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Arrastão: Os suspeitos do costume.

A política e a lei do espírito

Sérgio Lavos, 23.08.13

 

Crónica de António Guerreiro sobre os briefings de Pedro Lomba, no Ipsilon de hoje: 

 

"Sobre os briefings de Pedro Lomba recaiu uma espécie de opróbrio público que já o obrigou a colocar-se numa posição de reserva em relação a essa função acidental e quase o compeliu a declarar, à maneira do Mr. Teste, de Paul Valéry: “La bêtise [a idiotia, a estupidez] n’est pas mon fort.” De repente, e de maneira inesperada, Pedro Lomba tinha emergido como uma figura muito parecida com as figuras literárias da história da bêtise, tais como o Simplicius Simplicissimus e o Schlemiel. Estava a imagem em processo de reparação, eis que Pedro Lomba publica, enquanto secretário de Estado adjunto do ministro adjunto e do Desenvolvimento Regional, um artigo no PÚBLICO do passado domingo intitulado Uma agenda para a imigração. O artigo é mais ou menos anódino — é um briefing por outros meios, sem acidentes — e sem mancha. O problema começa na foto do autor, o secretário de Estado, que é a mesma foto que aparecia nos artigos de opinião de Pedro Lomba quando este era colunista deste jornal. E esta “citação” de um outro tempo é de uma crueldade insuportável, muito pior do que os malfadados briefings. A foto remete-nos para um homem de espírito e de ideias (não um ensaísta, não um escritor, mas um cronista com alguma força); mas o texto é, em toda a sua extensão, um exemplo típico do “idiotismo” (e leia-se esta palavra na sua afinidade semântica com “idioma”) da profissão política: um jargão profissional específico, onde nada a que possamos chamar “ideia” consegue irromper porque os meios de que dispõe estão completamente cristalizados numa langue de bois, como dizem os franceses, num repertório lexical e de fórmulas que fazem surgir o seu actor como alguém que se desloca, feliz, à superfície das coisas, induzido por um entusiasmo que pertence àquele domínio das ilusões a que Kant chamava “ilusão interior”, interna à razão e radicalmente diferente do domínio extrínseco do erro. Temos aqui um sinal eloquente da idiotia, essa “coisa” da qual Rilke, no seu Lied des Idioten (canção do idiota), diz: “Como é bom/ Nada se pode passar”. E, acrescentemos, nada de anormal se passa no texto em questão. Ele é um exemplo típico da produção intelectual de um ministro ou de um secretário de Estado, seja ele adjunto em primeiro grau ou em segundo grau (isto é, adjunto de adjunto), e visto nessa perspectiva “nada se passa”. Mas interpõe-se a memória do cronista Lomba, crítico e combativo, trazida pela fotografia, o que nos leva a reflectir sobre a variante linguística da lei de Gresham: a má linguagem expulsa a boa. Mas esta não é a única lição que este caso pessoal encerra. Há uma questão geral que deve ser formulada sob a forma de uma interrogação: como é que a política prescreve as sua leis mais miseráveis ao espírito (leia-se esta palavra, com todas as cautelas, como um despudorado anacronismo)? Como é que ela acaba sempre por nos confrontar com um inevitável desafio, tão lucidamente observado por Musil, de pensar a conjunção existente entre a política e a idiotia — a estupidez —, que nas suas versões francesa e alemã, a bêtise e a Dummheit, por via de Flaubert e de Robert Musil, se tornaram quase-categorias conceptuais. Será mesmo inevitável que o intelecto se subordine sem reserva ao idioma e ao idiotismo da profissão política e da organização de grupo? A verdade é que o mundo ficou cheio de políticos apóstatas, que mais tarde ou mais cedo sentem a necessidade de proclamar: eu estive lá, mas, acreditem, “la bêtise n’est pas mon fort”."

Uma crónica de António Lobo Antunes dedicada a Isabel Jonet

Sérgio Lavos, 08.11.12

"Os Pobrezinhos

 

Na minha família os animais domésticos não eram cães nem gatos nem pássaros; na minha família os animais domésticos eram pobres. Cada uma das minhas tias tinha o seu pobre, pessoal e intransmissível, que vinha a casa dos meus avós uma vez por semana buscar, com um sorriso agradecido, a ração de roupa e comida.

