não poder existir. Sem os My Bloody Valentine (porque não quiseram particpiar), sem os Verve, que na sua primeira versão eram shoegazers, mas com todos os outros. Depois, fogachos daquele som, numa ou noutra banda - os Sigúr Ros são os mais conhecidos. E para quando um regresso ao futuro?

 

 

Feedback to the Future - a Compilation of eleven shoegazing songs from 1990-1992. Edição Mobilé.

A música dos Slowdive é, quem sabe, a melhor do álbum. O esplendor da melancolia em forma musical.

We are the PIGS

Sérgio Lavos, 05.06.11

 

Estudo indica que europeus do Sul trabalham mais do que os alemães.

 

E ainda assim, há quem continue a achar que os alemães trabalham para nos sustentar. De mentira em mentira, lá vamos engolindo a conversa da austeridade, da flexibilidade laboral, da redução dos apoios sociais. Hoje, se quiser continuar a papar estes docinhos, é só votar na troika infernal PS-PSD-CDS. Bom proveito. Só não vale é depois queixar-se das cáries.