Quarta-feira, 3 de Outubro de 2012
por Sérgio Lavos

A inutilidade táctica de encostar neste momento o PS a um voto de censura é mais um erro, incompreensível durante um período de possível crescimento. O Bloco de Esquerda está a subir nas sondagens à conta do descontentamento com uma governação de direita, mas não vai, nunca irá, conquistar votos aos partidos da governação. Quem tenciona votar no BE fá-lo porque sabe duas coisas (para além das outras razões): o PS também assinou o memorando da troika e António José Seguro nunca será mais do que um líder de transição - mesmo, e sobretudo se, chegar um dia a primeiro-ministro. E quando se fala em partidos da governação, fala-se também de um PS que encara o tempo de oposição como um trampolim para o poder e que, mais à esquerda ou mais à direita, nunca deixará de governar para os seus próprios interesses, antes de pensar sequer no interesse nacional. Um voto de censura para marcar território em relação ao PS - e é assim que a opinião pública o vê - porquê? O BE precisa é de fazer oposição séria e comprometida às políticas de austeridade e sobretudo ao pior Governo desde o 25 de Abril, um Governo que torna o executivo de Santana Lopes um exemplo de responsabilidade e competência. O voto que o BE pode conquistar está à esquerda do centrão, e é esse que interessa para já. Ignorar Seguro e o seu PS violentamente abstencionista seria não só sensato como a estratégia correcta - dali pouco perigo vem. Mas enfim, será pedir demasiado a um partido entretido em experiências bicéfalas e outras brincadeiras para inglês ver. 


por Sérgio Lavos
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Terça-feira, 21 de Agosto de 2012
por Sérgio Lavos

 

Sabendo que antes de se discutir nomes terá sempre de se discutir políticas, modelos e estratégias, e esperando que o Bloco de Esquerda faça isso democraticamente durante os próximos tempos, sinto-me à vontade para ter uma preferência para dar voz às propostas que saírem do colectivo: Ana Drago. Pela sua experiência política no BE; pela clareza das ideias; e sobretudo porque a política depende das pessoas que a fazem, e a deputada parece-me ser quem conseguirá melhor transmitir o que o Bloco tem a dizer a um país que está a ser arruinado pelas políticas de direita.   


por Sérgio Lavos
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Segunda-feira, 27 de Junho de 2011
por Miguel Cardina

Aqui fica o meu texto sobre o passado recente e o futuro necessário do Bloco, publicado no espaço de discussão lançado pelo esquerda.net.


por Miguel Cardina
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Quarta-feira, 22 de Junho de 2011
por Miguel Cardina

O Bloco de Esquerda entendeu promover espaços de reflexão sobre a sua intervenção recente, a nova situação política e os caminhos de convergência com outros protagonismos políticos e sociais. É um bom sinal de humildade e um terreno que terá tanto maior densidade quanto maior e mais plural for a participação de militantes, simpatizantes e gente comprometida com a esquerda. Este diálogo interno e externo será materializado em algumas iniciativas públicas a decorrer nos próximos tempos mas passa também pela disponibilização de plataformas mais imediatas, como é o caso do Debate Aberto, agora lançado. E passa também pela expressão de opiniões sem medo de reconhecer erros, limitações e questões para as quais ainda não se tem resposta. É o que faz Miguel Portas nesta excelente entrevista que concedeu a Nuno Ramos de Almeida e que o jornal i hoje publica.


por Miguel Cardina
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Sexta-feira, 3 de Junho de 2011
por Sérgio Lavos

 

Enquanto o país se prepara para reflectir seriamente em votar no trio da troika e entregar o nosso destino a mãos sujas e estrangeiras, eu insisto em pensar no que terá corrido tão mal na constituição genética lusa para termos chegado a este ponto. Esforço vão, parece-me, e faria melhor em pensar no tempo que se seguirá ao acto de depositar o meu voto na urna. Urna que, de resto, simboliza na perfeição o que vai acontecer daqui para frente. Portugal, o morto-vivo, o cadáver adiado, entrega a execução das suas exéquias aos carrascos, a tal troika maldita PS-PSD-CDS. Há alternativas, há outras soluções? Só não vê quem prefere não ver, só não quer quem tem medo, a tal maldição de que padecemos, de que para sempre padeceremos. Eu, conservadoramente, voto no mesmo partido desde que voto, e voto porque esse partido continua a apresentar as únicas soluções viáveis para ressuscitar o cadáver. Vamos lá ver, quem poderá negar a evidência, uma vez mais: a alternância do centrão - com a intermitente parasitagem do partido do vice-rei Portas - é uma mortífera dança que, um pouco mais à direita ou voltando ao centro, nos foi conduzindo à cova. Já disse isto? Direi, e quantas vezes forem precisas, e recuso-me a aquiescer perante o queixume de quem vota sempre nesta troika do Inferno. Querem crise, pobreza, manutenção de privilégios, clientelismos, capitulação perante o poder económico, derrota? Votem PS, PSD, CDS. E daqui a 5 anos, quando o fundo for ainda mais profundo, quando afinal tudo ainda estiver pior do que agora, parabéns, tiveram o que escolheram. E apenas aceitarei o queixume de quem sofre com a manutenção da ordeira dança das cadeiras. Aos outros, nada. A única alternativa a esta tristeza é de esquerda.

 

(A imagem é da Gui.)


por Sérgio Lavos
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Segunda-feira, 9 de Maio de 2011
por Sérgio Lavos

Não sei se terá sido boa ideia seguir a convenção do BE através das gordas do Público on-line e da sempre equilibrada cobertura do Renato Teixeira, esse grande estudioso do fenómeno Bloco de Esquerda para esta segunda década do século, no 5 Dias, mas do que perdi não reza a história, nem a deste fim-de-semana nem a das eleições que se aproximam. A verdade cruel da queda nas sondagens não desmente as palavras dos seus líderes, mas convenhamos que pedir votos ao centro e à direita me parece prenhe de um patético wishfull thinking que nem a busca de parangonas desculpa. Também não sei o que será o "extremismo radical" de que fala Louçã; referir-se-à ele aos cartazes com ovelhas negras que eram colados nas paredes de Lisboa em meados da década passada? O caminho para o centro - parece ser esse - terá de se fazer sacrificando uns quantos anciões cordeiros, percebi bem? E onde espera o BE ir conquistar votos, ao volátil povo que tanto se lhe dá votar PS ou PSD, comprovando o chavão da esquerda de que estes são partidos sem diferenças? Certamente não aos leitores do CDS, que de tropeção em tropeção de Passos Coelho lá vai trepando em direcção a uma futura e novamente respeitável coligação, reeditando a união nacional magicada pela saudosa dupla Santana-Portas, que tanto deu ao país. Para dizer a verdade, ao currículo de Passos Coelho falta uma passagem pelo comentário televisivo, mas seguramente que a sua destreza na feitura de farófias e outras iguarias doces compensa esta ausência. Até porque de ideias, estamos conversados, e gosto de imaginar os cabelos arrepiados da classe média de crédito estourado ao ouvir o líder do partido da laranja afirmando que, seriamente dado que ele é um homem sério, seriíssimo, as medidas do trio FMI não são suficientemente penalizadoras e que ainda irá mais longe do que os bondosos samaritanos da troika, privatizando até à última réstia de empresa estatal, depenando definitivamente as empresas públicas que ainda vão alimentando os cofres do Estado, a CGD e a TAP. E a RTP, claro, não esquecer, que isso de ter uma estação pública deverá ser luxo apenas dos outros, incluindo o berço do capitalismo, os EUA. Pormenores. Ideias peregrinas não faltam certamente a Coelho e à sua trupe, e sempre insistindo na panaceia da manutenção dos impostos. Haverá capelas com mais fiéis onde ir pregar, mas convenhamos que é preciso concorrer com as medidas para tornar a economia competitiva propostas pelo PS; se estes baixam o IVA do golfe e aceleram a destruição dos serviços do estado, Coelho salta mais longe, e sonha com um país dominado pela selvageria do ultraliberalismo económico. Um utópico.

