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Arrastão: Os suspeitos do costume.

Criança objecto

Daniel Oliveira, 16.06.08

Vamos bien?

Daniel Oliveira, 28.04.08

As mudanças em Cuba, levadas a cabo por Raul Castro, são um sinal. Por enquanto, são o fim de restrições anacrónicas e quase ridículas: direito a comprar telemóveis e microndas. Na economia, falta o passo de pôr fim à absoluta estatização de todas as actividades económicas (até as mais pequenas), que resultam nesta injustiça: os estrangeiros podem ter negócios em Cuba, os cubanos não. E a existência do pso normal e do peso convertível (para fazer frente ao dólar), que prepectua a existência de duas sociedades associadas a duas economias num país que defende a igualdade. E falta quase tudo no que toca às liberdades cívicas, apesar da publicação de cartas críticas no Gramma ser uma boa notícia.

Se o objectivo de Raul Castro for a abertura política e a democracia, com liberdade de expressão e de associação, com multipartidarismo e o fim da censura e das prisões políticas, com liberdade de movimentos para os cubanos que desejem viajar e emigrar, desejo-lhe boa-sorte. Há processos rápidos e lentos, e perante a vizinhança dos EUA este pode ser um caminho com menores riscos. Se, pelo contrário, o objectivo de Raul for conter a mudança abrindo um pouco a porta, vai-lhe correr mal. Há processos que quando se começam não podem ser travados. Felizmente.

Damas de branco

Daniel Oliveira, 22.04.08



Damas de branco (mulheres de presos políticos em Cuba) manifestam-se. Mas parece que a prometida abertura é só mesmo para quem quer ter telemóveis. A liberdade ainda não está a passar por Havana.

Recupero aqui o texto que escrevi no "Expresso" em Março de 2005:

Trinta mulheres desfilaram, esta semana, pelas ruas de Havana. Como as mães da Praça de Maio, na Argentina, arriscam tudo pelos seus filhos e pelos seus maridos. Em Cuba, são conhecidas como as «damas de branco».

Há dois anos, o regime castrista, em apenas três dias, prendeu 75 opositores. Um mês depois estavam todos julgados. No total, 1475 anos de prisão. Não havia dúvidas: tratavam-se de perigosos «mercenários ao serviço dos Estados Unidos». As suas profissões são as mesmas de muitos presos políticos em todo o mundo: jornalistas, escritores e intelectuais.

Em todo o mundo, uma parte significativa da esquerda apoia Fidel Castro. E muitos intelectuais, como García Márquez ou Luís Sepúlveda, entregam-se ao apoio a esta ditadura com um especial empenho. A razão, além de uma certa nostalgia pela estética revolucionária, é pragmática: que haja alguém que faça frente à omnipotência do vizinho americano. Há lições que, definitivamente, levam tempo a aprender: os inimigos dos nossos inimigos não são, necessariamente, os mais recomendáveis dos amigos.

É verdade que, com o bloqueio, os Estados Unidos dão a Fidel Castro o adversário externo de que ele precisa. E dão aos cubanos, quando olham para a alternativa que lhes é apresentada em Miami, a confirmação de uma evidência: o problema do poderoso vizinho não é haver uma ditadura em Cuba. Nessa matéria, têm um longo currículo de conivências no continente. O incómodo é bem mais prosaico: aquela ditadura não é a sua ditadura.

Acredito que muitos dos opositores que, em Cuba, se batem contra Fidel Castro serão gente de direita. É normal. O que conhecem da esquerda não é lá muito animador. Mas são quem, no seu país, corre todos os riscos pela decência e pela liberdade. Para mim, chega e sobra. São a minha gente. Eles e as suas damas.

Castruba

Daniel Oliveira, 25.02.08

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Na sua fase final, o comunismo descobriu os encantos da família. Depois da Coreia é a vez de Cuba. Os castristas podem continuar castristas, os anti-castristas podem continuar anti-castristas. A revolução cubana está na família há cinquenta anos. E a propriedade é sagrada.

Obama e Fidel

Daniel Oliveira, 19.02.08
O Arrastão é como Illinois. Aqui, entre Obama e Clinton, Obama leva 73% dos votos. Hillary ficou-se pelos 27%. 306 para um, 112 para outra.

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No próximo inquérito vamos para outras paragens: Cuba. Ao fim de quase cinquenta anos no poder, Fidel Castro abandonou a Presidência do Conselho de Estado de Cuba. O que se pede aqui é um exercício, sempre arriscado, de futurologia. No futuro mais ou menos próximo, sem a figura de Fidel Castro, o que acontecerá ao regime cubano?

Cinco hipóteses que espero que incluam quase tudo:
O regime cubano tem apoio popular e resistirá;
Haverá um processo de democratização e de reformas económicas dentro do regime;
Repete-se a experiência chinesa: reformas económicas sem abertura política;
O regime cairá e Cuba voltará para a órbita do EUA, com o regresso dos cubanos de Miami;
O regime cairá e a democracia garantirá a Independência Nacional.

O princípio do fim

Daniel Oliveira, 19.02.08

«Fidel Castro renunciou à Presidência do Conselho de Estado de Cuba remetendo a escolha do seu sucessor para a eleição que terá lugar na próxima semana.» Quem se agarrou ao poder durante quase meio século (mais tempo do que o nosso Salazar) deveria saber que quando parte leva consigo tudo o que tratou como se fosse seu por direito. A revolução cubana morreu jovem, há muitas décadas, quando optou por impor uma ditadura aos cubanos. O funeral será brevemente. Poderá vir uma solução à chinesa (capitalismo sem liberdade) ou apenas a tomada do poder pelas quadrilhas de Miami. Como estava, não fica. E não haverá, porque Fidel não deixou que assim fosse quando ainda era possível, uma democratização de Cuba com defesa de direitos sociais e da independência. Para isso é tarde demais.

A revolução cubana fracassou como fracassaram tantas outras. Porque passou a ser propriedade de um homem. Se o seu sucessor for o irmão, fica claro que não se trata de uma metáfora: Fidel julga que Cuba lhe pertence a deixa-a como herança.

União Nacional

Daniel Oliveira, 20.01.08

Hoje Cuba vai a votos. Estou ansioso para saber quantos candidatos da oposição vão conseguir ser eleitos. Mas o mais provavel é não haver oposição. Não que se seja proibida ou perseguida. Nada disso. Cuba é um exemplo de democracia e de liberdade. Apenas porque o regime cubano é tão perfeito tão perfeito que, tirando uns vendidos e gente com mau fundo, ninguém de boa fé se lhe opõe.

A ironia

Daniel Oliveira, 04.12.07
«Em Cuba, o clima não era de regozijo, mas o jornal Granma, órgão oficial do regime castrista, saudou a "ética" de Hugo Chávez, por ter aceite este revés.» (Público). Em título: « Hugo Chávez: a Revolução demonstrou sua ética»

De facto, não há memória do regime cubano ter alguma manifestado alguma dificuldade em aceitar os resultados eleitorais. Vantagens da derrota não ser uma possibilidade.