Quarta-feira, 16 de Janeiro de 2013
por Sérgio Lavos

 

Dizem os manuais de jornalismo que uma notícia deverá versar sobre o aconteceu, quando aconteceu e como aconteceu. No Diário de Notícias de ontem, tivemos outra espécie de jornalismo, uma invenção do outro mundo, a que poderíamos chamar jornalismo Maya - em homenagem à conhecida taróloga. 

 

Começamos pela capa, um fenómeno do Entroncamento. Elenca-se uma série de medidas de austeridade e escreve-se que essas medidas são "propostas que a OCDE deverá verter dentro de alguns meses num estudo sobre a reforma do Estado". É o Inimigo Público? Não, é a sério, acreditem. Recordemos: o estudo referido será aquele que o primeiro-ministro disse que tinha sido encomendado à OCDE há poucos dias, encomenda essa prontamente desmentida por uma fonte do organismo, que informou os jornais de que não tinha sido contactado pelo Governo. No dia seguinte a este desmentido, veio o Governo informar que o Carlos Moedas iria pedir até ao final da semana (passada) esse estudo que Passos Coelho afirmara solenemente em frente às câmaras já ter sido pedido. Não sabemos se Moedas já encomendou o tal estudo, mas que isto não sirva de entrave ao jornalista que redigiu a premonitória notícia do DN. A OCDE poderá ainda nem saber que o Governo precisa de um estudo (que confirme as suas opções ideológicas), mas as suas conclusões - a serem apresentadas "dentro de alguns meses" - já são conhecidas pelo jornal. E, surpresa das surpresas, irão apontar para cortes bastante próximos dos preconizados pelo Governo e pela turba de sicários que o defende nas televisões. 

 

A inovação jornalística é tanta que a notícia esmiuça ponto por ponto as tais propostas que a OCDE irá apresentar dentre "de 3 a 6 meses". Há inclusive uma série de citações de um relatório da organização datado de Julho passado que, maravilha das maravilhas, passa a pertencer ao relatório vindouro, o tal que será apresentado (daqui a 3 ou 6 meses, recorde-se) depois de uma visita dos técnicos a convite (ainda não oficial, recorde-se) do Governo. 

 

Tudo isto seria extraordinário, se não fosse profundamente patético e uma vergonha para o Diário de Notícias. Sabemos que há assessores no Governo que vieram do DN e sabemos que há jornalistas no DN que se limitam a veicular a propaganda que é soprada dos gabinetes ministeriais. Mas precisavam mesmo de colocar a sua credibilidade profissional em causa, expondo-se ao ridículo desta maneira?

 

(Outra opinião sobre este extraordinário fenómeno aqui.)


por Sérgio Lavos
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Sexta-feira, 17 de Agosto de 2012
por Miguel Cardina

Quando é que o jornal Público acaba com o "centralismo democrático" na direcção? Começa a ser cada vez mais difícil aguentar a sucessão de editoriais "discutíveis" aos quais não se pode associar um nome...


por Miguel Cardina
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Segunda-feira, 5 de Março de 2012
por Miguel Cardina

É este o título do texto que André Barata dedica ao Público de hoje e em especial ao editorial de José Gil. Vale a pena ler.


por Miguel Cardina
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Domingo, 19 de Fevereiro de 2012
por Miguel Cardina

Um dos problemas da democracia de hoje - que toda a gente repete até à exaustão - é o "divórcio entre os cidadãos e os seus representantes". E o que faz a UE quando por momentos é dado aos cidadãos um vislumbre do que se decide à porta fechada? Quando se tem um relance da falsidade do discurso do "não haverá novo empréstimo", "não somos a Grécia", "estamos no bom caminho e não haverá qualquer necessidade de reestruturar a dívida"? Faz o óbvio: suspende o repórter de imagem.


por Miguel Cardina
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Quinta-feira, 27 de Outubro de 2011
por Sérgio Lavos

 

"Presidência da República no Paraguai com comitiva de peso.

 

Enquanto Passos Coelho se faz acompanhar de quatro pessoas, Cavaco Silva leva 23 para uma cimeira de dois dias.

 

Se a importância que os nossos governantes dão aos países que lhes cabe visitar se medisse pela dimensão da comitiva que os acompanha, ficaríamos a saber que a 21.a Cimeira Ibero-Americana, que decorre entre os dias 27 e 28 de Outubro, em Assunção, no Paraguai, é muito mais importante para o Presidente da República que para o primeiro-ministro ou para o chefe da diplomacia, Paulo Portas. Enquanto Pedro Passos Coelho leva consigo quatro pessoas, incluindo segurança, Aníbal Cavaco Silva arrasta atrás dele um séquito de 23, no qual se incluem mordomo e médico pessoal. O Presidente, que se eternizou na célebre frase “Ninguém está imune aos sacrifícios”, já tinha suscitado consternação aquando da visita aos Açores em Setembro, por se ter feito acompanhar de uma comitiva de 30 pessoas, entre as quais estavam o chefe da casa civil e sua esposa, quatro assessores, dois consultores, um médico pessoal, uma enfermeira, dois bagageiros, dois fotógrafos oficiais, um mordomo e 12 agentes de segurança. Numa altura em que os portugueses são diariamente chamados a acreditar nas garantias consoladoras de dificuldades justamente partilhadas e convidados a aceitar cortes, inevitável emagrecimento e até empobrecimento, eis que o chefe de Estado português aterra no Paraguai amanhã, depois de uma escala no Brasil, com o equivalente a duas equipas de futebol, com custos que, contabilizados ao nível do cidadão comum, e só no que diz respeito ao preço dos voos, são de 7500 euros por pessoa para um bilhete de ida e volta em classe executiva e 1870 euros em classe económica. A participação na Cimeira Ibero-Americana foi acordada aquando da passagem por Lisboa do secretário-geral ibero-americano, Enrique Iglesias, que na altura disse estar empenhado em garantir que Portugal se fazia representar em Assunção pelo Presidente da República Portuguesa, pelo chefe do executivo e pelo ministro dos Negócios Estrangeiros. Antes de aterrar no Paraguai, Cavaco Silva e Passos Coelho farão uma escala de menos de 24 horas no Brasil, onde, porém, não chegarão a cruzar-se. O objectivo: impulsionar os investimentos entre Portugal e o Brasil. (...)"