 

O problema é que a contramão perigosa por onde conduzimos parece ser, por vontade da única alternativa que nos resta - uma viragem à esquerda - o caminho provável. No limite, é verdade que ser retirada a responsabilidade de governação aos nossos políticos, apesar da lamentável perda de soberania, é uma solução com o seu quê de interessante. E como ninguém parece muito interessado em bater o pé a quem manda verdadeiramente no país, animemo-nos: a diversão da viagem está mais do que garantida.


por Sérgio Lavos
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Terça-feira, 19 de Abril de 2011
por Sérgio Lavos

Deveriam ter o BE e o PCP aceitado encontrar-se com a troika infernal do FMI? Haverá questionáveis razões calculistas que terão levado à decisão dos partidos, mas julgo que a questão dos princípios terá sido essencial. O FMI é a mais horrenda extensão das políticas do austeritarismo prosseguidas pelo PS e apoiadas por PSD e CDS. A recusa do BE e do PCP em ouvirem o FMI não significa, ao contrário do que alguns de direita querem fazer crer, que estes partidos se coloquem de fora do processo democrático. Estão fora, sim, das políticas económicas que levarão o país ao descalabro económico. Portanto, uma posição de princípio. Participar no processo democrático, neste caso, significa recusar o diálogo com os nossos carrascos e encontrar outras formas de lutar contra as imposições de fora que apenas vão reforçar as políticas erradas que conduziram o país ao descalabro. Democracia, lamentamos, não é sinónimo de liberalismo económico selvagem. Estiveram muito bem os dois partidos nesta situação, e poderá este ter sido o empurrão decisivo em direcção a uma verdadeira política de protesto contra o pensamento único ultraliberal.


por Sérgio Lavos
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Terça-feira, 5 de Abril de 2011
por Sérgio Lavos

Por enquanto, é apenas uma possibilidade, e não poderemos estar demasiado optimistas, mas a concretizar-se uma aproximação entre BE e PCP, será uma óptima notícia. Os dois únicos partidos de esquerda com representação parlamentar (não insistam, um PS em que 93% dos militantes elege José Sócrates como secretário-geral é um PS que desistiu da ideologia e apenas pensa em manter o poder e o círculo que dele se alimenta) têm uma oportunidade única. Este é verdadeiramente o tempo de esquecer rivalidades, calculismos eleitorais sectários e velhas fracturas. Sim, é uma questão de interesse nacional, mas a sério, não o que defende a tríade do poder (PS, PSD, CDS, não esquecer) e a política do austeritarismo. E mais interessante se torna, se analisarmos a votação dos dois partidos nas últimas legislativas à luz de uma eventual coligação: dos 31 assentos parlamentares actuais passaria para 39 (retirado do Margens de Erro, via 5 Dias). Se não quisermos mais do mesmo, este pode ser o caminho necessário.


por Sérgio Lavos
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Sexta-feira, 11 de Fevereiro de 2011
por Sérgio Lavos

A julgar pelas reacções indignadas de tanta gente - Santana Lopes, esse exemplo para a vida democrática portuguesa, acha inconcebível o sucedido -, a moção de censura que o BE irá apresentar no dia 10 de Março só pode ser uma boa ideia. As acusações de tacitismo feitas a Francisco Louçã, que visam sobretudo menorizar o efeito da intenção, parecem ignorar completamente o pânico que se instalou nos partidos do centrão. O PS acha indigno que a esquerda possa fazer cair um governo de esquerda, como se o PS ainda fosse um partido de esquerda; os barões do PSD põem as mãos à cabeça, recusando o desafio, percebendo que o partido a que pertencem acabou de perder a iniciativa política (Santana Lopes, diga-se, acha inconcebível que o BE apresente uma moção de censura porque este partido não deve liderar a oposição, como se a democracia portuguesa estivesse alugada em exclusivo ao eixo PS/PSD/CDS); e o PCP vê, de um momento para o outro, esvaziar-se o efeito da declaração de apoio a uma eventual moção apresentada pelo PSD; recorde-se, uma moção apresentada pelo PSD e apoiada pelo PCP, seria o que estava ironicamente em causa**. E não devemos esquecer o que tem sido a política portuguesa no último ano: uma espera interminável em direcção à queda do governo, uma agonia mantida em função dos interesses de Cavaco e de um desígnio nacional cujo único efeito prático foi a aplicação de medidas de austeridade que estão a levar o país à recessão económica. Agora que há finalmente uma oportunidade de fazer cair o Governo e acabar com a agonia, toda esta gente assobia para o lado. Quem será tacitista, neste caso?

 

*Este texto de Zé Neves também diz muito sobre a crise passageira. O ideal seria uma moção conjunta BE/PCP. Mas sabemos como, neste momento, isso é, infelizmente, uma miragem.

 

**Na realidade, ninguém do PCP afirmou que o partido iria apoiar uma moção de censura avançada pelo PSD. Este post do Vítor Dias é esclarecedor, assim como a pesquisa que fiz nos jornais on-line. Mais um exemplo de distorção por parte dos media, cedências ao sensacionalismo. Ou pior.


por Sérgio Lavos
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Sábado, 11 de Outubro de 2008
por Pedro Sales
O João Miranda descobriu que “Louçã defende sub-sub-prime”. Porquê? Por que o Bloco defende a bonificação do crédito à habitação aos desempregados. Se tivesse parado três segundo antes de escrever, o João Miranda teria percebido que bonificar os juros às pessoas que, depois de terem contraído o empréstimo, se viram sem emprego está para o subprime como o crédito à habitação está para o último filme da Pixar. Não tem nada a ver. Por uma simples razão. Não afecta os critérios de concessão de crédito. Mas se tivesse parado ainda mais uns segundos, o João Miranda teria constatado que o que afirma não faz sentido nenhum. Não só os bancos portugueses não concedem crédito a habitação a desempregados, como é pouco crível que os próprios se queiram endividar por 35, 40 ou 50 anos.

O que esta proposta afecta, para além da vida dos desempregados, é o valor total de crédito malparado – o mesmo que, como diz hoje a capa do Expresso, sobe a 4,6 milhões de euros por dia - evitando futuras situações de incumprimento. Pode concordar-se, ou não, agora chamar-lhe subprime é que é uma distorção gratuita que não tem nada a ver com o que é proposto.

por Pedro Sales
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Sábado, 7 de Junho de 2008
por Daniel Oliveira
No mesmo momento em que o Bloco de Esquerda participa com Manuel Alegre, dirigente, deputado e militante do PS, num comício e acha isso normal (eu acho), seria estranho que criticasse um vereador independente, que não é nem dirigente nem militante do Bloco, por reunir com quem entende. Se acha que tal lhe deveria ser comunicado, diz isso ao vereador, não aos jornais.

