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Arrastão: Os suspeitos do costume.

Paulo Portas e o querido líder

Sérgio Lavos, 07.02.13

 

Texto de Paulo Gaião no Expresso:

 

"O Presidente angolano é um dos grandes líderes africanos". Quem disse? Paulo Portas, na visita que fez esta semana a Angola, a terceira desde que é ministro.

 

Portas não se ficou por aqui. A eleição de José Eduardo dos Santos para Presidente da República, em Agosto passado, foi "um passo importante na estabilização, no desenvolvimento e no progresso de Angola", disse o ministro.

 

Eduardo dos Santos já leva 33 anos no poder, tem mais cinco anos de mandato presidencial à frente, até 2017, e pode fazer um novo mandato de cinco anos, até 2023, perfazendo... 43 anos no poder. Que importa?

 

Os grandes negócios angolanos passam há muitos anos pela família Eduardo dos Santos. O último foi a nomeação pelo Presidente angolano do seu filho José Filomeno dos Santos para administrador do Fundo Soberano de Angola, que gere as receitas do petróleo. Que importa?

 

A Constituição da República, aprovada em 2010, está desenhada à imagem e semelhança de José Eduardo dos Santos, com um poder presidencial totalitário. Que importa?

 

A UNITA está descontente com Paulo Portas porque este, quando vai a Angola foge do movimento do Galo Negro com medo de desagradar a Eduardo dos Santos. Ainda esta semana a UNITA manifestou o seu desagrado.

 

Há meia dúzia de anos, num artigo no jornal Sol, numa altura em que José Sócrates começava a dar-se com Hugo Chávez, Portas escreveu que o presidente da Venezuela queria "ser um presidente vitalício" (e ainda só levava oito anos de poder, menos 25 anos que Eduardo dos Santos).

 

"Só não vê quem não quer", adiantava Portas.

 

Quantas vezes já este homem falou, ao longo da sua carreira política, em princípios, ética e coerência de atitudes políticas que não pratica?"

"Departamento anticorrupção investiga contas do Partido Popular espanhol"

Sérgio Lavos, 05.02.13

Tenho gostado de ver os blogues de direita a denunciar a corrupção que envolve o PP espanhol. Penso por exemplo nos que foram divulgando, ao longo do tempo, os desenvolvimentos do caso Mensalão, e que têm sido especialmente codiciosos e exaltados nos seus comentários a este vergonhoso caso de financiamento ilícito patrocinado pelo primeiro-ministro espanhol. Folgo em ver a coerência desta blogosfera de direita, tão pronta a atirar pedras tanto a Lula da Silva como a Mariano Rajoy. Ainda há gente decente.

 

P.S.: Este caso também mostra que em Portugal não há corruptos nem corrupção, como em tempos disse, e bem, uma conhecida magistrada. Financiamento de partidos através de esquemas corruptos? Onde é que já se viu? Podemos ser pequenos, mas não temos os vícios dos países maiores, como Espanha.

Um vulgar caso de heteronímia do molusco de águas insalubres

Sérgio Lavos, 16.07.12

 

Carlos Abreu Amorim, blogger no Blasfémias, 6 de Março de 2009:

«A teima na ‘campanha negra’ visa intimidar quem faz informação. Note-se que essa lengalenga foi usada no Freeport, mas alastrou para os projectos da Guarda, para as nebulosidades da licenciatura e do caso da Cova da Beira. Sempre que alguém fica perplexo com o peculiar percurso de Sócrates, o próprio ou os que escolheram o pouco distinto papel de serem os seus ‘Bobbys’ e ‘Tarecos’ – os ministros Santos Silva e Silva Pereira – surgem a gritar que sinistros ‘poderes ocultos’ conspiram “contra a democracia”. Curiosamente, do lado do PSD, Pacheco Pereira faz coisa semelhante aos que não crêem nas virtudes da liderança de Ferreira Leite. Um dos dramas da fossa em que estamos é que os piores defeitos de quem manda parecem ser os talentos de quem quer mandar.»

Carlos Abreu Amorim, cronista do Correio da Manhã, Junho de 2011:

 "E ninguém senão nós escolheu José Sócrates. Com um currículo pessoal aterrador, sem a mais elementar preparação profissional, académica ou cívica, apto a instrumentalizar qualquer valor ou convicção e a quem apenas se pode reconhecer a obstinação daqueles que são capazes de tudo, mas mesmo de tudo, para manter acesas as luzes fátuas do seu ego."

Carlos Abreu Amorim, deputado do PSD e tareco de Miguel Relvas, 16 de Julho de 2012:

“Miguel Relvas está a ser alvo da mais brutal campanha que eu me lembre que alguém tenha sido sujeito, um ministro, nomeadamente nos tempos democráticos."

É a vidinha.

 

(Via Miguel Noronha.)