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Arrastão: Os suspeitos do costume.

O terror dos outros

Sérgio Lavos, 25.07.11

 

Não acho que esteja a polir o revólver, caro Francisco, mas julgo que a expressão que usa facilmente pode servir para encostar alguém às cordas do preconceito. Atenção: esse tal "preconceito antropológico ocidental" pode até ser real em alguns casos. Contudo, a sua existência não impediu que esteja a ser feito o necessário para manter a ameaça do terrorismo islâmico sob controlo. É uma questão perfeitamente secundária, neste caso, e, devolvendo o brinde, a frase, no seu texto, é apenas usada em tom provocatório. 

 

A questão parece-me muito simples: o terrorismo deve ser tratado como aquilo que é, um acto criminoso. E as democracias devem evitar que aconteça, sempre (mas não recorrendo a qualquer meio, seja a tortura ou, mais grave, uma guerra preventiva). Seja de extrema-direita neonazi, de extrema direita islâmica ou de extrema-esquerda. Agora, tentar perceber as razões da existência de extremismos islâmicos violentos não me parece que seja consequência de um "preconceito antropológico ocidental". E certamente o Francisco concordará comigo se eu disser que a agressividade do mundo islâmico em relação ao Ocidente é, em parte, resultado directo da violência exercida sobre os países árabes. Violência em forma de ocupação territorial - como é o caso da presença de Israel na Palestina -; violência de guerras preventivas que pouco ou nada ajudam à pacificação do Médio Oriente - como é o caso do Iraque; e violência exercida indirectamente, por via do apoio que as democracias ocidentais dão às petroditaduras do Golfo. Pretendo com esta enumeração desculpar actos terroristas? De modo algum, porque um crime é sempre um crime, seja qual for a razão por detrás dele, e matar inocentes a milhares de quilómetros de distância é, definitivamente, um crime. Como também é crime a morte de civis em resultado de ocupações de países soberanos. E atenção, que não falo de guerras entre nações; falo de ocupações criminosas, nas quais a discrepância de poder entre as forças militares em combate não permite que se possa falar em guerra. 

 

Do mesmo modo, reduzir o duplo atentado de sexta-feira a um acto de um alucinado é esvaziar a importância das motivações políticas de Anders Breivik. Mas é isso que estamos a ouvir diariamente: Anders é um louco solitário, e o facto de ter ligações à extrema-direita é apenas um pormenor. É um caso previsível de double standards: a loucura nunca é a causa primária para atentados perpetrados por terroristas islâmicos. Porquê? Porque um acto de loucura é um acto solitário; e sendo um acto solitário, é uma excepção, não nos vincula, enquanto sociedade, ao indivíduo que o pratica. Enquanto que um atentado terrorista, despojado da insanidade solitária do atirador que mata dezenas, vincula toda uma cultura. Excluímos os nossos loucos, diferenciamo-los do resto da sociedade, afirmando: "nós não somos assim, isto é uma excepção". Mas vinculamos milhões de muçulmanos à violência praticada por uma minoria (de loucos de Deus). De que lado está o "preconceito antropológico ocidental"?

Alexandra Lucas Coelho

Sérgio Lavos, 17.01.11

 

A autora de um dos meus livros do ano que passou, Viva México, tem um blogue, Atlântico-Sul. Uma oportunidade para acompanharmos diariamente o que vai acontecendo no Brasil, pela mão virtual da nossa melhor jornalista de reportagem, Alexandra Lucas Coelho, agora correspondente do Público naquele país. Sempre naquela linguagem balançando entre o distanciamento jornalístico e a proximidade das pessoas e dos lugares que vai conhecendo. Um primor.

Em directo: Conferências de Lisboa

Daniel Oliveira, 21.05.09
As conferências de Lisboa continuam nos Paços do Concelho, em Lisboa. Depois de José Augusto França, no dia 14, hoje é a vez de Henrique Cayatte, com "Lisboa Cidade Capital". A partir das 18 horas, e graças ao Zé Nuno, poderão ver aqui, em directo.

Já aconteceu. Mais informação e futuramente em arquivo em: www.conferenciasdelisboa.net.

Causa dele?

Pedro Sales, 20.12.08
Sempre atento, Vital Moreira descortinou a razão de ser da "luta aguerrida dos sindicatos contra a avaliação dos professores". O actual modelo de avaliação acaba com a progressão automática dos dirigentes sindicais que não estejam a dar aulas. Como percebe qualquer pessoa que não se tenha enfiado numa toca nos últimos meses, o suposto interesse em "causa própria" dos sindicalistas não explica a "luta aguerrida" de toda uma classe que encheu, por duas vezes, as ruas de Lisboa e que realizou a maior greve de sempre. Citando um habitual título dos posts de Vital Moreira, o primarismo redutor desta sua posição arrisca-se a fazer parte da "antologia do disparate político". Das duas uma, ou o seguidismo ideológico do professor de Coimbra já o impede de ver o óbvio ou é tolhido na análise por teimar em julgar todos à sua medida.