Acho que o Bloco deve fazer uma avaliação do trabalho de Sá Fernandes. A reestruturação das empresas municipais e o caso da Praça das Flores são alguns casos que devem ser debatidos. Segundo sei, estão a ser debatidos entre o Bloco e o vereador independente e parece que há, num caso problemas de concretização e no outro divergências. É saudável. E que elas sejam públicas também. Sá Fernandes é independente do Bloco, o Bloco, enquanto partido, é livre de ser crítico em relação a medidas tomadas por Sá Fernandes. Aqui o fiz. Mais: o Bloco pode e deve avaliar o cumprimento do acordo celebrado entre o BE e Sá Fernandes e entre Sá Fernandes e António Costa. Se o balanço for negativo pode e deve tirar daí conclusões e com lealdade e clareza tomar decisões políticas.

Mas transformar este debate num jogo de suspeitas públicas sobre a lealdade do vereador não é como se espera que o Bloco resolva divergências. Interessa o conteúdo das políticas na capital. O resto não tem qualquer relevância pública. Nem para os lisboetas nem para os eleitores do Bloco.

Sá Fernandes terá defeitos, alguns resultantes de inexperiência na vida politico-partidária. Mas falta de lealdade pessoal e política não é seguramente um deles. Aqui está uma coisa que devemos aprender com a forma como, por exemplo, o PCP faz os cortes políticos internos ou com aliados: não transforma-los em avaliações de carácter ou de lealdade. Deixa feridas e ressentimentos que nunca saram.

por Daniel Oliveira
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Quarta-feira, 4 de Junho de 2008
por Daniel Oliveira


Foto de André Beja



Sala completamente cheia. Outra sala, noutro lugar, com um ecrã gigante a tranmitir o comício, também cheia. E muita gente na rua sem poder entrar. Muitos militantes do PS e do Bloco de Esquerda juntos. Um excelente discurso do deputado José Soeiro. E um discurso mais contundente do que esperava de Manuel Alegre. Um comício inédito e um sério aviso a Sócrates. Devemos, ainda assim, um agradecimento a Vitalino Canas, um dos principais divulgadores desta iniciativa.

por Daniel Oliveira
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Quarta-feira, 28 de Maio de 2008
por Daniel Oliveira
No dia 3 de Junho, dirigentes do Bloco de Esquerda e "alegristas" participam num comício comum contra "o défice social". Não vale a pena fazer especulações delirantes a partir daqui. Mas vale a pena perceber o aviso. A esquerda à esquerda do PS está a crescer. E é por esse flanco que Sócrates vai perder a maioria absoluta.

por Daniel Oliveira
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por Daniel Oliveira
Principais queixas: a RTP beneficia o governo; o Bloco de Esquerda é levado ao colo.
Principais conclusões da ERC em relação ao ano de 2007: a SIC dá mais espaço ao PS e ao governo do que a RTP; com votações semelhantes ao CDS e ao PCP, o BE tem de três a cinco vezes menos notícias que o CDS e três vezes menos do que o PCP.


por Daniel Oliveira
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por Daniel Oliveira



A propósito da derrota eleitoral da Refundação Comunista italiana a revista de reflexão do Bloco, a Vírus, lançou um debate que começa com um texto meu (um desenvolvimento, que chega a Portugal, do post publicado aqui no Arrastão), continua com um texto do Jorge Costa, outro de Luís Fazenda, Carlos Santos e Victor Franco e termina com um de Ricardo Paes Mamede. A esquerda que quer aprender com os erros e os acertos, faz os debates que tem de fazer e não deixa a divergência política à porta das sedes partidárias. É por isso que me sinto bem onde estou.

A ler aqui (versão PDF) ou aqui (versão HTML).

por Daniel Oliveira
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Segunda-feira, 19 de Maio de 2008
por Daniel Oliveira
«Primeiro foi o PS a mostrar sinais de preocupação, com o discurso do Governo a chegar-se notoriamente à esquerda. Na passada semana foi o PSD, pela voz de Manuela Ferreira Leite, a vir dizer que o crescimento do PCP e BE é preocupante. As várias sondagens dão os dois partidos em subida - em conjunto atingem níveis próximos ou acima dos 20%. Razão para os dois "grandes" se preocuparem?

"Há sintomas de ser uma alteração estrutural, que veio para ficar", defende Rui Oliveira e Costa, responsável da Eurosondagem, referindo que esta tendência já se fez sentir "em 2007 e tem-se acentuado em 2008". Pedro Magalhães, investigador do Instituto de Ciências Sociais e director do centro de sondagens da Universidade Católica defende que é preciso mais tempo para avaliar, dado que estamos perante uma "tendência que tem cerca de seis meses". Mas este é um cenário "que tem lógica se observarmos o que se passa no panorama político": "O governo do PS tem tomado uma série de medidas que afectam os interesses de grupos sociais e de grupos de cidadãos que podem ser mobilizados pelos partidos mais à esquerda."

Significará isto que o eleitorado que está a reforçar os dois partidos vem do PS? Pedro Magalhães diz que as sondagens não permitem dar uma resposta clara - o que exigiria estudos de painel, pouco utilizados em Portugal. "Mas julgo não estar a cometer nenhum erro se disser que os eleitores que têm reforçado o PCP e o BE - sobretudo o Bloco - são eleitores da ala esquerda do PS", acrescenta. Os mesmos que se desviaram dos candidatos oficiais nas presidenciais e nas autárquicas de Lisboa, para votar em Manuel Alegre e em Helena Roseta.»

por Daniel Oliveira
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Domingo, 11 de Maio de 2008
por Daniel Oliveira


Que os partidos se critiquem uns aos outros é normal. Faz parte do jogo democrático. Mas é suposto que as críticas tenham algum conteúdo. Este tipo de textos gratuitos, publicados no órgão central de um partido político, são de tal forma infantis que provam apenas que o "Avante!" entrou em roda livre. Começou com os elogios a Estaline, acabou nisto: uma acção política normalíssima, como tantas que o PCP e todos os partidos organizam, é comparada, vá-se lá saber porquê, a um comício de Salazar e a uma "patuscada". Porquê? Um texto que, pelo absurdo, além de publicitar a iniciativa de um partido concorrente, apenas dá sinais de um desvario completo.

Compreende-se que o ano de 1968 não traga boas memórias a alguns comunistas. Mas então que venham ao debate e se deixem de criancices.

por Daniel Oliveira
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Domingo, 27 de Abril de 2008
por Daniel Oliveira



Tem razão o deputado Paulo Rangel (do PSD) quando escreveu, ontem no "Público", que esta intervenção de José Soeiro (do BE), concorde-se ou discorde-se dela, é das melhores que se fizeram nos últimos anos em comemorações do 25 de Abril. E cito Rangel porque ele foi autor, há dois anos, de outro excelente discurso sobre a qualidade da nossa democracia e os direitos cívicos. Aqui é Soeiro a ir para lá da espuma dos dias e a fazer uma intervenção de fundo sobre a escola e a democracia. Talvez a melhor resposta (involuntária) ao discurso beato de Cavaco sobre o suposto alheamento dos jovens em relação à política.

