Segunda-feira, 28 de Abril de 2008
por Daniel Oliveira
Público: Mas para que serve estar perto do poder? Para atrair clientes, para ter influência?
António Cunha Vaz: Eu nunca disse a um cliente meu: "Olhe que sou muito amigo do dr. Menezes, e, quando ele estiver no governo, faço isto e aquilo."
Público: Não disse, mas eles podem pensar isso.
António Cunha Vaz: Já agora! Não os posso impedir de pensar, ou posso?
Público: O interesse de trabalhar com políticos tem a ver com isso.
António Cunha Vaz: Também tem a ver com isso. O importante é a percepção que se cria nas pessoas. O mercado vai atrás de quem? Das empresas ganhadoras. Mas é claro que dá alguma sensação poder dizer: "Ó Sócrates, recebes-me aí o Manuel Joaquim amanhã?"
Público: Mas para além desse prazer pessoal, isso pode trazer benefícios aos seus clientes.
António Cunha Vaz: Eles não me pagam mais por isso. Mas abre portas.

por Daniel Oliveira
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Sábado, 5 de Abril de 2008
por Daniel Oliveira


Jorge Coelho, que está a dias de se tornar presidente da Mota Engil, negociou com esta empresa, enquanto ministro, concessões superiores a mil milhões de euros. (Expresso)
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por Daniel Oliveira
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Domingo, 30 de Março de 2008
por Daniel Oliveira
«Em 2005, fui ao Congresso do PSD e apresentei uma moção onde me disponibilizei para ajudar o PSD a ter uma oposição mais activa em relação ao Governo. O congresso teve lugar no fim-de-semana e na segunda-feira, logo de manhã, fui chamado ao gabinete do ministro Manuel Pinho, que me comunicou que todos os contratos com a GS estavam cancelados a partir daquele momento.»
António Borges ("Público" de hoje)

por Daniel Oliveira
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Sexta-feira, 28 de Março de 2008
por Daniel Oliveira
A Nebulosa Reaccionária, de Miguel Vale de Almeida.

por Daniel Oliveira
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Terça-feira, 25 de Março de 2008
por Daniel Oliveira


Na despedida de solteiro, todos os convidados/todas as convidadas pediram factura ao/à stripper?
Alguma das damas de honor tinha um tatoo não autorizado?
O arroz que foi atirado aos noivos chegou à igreja devidamente embalado?
O bolo dos noivos foi preparado com colher de pau?
Algum dos empregados de mesa no copo de água era imigrante? Verificou se tinha autorização de trabalho?
Durante o copo de água algum convidado fumou em zona não autorizada?
Algum dos convidados conduziu depois de excesso de consumo de álcool?
Na noite de núpcias verificou se o seu marido/a sua mulher usavam piercing nos genitais?
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por Daniel Oliveira
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Terça-feira, 15 de Janeiro de 2008
por Daniel Oliveira
Lista de ex-gestores públicos e quadros do PS teve 97,76% dos votos dos accionistas do BCP.
A omnipresença do Estado só é um problema quando se trata de pagar impostos, cumprir leis laborais e aceitar a existência de serviços públicos.

por Daniel Oliveira
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Quarta-feira, 26 de Dezembro de 2007
por Daniel Oliveira
«O salazarismo económico está de boa saúde e recomenda-se. A maioria dos grupos económicos prospera à sombra do Estado e depende deste. A rapaziada sai destes grupos para fazer a sua comissão de serviço no Estado e regressa às empresas como se fosse a coisa mais normal do mundo: em Janeiro negoceia-se em nome do Estado uma qualquer concessão e em Fevereiro regressa-se à empresa. Existem, com certeza, contratos entre o Estado e empresas privadas que só por vergonha não têm a mesma assinatura nos dois lados do documento. Promiscuidade já não é a palavra indicada: indecência é a palavra certa.»
Pedro Marques Lopes

por Daniel Oliveira
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Domingo, 23 de Dezembro de 2007
por Daniel Oliveira

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Um dos grandes problemas das empresas estatais é que, estando suejeitas à pressão política, não premeiam o mérito. Ao contrário do que acontece em qualquer empresa privada, escolhem para administradores pessoas sem currículo nem preparação, apenas porque são de um determinado partido político. Numa empresa privada, porque tem de pensar no lucro dos seus accionistas, tal seria impossível.