 

Os pobres, para além de serem obviamente pobres (de preferência descalços, para poderem ser calçados pelos donos; de preferência rotos, para poderem vestir camisas velhas que se salvavam, desse modo, de um destino natural de esfregões; de preferência doentes a fim de receberem uma embalagem de aspirina), deviam possuir outras características imprescindíveis: irem à missa, baptizarem os filhos, não andarem bêbedos, e sobretudo, manterem-se orgulhosamente fiéis a quem pertenciam. Parece que ainda estou a ver um homem de sumptuosos farrapos, parecido com o Tolstoi até na barba, responder, ofendido e soberbo, a uma prima distraída que insistia em oferecer-lhe uma camisola que nenhum de nós queria:

 

- Eu não sou o seu pobre; eu sou o pobre da minha Teresinha.

 

O plural de pobre não era «pobres». O plural de pobre era «esta gente». No Natal e na Páscoa as tias reuniam-se em bando, armadas de fatias de bolo-rei, saquinhos de amêndoas e outras delícias equivalentes, e deslocavam-se piedosamente ao sítio onde os seus animais domésticos habitavam, isto é, uma bairro de casas de madeira da periferia de Benfica, nas Pedralvas e junto à Estrada Militar, a fim de distribuírem, numa pompa de reis magos, peúgas de lã, cuecas, sandálias que não serviam a ninguém, pagelas de Nossa Senhora de Fátima e outras maravilhas de igual calibre. Os pobres surgiam das suas barracas, alvoraçados e gratos, e as minhas tias preveniam-me logo, enxotando-os com as costas da mão:

 

- Não se chegue muito que esta gente tem piolhos.

 

Nessas alturas, e só nessas alturas, era permitido oferecer aos pobres, presente sempre perigoso por correr o risco de ser gasto

 

(- Esta gente, coitada, não tem noção do dinheiro)

 

de forma de deletéria e irresponsável. O pobre da minha Carlota, por exemplo, foi proibido de entrar na casa dos meus avós porque, quando ela lhe meteu dez tostões na palma recomendando, maternal, preocupada com a saúde do seu animal doméstico

 

- Agora veja lá, não gaste tudo em vinho

 

o atrevido lhe respondeu, malcriadíssimo:

 

- Não, minha senhora, vou comprar um Alfa-Romeo

 

Os filhos dos pobres definiam-se por não irem à escola, serem magrinhos e morrerem muito. Ao perguntar as razões destas características insólitas foi-me dito com um encolher de ombros

 

- O que é que o menino quer, esta gente é assim

 

e eu entendi que ser pobre, mais do que um destino, era uma espécie de vocação, como ter jeito para jogar bridge ou para tocar piano.

 

Ao amor dos pobres presidiam duas criaturas do oratório da minha avó, uma em barro e outra em fotografia, que eram o padre Cruz e a Sãozinha, as quais dirigiam a caridade sob um crucifixo de mogno. O padre Cruz era um sujeito chupado, de batina, e a Sãozinha uma jovem cheia de medalhas, com um sorriso alcoviteiro de actriz de cinema das pastilhas elásticas, que me informaram ter oferecido exemplarmente a vida a Deus em troca da saúde dos pais. A actriz bateu a bota, o pai ficou óptimo e, a partir da altura em que revelaram este milagre, tremia de pânico que a minha mãe, espirrando, me ordenasse

 

- Ora ofereça lá a vida que estou farta de me assoar

 

e eu fosse direitinho para o cemitério a fim de ela não ter de beber chás de limão.

 

Na minha ideia o padre Cruz e a Saõzinha eram casados, tanto mais que num boletim que a minha família assinava, chamado «Almanaque da Sãozinha», se narravam, em comunhão de bens, os milagres de ambos que consistiam geralmente em curas de paralíticos e vigésimos premiados, milagres inacreditavelmente acompanhados de odores dulcíssimos a incenso.

 

Tanto pobre, tanta Sãozinha e tanto cheiro irritavam-me. E creio que foi por essa época que principiei a olhar, com afecto crescente, uma gravura poeirenta atirada para o sótão que mostrava uma jubilosa multidão de pobres em torno da guilhotina onde cortavam a cabeça aos reis"

 

Adenda: obviamente que o texto de Lobo Antunes é dedicado por mim a Isabe Jonet, não pelo escritor. Encontra-se no seu Livro de Crónicas e foi escrito há mais de vinte anos. E claro, o que é descrito aqui nada tem a ver com a senhora em questão. Qualquer semelhança com a realidade é pura coincidência.