Resto da notícia no jornal I. Que jornalismo é este, que decide ventilar o que os assessores do Governo escrevinham? Tudo o que está a vermelho não é notícia; é pura opinião, ao nível rasteiro do taxista ou do comentador anónimo de blogues. Independentemente do despesismo de Cavaco ou da poupança de Passos Coelho. E não nos esqueçamos de que estas guerras entre os gabinetes do Governo e os da Presidência também são pagas por nós. A peso de ouro, recebido pelas dezenas de assessores que gravitam na órbitra do poder. 

 

(Via Câmara Corporativa). 


por Sérgio Lavos
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Quinta-feira, 18 de Agosto de 2011
por Sérgio Lavos

Sem concurso, violando todas as regras internas da RTP, passando por cima da Direcção de Informação e da administração da empresa, voo directo para Washington. Miguel Relvas e Mário Crespo - o tal jornalista de referência - brincando com a malta, abusando de uma desfaçatez inaudita. Estamos no bom caminho.


por Sérgio Lavos
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Domingo, 21 de Novembro de 2010
por Sérgio Lavos


A reportagem que hoje vem no Público sobre a manifestação de ontem contra a cimeira da Nato, assinada por Paulo Moura, é um belo exemplo de várias coisas, nenhuma delas recomendável. Moura, o jornalista que gostava de ser a Alexandra Lucas Coelho, decide ir salpicando o texto com os pozinhos de "sensação" e "história", ensaiando um tom de reportagem que tem tanto de subjectivo como, essencialmente, preconceituoso. Daqui, da minha subjectividade bloguística, posso dizer que fiquei especialmente tocado ao longo do trabalho, especialmente quando o jornalista se põe a tecer considerações sobre o empenho da causa dos manifestantes afectos ao PCP, ora construindo adversativas que opõem o desabafo e revolta "contra a guerra" ao facto da pessoa que profere estes desabafos vir a todas as manifestações convocadas pela CGTP ou o PCP, ora diminuindo a causa anti-Nato ao citar um, sublinho, um, manifestante que também era contra a guerra colonial. Trabalhinho feito - esvaziar de importância a presença dos manifestantes que encabeçavam o desfile, o enfastiado Moura avança pelo grupo do Bloco de Esquerda, destacando, curiosamente, o colorido do colectivo Panteras Rosa, e passando à frente sem se deter durante demasiado tempo. Chegado à terceira manifestação, o destemido Moura, cercado pelo cordão policial que separou estes manifestantes do resto do desfie, impressiona-se com "as raparigas de cabeleira (sic, imagino que as raparigas em questão deveriam estar a usar perucas, ou assim) azul, com os tambores, as pandeiretas, as barbas e os cabelos desgrenhados, as roupas esfarrapados. Perante tal clima de horror, só poderemos estar perante (até porque há "mais estrangeiros do que portugueses") a praga anunciada, os perigosos anarquistas e, pior, terroristas, que tinham dito vir pôr a cidade de pantanas. Disseram? Mas claro, andaram a última semana a anunciar, desde o senhor do avental, José Manuel Anes, até à primogénita preferida do jornalismo histérico de vão de escada, Sandra Felgueiras; estava tudo feito, os bárbaros vinham aí, e era preciso pará-los. E fizeram-no, suspendendo um bocadinho a democracia, e nem custou nada ao resto dos portugueses. Para além do mais, os cães desta gente, segundo o arguto Moura, são a prova provada de que não são flor que se cheire - de que outro modo se explica a referência aos canídeos? Os "poucos mais de 100" (palavras do tal especialista americano que anda a contar cabeças em manifestações não se sabe a soldo de quem), no entanto, são a principal ameaça, tanto para os polícias que quase os ultrapassam em número como para o mediúnico Moura, que de repente vê em tal grupo minoritário intenções claras "de facto provocar a violência". A esta afirmação, perfeitamente objectiva e baseada em factos, segue-se uma descrição pormenorizada dos pensamentos dos elementos perigosos: "O plano era espalharem-se na multidão e começarem a provocar os polícias, na esperança de que estes ripostassem indiscriminadamente contra a manifestação". O super-herói Moura, certamente dono de um duplo que se infiltrou nos meios frequentados por estes elementos, ainda acrescenta, com visível gozo e auto-indulgência: "Um cenário de a polícia a carregar sobre os velhos militantes do PCP era provavelmente o sonho mais selvagem dos elementos anarquistas". Descalçados os tamancos usados pela língua portuguesa do Moura, chegámos ao corolário desta reportagem jornalística, esta sim, de sonho. Rigor, objectividade, isenção, profissionalismo - tudo o que Paulo Moura sonhou ter um dia. Mas deu nisto.

(Ler também o post de Zé Neves, no Vias de Facto).

por Sérgio Lavos
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Quinta-feira, 4 de Novembro de 2010
por Sérgio Lavos
Mais um indício: por que razão as notícias de manifestações, greves e protestos contra as medidas de austeridade em vários países da União Europeia não são notícia, ou quando são não passam dos rodapés dos noticiários da SIC Notícias, ou menos do que isso? Quantos portugueses saberão, por exemplo, que os trabalhadores do Metro de Londres fizeram greve durante as últimas vinte e quatro horas e levaram o caos à capital (e esta é a terceira grave em pouco tempo)? Nem Público, nem DN, nem I. Nas televisões, que raramente espreito, imagino que o silêncio deve ter sido ainda mais - se for possível - pesado. Razões? (Vamos fingir que eu não sei quais são).

