Domingo, 28 de Abril de 2013
por Sérgio Lavos









Stephen Colbert convidou para o seu programa o estudante de economia que pôs a nu uma das maiores fraudes académicas recentes, o trabalho dos economistas de Harvard, Rogoff e Reinhardt, usado desde 2010 como justificação para a austeridade, e que continha erros crassos de Excel e manipulações grosseiras de dados. A ler também este artigo do El País:

"Cuando la deuda de un país supera el 90% del PIB, el crecimiento de la economía es inviable. El aserto, nacido de dos cerebros de Harvard y sobre el que se asientan las políticas de austeridad que están a punto de dinamitar los pilares del Estado de bienestar en medio mundo, ha resultado tan falaz como las armas de destrucción masiva que sirvieron para justificar la invasión de Irak.

“Es exagerado hacer la comparación, pero acepto la analogía porque es cierto que se están adoptando políticas a partir de premisas que son falsas”. Quien habla es Thomas Herndon, el estudiante de 28 años que, en su camino para sacarse un doctorado en Economía en la Universidad de Massachusetts, ha desenmascarado la mentira macroeconómica más significativa de los últimos años, y sobre la que EE UU y Europa se han apoyado en su campaña por la austeridad fiscal y el recorte drástico del gasto. (...)"


por Sérgio Lavos
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Sábado, 13 de Outubro de 2012
por Sérgio Lavos

Bom texto de Nuno Serra, no Ladrões de Bicicletas:

 

"Não sabemos ainda quando (nem como) sairemos da insanidade em que nos mergulharam. Mas pode dizer-se que entrámos, nas últimas semanas, numa nova fase de evolução da crise: a evidência do fracasso da opção austeritária é cada vez mais indisfarçável e avassaladora. Bem podem os seus arautos e responsáveis continuar a insistir nos «amanhãs que cantam» que já ninguém acredita. Tinham-nos anteontem prometido que cantariam ontem. Tinham ontem prometido que cantariam hoje. E nem um pio se ouviu.

É bem certo que fanáticos, como Gaspar, sempre os teremos entre nós. De pouco importa se o navio que embateu violentamente nas rochas é já só um amontoado de destroços. No seu delírio, continuam a imaginá-lo em impante movimento, a aproximar-se do sonhado horizonte, por mais que este sempre se afaste. Esta é a primeira forma de fuga, a negação, e combina (em doses variáveis) crença com oportunismo: quando confrontados com resultados que escapam às suas previsões, os «austeritários negacionistas» ora respondem com uma fé inabalável e delirante, ora invocam razões obscuras, a que são alheios (vejam por exemplo como - na sequência da mais recente avaliação da troika - tanto Vítor Gaspar, como Abebe Selassie e Passos Coelho falam de «ventos favoráveis e desfavoráveis»: ora para justificar o fracasso a partir de elementos que não controlam, ora para renovar ilusões sem fundamento).

Uma outra forma de fuga corresponde a uma espécie de esquizofrenia inconsequente. Christine Lagarde personifica-a: mostra dar sinais de ter percebido o logro que constitui a receita suicida, referindo-se à «fadiga da austeridade» e reconhecendo os clamorosos «erros de cálculo» sobre os seus impactos na economia, ou sugerindo que o veneno seja tomado em menores doses e por mais tempo. Nada que, contudo, provoque mudanças na «outra personalidade», a que continua a aplicar a receita austeritária de forma impiedosa e implacável.

chico-espertismo é uma terceira forma de fuga, de que se socorrem seres politicamente medíocres e invertebrados como José Manuel Durão Barroso. É a estratégia de evasão mais cínica e miserável: trata de tentar alijar responsabilidades de uma forma repugnante. Depois de forçar os países sob «intervenção externa», na parte que toca à Comissão Europeia, a aceitar a sangria austeritária (que nunca deixou de enaltecer) vem dizer - assim que começa a farejar o avolumar do fracasso - que afinal tudo não passou de uma maldade que os governos nacionais decidiram infligiraos seus cidadãos.

Imaginem uma unidade de cuidados intensivos onde um paciente é submetido a uma terapia errada, que não só não lhe cura o mal de que sofre como o está a matar. Desafiados a explicar por que razão o paciente não melhora sob os seus cuidados, a Dra. Lagarde diz que as doses de medicação têm efeitos secundários preocupantes e que foram mal calculadas, mas continua a administrá-las da mesma forma. O Dr. Barroso, por seu turno, culpa o doente por ter aceite a medicação que lhe foi prescrita. E o Dr. Gaspar (coadjuvado pelo Dr. Abebe), diz que não há problema nenhum com a prescrição: se não está a funcionar é porque andam uns ventos a soprar lá fora e que o que há que fazer é, seguramente, reforçar a dose terapêutica."


por Sérgio Lavos
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Terça-feira, 7 de Agosto de 2012
por Sérgio Lavos