Pornografia caridosa

Sérgio Lavos, 20.09.12

 

Ler este texto do Nuno Serra:

As pessoas passaram a achar que têm direito a todas as prestações sociais e dão-no como adquirido. E portanto muitas vezes - isso verificou-se nos últimos anos - preferem até ir para o subsídio de desemprego do que ter um emprego, ainda que ele seja menos bem pago. Porque sabem que vão ter essa prestação no final do mês: ou o rendimento social de inserção ou o subsídio de desemprego. Ora, isso veio trazer alguma perversidade neste tipo de fórmulas, que são fórmulas de emergência e que deviam ser reduzidas ao máximo. Mas sobretudo para fazer com que este montante que é afectado a estas prestações sociais não atingisse níveis incomportáveis e insustentáveis para o Estado. (...) [o Estado] mete-se demais em coisas em que não deve». (da entrevista da TSF e do Diário de Notícias a Isabel Jonet, presidente do Banco Alimentar contra a Fome).

Num momento em que há cada vez mais famílias a viver em situação dramática; em que a economia colapsa e o desemprego dispara; em que as iniquidades se aprofundam (num país que é o terceiro mais desigual da OCDE); e em que salários e prestações sociais (já de si dos mais baixos na Europa) sofrem cortes brutais, Isabel Jonet decide juntar-se à miséria moral e ao populismo demagógico que grassa em certos meios conservadores e que marcará, de forma inapagável, a governação da actual maioria PSD/PP.

O Banco Alimentar é uma instituição que, de um modo geral, os portugueses consideram. Muitas famílias beneficiam dos bens distribuídos, tornando possível minorar o sofrimento, a angústia e a falta de horizonte em que um número cada vez maior de pessoas se encontra. Dir-se-ia até que o Banco Alimentar conhece, como poucos, os contornos mais precisos que a carência económica assume em Portugal. E é por isso impensável que a presidente do Banco Alimentar desconheça que a taxa de risco de pobreza seria de 43% no nosso país, caso as transferências sociais não a restringissem a 18% (isto é, a menos de metade). Ou seja, se o Estado não «se metesse demais em coisas que não deve» - como defende Isabel Jonet - cerca de 4 em cada 10 portugueses encontravam-se em risco de pobreza (e não 2 em cada 10, como as estatísticas demonstram).

Não se tratando portanto de ignorância em relação à profunda crise social e económica que o país atravessa, nem em relação aos traços estruturais da pobreza em Portugal, as declarações da presidente do Banco Alimentar só podem ser interpretadas de duas formas: ou Isabel Jonet decidiu surfar, de forma obscena e repugnante, a onda de populismo e miséria moral que se instalou; ou a economista que preside ao Banco Alimentar está apenas a tratar da sua vidinha e dos seus negócios. Isto é, a mostrar sinais de interesse em contratualizar com o Estado uma qualquer parceria público-privada no «sector» da pobreza (que se encontra em vertiginosa expansão), criando simultaneamente condições que favoreçam (ainda mais) o aumento da «procura» (pela redução, «ao máximo», das tais «fórmulas de emergência»: RSI e Subsídio de Desemprego). E não é de excluir, obviamente, que estas duas interpretações se complementem."

Adenda: as declarações citadas têm cerca de um ano, mas ainda recentemente a sra. Isabel Jonet se veio pronunciar favoravelmente sobre as mexidas na TSU, o que mostra que o seu "pensamento social" não mudou significativamente. Ver aqui.

Momentos de glória

Sérgio Lavos, 05.08.12

 

Diz-se que a caneta pode ser mais poderosa do que a espada. Mas se derem essa caneta a um cretino, o mais provável é ele espetar-se com ela. Ou então escrever crónicas como Alberto Gonçalves faz, semana após semana, no Diário de Notícias.

 

Esta semana, Gonçalves decide fazer coro com os taxistas deste país e dedica-se a esmiuçar a carreira dos olímpicos portugueses. É de resto hábito comum, o destes colunistas: falarem do que não sabem. Não duvido de que o único desporto que este Gonçalves alguma vez terá praticado terá sido a fuga ao calduço dado pelos colegas desportistas que o perseguiam no recreio do Secundário. Contudo, isso não o impede de ter uma opinião sobre um atleta como Marco Fortes, há muitos anos e de longe o único lançador de peso português de nível internacional, finalista em vários campeonatos europeus e mundiais. Não o impede de uma vez mais insultar o esforço de Fortes e dos outros atletas. Quase todos amadores que chegaram a um nível olímpico acessível a muito poucos. Com provas de classificação em todas as modalidades ou mínimos pedidos pelas federações em muitos casos mais exigentes do que os mínimos olímpicos internacionais, definidos pelo Comité Olímpico Internacional.