É importante repetir o óbvio: a democracia não é "assunto" pelo qual as pessoas se devam interessar. É uma prática diária. E quem, a cada momento, por razões de eficácia ou de saudosismo de uma autoridade perdida, quer reduzir a sua vivência nas escolas, nas empresas, no Estado ou no espaço público não se pode espantar quando os cidadãos (jovens ou não) tratam a democracia como uma coisa que lhes é estranha.

por Daniel Oliveira
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Terça-feira, 22 de Abril de 2008
por Daniel Oliveira


A nova revista Vírus (que já vai no seu segundo número), uma publicação de reflexão política e ideológica promovida pelo BE, já está nas bancas. Nas bancas quer dizer na Net, já que se trata de uma publicação exclusivamente on-line. Aqui em versão html, aqui em pdf (que recomendo, porque o grafismo merece). Melhor ainda: folheie a revista no seu computador .

por Daniel Oliveira
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Segunda-feira, 14 de Abril de 2008
por Daniel Oliveira
«Afirmar alternativa na cidade de Lisboa, contra a direita e o liberalismo, passa pela afirmação do Bloco de Esquerda e das suas propostas políticas para a Cidade de Lisboa e para os Lisboetas, mantendo a amplitude das suas candidaturas, rejeitando claramente coligações com o PS ou a CDU, de forma isolada, afastando da mesma forma entendimentos pós eleitorais com essas forças na C.M.L., trabalhando para soluções de unidade com outros sectores e cidadãos no quadro de um projecto próprio e autónomo para a cidade»

Esta é a frase do programa eleitoral da lista A, a lista próxima da direcção, que me fará votar em branco nas próximas eleições para a concelhia de Lisboa. Acho muito bem que o BE concorra sozinho, com Sá Fernandes à cabeça, nas próximas eleições autárquicas, apesar de achar que seria normal que essa decisão nascesse de um entendimento entre o BE e os independentes do projecto "Lisboa é Gente". Parece-me muito mais estranho o compromisso de não haver «entendimentos pós eleitorais».

As decisões políticas nascem de balanços políticos. Só se entende a decisão de não continuar, depois das próximas autárquicas, o acordo assinado há uns meses se isso resultar de uma avaliação política negativa desse mesmo acordo. Se a avaliação é negativa, então o Bloco deve dizer publicamente que é negativa e defender o fim do acordo, sem esperar pelas próximas eleições. Não se continuam coisas com as quais se discordam. Se não é negativa, este anúncio não tem em conta Lisboa e obedece apenas a puro cálculo eleitoral a pensar nas legislativas. Essa é uma forma intolerável de fazer política. Se não há avaliação nenhuma, isto é infantil, o que é muito mais grave num partido político.

por Daniel Oliveira
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Segunda-feira, 7 de Abril de 2008
por Daniel Oliveira





Ao escolher no mínimo seis dirigentes por partido e podendo apenas votar-se três, o último inquérito acabou por dar um excelente retrato político dos leitores do Arrastão. E serve também para perceber, dentro de cada área política, quais são as preferência dos leitores. A escolha de três em seis, 13 ou 11 tinha este objectivo: que as pessoas votassem mesmo em políticos da sua área próxima, não desvirtuando os resultados.

Votaram 1337 pessoas. Algumas (muito poucas) não escolheram três candidatos. No total, houve 3.929 votos. Para contabilizar a influência política de cada partidos entre os inquiridos são estes votos que têm de ser contabilizados. Por aqui, mais do que saber da popularidade de cada partido, fico a saber o perfil partidário dos visitantes do Arrastão.

Assim, os seis dirigentes dos Bloco de Esquerda somaram 1129 votos, o que representa 28,7% dos votos. Se lhes juntarmos os votos em José Sá Fernandes, passa para 1293 votos (32,9%).

Os 13 dirigentes do PS somaram 814 votos (20,7%). Se lhes juntarmos os ministros independentes Teixeira dos Santos e Maria de Lurdes Rodrigues e o militante do PS e líder da UGT, João Proença, passa para os 960 votos (24,4%). Se lhes somarmos ainda a dissidente Helena Roseta fica nos 1088 votos (27,7%).

O seis dirigentes do PCP tiveram 513 votos (13,1%). Mas se juntarmos Carvalho da Silva, militante do PCP e dirigente da CGTP, passa para os 783 votos (19,9%). E se ainda lhe somarmos os votos na dissidente Luísa Mesquita passa para os 806 votos (20,5%).

Os 11 dirigentes do PSD tiveram 424 votos (10,8%). Mas juntando os votos no Presidente Cavaco Silva passa para os 551 (14%).

Os seis dirigentes do CDS somaram apenas 191 votos (4,9%).

Interessante é ver as diferenças dentro de cada área política. E aqui já podemos voltar a fazer tendo como universo o número de votantes e não de votos.

No Bloco de Esquerda, Ana Drago ficou em primeiro lugar, foi a política mais votada de todo o painel e a grande surpresa deste inquérito. Teve 403 votos. 30% dos leitores escolheram a deputada entre os seus três preferidos. Francisco Louçã vem logo a seguir, como 365 votos. 27% dos inquiridos escolheram o seu nome na lista dos seus três preferidos.E estes dois destacam-se em todo o painel. Depois vem Miguel Portas, com 164 votos (12%). Fernando Rosas teve 120 votos (9%). Luís Fazenda teve 48 votos (4%) e Helena Pinto 29 votos (2%). Se juntarmos José Sá Fernandes ao grupo, é o terceiro mais votado do BE e o sétimo do painel, empatado com Miguel Portas: teve 164 votos (foi escolhido por 12% do total de votantes, ficando muito próximo da votação de António Costa).

No PS, José Sócrates destaca-se claramente: tem 247 votos e foi escolhido por 18% dos inquiridos. Depois vem António Costa (com 170 votos e 13%) e Manuel Alegre (com 162 votos e 12%). Muito mais abaixo estão os restantes: José Vieira da Silva (3% e 45 votos); Elisa Ferreira (3% e 37 votos); Augusto Santos Silva (2% e 28 votos), Pedro Silva Pereira (2% e 26 votos), Luís Amado (2% e 23 votos); Edite Estrela (1% e 20 votos), Alberto Martins (1% e 20 votos), Jaime Gama (1% e 15 votos), Francisco Assis (1% e 15 votos - atrás de Elisa Ferreira) e Vitalino Canas (5 votos). Todos estes estão atrás dos dois ministros independentes: Texeira dos Santos (6% e 74 votos) e Maria de Lurdes Rodrigues (5% e 71 votos). O secretário-geral da UGT, João Proença, teve apenas um voto e ficou em último lugar no painel. Caso ainda fosse do PS, Helena Roseta estaria em quarto entre os socialistas, com 10% e 128 votos.

Entre os dirigentes do PCP, Jerónimo de Sousa fica em primeiro. Tem 176 votos (13%), seguido do deputado António Filipe, com 118 votos (9%), de Ilda Figueiredo (5% e 68 votos), de Bernardino Soares (5% e 62 votos), de Honório Novo (4% e 53 votos) e de Francisco Lopes (3% e 36 votos). No entanto, se contarmos com o coordenador da CGTP, Carvalho da Silva, as coisas mudam de figura. Fica bastante à frente de Jerónimo de Sousa e é o terceiro na lista dos cinquenta políticos. Teve 270 votos. Um quinto dos inquiridos votou nele. Luísa Mesquita, que é agora deputada independente, teve 23 votos (2%).