Um exemplo. Ao contrário do que aconteceu há uns anos na Caixa Geral de Depósitos - que nomeou para a sua Administração um dirigente socialista que tinha como única experiência bancária ser funcionário de balcão numa dependência da CGD em Mogadouro e nenhuma preparação económica ou financeira -, aos accionistas de um banco como o Millenium/BCP nunca lhes passaria pela cabeça oferecer um lugar relevante a alguém sem preparação, apenas por essa pessoa ser do PS. A banca estatal é prejudicial para economia: é dirigida por clientela política, faz favores e ajuda os amigos em vez de se dedicar aos seus negócios.

por Daniel Oliveira
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Sexta-feira, 21 de Dezembro de 2007
por Daniel Oliveira
Alguns comentadores perguntam-se se não estarei a ir na onda da moda de ataque à ASAE? Até podem ter razão. É fácil gozar com quem se dedica a inspeccionar colheres de pau e empadas. E perguntam se não é importante haver um organismo que trate de cuidar do que comemos? É claro que é. Só tenho, na realidade, dois problemas com a ASAE: desigualdade de tratamento e excesso de zelo.

Ainda estou à espera de ver os senhores da ASAE a entrarem no McDonalds ou na Pizza Hut. Gostava de os ver a chatear o peixe graúdo. Por que até agora só têm metido com a sardinha e com o carapau. E, no entanto, é bem mais difícil sabermos o que se esconde num hambúrguer produzido industrialmente do que num arroz de cabidela. A porcaria caseira conhecemos nós.

Se tentarmos que tudo fique limpinho à nossa volta acabaremos a comer todos o mesmo. E isto tem consequências económicas. Quando as regras são em excesso os pequenos produtores vão à vida. Quando se proibiram os saudosos galheteiros acabou-se com a possibilidade de um bom restaurante tradicional ter azeite de um pequeno produtor local. Aumentaram-se os custos de produção sem que os riscos o justificassem. Aliás, a fúria normativa europeia que mede a maçã e legisla sobre tripas tem tido esta consequência: mandar borda fora os pequenos produtores. Além do risco de ficarmos todos a comer tão mal como os desgraçados da Europa do Norte, perdemos a pequena economia que, quando a coisa corre pior, é o que salva muitas famílias.

A vida não é segura. Corremos riscos quando vivemos. E corremos riscos quando comemos: o que não mata engorda, já diz o bom povo. Entre o mínimo de fiscalização das condições de higiene e segurança alimentar e a fúria da brigada da Bola de Berlim há um meio termo: o do bom senso. Deixem-nos por isso alguma badalhoqueice. Porque o excesso de saúde prejudica gravemente o prazer.
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por Daniel Oliveira
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Quinta-feira, 20 de Dezembro de 2007
por Daniel Oliveira
Todos os dias, antes de comer, consulte este comunicado de imprensa da ASAE, escrito para contrariar alguns exageros que por aí são espalhados sobre esta instituição.


Bola de Berlim


"Deve ser proveniente de um estabelecimento aprovado para a actividade desenvolvida" e "protegida de qualquer forma de contaminação".


Colher de pau


Deve estar "em perfeito estado de conservação" e "os inspectores da ASAE aconselham os operadores a optarem pela utilização de utensílios de plástico ou silicone".


Castanhas assadas em papel de jornal ou impresso


«O decreto-lei que regulamenta o exercício da venda ambulante, refere que na embalagem ou acondicionamento de produtos alimentares só pode ser usado papel ou outro material que ainda não tenha sido utilizado e que não contenha desenhos, pinturas ou dizeres impressos ou escritos na parte interior.»