 

Veja-se o caso sintomático de Clarisse Cruz. Ontem conseguiu classificar-se para a final dos 3000 metros obstáculos, onde estarão apenas 15 atletas. Na corrida de apuramento, caiu a meio da prova, mas levantou-se a tempo de se apurar e bater o seu recorde pessoal por 10 segundos, acabando a prova a sangrar das duas pernas. Clarisse é, claro, amadora. Funcionária da Câmara Municipal de Ovar, costuma treinar em horário pós-laboral. Mesmo assim, conseguiu chegar a uma final na qual apenas estão presentes profissionais ou amadoras apoiadas por países que estimulam o desporto amador como nunca aconteceu por cá. 

 

Como Clarisse Cruz, há outros casos semelhantes na delegação portuguesa. Por exemplo, a sétima classificada da maratona, Jéssica Augusto, apenas se tornou profissional há três anos. E apenas quando se tornou profissional começou a ter resultados de relevo internacional, entre eles uma medalha de bronze num campeonato da Europa, também em 3000 obstáculos, e um título europeu de corta-mato. Graças à posição obtida anteontem, Jéssica será uma das atletas apoiadas para os próximos Jogos Olímpicos, recebendo a fabulosa quantia de 1000 euros mensais do Estado português, o valor da bolsa atribuída a atletas classificados até ao 8.º lugar nestes Jogos - e isto se o Governo entretanto não cortar este apoio*.

 

De quatro em quatro anos, a mesma história: jornalistas rondando os atletas como vampiros à procura da glória da medalha. Durante quatro anos, conquistas em mundiais e europeus destes atletas são apenas notas de rodapé em serviços noticiosos. Mas de repente, estes homens e mulheres que se preparam com todas as dificuldades inerentes ao desporto amador, transformam-se em depositários de todas as esperanças da pátria. E a esperança é uma medalha, a mais difícil das conquistas. A injustiça de tal pressão sobre os atletas apenas é comparável à idiotice de comentadores como Gonçalves, que nunca fez, nem fará, tanto por Portugal (ou por si próprio) como Marco Fortes ou a atleta que não compareceu a uma regata de vela por estar, imagine-se, grávida de três meses.

 

O que Gonçalves também não sabe - nem nunca tentará saber - é que estes atletas, e todos os atletas olímpicos que se seguirão, irão continuar a trabalhar no duro, a competir entre os melhores, superando-se a cada treino feito depois de sair da fábrica, a cada apuramento para campeonatos mundiais ou europeus, a cada medalha, ignorando - olimpicamente - o que Gonçalves (e outros da mesma jaez) diz. O espírito dos Jogos Olímpicos é isto. Mas, sinceramente, não espero que alguém que se atreve a tirar sarro da morte de Francisco Lázaro mereça perceber tal coisa. A cada qual o seu Inferno pessoal.

 

*O mesmo Governo que já tratou de reduzir as horas da disciplina de Educação Física no Ensino obrigatório, mostrando assim que não tem a mínima intenção de apoiar o desporto escolar, uma das principais forjas de atletas em qualquer país do mundo. Sobre o mesmo tema, ler estas declarações de Mário Santos, chefe da Missão aos Jogos Olímpicos de Londres.

O ar puro liberta

Sérgio Lavos, 02.06.12

 

Para além de todos os outros males que nos afligem e das leis que nos empobrecem a cada dia, há também uma personagem secundária do Governo que, parecendo estar completamente a leste dos problemas do país e das prioridades na área que tutela, prossegue numa senda higieno-fascista francamente admirável. Falo de Leal da Costa, o ufano secretário de Estado da Saúde, que aparenta ter uma, e uma apenas, preocupação em mente: erradicar os fumadores do país, quiçá do mundo ou até do Universo. As ideias parecem brotar em catadupa da mente desta quimérica criatura: começou por querer proibir as máquinas de venda de tabaco, depois tentou interditar o fumo à porta dos estabelecimentos sem zona de fumo, ainda se lembrou de impedir que o cidadão fume dentro do seu próprio veículo e agora lembrou-se de outra: probir a venda de tabaco nos locais onde não se fuma. O objectivo é, até 2020, não haver sítios públicos onde se possa fumar. Se partirmos do princípio de que todos os lugares são públicos - até o interior de um automóvel privado ou uma rua - eu sugiro a esta avantesma do Inferno a radical medida que se impõe: exterminar todos os que ainda queiram fumar no país. Muito simples. Construir uns campos de concentração, transportar em comboios os fumadores até lá e convidá-os a tomarem banho em salas preparadas para o efeito. Simples, prático, e eficaz. Seria a maneira mais rápida de diminuir os vinte e três por cento de fumadores, digo eu. Essa praga que infesta o mundo perfeito em que vivemos. Depois, o paraíso. 