O PSD tem um vitorioso claríssimo: Rui Rio, que até ultrapassou o Presidente da República. Teve 161 votos (12%) e foi o único dirigente de direita nos primeiros 10 lugares das escolhas dos leitores do Arrastão (depreendendo-se que não terá sido pelo voto de pessoas de esquerda, que tinham muito por onde escolher). Muito depois vem Pedro Santana Lopes, com 40 votos, Pedro Passos Coelho, com 35 votos e António Capucho, com 35 votos, com 3% cada um. A lista segue: Ângelo Correia (2% e 33 votos), Fernando Seara (2% e 29 votos), José Aguiar-Branco (2% e 26 votos), Marques Mendes (2% e 21 votos), Luís Filipe Menezes (1% e 19 votos), José Ribau Esteves (1% e 14 votos) e Miguel Relvas (1% e 11 votos). Note-se que o líder do PSD é o ante-penúltimo da lista do PSD e ficou 41º da lista dos 50. Cavaco Silva é, depois de Rui Rio, o político de direita mais votado. Teve 127 votos (10%) e ficou em 12º.


No CDS acontece o memo que em todos os partidos (menos no PS): o líder é ultrapassado por outro militante. Em primeiro fica Teresa Caeiro, com 55 votos (4%). Só depois vem Paulo Portas, com 41 votos (3%). António Pires de Lima tem 37 votos (3%), Diogo Feio, com 29 votos, e Nuno Melo, com 26 votos (2% cada um) e Luís Nobre Guedes com 3 votos (ficou em penúltimo).

Assim, os grandes vencedores deste inquérito (o mais participado de sempre do Arrastão, apesar de dar um pouco mais de trabalho do que os outros), é, antes de mais, Ana Drago. E depois Francisco Louçã. O outro é seguramente Carvalho da Silva, que fica em terceiro, percebendo-se que aqui, onde há muitos leitores do BE e do PS, consegue muitos votos desta área. José Sá Fernandes fica bem e parece agradar a muitos bloquistas. José Sócrates e António Costa conseguem uma boa votação. E por fim, à direita, a vitória vai para Rui Rio. No CDS, vence Teresa Caeiro, que consegue ficar à frente de Portas.

Aqui ficam os resultados do inquérito:

[poll=14]



O próximo inquérito é sobre os Jogos Olímpicos na China. Qual seria a atitude mais correcta a ter em relação aos Jogos Olímpicos da China? O boicote; Aproveitar os Jogos Olímpicos para denunciar a violação de direitos humanos; Os países não se devem envolver nos assuntos internos da China; Não se deve confundir um acontecimento desportivo com questões políticas.

por Daniel Oliveira
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Sexta-feira, 7 de Março de 2008
por Daniel Oliveira


Via Zero de Conduta

por Daniel Oliveira
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Quarta-feira, 5 de Março de 2008
por Daniel Oliveira


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Segunda-feira, 3 de Março de 2008
por Daniel Oliveira
Revejo-me na entrevista de Francisco Louçã (uma das melhores que lhe ouvi) ao DN e TSF em praticamente todos os pontos: o papel do BE na política nacional, a saúde, os rendimentos dos gestores, a educação e a escola, as incompatibilidades dos deputados, a liberdade interna no Bloco, o separar de águas em relação às características ideológicas do PS e do PCP, a posição em relação às experiências do socialismo real e a defensa intransigente da liberdade e da democracia, o comportamento que os partidos devem ter nos movimentos sociais...

Mas chegou a Lisboa e empanou. Em vez de salientar com entusiasmo e clareza o que já se conseguiu (e o que falta conseguir) no processo de integração de trabalhadores precários, na reestruturação das empresas municipais e no que se melhorou nas competências de gestão da zona ribeirinha (tudo exigências do vereador eleito pelo BE) e o trabalho específico na vereação de José Sá Fernandes, preferiu chutar para canto e deixar claro que não haverá coligação em 2009. Na verdade não era preciso. Não houve coligação em 2007 e é normal que volte a não haver. Parece-me bem: o Bloco deve ser avaliado isoladamente pelo seu trabalho. Mas o que passa para quem ouve e lê esta entrevista é outra coisa: que o BE vive mal com este entendimento para salvar Lisboa do caos em que se encontra. Como o PCP nunca viveu, numa situação muito menos urgente, apesar do discurso que agora faz.

Estes complexos em participar em projectos de poder, enquanto lá se está, enfraquecem o Bloco em vez de o fortalecer. Criam confusão em vez de clarificar. Alimentam desconfianças nos eleitores em vez de lhes dar confiança. Quem vota no BE tem de saber que o BE participa no poder com a mesma coragem, determinação e frontalidade com que faz oposição. E que defende o trabalho dos seus eleitos sem meias palavras.

Participar no poder, quando se faz um bom trabalho e se conseguem resultados (e o BE, com apenas um vereador, obrigou Costa a várias cedências e conseguiu que várias coisas fundamentais fossem clarificadas), é motivo de orgulho. Mesmo que seja difícil e se pague sempre um preço por isso. Ou então faz-se uma avaliação negativa do trabalho (é essa a avaliação do Bloco?) e abandona-se o poder ou retira-se a confiança ao eleito. O que não faz sentido é, em vez de publicitar o trabalho feito, retirar, através de um discurso dúbio, força política ao seu eleito, reduzindo o seu poder negocial e o seu espaço de manobra. É um suicídio político injustificável.

Resumindo: excelente entrevista na proposta, na avaliação e nos princípios. O problema é mesmo o medo do pecado do poder. E é pena.

Entrevista aqui. Com boas perguntas (relevantes e difíceis), o que não é habitual.

Sobre este assunto ler também Esquerda bloqueada.

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Sábado, 1 de Março de 2008
por Daniel Oliveira



«41,3% dos eleitores não querem ver reeditado o cenário de poder absoluto de um só partido. Maioria absoluta só em coligação. Os defensores da maioria absoluta pura e dura resumem-se a 13%. Um terço dos inquiridos (33%) não se importava mesmo que o próximo Governo fosse de maioria relativa.
Sondagem Expresso/SIC/Rádio Renascença/EurosondagemNa sondagem feita pelo "Expresso" a esmagadora maioria dos eleitores diz que preferia que o governo não tivesse maioria absoluta. E destes, a maioria preferia um governo de coligação. Entre outras leituras possíveis, tentemos ler isto como um recado para a esquerda vindo dos seus eleitores. Sem tirar daqui conclusões sobre o que o PCP, BE e PS deveriam fazer (uma coligação com Sócrates seria um absurdo político, quando os grandes argumentos contra este governo vêm justamente da sua esquerda), vale a pena reflectir, para lá das circunstâncias actuais, sobre um sentimento dominante numa grande parte do eleitorado de esquerda que nunca teve qualquer correspondência com as estratégias das direcções do PS do PCP e do Bloco. Muitos eleitores de esquerda gostavam que os partidos à esquerda do PS viessem um dia a assumir um papel de parceiro governativo ou pelo menos de força de pressão sobre os socialistas. Este sentimento existe em algum eleitorado do PCP e em muito eleitorado do PS e do BE. Mas a verdade é que, com o sectarismo do PCP, a cultura de contra-poder do Bloco e o centrismo patológico do PS é improvável que tal venha alguma vez a ser possível.

Não deixa de ser preocupante este divórcio entre a esquerda partidária e uma parte não negligenciável dos seus eleitores. A mesma que leva a que, para o Bloco, seja tão difícil ocupar um lugar que lhe seria natural: destino de grande parte do eleitorado descontente do PS, que dificilmente votaria PC e não vota à direita. O Bloco cresce em eleições e sondagens. Mas não passa a fasquia que assuste os socialistas e os obrigue a repensar a sua estratégia política. E era o único partido em condições para o fazer. Só que, para isso, o eleitorado socialista mais à esquerda precisava de acreditar que o BE quer mesmo um dia transformar os seus votos em poder. Nunca seria com Sócrates, todos sabemos e respiramos de alívio por isso. Mas o problema é que ainda é difícil acreditar que viesse a ser com alguém. E é isto que deixa a esquerda bloqueada enquanto projecto de poder e transformação política do país. E um dos principais objectivos do Bloco deveria ser desbloquea-la. Porque os eleitores de esquerda só se livrarão de líderes como Sócrates se acreditarem que pode aparecer, à esquerda de Sócrates, alguma alternativa.