O submiranda

Pedro Sales, 11.10.08
O João Miranda descobriu que “Louçã defende sub-sub-prime”. Porquê? Por que o Bloco defende a bonificação do crédito à habitação aos desempregados. Se tivesse parado três segundo antes de escrever, o João Miranda teria percebido que bonificar os juros às pessoas que, depois de terem contraído o empréstimo, se viram sem emprego está para o subprime como o crédito à habitação está para o último filme da Pixar. Não tem nada a ver. Por uma simples razão. Não afecta os critérios de concessão de crédito. Mas se tivesse parado ainda mais uns segundos, o João Miranda teria constatado que o que afirma não faz sentido nenhum. Não só os bancos portugueses não concedem crédito a habitação a desempregados, como é pouco crível que os próprios se queiram endividar por 35, 40 ou 50 anos.

O que esta proposta afecta, para além da vida dos desempregados, é o valor total de crédito malparado – o mesmo que, como diz hoje a capa do Expresso, sobe a 4,6 milhões de euros por dia - evitando futuras situações de incumprimento. Pode concordar-se, ou não, agora chamar-lhe subprime é que é uma distorção gratuita que não tem nada a ver com o que é proposto.

E lá voltamos nós à tanga do turismo olímpico

Pedro Sales, 16.09.08


O Rodrigo continua convencido de que a participação portuguesa nos jogos olímpicos foi um desastre que explica a incapacidade nacional para nos superarmos nos momentos decisivos. A razão acrescida para a sua convicção foi encontrá-la, vá-se lá saber porquê, nas medalhas que Portugal tem ganho nos jogos paraolímpicos. Se bem percebo o Rodrigo, se uns conseguem ganhar medalhas o que é que explica o “insucesso” dos Marcos Fortes da delegação olímpica nacional? A resposta é simples. Porque não ainda existe verdadeira alta competição nos paraolímpicos. Quanto mais profissional e global for o desporto mais difícil se torna competir e alcançar resultados sem grandes meios e apoios. Portugal, como se sabe, tem um excelente palmarés no hóquei em patins, essa modalidade que deve competir em número de praticantes com a pelota basca e onde levamos a vantagem competitiva nada despicienda de ter a vaga ideia da sua existência.

Não deixa de ser sintomático que, sendo estes os jogos paraolímpicos onde se concentrou a maior atenção mediática e se bateram todos os recordes de audiência televisiva, a participação nacional se esteja a ressentir da crescente competitividade e tenha arrecadado muito menos medalhas do que há quatro anos( 7 contra 12, para ser preciso), começando reclamar mais apoios face à crescente profissionalização das outras delegações. Rodrigo, posso não estar a perceber as tuas dúvidas, mas quer-me parecer que as tuas perguntas só reforçam o que o maradona vem dizendo e o que eu escrevi no meu antigo poiso.

E lá voltamos nós à tanga do turismo olímpico

Pedro Sales, 16.09.08


O Rodrigo continua convencido de que a participação portuguesa nos jogos olímpicos foi um desastre que explica a incapacidade nacional para nos superarmos nos momentos decisivos. A razão acrescida para a sua convicção foi encontrá-la, vá-se lá saber porquê, nas medalhas que Portugal tem ganho nos jogos paraolímpicos. Se bem percebo o Rodrigo, se uns conseguem ganhar medalhas o que é que explica o “insucesso” dos Marcos Fortes da delegação olímpica nacional? A resposta é simples. Porque não ainda existe verdadeira alta competição nos paraolímpicos. Quanto mais profissional e global for o desporto mais difícil se torna competir e alcançar resultados sem grandes meios e apoios. Portugal, como se sabe, tem um excelente palmarés no hóquei em patins, essa modalidade que deve competir em número de praticantes com a pelota basca e onde levamos a vantagem competitiva nada despicienda de ter a vaga ideia da sua existência.

Não deixa de ser sintomático que, sendo estes os jogos paraolímpicos onde se concentrou a maior atenção mediática e se bateram todos os recordes de audiência televisiva, a participação nacional se esteja a ressentir da crescente competitividade e tenha arrecadado muito menos medalhas do que há quatro anos( 7 contra 12, para ser preciso), começando reclamar mais apoios face à crescente profissionalização das outras delegações. Rodrigo, posso não estar a perceber as tuas dúvidas, mas quer-me parecer que as tuas perguntas só reforçam o que o maradona vem dizendo e o que eu escrevi no meu antigo poiso.