(Tive conhecimento do facto relatado, imagine-se, num blogue. No Cinco Dias. Estamos bem.)

por Sérgio Lavos
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Quarta-feira, 3 de Novembro de 2010
por Sérgio Lavos


Depois de ter visto a notícia de ontem à noite e ter postado esta entrada, fiquei a pensar no circuito que a informação percorreu até chegar à página do Público, do I e do DN; e hoje, pelo menos à edição impressa do primeiro. Ora bem, parece que um comentador deste blogue viu - não pude confirmar - José Manuel Fernandes a falar, em directo na TVI, da tal frase de Cavaco Silva (ou de alguém do seu séquito). Soube da actualização como? Sendo seguidor do twitter de Cavaco? O mais provável, e assim sendo não é de excluir que algum jornalista tenha decidido tornar notícia um facto que me parece de reduzida ou nula importância e que deveria ter-se mantido no universo desse meio restrito. Mas, pormenor importante, o facto noticioso foi criado aludindo a uma leitura subtil da declaração. Recorde-se: Cavaco Silva vê “com muita apreensão o desprestígio da classe política e a impaciência com que os cidadãos assistem a alguns debates”. O mesmo tom vago, hermético e alusivo, que conhecemos de comunicações anteriores. O estilo leva, quem sabe se por influência de "fontes próximas" do presidente, a interpretações que acabam, estranhamente, por conduzir, em qualquer das versões publicadas da notícia, ao mesmo: a frase era uma alfinetada ao debate ocorrido ontem no Parlamento. Prestando atenção a todo o processo, torna-se bastante evidente que aconteceu uma de duas coisas: ou os jornalistas que redigiram a notícia em vários jornais tiveram uma epifania simultânea, atribuindo um sentido único a uma frase que é tudo menos cristalina; ou a frase surgiu miraculosamente em todas as redacções já com o sentido das palavras apenso. Seja como for - e não quero perder-me em especulações improfícuas -, o que aconteceu ontem não foi jornalismo, foi apenas uma mediação, pelos jornais, de um "sentir" do presidente. Não existiu um facto, um acontecimento significativo, uma conferência de imprensa, uma entrevista, nada. Eu sei que isto é o pão nosso de cada dia. Mas há casos que são tão óbvios que não podem ser deixados passar em claro.

por Sérgio Lavos
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Quarta-feira, 27 de Outubro de 2010
por Sérgio Lavos
José Vítor Malheiros é, há algum tempo e a par com Manuel António Pina no JN e Rui Tavares também no Público, o meu colunista preferido nos jornais portugueses (se exceptuarmos MEC, claro). Inteligente, escrita límpida, lucidez desarmante e, sobretudo, independência. A crónica de ontem é exemplar. Fica aqui, na íntegra (on line apenas está disponível para assinantes):

Memórias de uma imprensa bem comportada

Os jornalistas realizam diferentes tarefas e preenchem diferentes funções sociais. Uma dessas tarefas consiste em produzir e difundir notícias. Outra função consiste em alimentar o debate de ideias no seio da sociedade.

Porém, aquilo que, aos meus olhos, é a função essencial do jornalista é o que se chama vulgarmente a "fiscalização dos poderes" e a que os anglo-saxónicos chamam de forma mais colorida a função de watchdog - servir de cão de guarda das liberdades cívicas, revelar todas as actividades de todos os poderes e de todos os poderosos e denunciar abusos.

Esta é a função que só os media levam a cabo de forma independente e constitui o coração do ethos jornalístico. Isto não quer dizer que não possa haver uma organização não-mediática que funcione dessa forma, mas a prossecução desse objectivo de forma independente - sem qualquer agenda predefinida, sem defender interesses particulares - é a marca de água da actividade jornalística.

Tivemos há dias um exemplo de grande impacto do que pode ser essa fiscalização dos poderes com a publicação pelo site WikiLeaks de milhares de casos de abusos perpetrados pelas tropas americanas e iraquianas no Iraque.

Curiosamente, o líder do WikiLeaks, Julian Assange, não só não se considera um jornalista como recusa com veemência o rótulo, que considera "ofensivo". Porquê? Porque Assange pensa que a esmagadora maioria da imprensa, premeditadamente ou não, não só não fiscaliza os poderes como colabora activamente com eles, escamoteando ou maquilhando as suas práticas mais criticáveis. Um exagero? Talvez. Mas vale a pena, no actual panorama de crise e recessão, quando todos os portugueses têm uma lista de perguntas que gostariam de ver respondidas pelo Governo (sobre as empresas que não pagam impostos, sobre os impostos da banca, sobre a nacionalização do BPN, a política fiscal, o real funcionamento da economia, as razões para o optimismo com que nos regalaram nos últimos dois anos) podemos perguntar-nos a quantas dessas perguntas os media conseguiram responder. Ou quantos nomes foram responsabilizados. Ou quais foram as denúncias que vimos nas páginas dos jornais e nos ecrãs dos noticiários. Existem pequenas excepções singulares, mas contam-se pelos dedos de uma mão. No geral, a imprensa limita-se a reproduzir os discursos existentes na cena política ou económica. Claro que isso significa citar o Governo e a oposição, os patrões e (esporadicamente) os sindicatos, mas a verdade é que isso é dramaticamente insuficiente.