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Sábado, 19 de Janeiro de 2008
por Daniel Oliveira
Feita a moção de censura do Bloco de Esquerda, o seu fraco impacto demonstra que apesar de ser justa e do governo dever ser condenado por não referendar um tratado que prometeu referendar, ela se deveria ter centrado nas questões sociais. O desemprego, a perda de poder de compra e a redução do papel social do Estado são os problemas que mais preocupam a maioria dos portugueses. E, prioritariamente, o Bloco deve dar voz a essas preocupações.

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Quarta-feira, 16 de Janeiro de 2008
por Daniel Oliveira
Pode ver aqui.

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Terça-feira, 23 de Outubro de 2007
por Daniel Oliveira
Nove proprietários de Vale Fuzeiros, em Silves, e uma deputada municipal do Bloco de Esquerda de Sintra iniciam hoje uma greve de fome contra as linhas de muito alta tensão da Rede Eléctrica Nacional (REN).

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Segunda-feira, 10 de Setembro de 2007
por Daniel Oliveira
Apesar de discordar circuntancialmente com a análise feita hoje, no "Público", por André Freire, porque não tem em conta a especificidade ideológica de José Sócrates, concordo com os seus pressupostos. Não acho que seja possível os "socialistas de esquerda" governarem com Sócrates ou seu sucedâneo, porque ele representa a tentativa de aniquilação do centro-esquerda português. Mas toda a análise de André Freire, retirando este contexto político, é acertada. E é um ponto de partida para o debate bem mais interessante do que os textos humorísticos e absolutamente ignorantes em relação à realidade da esquerda nacional e europeia de Vasco Pulido Valente. Concordando ou discordando, a vantagem deste texto é que o autor sabe do que fala. Sobre o BE e os seus congéneres europeus isso é coisa muito rara. Aqui vai:


«Coligações e democracia: os dilemas da esquerda

Talvez por ter apanhado muita gente de férias, a coligação PS-BE para a Câmara de Lisboa foi tratada de forma superficial e/ou panfletária. O facto poderá, porém, vir a ter implicações relevantes para a maturação da democracia portuguesa. Vejamos porquê.

Pelo PS, António Costa venceu as eleições com 29,5 por cento. Por isso, pretendeu uma coligação com todas as forças de esquerda. Porém, apenas o vereador Sá Fernandes, pelo BE, respondeu positivamente. O primeiro dado singular é que se trata de uma coligação minoritária. Ou seja, a soma dos vereadores (6+1) é inferior à maioria absoluta (9). É curiosa também porque sabemos que, devido ao entendimento PS-PSD para a revisão das leis eleitorais autárquicas, não serão necessárias quaisquer coligações nas autárquicas de 2009.

Para fazer luz da decisão de Costa temos não só o reconhecimento que fez do carácter plural da esquerda (em Lisboa), mas também a situação difícil que vive a câmara e a existência de uma maioria de direita na assembleia municipal. Mas podemos também olhar para esta coligação como um ensaio que, se correr bem, poderá eventualmente ser replicado ao nível do país. Se o PS conseguir apenas uma maioria relativa nas próximas legislativas, uma das soluções possíveis é uma coligação de esquerda. Além disso, Costa posiciona-se como putativo líder de uma "esquerda plural", para o caso de Sócrates não querer governar uma tal coligação e os resultados eleitorais, bem como o próprio partido, levarem a que se afaste o cenário de uma coligação com a direita.

Para o BE, a coligação apresenta pelo menos duas vantagens: compromete o partido apenas ao nível autárquico, deixando-lhe o caminho livre para continuar a fazer oposição ao nível nacional e, assim, apresentar com credibilidade o seu programa alternativo em 2009; como a lista é encabeçada por um independente, deixa margem acrescida ao partido para se demarcar se, por hipótese, as coisas correrem mal.

Nas democracias representativas, a luta pelo controlo do Governo está no cerne da luta política. Por isso, o politólogo Peter Mair propôs uma tipologia que classifica os sistemas de partidos de acordo com o grau de inclusão de partidos no Governo e o grau de inovação nas fórmulas governativas. Na Europa, Portugal apresenta um dos sistemas mais fechados/menos inclusivos e menos inovadores. E porquê? Porque, de 1987 à actualidade, só houve uma coligação e, ao longo de toda a história democrática, os partidos à esquerda do PS nunca entraram no Governo. Por isso, Portugal tem um sistema partidário enviesado para a direita: quando não governou sozinho, o PS governou com o CDS ou com o PSD.

Na Europa, as coligações são a regra dominante numa maioria esmagadora de países. E tais coligações, sobretudo quando alinhadas à esquerda, têm incluído vários partidos da família do BE. Os politólogos dividem-se na classificação desta família, "Esquerda Libertária" ou "Socialistas de Esquerda", que inclui partidos tais como o Sosialislitik Venstreparti (Noruega), o Socialislitik Folkeparti e o Enheedlisten - De Roed Gronne (Dinamarca), o Politieke Partij Radikalen e o Groen Links (Holanda), o Partei des Demokratischen Sozialismus (Alemanha) e o Vänsterpartiet (Suécia), etc. Trata-se de partidos que, tal como o BE, fizeram o seu aggiornamento a partir de formações de extrema-esquerda de tipo trotskista, marxista-leninista ou maoísta. Todos abraçam as causas da "nova esquerda": mais democracia participativa, direitos das minorias (étnicas, sexuais, etc.), ambientalismo, etc. Além disso, muitos fazem parte do mesmo grupo parlamentar do BE no Parlamento Europeu. Aquilo que separa a maioria destes partidos do BE é o facto de terem participado em inúmeras coligações (ou acordos de incidência parlamentar) nacionais com os sociais-democratas. Mas não é preciso irmos à Escandinávia ou à Holanda para encontrarmos este tipo de fórmulas governativas. Em Espanha, temos um governo minoritário do PSOE apoiado pela Izquierda Unida (PCE e forças da "nova esquerda") e pela Esquerda Republicana da Catalunha. Em Itália, temos uma coligação de esquerda que inclui diversas formações de extrema-esquerda, nomeadamente comunistas. A "Esquerda plural", em França, ia do PSF à extrema-esquerda. Estas coligações são a norma na Europa, não aquilo a que chamei o enviesamento para a direita do sistema partidário português.

É por isso que reacções à coligação PS-BE como a que foi protagonizada por Pulido Valente (PÚBLICO, 12/8/07) revelam desconhecimento do funcionamento efectivo das democracias europeias e do perfil dos "Socialistas de Esquerda". Há também o profundo desejo da direita de que o PS nunca se consiga entender com os partidos à sua esquerda e, em caso de necessidade, governe apenas com ela. Menos compreensíveis são as declarações de certos dirigentes do BE parecendo rejeitar liminarmente uma coligação em 2009. O grande dilema do BE será o de saber se, em caso de maioria relativa do PS, vai querer atirá-lo para os braços da direita ou se, convergindo com as práticas dos seus congéneres europeus, quererá "invadir, penetrar e contaminar o PS com o que de melhor o BE trouxe à política portuguesa" (Miguel Vale de Almeida). A essência da democracia é o compromisso e uma coligação de esquerda não implica necessariamente uma diluição da identidade dos pequenos, como mostram as inúmeras experiências europeias. E a incorporação dos vários segmentos do eleitorado no Governo fará muito mais pela aproximação entre eleitores e eleitos do que quaisquer reformas institucionais. O BE deve é ter presente que se rejeitar a priori tal fórmula estará a dar força aos apelos à maioria absoluta e a limitar a sua capacidade de captar eleitores do PS descontentes (mas apegados à ideia de estabilidade política). Mais, estimula e legitima as tentações maioritárias em sede de reforma eleitoral.