O Insurgente, que nada tem a dizer sobre as pressões e a intromissão na soberania da Grécia ensaiadas pela Alemanha, a Áustria, a Finlândia e a Holanda, acha mal que Hollande pressione a Itália a aceitar o resgaste da UE. Parece-me natural. No fim de contas, François Hollande está a fazer tudo o que prometeu em campanha e a economia de França rapidamente respondeu de forma positiva. E a receita do presidente gaulês inclui medidas inomináveis, entre elas um imposto sobre os mais ricos que vai incidir no património e nos rendimentos, um corte de 30% nos salários dos membros do Governo, o fim de várias benesses dos governantes (carro pago pelo contribuinte, ajudas de custo, etc.) e a alocação das verbas poupadas em programas de estímulo ao emprego de jovens licenciados. Inconcebível, um Governo que se preocupa em dar o exemplo nos cortes de despesa preocupando-se ao mesmo tempo em injectar esse dinheiro em sectores da economia dependentes do Estado. Um Governo preocupado em fazer incidir a austeridade sobretudo sobre os mais ricos.

 

Ainda bem que o nosso Governo PSD/CDS não está a fazer nada disto - os carros dos governantes continuam a ser topo de gama, os salários não baixaram (e Pedro Passos Coelho até acha que os políticos não são bem pagos) e os boys continuam a entrar nos ministérios e nos institutos públicos ganhando os dois subsídios que o resto da Função Pública perdeu. Abençoado Governo de direita, que não segue a receita completamente alucinada dos franceses...


por Sérgio Lavos
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Quinta-feira, 17 de Novembro de 2011
por Miguel Cardina

Jürgen Kröger, representante da Comissão Europeia na troika, afirmou hoje em jeito de suposto elogio: «Portugal não é a Grécia: há estabilidade e as pessoas são boas». Percebemos a mensagem: as pessoas más (e os países maus) manifestam-se, as pessoas boas (e os países bons) deixam-se espoliar.


por Miguel Cardina
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Terça-feira, 15 de Novembro de 2011
por Miguel Cardina

 

Foi hoje apresentada, em Lisboa, a Iniciativa por uma Auditoria Cidadã à Dívida Pública. A estrutura irá promover, a 17 de Dezembro, a Convenção de Lisboa. O texto da convocatória, subscrito por 274 pessoas, pode ser lido no seu site.


por Miguel Cardina
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Domingo, 13 de Novembro de 2011
por Miguel Cardina

 

Ao explicar hoje na RTP a nova situação política italiana, o repórter Noé Monteiro hesitou numa palavra. Falava então da queda de Berlusconi e da sua sucessão por Mario Monti. Monti, o tecnocrata preferido pelos mercados que foi comissário europeu durante um par de anos, prepara-se para ser convidado a formar governo pelo presidente Giorgio Napolitano. Portanto, frisava o repórter, não estão pensadas eleições na sequência desta mudança, ao contrário que é norma em regimes... "democráticos". De facto, e independentemente do asco que se possa e deva sentir por Berlusconi, a actual ultrapassagem da democracia pelo regime dos credores não é coisa de somenos. Tal como os referendos, as eleições actualmente tendem a ser vistas com bons olhos apenas se não atrapalharem. Neste novo regime a que também já se chamou "pós-democrático", expressões como "governo técnico" - com o qual já se crisma o "governo Monti" -, "saneamento das contas públicas", "combate ao défice" e "remoção das gorduras do Estado" erguem-se como um novo senso comum. E tudo isto numa sopa populista que identifica a "democracia" com os "políticos" e estes com o "estado a que isto chegou". A Grécia e a Itália estão a dar-nos o sinal: a democracia é um resíduo espúrio que os senhores da finança, ancorados no eixo franco-alemão, não têm dificuldades em descartar se for essa a melhor forma de, para utilizar um eufemismo que agradaria a Cavaco Silva, "empobrecer dignamente". Obrigada a dar-se a ver desta forma, a força dos fortes tem, contudo, a fraqueza dos gestos impositivos. Talvez os italianos o percebam mais rápido do que se pensa.


por Miguel Cardina
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Terça-feira, 6 de Setembro de 2011
por Miguel Cardina

 

António Barreto defendeu há dias uma «profunda renovação» da Constituição, tão profunda que exigiria ser inconstitucionalmente referendada. Este fim-de-semana foi a vez de Passos Coelho tentar criar com pouca habilidade uma nuvem de fumo sobre as redes sociais e a perspectiva do país a arder. Hoje calhou a Paulo Portas vir falar das greves como causadoras de pobreza. A direita no poder mostra assim o seu programa real: a austeridade como oportunidade de refundar o regime; o recurso à ideologia da inevitabilidade para denunciar as movimentações sociais contra o plano de saque em curso; a conversão da solidariedade em caridade, de preferência voluntária e confessional; a demonização dos serviços públicos e a abertura de espaços para a iniciativa privada em enlace por vezes obsceno com interesses instalados na área do Estado. No fundo, quando Manuela Ferreira Leite falou da necessidade em «suspender a democracia por seis meses» não estava só a expressar um desejo. Desenhava sem saber o futuro do qual nos aproximamos. Precisamos, definitivamente, de mais esquerda.