Azeite


«O azeite posto à disposição do consumidor final, como tempero, nos estabelecimentos de restauração, deve ser embalado em embalagens munidas com sistema de abertura que perca a sua integridade após a sua utilização e que não sejam passíveis de reutilização, ou que disponham de um sistema de protecção que não permita a sua reutilização após o esgotamento do conteúdo original referenciado no rótulo.»

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Bolo rei com brinde


«É permitida a comercialização de géneros alimentícios com mistura indirecta de brindes, desde que este se distinga claramente do alimento pela sua cor, tamanho, consistência e apresentação»


Rissóis e empadas


«Para os estabelecimentos onde se efectuam operações de manipulação, preparação e transformação de produtos de origem animal, onde se incluem os rissóis e empadas, é necessária a atribuição de número de controlo veterinário, a atribuir pela Direcção-Geral de Veterinária.

Tudo isto só se aplica a estabelecimentos que existam oficialmente.
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por Daniel Oliveira
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Quinta-feira, 6 de Dezembro de 2007
por Daniel Oliveira


Tal como ameacei, entro no debate de que aqui falei. Começa a ficar cansativo, mas mais uma vez ficarei no meio. E o meio é lugar onde me sinto pouco confortável. Mas adiante.

A defesa dos serviços públicos não dispensa a crítica às políticas de Estado e à falta de democracia e de qualidade na gestão dos serviços públicos. Faz sentido defender o SNS, como faz sentido defender a Escola Pública ou a Segurança Social. Mas, pegando nos dois últimos exemplos, isso implica ser critico em relação ao autismo da escola e encontrar alternativas para o financiamento da segurança social. A “defesa das conquistas” não chega, porque ficar por aí é o primeiro passo para as perder.

É programa da esquerda garantir a apropriação democrática dos serviços públicos do Estado. E nesta matéria quase só vejo resistências. Quando defendo a autonomia curricular e administrativa das escolas recebo sempre comentários irados de professores e sindicalistas porque supostamente estou a fazer o jogo da direita. Ora, eu acho que estou a fazer exactamente o contrário: a devolver ao público o que é do público.

A dicotomia esquerda/direita não é entre mais e menos Estado. O debate é outro: é Estado para quê e para quem. Para regular e conter os conflitos sociais ou para democratizar a distribuição de recursos?

Neste sentido, o Zé Neves tem razão. Se nos limitarmos a defender mais Estado ficamos reféns da resistência e limitamos o que podemos conquistar. «A luta não só exige que encaremos as causas de desconfiança no público provocáveis pela concorrência feita pelo privado e pelas ideias neoliberais, como também exige que debatamos em que medida a própria ideia de propriedade estatal constrange a experiência do público.» Subscrevo.

Descendo à terra. Há uma diferença entre serviços do Estado e serviços públicos. Nem todos os serviços do Estado são na realidade serviços públicos e nem todos os serviços públicos são do Estado. A esquerda tem de regressar à construção de experiências de serviços comuns, públicos, para lá do Estado. Até porque quase tudo o que é hoje serviço do Estado já tinha passado por experiências comunitárias antes de chegar ao Estado. Ao contrário do João Rodrigues lembro-me de vários exemplos em que o Estado não foi apenas dispensado, foi mesmo à sua revelia que foram construídos. Um exemplo talvez demasiado simples: as mutualistas foram a ante-câmara da segurança social. Eram serviços públicos, não eram serviços do Estado. Há imensas experiências comunitárias feitas sem o Estado. Fazer depender do Estado tudo o que se possa fazer é ficar refém das condições políticas de cada momento.

Outra coisa bem diferente é querer jogar à bola na bancada quando o jogo que conta está no relvado. A defesa das funções sociais do Estado é do pouco que nos resta e está em risco. Desisitr delas a bem de qualquer coisa que não existe ou que é absolutamente marginal é puro suicídio.