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Terça-feira, 28 de Agosto de 2007
por Daniel Oliveira



Raramente um debate tem apenas o seu valor facial. Quase sempre, quando correntes de opinião se envolvem em disputas argumentativas em torno de um caso concreto estão a debater mais do que estão a debater. É o caso do Verde-Eufémia. A prova está até neste blogue. Depois de condenar o acto e de desvalorizar a sua importância, escrevi muito sobre o assunto. Porque que me pareceu que quem ia alimentando este assunto tinha uma agenda que ultrapassava o caso concreto. Hoje é evidente que assim era.

Os objectivos são fáceis de identificar: criminalizar o Bloco de Esquerda, desacreditar a agenda ecologista, tornar o valor da propriedade privada num valor absoluto e condicionar as formas de contestação muito para lá dos limites do que tem sido habitual.

Vamos por partes:

1. Não é a primeira vez que perante uma acção em que o BE não está envolvido se tenta, de todas as formas, envolvê-lo. E são sempre casos em que tenha sido violada a lei. Se não há qualquer prova procuram-se indícios atrás de indícios, por mais longínquos que sejam, tentando criar a suspeita sem que ela tenha alguma vez de encontrar comprovação. Quem conhece quem? Quem esteve um dia com quem? Quem já falou com quem? Quem apoiou ou convidou no passado quem, numa investigação quase pidesca.

Nesta prespectiva, um partido político teria de se responsabilizar não só por o que fazem os seus dirigentes e militantes, mas também pelos actos de apoiantes ou mesmo de pessoas com quem se tenha cruzado numa sala.

O objectivo é transportar, no imaginário das pessoas, o Bloco para fora da lei e da democracia. Antes fazia-se isso com o PCP, hoje faz-se com o BE e voltará a faze-se com qualquer outra força que esteja fora do consenso ao centro. Tanto mais quanto maiores sejam as possibilidades de essa força influenciar a governação.

Com as tentativas de fazer um paralelo com extrema-direita pretende-se criar o mesmo cordão sanitário que a nossa história obrigou a manter com eles. É um exercício perigoso, porque, para manter o paralelo, os seus advogados terão de desvalorizar actos como homicídios e espancamentos pelos quais os grupos de extrema-direita europeus são conhecidos. Mas, acima de tudo, trata-se de corrupção moral.

Outro paralelo: com o terrorismo. Não é de hoje. Há anos que alguns comentadores se esforçam por provar, analisando cada palavra à lupa, que os bloquistas terão uma simpatia escondida para com o terrorismo, seja ele o do nacionalismo basco ou do fundamentalismo islâmico. E se Maomé não vai à montanha, a montanha vai a Maomé. Se a ideia não pega, então chama-se terrorismo a tudo o que possa ser condenável e que o BE não tenha condenado nos exactos termos definidos por quem o ataca. A irresponsabilidade é evidente: de tanto banalizar a palavra acabará por se enfraquecer o seu significado.

Há nesta tentativa de criminalização do adversário político duas motivações.

Uma é pessoal, quase psicanalítica. Se repararmos, entre os mais obcecados com o Bloco de Esquerda (muito para lá do que a sua real influência justifica) estão pessoas que têm em comum um dado biográfico: foram de extrema-esquerda. Nada de mal, cada um tem o passado que tem e deve viver bem com isso. Em muitos casos é evidente que vivem mal. A vontade de “matar o pai” ou a pura incapacidade pessoal de analisar a mutação que aconteceu na extrema-esquerda ultrapassa em muito o domínio do racional.

Mas há uma outra razão, bem mais pragmática. Reparem que é a mesma direita que nestes dias tem apontado o dedo acusador ao BE que nas semanas anteriores nos explicou que o BE se tinha aburguesado e moderado e que se preparava para cair nos braços do PS. Claro que a tese da aliança com o PS pretende, antes de mais, irritar a base eleitoral do Bloco. Mas aceitemos que quem a defende acredita mesmo nela. E é pelo menos incontestável que o Bloco desbloqueou a impossibilidade da esquerda à esquerda do PS participar no poder. Perante esta constatação, que na cabeça destes opinadores estará eminente, criar um cordão sanitário em volta do Bloco é uma urgência. Apesar da evidente contradição - um partido cada vez mais moderado e reformista e cada vez mais revolucionário e “terrorista” -, assustar a extrema-esquerda com a rendição ao poder e o centro com os excessos cumpre a mesma função política: excluir o BE de qualquer ambição de crescimento e de conquista de poder.

O episódio de Silves foi apenas mais um pretexto para mostrar a suposta “agenda escondida” do Bloco, que Pacheco Pereira há tanto tempo denuncia. É uma táctica antiga: se o nosso adversários não diz nem faz aquilo pelo qual o condenamos tentamos provar que não o dizendo ou fazendo o pensa e apoia quem o faz e assim não debatemos com ele, mas com os nossos próprios fantasmas.

2. Depois da falência do comunismo e da crise da social-democracia, a agenda ecologista é das poucas com capacidade de mobilização transversal e de alargamento de influência que a esquerda transporta. Sobretudo entre os jovens. O sucesso (exagerado) do documentário de Al Gore é prova disso mesmo. Mais: nos países desenvolvidos os argumentos ecológicos são, na prática, dos poucos que conseguem ser maioritários no “main stream” e que simultaneamente põem em causa o capitalismo selvagem. Quando todas as evidências científicas dão força aos movimentos “verdes”, quando o que está em causa é a própria sobrevivência do Planeta e saúde das pessoas, é preciso retirar aos argumentos ecológicos credibilidade política. Acções como as do Verde Eufémia são sopa no mel para este objectivo. Cavalgar nesta rara oportunidade é fundamental para a direita.

Para além da agenda ecológica, o debate sobre os transgénicos carrega consigo outro, bem mais interessante e com enormes implicações políticas e económicas, referente ao domínio das multinacionais sobre toda a nossa cadeia alimentar e a criação de uma dependência da população mundial para com meia dúzia de corporações. Um debate assustador e que pode bem ter-se perdido, em Portugal, graças a esta acção disparatada.

3. Uma das grandes linhas divisórias entre esquerda e direita é o valor da propriedade privada. Era ainda, até hoje, consensual na maioria das sociedades que se trata de um valor subalterno em relação a outros, como o da vida, o da defesa da saúde e o da liberdade. Uma das coisas que a direita mais liberal (e até menos liberal) se tem esforçado é para alterar esta hierarquia. É mesmo a única forma de se tornarem culturalmente incontestados, transformado o seu corpo ideológico num sistema de valores universal. Ao comparar a violação da propriedade privada com o terrorismo podem perder credibilidade, mas de tanto o repetir vão fazendo o seu caminho.