por Miguel Cardina
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Terça-feira, 9 de Agosto de 2011
por Miguel Cardina

Gestores não executivos recebem 7400 euros por reunião.


por Miguel Cardina
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Quarta-feira, 6 de Julho de 2011
por Miguel Cardina

 

Tem graça: depois de ter sido eleito um governo que não só promete cumprir o programa da "troika" mas "ir mais longe", depois de nos terem dito que o melhor era não apontar as críticas aos mercados e às agências de rating porque isso escalava o nervosismo, depois disso tudo e de mais umas quantas frases de antologia, Portugal chega ao patamar do "lixo". Ainda esta semana pude ver o Inside Job e dá bem para perceber como os critérios de cotação das agências de ratings são, no mínimo, duvidosos - e no máximo, criminosos. E é assim que cada vez mais temos pela frente um caminho que se bifurca: ou aceitamos a austeridade do modo como está ser imposta na Grécia ou dizemos, como se escreveu num manifesto há uns meses atrás, que "o inevitável é inviável".


por Miguel Cardina
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Quinta-feira, 30 de Junho de 2011
por Miguel Cardina

Passos Coelho corta subsídio de Natal em 50%.


por Miguel Cardina
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Quarta-feira, 1 de Junho de 2011
por Miguel Cardina

 

José Sócrates e Pedro Passos Coelho não partilham só o facto de terem assinado o memorando da troika e se disponibilizarem a aplicá-lo com zelo. Une-os também um percurso de vida semelhante: passos políticos iniciais numa juventude partidária (ambos na JSD, curiosamente), um lugar precoce como deputado, ligações directas ou indirectas ao mundo dos negócios. Estão igualmente irmanados por um sinuoso percurso académico tardiamente concluído em universidades privadas - Sócrates na extinta e polémica Independente; Passos Coelho na Lusíada, conhecida por acolher muitos políticos do PSD. Isto, dirão alguns, é espuma intriguista. Para estes importa sobretudo o acinte comicieiro de logo à noite, a frase no telejornal, a dramatização dos acólitos. O espectáculo pós-democrático.

 

A verdade é que nunca as escolhas foram tão claras e a política tão urgente. E - precisamente por isso? - nunca o confronto entre os dois partidos do grande centro soou tão plástico. Com Portas pelo meio, imaginando-se já num lugar de vice-rei independentemente do partido vencedor, fala-se muito para ter de dizer nada. Discute-se acaloradamente alterações ao memorandum para não debater o seu conteúdo; fala-se de "honrar os compromissos" para não abordar o tema da renegociação da dívida; agita-se a bandeira do "grande esforço nacional" para não dizer que esta crise, criada pela especulação financeira, vai ser paga pelos cidadãos, pelo desmantelamento do estado social e por um pacote de privatizações irracionais. Este domingo vota-se e uma coisa é certa: as coisas só mudam se escolhermos efectivamente mudar.


por Miguel Cardina
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Terça-feira, 10 de Maio de 2011
por Miguel Cardina

 

O comissário europeu Olli Rehn acabou de anunciar a aprovação do programa de empréstimo a Portugal. É uma ajuda muito especial: só em juros, o país pagará 4 mil milhões de euros, sensivelmente o valor que anualmente é arrecadado em impostos às empresas, o valor correspondente ao buraco estimado do BPN ou o equivalente a 400 euros por cada português. A taxa de juro, que andará entre os 5,5% e os 6%, é considerada insustentável por muitos especialistas. E tem um evidente carácter punitivo que diz muito sobre a consistência da tal "solidariedade europeia". O próprio comissário europeu avisou que Portugal terá de fazer "esforços" mas fez questão de dizer que, dado o apoio ao programa evidenciado durante a campanha, não haverá dúvidas sobre a sua implementação após 5 de Junho. Ou seja, não só a Comissão Europeia nos veio elucidar do papel uniforme do PS-PSD-CDS neste argumento como acabou de entrar explicitamente na campanha eleitoral. Só falta destacar aqueles senhores da troika para acompanhar os comícios de cada um dos três partidos do arco da austeridade. Seria bizarro mas seria mais honesto.


por Miguel Cardina
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Sábado, 30 de Abril de 2011
por Miguel Cardina


por Miguel Cardina
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Sexta-feira, 11 de Março de 2011
por Miguel Cardina

Governo anuncia novo PEC.

 


por Miguel Cardina
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Quarta-feira, 2 de Março de 2011
por Miguel Cardina

Então clique aqui para aceder a um detalhado retrato feito pela Confederação Europeia de Sindicatos.

 

(Via ATTAC Portugal)


por Miguel Cardina
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