Quinta-feira, 22 de Dezembro de 2011
por Sérgio Lavos

Aos indignados com as condolências do PCP na morte de Kim Jong-il: qual é a diferença entre a ditadura norte-coreana e a ditadura chinesa? Se agora viesse a empresa (estatal) de electricidade norte-coreana comprar a participação do Estado português na EDP, já se poderia dizer que é o normal funcionamento dos mercados e portanto o PCP estaria desculpado? Será que um partido não pode enviar uma saudação a um povo que perdeu o seu líder mas um Governo pode ceder o património do Estado a uma empresa pública de uma ditadura? E, já agora, como explicar esta venda a uma empresa com capitais 100% públicos no âmbito da política de privatizações - obrigatórias, de acordo com o credo neoliberal - deste Governo? Ah, a indignação selectiva dos nossos "liberais" - e alguns conservadores - de direita... um primor de hipocrisia. 

 

Adenda: No Blasfémias, alguém fica contentíssimo com a entrada da ditadura chinesa na economia europeia, sobretudo porque compra uma empresa em vez de financiar o diabo do "estado social". Ah, estes bravos defensores do capital são espectaculares. A democracia, a liberdade? Pormenores, grãos de areia na fantástica engrenagem neoliberal. Quem diria que o modelo chinês - um país, dois sistemas - seria o escolhido para o capitalismo do futuro?

 

Adenda 2: Os comunistas portugueses são obtusos. OK. E os chineses, serão o quê?

 

Adenda 3:  Vamos todos ignorar o "detalhe" da China "estar longe de ser uma democracia". Vamos! E a seguir, 'bora lá ignorar o "detalhe" da Coreia do Norte "estar longe de ser uma democracia" - deve haver com certeza alguma empresa pública nossa em que o Kim Jong-in esteja interessado.


por Sérgio Lavos
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por Sérgio Lavos

 

Até agora, os privados detinham 78,65% e o Estado português 21,35% da EDP, empresa sem concorrência no mercado português e detentora de um sector estratégico da economia nacional. Hoje, a réstia de monopólio desse sector foi vendida a uma empresa detida a 100% pelo Estado chinês. Está certo. O mercado livre a funcionar significa, neste caso, um Estado estrangeiro - e por acaso, apenas por acaso, uma ditadura - comprar uma parte importante da nossa economia e abdicarmos da nossa soberania neste sector. Deve ser a isto que os nossos "liberais" chamam "desregulação radical"...


por Sérgio Lavos
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