4. Em Portugal, a liberdade foi conquistada na rua. A democracia nasceu da desordem e da desobediência. O PREC acabou e assistimos à normalização que, na minha opinião pouco popular a muita esquerda, era necessária. Mas a semente da desobediência ficou. Ocupações de fábricas e empresas, em momentos socialmente mais conturbados, não eram vistas pela generalidade das pessoas com reprovação. Nem cortes de estrada. Quem não se lembra do bloqueio na ponte 25 de Abril e de Mário Soares, como Presidente da República, a defender o direito à indignação? Restaurar a sentido de obediência é, para a direita portuguesa, geneticamente autoritária, quase um desígnio.

Neste debate em torno do que se passou em Silves, que a esquerda perdeu por não poder defender uma acção indefensável, e que a direita ganhou ( só não ganhou totalmente por ter forçado demasiado a nota ) ao conseguir impor na agenda informativa a sua própria agenda, não me juntaria nunca, mesmo condenado, ao coro de indignação. Uma acção idiota não me leva a escolher como aliados aqueles que nas motivações que os levam a este debate só podem ser adversários.


por Daniel Oliveira
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Sábado, 25 de Agosto de 2007
por Daniel Oliveira
O 31 da Armada gostou tanto da entrevista de Mário Crespo a Francisco Louçã que até lhe acrescentou uns pormenores para ficar ainda mais a seu gosto.

Podem verificar aqui a partir dos 14 minutos e 35 segundos como quem conta um conto acrescenta um ponto.

por Daniel Oliveira
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Segunda-feira, 20 de Agosto de 2007
por Daniel Oliveira
Sabendo que está a insinuar uma falsidade, o ministro da Agricultura tenta associar o Bloco de Esquerda ao ataque à plantação de milho transgénico no Algarve. O ministro acha grave que a posição do BE não seja clara. Eu acho gravíssimo que um ministro lance, sem qualquer indício, a suspeita de envolvimento num crime por parte de um partido político. Talvez seja bom o ministro ir ler o código penal. Estão lá escritas umas coisas sobre o crime de difamação. Compreendo que o mês de Agosto excite a vontade de protagonismo dos mais obscuros e inúteis ministros. Mas talvez fosse bom dar um mergulho e esperar que passe.

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Sábado, 18 de Agosto de 2007
por Daniel Oliveira
Valente inchado, responde à resposta que lhe deu Francisco Louçã: «Imaginei que Louçã estaria excessivamente ocupado a salvar o Mundo para se preocupar comigo». Salvar o Mundo não digo. Bastaria mesmo qualquer outro compromisso para ser demais tamanha perda de tempo. Louçã fez mal em responder-lhe. Um líder partidário não desce ao nível de Pulido Valente.

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Quinta-feira, 9 de Agosto de 2007
por Daniel Oliveira
Tenho defendido que, perante um governo que se tem limitado a continuar o programa definido por Durão Barroso, o Bloco de Esquerda deve ter como principal estratégia entrar no eleitorado mais à esquerda do PS e ocupar o espaço político que os socialistas historicamente se têm recusado a assumir como seu.

Perante isto, a possibilidade de qualquer entendimento de poder com o PS de Sócrates seria hoje uma absoluta irresponsabilidade e até traição política. Não é nem nunca foi um debate no Bloco. São conjecturas de jornalistas num mês sem notícias.

Tenho defendido também que perante o “consenso” neo-liberal, uma esquerda que queira ser mais do que um mero escape do sistema que absorve e perde, ciclicamente, o protesto e a frustração, tem de ocupar o espaço que vai da esquerda mais radical à esquerda reformista mais consequente. Tal objectivo exige mais do que esperar pelo desespero do eleitorado. Sabendo que é a falta de alternativas de poder à esquerda que garante a rotatividade ao centro, o BE tem a obrigação de demonstrar que as suas propostas são realizáveis e que tem capacidade para assumir responsabilidades.

Como considero que Lisboa merece mais do que ser apenas uma antecâmara do poder nacional, penso que este é o lugar indicado para o BE tentar provar a bondade das suas propostas, aplicando-as. O acordo assinado, como foi assinalado por muita gente, é bom para o candidato apoiado pelo Bloco. Todas as condições que pôs em campanha eleitoral (e que extraordinariamente há quem pareça esquecer-se agora) ficaram garantidas. Fora delas, José Sá Fernandes mantém total liberdade de voto. Ocupa um pelouro onde tem propostas concretas, programa e conhecimento.

Há quem considere que este acordo fragiliza o BE na sua oposição ao governo. Não é a percepção que tenho sentido fora da militância do Bloco, que me parece compreender muito bem a diferença de planos como, aliás, no passado compreendeu em relação a outros partidos. Claro que é mais difícil quando se opta por não pôr tudo ao serviço da táctica eleitoral imediata. É mais difícil mas geralmente chega-se mais longe. Enquanto o Bloco não passar pelo teste de cargos executivos terá muita dificuldade em ser visto como mais do que um partido de propaganda e em provar ao eleitorado da esquerda do PS, que tem de conquistar para si, que pode fazer a diferença na política portuguesa. A esse eleitorado não chega o discurso ideológico e a oposição firme. Que se comece no poder autárquico, mais próximo dos cidadãos, e em Lisboa, com dimensão e massa crítica suficientes para que as alternativas políticas sejam claras, parece-me uma excelente oportunidade que seria infantil recusar.

Junta-se a isto um pequeno pormenor. Sá Fernandes pôs condições, antes das eleições, para assumir um pelouro. Garantidas essas condições a sua recusa só poderia ser lida de uma forma: para além do BE não assumir os seus compromissos eleitorais, toda a disponibilidade para aplicar o programa que propõe aos eleitores passaria a ser lida, e bem, como uma falsa promessa. A partir desse momento ninguém mais acreditaria na seriedade das propostas programáticas do Bloco. Só poderiam ser ouvidas como mera retórica sem consequências.

por Daniel Oliveira
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Segunda-feira, 6 de Agosto de 2007
por Daniel Oliveira
Aqui, o que escrevi no Expresso sobre o acordo entre António Costa e Sá Fernandes:

«Quando apoio um partido não espero um mundo novo. Basta-me concordar com o seu programa e acreditar que o vai tentar cumprir. E nada como começar pela minha rua para saber se valeu a pena. Por isso, quando voto espero que o meu voto seja usado para o que serve: o exercício do poder. Se é impossível, fica-se na oposição. Se é possível, assumem-se responsabilidades. No meu caso, quero que o partido em que votei use o meu voto para fazer oposição ao péssimo Governo que temos, porque mais do que isso é impossível. E, em Lisboa, quero que comece a cumprir pelo menos uma parte do programa que apresentou, porque isso parece ser possível. Como sempre achei que as eleições de Lisboa não eram as primárias das próximas legislativas, porque sou lisboeta e porque o poder não me enoja, fiquei contente com o acordo entre Sá Fernandes e António Costa.

O partido que ajudei a fundar dá agora um enorme salto político. Numa cidade com a importância de Lisboa, um candidato por ele apoiado será testado no poder. Com alguma sorte e muito trabalho mudará alguma coisa concreta na vida de pessoas concretas. Para a próxima, em vez de votos descontentes terá, se merecer, alguns votos de contentamento. Bem sei que para quem procura a pureza na política será uma desilusão. Só que a pureza está destinada aos santos. E Deus nos livre dos santos da política. Ou são inúteis ou são perigosos.»

Aqui fica, em PDF, o acordo celebrado entre José Sá Fernandes e António Costa.

por Daniel Oliveira
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