Quinta-feira, 16 de Agosto de 2012
por Miguel Cardina

O padre Portocarrero escreve no Público de hoje sobre a extinção dos linces ibéricos e um bem sucedido programa de reprodução em cativeiro. O tema, segundo o autor, vem realçar a importância da ecologia nos dias de hoje e - concedamos o atalho de raciocínio - a centralidade cosmológica do homem. A preservação deste, no entanto, tem sido posta em causa pelo aborto livre e pela contracepção, uma gigantesca praga que assola o país e que está na origem do desemprego dos professores, do fecho das maternidades e da cada vez mais provável extinção do espécime português, condenado a habitar num país-fantasma à imagem da antiga aldeia de tuberculosos na Serra do Caramulo (dixit). O tema - diz o também vice-presidente da Confederação Nacional das Associações de Família - devia mesmo receber a atenção de associações ambientalistas. Como isto não é certamente um convite ao bestialismo, só pode ser uma outra coisa mais promissora: uma abertura da parte dos sectores conservadores do catolicismo para aceitar processos anti-naturais que têm por base "programas de reprodução". O próximo passo - e cá vai mais um atalho de raciocínio - terá de ser o reconhecimento da legitimidade de famílias pouco convencionais. Como, entre outras, a que está na base do mistério que lhes fundou a religião.


por Miguel Cardina
link do post | comentar | ver comentários (14) | partilhar

Terça-feira, 28 de Fevereiro de 2012
por Miguel Cardina

Em Janeiro de 2010, quando o Parlamento aprovou o casamento entre pessoas do mesmo sexo, introduziu-se uma cláusula discriminatória na lei: os homossexuais podem casar mas não podem adoptar. Ou melhor, casando deixam de poder adoptar, uma vez que no longo processo que culmina na adopção de crianças institucionalizadas não consta que haja um teste à justeza heterossexual. Esta situação, além de anacrónica, mais não faz do que reforçar estereótipos fortemente homofóbicos, como o que associa a homossexualidade à pedofilia. E, exactamente ao contrário do que se diz, não está centrada no interesse da criança, que é em primeiro lugar o de receber amor, educação e acolhimento da parte de quem está comprometido a fazê-lo. Ou, em alguns casos, de ver reconhecida por inteiro a família que já é a sua. Foi para resolver esta situção que na semana passada se apresentaram as iniciativas legislativas do Bloco de Esquerda e de Os Verdes. Sem sucesso, como sabemos. A direita votou contra (com algumas excepções) e o PS dividiu-se entre os votos a favor (a maioria), as abstenções e os votos contra. O PCP votou contra, alegando que a sociedade não estava ainda preparada para essa aprovação. A este respeito, espero sinceramente que o PCP não abandone a política em detrimento da metereologia, sob pena da esquerda minguar ainda mais em alguns domínios. Entretanto, e para reflexão, aqui fica uma breve e clarificadora entrevista à psicóloga Conceição Nogueira para nos lembrarmos de como abdicámos na semana passada de ser uma sociedade um bocadinho mais decente.

 

 

PS - O Paulo Jorge Vieira remete muito oportunamente para um estudo de Conceição Nogueira sobre o tema.


por Miguel Cardina
link do post | comentar | ver comentários (20) | partilhar


pesquisa
 
TV Arrastão
Inquérito
Outras leituras
Outras leituras
Subscrever


RSSPosts via RSS Sapo

RSSPosts via feedburner (temp/ indisponível)

RSSComentários

arquivos
2014:

 J F M A M J J A S O N D


2013:

 J F M A M J J A S O N D


2012:

 J F M A M J J A S O N D


2011:

 J F M A M J J A S O N D


2010:

 J F M A M J J A S O N D


2009:

 J F M A M J J A S O N D


2008:

 J F M A M J J A S O N D


2007:

 J F M A M J J A S O N D


2006:

 J F M A M J J A S O N D


2005:

 J F M A M J J A S O N D


Contador