Mais do que saber qual é a mensagem que os protagonistas querem transmitir, o que os cidadãos gostariam de ter é um retrato fiel da situação. Esta crise seria uma ocasião excelente para os media provarem a sua utilidade - para além do consabido "este disse, aquele disse". Todos gostaríamos de saber o que de facto aconteceu com o PEC I e II. Quais as contas reais do país. O que está a acontecer com as parcerias público-privadas (os factos, e não as leituras ideológicas). Com as empresas que não pagam impostos. Com o off-shore da madeira, com as mil e tal fundações privadas que recebem dinheiro dos nossos impostos, com os privilegiados que acumulam pensões e salários, etc. A verdade é que a maioria dos media se encontra ou acantonada num confortável comodismo ou numa quase paralisia imposta por uma draconiana redução de despesas, que impede qualquer investigação. Só que, sem essa investigação, sem essa função irreverente de watchdog, os media apenas repetem as versões que interessam aos poderes. Sobrevivem, mas isso não é vida. A crise que os media estão a atravessar não é alheia a esta situação. Os media parecem empenhados em provar a sua irrelevância, sem perceberem que é esse o caminho que os está a levar à cova.

por Sérgio Lavos
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Sábado, 21 de Agosto de 2010
por Sérgio Lavos
Suécia cancela mandado de captura contra criador da WikiLeaks.

Lá como cá, as autoridades judiciais também se enganam e se precipitam. Mas lá rapidamente corrigem o erro. E assim se prova que Julian Assange está a fazer um excelente trabalho de denúncia, alternativo aos media tradicionais - que parecem ter-se esquecido do jornalismo de investigação desde que paulatinamente começaram a ser aglutinados em grandes grupos de comunicação. Para quando um site semelhante em Portugal? Ah, é verdade, a fuga de informação de processos em curso é pecado, Deus castiga...

por Sérgio Lavos
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Quarta-feira, 24 de Fevereiro de 2010
por Sérgio Lavos


A questão levantada pelo leitor António Barbosa  nos comentários a este post é de facto interessante: na sucessão de trapalhadas em que José Sócrates se tem visto envolvido, muito tem contado o trabalho e, no limite, a palavra dos jornalistas. Quando as primeiras suspeitas sobre o caso Freeport apareceram, houve uma fonte que soprou algo e o jornalista que não investigou, publicando apenas a suspeita; no caso da licenciatura, foi divulgada documentação (pelo jornal Público) que levanta muitas dúvidas, mas o caso, por assim dizer, é apenas acessório e da ordem do carácter do PM, e por isso irrelevante; a compra do apartamento a um preço inferior tem também pouco interesse; finalmente (vamos esquecer todos os outros casos secundários), no processo Face Oculta há uma investigação que envolve escutas a gente próxima do PM, escutas essas que acabam por resgatar do passado as pressões que foram sofridas pela TVI para suspender o incomodativo Jornal de Sexta (relembre-se, incomodativo porque ameaçava revelar indícios do envolvimento de Sócrates no caso Freeport). Pelo meio, há o pequeno furacão iniciado por Mário Crespo - e nesta situação contou apenas a palavra do jornalista, que ainda por cima não ouviu a tal conversa em primeira mão. Agora, Henrique Monteiro afirma que foi pressionado para não publicar uma notícia que desagradava ao PM.

O poder dos jornalistas é real. E, neste caso, parece evidente que muitas vezes esse poder tem chocado com a máquina de propaganda do Governo. Mas não se pode esquecer que um estado democrático também se afirma protegendo a independência dos media perante os outros poderes, o político e o económico, e isso obriga a que os jornalistas sejam credíveis e respeitem o código deontológico da sua profissão. Ora, por que razão devemos desconfiar dos media nesta situação quando, até aqui, sempre confiámos neles? Um exemplo: no auge da campanha anti-Cavaco que o Independente encetou  nos anos 90 não me recordo de alguém ter duvidado das intenções do jornal dirigido por Paulo Portas. É verdade que foram cometidos alguns abusos, mas havia um trabalho sério de investigação na maior parte dos escândalos revelados - talvez se tivesse cedido ao sensacionalismo na forma como eram apresentados, mas isso é outra história. O que mudou, então?

Se aplicarmos a este problema o princípio da lâmina de Occam - a explicação mais simples é quase sempre a correcta - torna-se fácil intuir onde poderá estar a solução para o dilema. O que é mais simples de aceitar: que a maior parte dos media quer prejudicar o PM deliberadamente, de forma "ignominiosa", por razões vagamente oportunistas ou obscuras? Ou que Sócrates está realmente  envolvido em quase todos os casos que foram sendo revelados pela imprensa? Deixamos de achar credível e competente uma classe em que sempre acreditámos para aceitar a palavra de um indivíduo acossado, perseguido pelos seus pecados passados? A escolha não é assim tão difícil.

por Sérgio Lavos
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Quarta-feira, 3 de Fevereiro de 2010
por Pedro Sales


Brilhante paródia à linguagem visual, preguiçosa e repetitiva, presente em quase todas as peças noticiosas dos canais televisivos.

por Pedro Sales
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Sábado, 10 de Janeiro de 2009
por Pedro Sales

Com Gaza encerrada dos olhares indiscretos das objectivas da imprensa mundial, numa sintomática acção de censura do governo israelita, nada como entreter os jornalistas com a visita a uma “aldeia palestiniana” construída por Israel para servir de campo de treino das suas forças militares. Foi assim que o intrépido Cymerman levou os espectadores da SIC à boleia do exército israelita, dando-nos conta da diligência e eficiência das suas forças militares nestes assépticos jogos de guerra. Uma “guerra” sem dor, num cenário virtual sem gritos, sangue e edifícios fumegantes. Guerrilha urbana sem civis e sem inocentes, num magistral momento de manipulação jornalística em formato MTV para vender em horário nobre.

No meio de uma peça de três minutos, onde arranjou tempo para ouvir um general israelita na reserva, o porta-voz do exército e o ministro dos negócios estrangeiros deste país, mas nunca se consegue ouvir ninguém do lado palestiniano, Cymerman parece ter-se lembrado que assina as peças como jornalista e avisa-nos sobre as dificuldades sentidas pela imprensa em obter informação. Uma contrariedade que, no seu caso, se parece resolver com um rápido telefonema para o próximo nome escolhido pelo governo israelita para o tempo de antena diário em que este "jornalista" transformou as peças que envia dos bastidores da guerra. No meio deste contexto "noticioso", comprar os jornais e ainda ter que levar com as crónicas dos autores do costume (*) a criticarem a distorção jornalística contra Israel é mesmo o fim da picada.