Ao contrário Rick Dangerous, do Spectum, acho muitíssimo importante «o terreno da soberania do Estado moderno, legitimada pelo sufrágio e reforçada por uma mais ampla “participação”». Por uma razão que está na frase: é a única legitimada democraticamente. Ao Estado Democrático só conheço duas alternativas (e eu tenho este vício de discutir política com base no que existe): o poder económico desregulado ou as ditaduras “esclarecidas”. A posição da cultura da extrema-esquerda é, na prática, igual à posição da esquerda rendida. A segunda limita-se a dizer que quer conter os danos (sem nunca o fazer), atirando a justiça social para um passado longínquo e futuro improvável. Assim aliena tudo em beneficio do poder. A primeira limita-se a dizer que como está não é possível melhor atirando a justiça social para um futuro longínquo e mais do que improvável. Aliena tudo em beneficio da pureza.

Diz o Rick Dangerous: «Ao passo que pessoas de “esquerda” podem perfeitamente debater com um liberal o grau de intervenção do Estado na economia, ou o carácter democrático ou não do Estado Venezuelano, os interlocutores tendem a rarear quando se assume como objectivo fundamental eliminar o Estado e se escolhem estratégias e posicionamentos com base nesse objectivo.» Porque será? Talvez por uma razão simples: só fazemos as perguntas a que podemos responder e só temos os debates que valem a pena ser feitos. Quando a destruição das funções sociais do Estado é a principal agenda da direita seria no mínimo estranho que a esquerda desse uma ajudinha para que o trabalho sujo fosse feito mais depressa. Nem vale a pena dizer que o se quer é diferente. Lamentavelmente, entre o que queremos e o que acontece entrepõe-se uma trágica realidade: uma determinada correlação de forças. Mas mesmo que fosse possível, fica a pergunta: em troca de quê? Para ir para onde? Para fazer o quê? Se não houver resposta clara a estas perguntas (porque tudo é imponderável) o provável é que se andem a dedicar às discussões erradas. Em momentos de derrota procuram-se vitórias, não becos sem saída.

Só que o João Rodrigues não se limita a perceber a centralidade do papel do Estado no debate político. O João fica entrincheirado no Estado. Ora, como o Estado que conhecemos é uma entidade nacional, o João acaba por se entrincheirar na própria ideia de Nação. Seria ideologicamente errado, mas isso é o menos. É inútil. Neste momento, quase todo o poder (mesmo que as pessoas não tenham ainda essa percepção clara) e os conflitos não têm fronteiras e em relação a eles o Estado pouco pode. Um interessante combate da esquerda, hoje, se fosse possível (estamos só a escrever em blogues) deveria ser, por exemplo, ajudar à construção de um movimento sindical forte na China. Faria mais por nós do que milhares de manifestações no Terreiro do Paço.

Ao se entrincheirar no Estado e por isso na Nação o João só pode chegar a uma solução contra a perda de direitos sociais por competição com as economias emergentes: o proteccionismo económico. Além de tal ser inviável seria criminoso. Basicamente, estaríamos a condenar a maior parte do Mundo à miséria, como aliás o estamos a fazer com África. Porque tal solução não está ao alcance dos países mais pobres e o proteccionismo seria sempre assimétrico.

A defesa do papel do Estado é fundamental por uma razão prática (é o que temos) e de princípio (é a única instância legitimada democracticamente). Mas quem julga que ele chega estará a contar com uma fisga para abater a bomba atómica.

Resumindo, de uma forma talvez mais arrogante do que queria: alguma esquerda está demasiado atrás, achando que não se afoga se se agarrar a uma bolinha de esferovite. Outra está demasiado à frente, julgando que por querer tudo, tudo passa a ser possível e assim somando derrotas e acabando a depositar deprimentes esperanças revolucionárias em putos de cara tapada a mandar pedras à bófia.

