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Arrastão: Os suspeitos do costume.

Pólvora seca

Sérgio Lavos, 29.08.10
A tonta croniqueta de João Pereira Coutinho, que tanta excitação espoletou, quer nos guerreiros de sofá de direita como nos bravos jihadistas da esquerda institucional-comunista (é bela, esta comunhão de contrários), tem a devida resposta do Ouriquense. O retrato de um artista enquanto jovem onanista:

(ler o resto)... Ora, a proximidade física entre as ergonómicas mãos de JPC e as fantasias juvenis que ricocheteiam no interior da sua cabeça é provavelmente o que de mais exibicionista e masturbatório  se encontra hoje na imprensa. Tendo ainda em conta que na crónica online da Correio da Manhã a foto de JPC é do tamanho da mancha gráfica do texto, o que remete para o primado do estímulo visual sobre o enredo, ao ler "pornografia" e "poses exibicionistas e masturbatórias" não pude deixar de me lembrar que é no relato autobiográfico que Coutinho atinge o seu cume histriónico, mesmo quando são actos actos falhados  - essa é uma das vantagens de saber que se está a ler um boneco e não uma pessoa, porque o espalhafato dos gemidos públicos de JPC deixa no ar a suspeita de um orgasmo fingido e só outros adolescentes o poderão levar a sério. Boys will be boys.

É já no Sábado, às 18 horas

Sérgio Lavos, 27.08.10

(Esta manifestação, que se vai realizar em várias cidades à mesma hora (ver aqui), também pode ser uma oportunidade de ouro para muitos dos nossos comentadores geralmente indignados contra o Islão; é altura de passar das palavras aos actos: compareçam!)

Adenda: a frase que acompanha o cartaz pretendia ser uma pequena provocação aos comentadores habituais que costumam espumar de raiva de cada vez que aqui alguém fala da opressão na Palestina ou dos erros trágicos dos E. U. A. no Iraque e no Afeganistão. Curiosamente, quem mordeu o isco não foram os comentadores. Concedo que o tom irónico seja por vezes difícil de atingir num texto escrito - ou até que tenha sido pura e simplesmente inépcia minha. Aos comentadores deste post que se insurgem contra a minha suposta islamofobia (principalmente duas das mais empenhadas divulgadoras do protesto, a Inês Menezes e a Shyznogud), lamento que não tenha conseguido passar a mensagem da maneira correcta. É claro que esta é uma causa que eu partilho sem reservas, mas de forma alguma isto significa que tenha qualquer preconceito contra o Islão ou sequer contra o Irão (já em relação a Ahmadinejhad, tenho tudo contra). Mas mais lamentável ainda é que, depois de eu ter esclarecido neste post do Renato Teixeira qual o sentido deste texto, e de ele, respeitando uma ética blogueira implícita (sem ter obrigação de o fazer, por isso agradeço-lhe), ter acrescentado o meu comentário ao corpo principal do texto, outro colega do 5 Dias, cujo nome nem merece ser escrito, insista que eu queria ser literal quando escrevi a frase de cima. Esse canalha (não há termo que melhor defina o ser em questão) merece apenas o meu desprezo, deste momento em diante. Que continue a chafurdar na sua própria imundície, eu salto fora.

Caçadores de pecados caçados

Daniel Oliveira, 16.06.08



Os alunos da universidade da cidade de Zanjan, no Irão, exigem a demissão do seu reitor e vice-reitor. O vice é acusado de ter tentado abusar sexualmente de uma aluna. A aluna tinha sido chamada ao gabinete do vice-reitor para responder a acusações do comité de conduta, que vigia as actividades dos alunos na Universidade. Na véspera deste incidente o chefe da polícia de Teerão foi apanhado num bordel e depois libertado. Os protestos prometem continuar e abalar a hipocrisia moralista do regime.

Podemos bombardear países em nome dos direitos humanos. Esquecer a burocracia é que nunca!

Daniel Oliveira, 26.02.08

Persepolis

Daniel Oliveira, 17.02.08
Marjane Satrapi vem de uma família de classe média iraniana que se opôs ao Xá, assistiu com esperança à sua queda e viu a direita religiosa tomar o poder e destruir toda a sua forma de viver. Para quem conhece a Persepolis em versão BD, o filme é uma agradável e muito conseguida revisitação. Para quem não conheça, a auto-biografia da desenhadora iraniana, em versão cinematográfica, será uma descoberta magnífica. O filme, como o livro, é lindíssimo. Estreia esta semana nos cinemas portugueses. A não perder. Mesmo.




Aqui fica uma pequena entrevista com Marjane Satrapi, feita há um ano:

Inquérito

Daniel Oliveira, 26.12.07
À pergunta "Concorda com a alteração da Lei Eleitoral Autárquica nos moldes que estão a ser negociados entre o PS e o PSD?" 225 leitores (73%) responderam que "não" e 82 (27%) disseram que "sim".

Novo inquérito na coluna da direita: "Qual a figura mais relevante de 2007?" Escolhi 10 políticos internacionais: Al Gore, Durão Barroso, George Bush, Hu Jintao, Hugo Chávez, Mahmoud Ahmadinejad, Nicolas Sarkozy, Robert Mogabe, Tony Blair e Vladimir Putin. Podia ter escolhido outros, mas estes parecem-me cobrir os principais acontecimentos políticos do ano. A ideia não é saber qual agrada ou desagrada mais aos leitores, mas apenas qual terá sido o que mais marcou o ano que agora acaba.

Lions for Lambs

Daniel Oliveira, 11.12.07



Na primeira guerra mundial os soldados alemães faziam poemas à bravura dos soldados britânicos enquanto achincalhavam a criminosa estupidez dos seus comandantes. Dizia um oficial alemão, talvez com algum alívio, que aqueles soldados que eles combatiam eram leões comparados com os cordeiros que os comandavam.

O 11 de Setembro acordou muitos monstros na América. Mas também acordou boas coisas: a vontade de fazer alguma coisa. "Lions for Lambs", de Robert Redford, é sobre essa vontade de fazer qualquer coisa e a incompetência de uma elite que não consegue aprender com os seus próprios erros. E de uma comunicação social que apenas consegue dizer o que é mais confortável de ouvir. Sem respostas (isso é deixado a quem veja o filme) mas com muitas perguntas e um apelo: quando estás entregue a cordeiros, faz qualquer coisa. Um olhar diferente sobre o impasse em que a consciência colectiva americana se encontra. E, na parte que me toca, um excelente contributo para os argumentos que darei para querer que Obama seja o próximo presidente dos EUA: uma questão de credibilidade interna e externa. Mesmo que esteja longe de chegar.