(*) normalmente, e não por acaso, os mesmos que defenderam a guerra do Iraque, dizendo que era a única forma de trazer a democracia à região, conter a influência regional do Irão e acelerar o processo de paz na Palestina. Pois...

por Pedro Sales
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Segunda-feira, 1 de Dezembro de 2008
por Pedro Sales



...o Expresso desta semana. "Governo salva BPP para defender imagem de Portugal". Está-se mesmo a ver a "imagem de Portugal" afectada por um banco com 0,2% de quota de mercado, ou a "crise de confiança" criada pela falência de um banco que ninguém conhece. Em todo o caso, compreende-se a razão de ser deste título tão enfático sobre o sentido de Estado do Governo...

por Pedro Sales
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...o Expresso desta semana. "Governo salva BPP para defender imagem de Portugal". Está-se mesmo a ver a "imagem de Portugal" afectada por um banco com 0,2% de quota de mercado, ou a "crise de confiança" criada pela falência de um banco que ninguém conhece. Em todo o caso, compreende-se a razão de ser deste título tão enfático sobre o sentido de Estado do Governo...

por Pedro Sales
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...o Expresso desta semana. "Governo salva BPP para defender imagem de Portugal". Está-se mesmo a ver a "imagem de Portugal" afectada por um banco com 0,2% de quota de mercado, ou a "crise de confiança" criada pela falência de um banco que ninguém conhece. Em todo o caso, compreende-se a razão de ser deste título tão enfático sobre o sentido de Estado do Governo...

por Pedro Sales
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Sexta-feira, 21 de Novembro de 2008
por Pedro Sales



O Conselho de Redacção da Lusa criticou os "contornos censórios" da direcção de informação da agência noticiosa, indicando que o termo "estagnação" foi retirado da notícia que indicava as previsões de crescimento económico de 0,1% para 2009. De acordo com as declarações do director de informação ao Público, a referência à estagnação económica foi retirada pelos editores por que este termo "tanto pode significar um crescimento como uma diminuição próxima do zero". É tudo uma questão de "objectividade", reclama Luís Miguel Viana. Claro, como é que é mais ninguém pensou nisso? Para a objectividade ser total, só se estranha que não tenham obrigado os jornalistas a referir que, graças ao "crescimento económico fulgurante, Portugal apanha parceiros europeus"...

por Pedro Sales
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Terça-feira, 18 de Novembro de 2008
por Pedro Sales



O Google publicou hoje o arquivo fotográfico da revista Life, disponibilizando publicamente um dos maiores acervos fotojornalísticos de todo o mundo. São mais de 10 milhões de fotos e ilustrações desde 1750 até 1970. A página de abertura da colecção explica como é que se pode pesquisar as fotos por tema. Cuidado. Pode ser viciante.

por Pedro Sales
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por Pedro Sales



O Google publicou hoje o arquivo fotográfico da revista Life, disponibilizando publicamente um dos maiores acervos fotojornalísticos de todo o mundo. São mais de 10 milhões de fotos e ilustrações desde 1750 até 1970. A página de abertura da colecção explica como é que se pode pesquisar as fotos por tema. Cuidado. Pode ser viciante.

por Pedro Sales
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O Google publicou hoje o arquivo fotográfico da revista Life, disponibilizando publicamente um dos maiores acervos fotojornalísticos de todo o mundo. São mais de 10 milhões de fotos e ilustrações desde 1750 até 1970. A página de abertura da colecção explica como é que se pode pesquisar as fotos por tema. Cuidado. Pode ser viciante.

por Pedro Sales
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Sexta-feira, 7 de Novembro de 2008
por Pedro Sales


Por uma vez acho que a notícia não deve mesmo ser a arrogante ignorância de Sarah Palin. Não há aí nenhum espanto. A “novidade” é a complacência revelada por uma imprensa que sempre soube destas e doutras gaffes mas que, salvo raras excepções, nunca teve coragem de as denunciar antes do veredicto eleitoral. Se Sarah Palin estivesse neste momento a caminho da Casa Branca, temos muito boas razões para acreditar que continuaríamos sem conhecer esta e as outras histórias que virão a público nos próximos dias.



Este comportamento é cada vez mais típico de uma imprensa que desistiu de fazer o seu trabalho, deixando de ir atrás da história até ao fim da rua, até ao fim do mundo, e que se limita a acreditar que a imparcialidade é passar a mensagem de ambos os protagonistas de cada história. Jornalismo não é confrontar duas narrativas. É contar aos cidadãos o que se passa por detrás da cortinas, procurar e vasculhar o que está por detrás da “verdade” oficial. Fazer jornalismo e não esperar pelos press releases.

por Pedro Sales
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Sábado, 11 de Outubro de 2008
por Pedro Sales
A propósito do encontro que ontem reuniu empresários portugueses e brasileiros, a SIC Notícias apresenta a notícia com o seguinte rodapé: "Recuperação económica, empresários e Sócrates de mãos dadas". Estão a ver como foi fácil sair da crise? Sócrates apertou a mão a uns quantos empresários e o país entra logo num período de prosperidade. Pouco importa que os últimos números apontem para um "crescimento" de 0,1%. Sócrates e os empresários estão de mãos dadas. Agora é que ninguém nos pára...

por Pedro Sales
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Sexta-feira, 10 de Outubro de 2008
por Pedro Sales


por Pedro Sales
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Quarta-feira, 8 de Outubro de 2008
por Pedro Sales



Há duas semanas que corre uma polémica na imprensa e na blogosfera a propósito de uma conversa privada entre o primeiro-ministro e o director do Público, onde este último acusa José Sócrates de o ter pressionado com a nada velada ameaça: "fiquei com uma boa relação com o seu accionista e vamos ver se isso não se altera".