As minhas respostas? Gostava de as ter. Sou apenas um "melhorista". Resistir activamente em defesa do papel social e económico do Estado (uma resistência que não seja apenas retórica mas que passe pela reinvenção dos serviços públicos do Estado); construção de experiências comunitárias que provem no terreno que o que defendemos é exequível; e uma esquerda globalizada e não anti-globalização. Sou pessimista. Mas gostava de não estar derrotado à partida.

por Daniel Oliveira
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por Daniel Oliveira
Vale a pena acompanhar o debate entre Zé Neves, Rick Dangerous, João Rodrigues e Renato Carmo. Talvez ainda me atire para o moche. Ou talvez não, que a coisa já vai adiantada. O debate tem ramificações de links em que um gajo se perde. Alguém que se dê ao trabalho de fazer a cronologia, que eu não consigo. A discussão é mais ou menos sobre o Estado e a democracia. Coisa pouca, como vêem. Daquelas em que é difícil entrar em andamento. Mas vale a pena.

Já agora, parabéns ao Miguel Madeira pelos dois anos do Vento Sueste, que aqui destaquei há umas semanas como blogue da semana.

O Miguel teve a simpatia de fazer uma cronologia do debate. Dos dois debates, para ser mais preciso. Usei-a andando ainda um pouco mais para trás. Aliás, foi assim que descobri que um deles começou a partir da minha discussão com o Zé Neves e com o Pedro Magalhães sobre a Venezuela. Isto de facto é como as cerejas. A outra começou com um texto de Isabel do Carmo sobre o Serviço Nacional de Saúde no Le Monde Diplomatique.



Cá vai:
Uma Esquerda sem Heróis (Zero de Conduta)
Democracia e fractura (Arrastão)
Matámos os heróis, tudo bem. Mas e os líderes, deixamo-los andar por aí? (Zero de Conduta)
Chávez não é a minha via (Peão)
A Democracia, Tipologia de uma História? (Zero de Conduta)
Idealizar a democracia? Vamos a isso! (Peão)
Os Assessores do Ministério (Zero de Conduta)

O outro:
A quem serve o «bota-abaixo» do Serviço Nacional de Saúde (Isabel do Carmo)
Um bom debate (Ladrões de Bicicletas)
O Privado, o Público e o Comum (Zero de Conduta)
Bens Comuns (Ladrões de Bicicletas)
O outro movimento operário (Spectrum)
O outro debate político (Zero de Conduta)
Debate? (Peão)
Será o debate exequível? (Peão)
O post mais longo da história do ZdC, na esperança de notícias sobre uma greve geral que vai de Pequim até ao Vale do Ave (Zero de Conduta)

Agora vou tentar ler isto e se no fim ainda tiver tempo e alguma coisa para dizer talvez me junte à confusão

por Daniel Oliveira
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Domingo, 2 de Dezembro de 2007
por Daniel Oliveira
Ana Benavente, no Público de hoje:

«1. Não sou certamente a única socialista descontente com os tempos que vivemos e com o actual governo.
Não pertenço a qualquer estrutura nacional e, na secção em que estou inscrita, não reconheço competência à sua presidência para aí debater, discutir, reflectir, apresentar propostas. Seria um mero ritual.
Em política não há divórcios. Há afastamentos. Não me revejo neste partido calado e reverente que não tem, segundo os jornais, uma única pergunta a fazer ao secretário-geral na última comissão política. Uma parte dos seus actuais dirigentes são tão socialistas como qualquer neoliberal; outra parte, outrora ocupada com o debate político e com a acção, ficou esmagada por mais de um milhão de votos nas últimas presidenciais e, sem saber que fazer com tal abundância, continuou na sua individualidade privilegiada. Outra parte, enfim, recebendo mais ou menos migalhas do poder, sente que ganhou uma maioria absoluta e considera, portanto, que só tem que ouvir os cidadãos (perdão, os eleitores ou os consumidores, como queiram) no final do mandato.
Umas raríssimas vozes (raras, mesmo) vão ocasionando críticas ocasionais.