 

Adenda: ao que parece, este secretário de Estado também tem umas ideias sobre poupança no SNS. E o que defende ele? O fim das comparticipações do Estado em algumas terapias contra o cancro, dando como exemplo os tratamentos que prolongam a vida dos doentes algum tempo. O braço armado de Paulo Macedo, a lança em África dos interesses privados na área da Saúde, no seu melhor. Desumano.

O horror, o horror

Sérgio Lavos, 16.03.12

 

Parece que está reunida a Federação Portuguesa pela Vida. Por momentos, ainda julguei que estaria a ser discutido o alargamento do campeonato a 18 equipas. Depois, percebi que a "vida" não é modalidade desportiva - qualquer coisa entre chinquilho e concurso de miss t-shirt molhada, que é, assim de repente, o desporto que mais me estimula a produzir "vida". A vida, meus amigos, a vida é aquela coisa entre nascimento e morte sem aborto subsidiado, sem casamento entre homens sexuais e sem troca de camisola de angorá no fim do jogo. Ah, e sem divórcio... porque ah!, o divórcio é o verdadeiro flagelo que está a entupir os nossos tribunais e que impede que meliantes como o Isaltino Morais sejam devidamente castigados... o divórcio - a pedido? Subsidiado? Fica a dúvida... -, e o aborto subsidiado que impede que as diarreias sejam devidamente tratadas nos hospitais, e casamento entre... valha-me Deus... homens vestidos com camisolas de alças e... enfim, o casamento homo... e a adopção de criancinhas, claro, que saem do seio de Jesus, dos seminários desse país, dos orfanatos, onde são tão bem tratadas pelos priores da Santa Madre Igreja, a adopção de criancinhas por casais de lesbianas que abortaram e tiveram orgasmos...zzz... a abortar, recebendo um subsídio pago por nós todos, que subsídios o aborto das lesbianas e que depois ainda querem adoptar criancinhas... e... e... mudar de sexo... obrigam  meninas a serem homens e os meninos a gostarem de bonecas...z...z... as lesbianas que se casam a pedido e abortam e recebem subsídio milionários de 5 000 euros nossos, e casam-se com homensexuais... zzz... que eram mulheres...zz..z.z.. mudaram de sexo... as mulheres e têm sexo umas com as outras, as porcas...s...s... e depois engravidam e vão abortar e recebem subsídios de 5000 euros... o flagelo... o horror... homens que abortam e recebem subsídios de 5 000 euros...z...z... e depois têm crianças que se tornam homensexuais que também abortam e mudam de sexo e tem orgasmos com lesbianas divorciadas...zzz.zzz... e mudam de sexo.... e desvorciam-se uns dos outros... a grande culpa da crise, os abortos subsidiados, os homens... homens... lésbicas na lama... a adoptarem crianças... e o fim do mundo... o fim do mundo... o horror... o horror...

"Em termos relativos, o salário mínimo não é realmente baixo em Portugal" (3)

Sérgio Lavos, 14.11.11

Pois é. O Secretário de Estado tem razão. Naquela língua de pau que conhecemos dos tecnocratas, lá foi tartamudeando umas coisas sobre o salário "mediano". Presumo que se referia ao salário médio. E aí, sim, estamos uns furos acima no ranking da UE. E porquê? Será porque... bem, é só uma ideia, mas... será porque Portugal é o 2.º país da Europa com maior desigualdade social? Atrás de nós, quem está? A Letónia. E ao lado, quem? A Bulgária e a Roménia. É uma conclusão evidente: se estamos nos últimos lugares a nível de salário mínimo e um pouco mais acima no que diz respeito a salário médio, isso deve-se à disparidade entre os que ganham mais e os que ganham menos. Entre os gestores de topo e os repositores de supermercado; entre os topos de carreira da Função Pública e os jardineiros das juntas de freguesia; entre os políticos e gestores públicos reformados e os pensionistas com uma reforma abaixo do salário mínimo. Pois, ele tem razão, é claro que tem.

 

Adenda: pode dar-se o caso do secretário estar a referir-se à mediana dos salários nacionais. Tramei-me com a língua de pau, está visto. De qualquer modo, como sugere um comentador, seria bom que o estudo a que ele se refere fosse publicado em algum lado. Só para podermos "relativizar" um pouco mais as coisas.