Estas declarações foram conhecidas quando o jornal Expresso divulgou o essencial do "processo Sócrates", que a ERC reteve durante sete longos meses (!), e constam mesmo de uma notícia do Público de 21 de Setembro. Daí para cá o assunto correu meio mundo. Colunas de opinião, blogues, alguns até com direito de resposta da própria ERC, e o Eixo da Mal, na SIC Notícias. Curiosamente, o mesmo José Manuel Fernandes (JMF) que nunca se referiu no seu jornal ao que seria uma evidente pressão política do primeiro-ministro, e que deixou avolumar a polémica até esta chegar à televisão, precisou apenas de duas ou três horas para clarificar as suas declarações depois destas terem sido ontem desmentidas pelo primeiro-ministro no site da ERC. A clarificação, entenda-se, altera totalmente o teor da conversa, como se pode ver pelo confronto das duas versões.

  1. “(O primeiro-ministro) fez uma referência subtil ao facto de ter estabelecido uma boa relação com o eng. Paulo de Azevedo durante a OPA, o que queria dizer: fiquei com uma boa relação com o seu accionista e vamos ver se isso não se altera”

  2. O PM fez então uma referência ao facto de ter estabelecido uma boa relação com o eng. Paulo de Azevedo durante o período que durou a OPA, o que me levou a reflectir sobre o sentido daquela referência e se nela havia alguma mensagem, pois não me pareceu vir a propósito”.


O que, originalmente era uma inaceitável pressão política do PM sobre o caminho que estava a ser trilhado pelo jornal torna-se, de repente, numa reflexão de JMF sobre o significado de uma frase no meio de uma conversa, subitamente amputada da parte mais comprometedora (o “vamos ver se isso não se altera”). Esta confusão começa a tornar-se ainda mais caricata quando se percebe que JMF, que há duas semanas dizia ao provedor do seu jornal que não se lembrava do que tinha dito originalmente na audição, e que, na dúvida, “o que valiam eram as actas”, desmente a sua versão escassas horas depois dela ter sido posta em causa pelo primeiro-ministro. De repente, fez-se luz para JMF. É estranho o poder que determinados actos exercem na memória das pessoas, mais parecendo um autêntico choque vitamínico de fósforo.

E esta é a parte mais complicada para o director do Público. JMF não se importou de ver a bola de neve crescer, mesmo não tendo a certeza sobre o teor da conversa num tema tão melindroso como a pressão política sobre a linha editorial de um jornal, mas corre a adocicar a sua posição mal o primeiro-ministro o desmente publicamente. Não há como contornar. JMF sabia que a versão que corria não correspondia ao que se tinha passado e esteve calado. Aqui chegados, vale a pena fazer um exercício. E se não se tratasse do PM, mas de qualquer outro político ou figura pública menos sonante, será que José Manuel Fernandes alteraria a sua palavra? Melhor. Que garantias temos nós, como leitores do Público, que o seu circunspecto director não fez o mesmo no passado, com a possível agravante de ter permanecido calado enquanto o nome de alguém corria o caminho da pasta medicinal Couto? Quanto ao exemplo deontológico e valor da palavra de JMF estamos conversados.

Quando tantos, a começar por José Sócrates e António Costa, associam a blogosfera à criação de boatos, vale pôr os olhos neste exemplo para perceber como eles começam onde menos se espera. O mais engraçado é ser preciso aparecer José Sócrates, muito justamente um dos portugueses cuja palavra deve apresentar o menor valor facial, para apanhar JMF nas suas próprias efabulações.

Actualização: Alertado pelo Gabriel Silva na caixa de comentários deste post, reparo que a clarificação de José Manuel Fernandes à ERC não foi feita umas horas depois da carta do primeiro ministro, tendo ocorrido previamente. O erro da ERC, que trocou as declarações, é ainda mais grave, mas a questão de fundo mantém-se. José Manuel Fernandes deixou correr desde 20 de Setembro uma história que tinha a obrigação de saber que não era verdade. Mais a mais quando o seu jornal dá corpo à notícia, cita a frase de JMF e este até responde ao provedor como se a declaração fosse correcta. JMF diz que não se lembra da frase original. Talvez. Mas, se não se lembrava tinha a obrigação de ver o que tinha corrigido na nova versão que enviou para a ERC. Ou será que o director de um jornal não guarda os documentos que escreve para a entidade reguladora? Nunca foi ver? Deixou a bola de neve crescer e ficou calado. É assim que começam os boatos e essa é uma posição insustentável para um director de um órgão de informação. Para além do amadorismo da ERC, JMF não fica nada bem na fotografia.

Leitura complementar: uma oferta que ele não podia recusar, por Fernanda Câncio, mais centrada no papel do provedor do Público.

Nota adicional: Sobre a ERC está tudo dito. O gravador não funciona, as actas são truncadas, as versões enviada aos jornais são transviadas. Já conhecíamos a metodologia mais que questionável, os seus modos arrogantes e a ambição controladora, agora conhecemos a absoluta incompetência técnica. As duas juntas são a melhor receita para o desastre.

por Pedro Sales
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por Pedro Sales



Há duas semanas que corre uma polémica na imprensa e na blogosfera a propósito de uma conversa privada entre o primeiro-ministro e o director do Público, onde este último acusa José Sócrates de o ter pressionado com a nada velada ameaça: "fiquei com uma boa relação com o seu accionista e vamos ver se isso não se altera".