2. Para resolver o défice das contas públicas teria sido necessário adoptar as políticas económicas e sociais e a atitude governativa fechada e arrogante que temos vivido?
Teria sido necessário pôr os professores de joelhos num pelourinho? Impor um estatuto baseado apenas nos últimos sete de carreira? Foi o que aconteceu com os "titulares" e "não titulares", uma nova casta que ainda não tinha sido inventada até hoje. E premiar "o melhor" professor ou professora? Não é verdade que "ninguém é professor sózinho" e que são necessárias equipas de docentes coesas e competentes, com metas claras, com estratégias bem definidas para alcançar o sucesso (a saber, a aprendizagem efectiva dos alunos)?
Teria sido necessário aumentar as diferenças entre ricos e pobres? Criar mais desemprego? Enviar a GNR contra grevistas no seu direito constitucional? Penalizar as pequenas reformas com impostos? Criar tanto desacerto na justiça? Confirmar aqueles velhos mitos de que "quem paga é sempre o mais pequeno"? Continuar a ser preciso "apanhar" uma consulta e, não, "marcar" uma consulta? Ouvir o senhor ministro das Finanças (os exemplos são tantos que é difícil escolher um, de um homem reservado, aliás) afirmar que "nós não entramos nesses jogos", sendo os tais "jogos" as negociações salariais e de condições de trabalho entre Governo e sindicatos. Um "jogo"? Pensava eu que era um mecanismo de regulação que fazia parte dos regimes democráticos.

3.Na sua presidência europeia (são seis meses, não se esqueça), o senhor primeiro-ministro mostra-se eufórico e diz que somos um país feliz.
Será? Será que vivemos a Europa como um assunto para especialistas europeus ou como uma questão que nos diz respeito a todos? Que sabemos nós desta presidência? Que se fazem muitas reuniões, conferências e declarações, cujos vagos conteúdos escapam ao comum dos mortais. O que é afinal o Tratado de Lisboa? Como se estrutura o poder na Europa? Quais os centros de decisão? Que novas cidadanias? Porque nos continuamos a afastar dos recém-chegados e dos antigos membros da Europa? Porque ocupamos sempre (nas estatísticas de salários, de poder de compra, na qualidade das prestações dos serviços públicos, no pessimismo quanto ao futuro, etc., etc.) os piores lugares? Porque temos tantos milhares de portugueses a viver no limiar da pobreza?
Que bom seria se o senhor primeiro-ministro pudesse explicar, com palavras simples, a importância do Tratado de Lisboa para o bem-estar individual e coplectivo dos cidadãos portugueses, económica, social e cívicamente.

4.Quando os debates da Assembleia da República são traduzidos em termos futebolísticos, fico muito preocupada. A propósito do Orçamento do Estado para 2008, ouviu-se: "Quem ganha? Quem perde? que espectáculo!".
"No primeiro debate perdi", dizia o actual líder do grupo parlamentar do PSD, "mas no segundo ganhei" (mais ou menos assim). "Devolvam os bilhetes...", acrescentava outro líder, este de esquerda.
E o país, onde fica? Que informação asseguram os deputados aos seus eleitores? De todos os partidos, aliás. Obrigada à TV Parlamento; só é pena ser tão maçadora.
Órgão cujo presidente é eleito na Assembleia, o Conselho Nacional de Educação festeja 20 anos de existência. Criado como um órgão de participação crítica quanto às políticas educativas, os seus pareceres têm-se tornado cada vez mais raros. Para mim, que trabalho em educação, parece-me cada vez mais o palácio da bela adormecida (a bela é a participação democrática, claro). E que dizer do orçamento para a cultura, que se torna ainda menos relevante? É assim que se investe "nas pessoas" ou o PS já não considera que "as pessoas estão primeiro"?