Estas declarações foram conhecidas quando o jornal Expresso divulgou o essencial do "processo Sócrates", que a ERC reteve durante sete longos meses (!), e constam mesmo de uma notícia do Público de 21 de Setembro. Daí para cá o assunto correu meio mundo. Colunas de opinião, blogues, alguns até com direito de resposta da própria ERC, e o Eixo da Mal, na SIC Notícias. Curiosamente, o mesmo José Manuel Fernandes (JMF) que nunca se referiu no seu jornal ao que seria uma evidente pressão política do primeiro-ministro, e que deixou avolumar a polémica até esta chegar à televisão, precisou apenas de duas ou três horas para clarificar as suas declarações depois destas terem sido ontem desmentidas pelo primeiro-ministro no site da ERC. A clarificação, entenda-se, altera totalmente o teor da conversa, como se pode ver pelo confronto das duas versões.

  1. “(O primeiro-ministro) fez uma referência subtil ao facto de ter estabelecido uma boa relação com o eng. Paulo de Azevedo durante a OPA, o que queria dizer: fiquei com uma boa relação com o seu accionista e vamos ver se isso não se altera”

  2. O PM fez então uma referência ao facto de ter estabelecido uma boa relação com o eng. Paulo de Azevedo durante o período que durou a OPA, o que me levou a reflectir sobre o sentido daquela referência e se nela havia alguma mensagem, pois não me pareceu vir a propósito”.


O que, originalmente era uma inaceitável pressão política do PM sobre o caminho que estava a ser trilhado pelo jornal torna-se, de repente, numa reflexão de JMF sobre o significado de uma frase no meio de uma conversa, subitamente amputada da parte mais comprometedora (o “vamos ver se isso não se altera”). Esta confusão começa a tornar-se ainda mais caricata quando se percebe que JMF, que há duas semanas dizia ao provedor do seu jornal que não se lembrava do que tinha dito originalmente na audição, e que, na dúvida, “o que valiam eram as actas”, desmente a sua versão escassas horas depois dela ter sido posta em causa pelo primeiro-ministro. De repente, fez-se luz para JMF. É estranho o poder que determinados actos exercem na memória das pessoas, mais parecendo um autêntico choque vitamínico de fósforo.

E esta é a parte mais complicada para o director do Público. JMF não se importou de ver a bola de neve crescer, mesmo não tendo a certeza sobre o teor da conversa num tema tão melindroso como a pressão política sobre a linha editorial de um jornal, mas corre a adocicar a sua posição mal o primeiro-ministro o desmente publicamente. Não há como contornar. JMF sabia que a versão que corria não correspondia ao que se tinha passado e esteve calado. Aqui chegados, vale a pena fazer um exercício. E se não se tratasse do PM, mas de qualquer outro político ou figura pública menos sonante, será que José Manuel Fernandes alteraria a sua palavra? Melhor. Que garantias temos nós, como leitores do Público, que o seu circunspecto director não fez o mesmo no passado, com a possível agravante de ter permanecido calado enquanto o nome de alguém corria o caminho da pasta medicinal Couto? Quanto ao exemplo deontológico e valor da palavra de JMF estamos conversados.

Quando tantos, a começar por José Sócrates e António Costa, associam a blogosfera à criação de boatos, vale pôr os olhos neste exemplo para perceber como eles começam onde menos se espera. O mais engraçado é ser preciso aparecer José Sócrates, muito justamente um dos portugueses cuja palavra deve apresentar o menor valor facial, para apanhar JMF nas suas próprias efabulações.

Actualização: Alertado pelo Gabriel Silva na caixa de comentários deste post, reparo que a clarificação de José Manuel Fernandes à ERC não foi feita umas horas depois da carta do primeiro ministro, tendo ocorrido previamente. O erro da ERC, que trocou as declarações, é ainda mais grave, mas a questão de fundo mantém-se. José Manuel Fernandes deixou correr desde 20 de Setembro uma história que tinha a obrigação de saber que não era verdade. Mais a mais quando o seu jornal dá corpo à notícia, cita a frase de JMF e este até responde ao provedor como se a declaração fosse correcta. JMF diz que não se lembra da frase original. Talvez. Mas, se não se lembrava tinha a obrigação de ver o que tinha corrigido na nova versão que enviou para a ERC. Ou será que o director de um jornal não guarda os documentos que escreve para a entidade reguladora? Nunca foi ver? Deixou a bola de neve crescer e ficou calado. É assim que começam os boatos e essa é uma posição insustentável para um director de um órgão de informação. Para além do amadorismo da ERC, JMF não fica nada bem na fotografia.

Leitura complementar: uma oferta que ele não podia recusar, por Fernanda Câncio, mais centrada no papel do provedor do Público.

Nota adicional: Sobre a ERC está tudo dito. O gravador não funciona, as actas são truncadas, as versões enviada aos jornais são transviadas. Já conhecíamos a metodologia mais que questionável, os seus modos arrogantes e a ambição controladora, agora conhecemos a absoluta incompetência técnica. As duas juntas são a melhor receita para o desastre.

por Pedro Sales
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Há duas semanas que corre uma polémica na imprensa e na blogosfera a propósito de uma conversa privada entre o primeiro-ministro e o director do Público, onde este último acusa José Sócrates de o ter pressionado com a nada velada ameaça: "fiquei com uma boa relação com o seu accionista e vamos ver se isso não se altera".

Estas declarações foram conhecidas quando o jornal Expresso divulgou o essencial do "processo Sócrates", que a ERC reteve durante sete longos meses (!), e constam mesmo de uma notícia do Público de 21 de Setembro. Daí para cá o assunto correu meio mundo. Colunas de opinião, blogues, alguns até com direito de resposta da própria ERC, e o Eixo da Mal, na SIC Notícias. Curiosamente, o mesmo José Manuel Fernandes (JMF) que nunca se referiu no seu jornal ao que seria uma evidente pressão política do primeiro-ministro, e que deixou avolumar a polémica até esta chegar à televisão, precisou apenas de duas ou três horas para clarificar as suas declarações depois destas terem sido ontem desmentidas pelo primeiro-ministro no site da ERC. A clarificação, entenda-se, altera totalmente o teor da conversa, como se pode ver pelo confronto das duas versões.