5. Sinto-me num país tristonho e cabisbaixo, com o PS a substituir as políticas eventuais do PSD (que não sabe, por isso, para que lado se virar).
Quanto mais circo, menos pão. Diante dos espectáculos oficiais bem orquestrados que a TV mostra, dos anúncios de um bem-estar sem fim que um dia virá (quanto sebastianismo!), apetece-me muitas vezes dizer: "Aqui há palhaços". E os palhaços somos nós. As únicas críticas sistemáticas às agressões quotidianas à liberdade de expressão são as do Gato Fedorento.
Já agora, ficava tão bem a um governo do PS acabar com os abusos da EDP, empresa pública, que manda o "homem do alicate" cortar a luz se o cidadão se atrasa uns dias no seu pagamento, consumidor regular e cumpridor... Quando há avarias, nós cortamo-lhes o quê? Somos cidadãos castigados!
O país cansa!
Os partidos são necessários à democracia mas temos que ser mais exigentes. Movimentos cívicos...procuram-se (já há alguns, são precisos mais).As anedotas e brincadeiras com o "olhe que agora é perigoso criticar o primeiro-ministro" não me fazem rir. Pela liberdade muitos deram a vida. Pela liberdade muitos demos o nosso trabalho, a nossa vontade, o nosso entusiasmo. Com certeza somos muitos os que não gostamos de brincar com coisas tão sérias, sobretudo com um governo do Partido Socialista! Professora Universitária, militante do PS.(Público)»
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por Daniel Oliveira
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Sexta-feira, 23 de Novembro de 2007
por Daniel Oliveira
A falha de segurança que levou ao extravio da informação de 25 milhões de contribuintes britânicos teve uma razão: segundo documentos revelados pelo Guardian, cortes orçamentais obrigaram os serviços a remover as medidas de segurança destinadas a proteger a informação. Segundo o "Daily Telegraph" pouparam-se cinco mil libra (ainda não consegui encontrar o link para esta notícia). Milhares de pessoas estão a mudar os seus pin's e instalou-se a desconfiança. Ver também Zero de Conduta.

por Daniel Oliveira
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Sábado, 17 de Novembro de 2007
por Daniel Oliveira
Em França, usam-se câmaras voadoras ("drones”) para controlar as manifestações. Na Alemanha, aprova-se uma lei que autoriza o Estado a gravar e arquivar durante seis meses conversas telefónicas, mensagens de fax e acessos à Internet, incluindo de jornalistas, médicos e advogados. Dois exemplos tirados do "Expresso" de hoje. A desculpa (e é mesmo uma desculpa) é sempre a do terrorismo.

Ao contrário do que defendem os liberais, quando o Estado abandona as suas funções sociais e económicas tem de reforçar a sua presença na esfera privada e cívica. A menor democracia social só poderá corresponder menor democracia política. Porque quanto menor a integração social maior terá de ser a vigilância e a repressão. Depois de um intervalo, o Estado regressa à sua função. Ao Estado Social sucede o Estado Polícia. É por isso que o debate não é se queremos mais ou menos Estado, mas sim onde o queremos.

por Daniel Oliveira
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Terça-feira, 13 de Novembro de 2007
por Daniel Oliveira
A propósito do facto de Paulo Portas ter levado milhares de cópias de documentos oficiais do Ministério da Defesa (alguns deles, ao que parece, confidenciais) para a casa, o "Público" faz hoje um destaque sobre a matéria. Parece ser prática corrente os ministros em partida digitalizarem às expensas do Estado documentos do Estado para engordarem o seu arquivo pessoal. Num país normal, deveria ser considerado grave levar para casa tudo o que não seja público e não esteja acessível ao cidadão comum. Porque, no momento que abandonam o cargo, é isso mesmo que os ministros passam a ser. Talvez ninguém dê muita importância à matéria, mas ela é um excelente retrato de como os titulares de cargos públicos em Portugal olham para os Estado como se fosse coisa sua.

por Daniel Oliveira
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