  1. “(O primeiro-ministro) fez uma referência subtil ao facto de ter estabelecido uma boa relação com o eng. Paulo de Azevedo durante a OPA, o que queria dizer: fiquei com uma boa relação com o seu accionista e vamos ver se isso não se altera”

  2. O PM fez então uma referência ao facto de ter estabelecido uma boa relação com o eng. Paulo de Azevedo durante o período que durou a OPA, o que me levou a reflectir sobre o sentido daquela referência e se nela havia alguma mensagem, pois não me pareceu vir a propósito”.


O que, originalmente era uma inaceitável pressão política do PM sobre o caminho que estava a ser trilhado pelo jornal torna-se, de repente, numa reflexão de JMF sobre o significado de uma frase no meio de uma conversa, subitamente amputada da parte mais comprometedora (o “vamos ver se isso não se altera”). Esta confusão começa a tornar-se ainda mais caricata quando se percebe que JMF, que há duas semanas dizia ao provedor do seu jornal que não se lembrava do que tinha dito originalmente na audição, e que, na dúvida, “o que valiam eram as actas”, desmente a sua versão escassas horas depois dela ter sido posta em causa pelo primeiro-ministro. De repente, fez-se luz para JMF. É estranho o poder que determinados actos exercem na memória das pessoas, mais parecendo um autêntico choque vitamínico de fósforo.

E esta é a parte mais complicada para o director do Público. JMF não se importou de ver a bola de neve crescer, mesmo não tendo a certeza sobre o teor da conversa num tema tão melindroso como a pressão política sobre a linha editorial de um jornal, mas corre a adocicar a sua posição mal o primeiro-ministro o desmente publicamente. Não há como contornar. JMF sabia que a versão que corria não correspondia ao que se tinha passado e esteve calado. Aqui chegados, vale a pena fazer um exercício. E se não se tratasse do PM, mas de qualquer outro político ou figura pública menos sonante, será que José Manuel Fernandes alteraria a sua palavra? Melhor. Que garantias temos nós, como leitores do Público, que o seu circunspecto director não fez o mesmo no passado, com a possível agravante de ter permanecido calado enquanto o nome de alguém corria o caminho da pasta medicinal Couto? Quanto ao exemplo deontológico e valor da palavra de JMF estamos conversados.

Quando tantos, a começar por José Sócrates e António Costa, associam a blogosfera à criação de boatos, vale pôr os olhos neste exemplo para perceber como eles começam onde menos se espera. O mais engraçado é ser preciso aparecer José Sócrates, muito justamente um dos portugueses cuja palavra deve apresentar o menor valor facial, para apanhar JMF nas suas próprias efabulações.

Actualização: Alertado pelo Gabriel Silva na caixa de comentários deste post, reparo que a clarificação de José Manuel Fernandes à ERC não foi feita umas horas depois da carta do primeiro ministro, tendo ocorrido previamente. O erro da ERC, que trocou as declarações, é ainda mais grave, mas a questão de fundo mantém-se. José Manuel Fernandes deixou correr desde 20 de Setembro uma história que tinha a obrigação de saber que não era verdade. Mais a mais quando o seu jornal dá corpo à notícia, cita a frase de JMF e este até responde ao provedor como se a declaração fosse correcta. JMF diz que não se lembra da frase original. Talvez. Mas, se não se lembrava tinha a obrigação de ver o que tinha corrigido na nova versão que enviou para a ERC. Ou será que o director de um jornal não guarda os documentos que escreve para a entidade reguladora? Nunca foi ver? Deixou a bola de neve crescer e ficou calado. É assim que começam os boatos e essa é uma posição insustentável para um director de um órgão de informação. Para além do amadorismo da ERC, JMF não fica nada bem na fotografia.

Leitura complementar: uma oferta que ele não podia recusar, por Fernanda Câncio, mais centrada no papel do provedor do Público.

Nota adicional: Sobre a ERC está tudo dito. O gravador não funciona, as actas são truncadas, as versões enviada aos jornais são transviadas. Já conhecíamos a metodologia mais que questionável, os seus modos arrogantes e a ambição controladora, agora conhecemos a absoluta incompetência técnica. As duas juntas são a melhor receita para o desastre.

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Terça-feira, 7 de Outubro de 2008
por Pedro Sales



“Mas gostava também de falar nos offshores, que não sei porquê ninguém falou aqui, mas acho que também é outro aspecto que temos que ter presente.” António Mendonça, presidente do ISEG.


Foi com esta frase, já corriam os créditos do programa, que terminou mais uma edição do Prós e Contras, ontem dedicada à crise financeira. Duas horas inteirinhas a debater a crise dos mercados financeiros e nem uma alminha a falar uma vez que fosse na desregulação dos mercados ou nos buracos negros em que se tornaram os offshores financeiros. O espanto dura apenas até se perceber os nomes convidados pela RTP: Daniel Bessa, Francisco Van Zeller, o presidente da AIP, e por aí fora. Ninguém falou dos offshores? A sério? Olhando para o pluralismo das vozes escolhidas pela RTP, quem diria?

por Pedro Sales
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“Mas gostava também de falar nos offshores, que não sei porquê ninguém falou aqui, mas acho que também é outro aspecto que temos que ter presente.” António Mendonça, presidente do ISEG.


Foi com esta frase, já corriam os créditos do programa, que terminou mais uma edição do Prós e Contras, ontem dedicada à crise financeira. Duas horas inteirinhas a debater a crise dos mercados financeiros e nem uma alminha a falar uma vez que fosse na desregulação dos mercados ou nos buracos negros em que se tornaram os offshores financeiros. O espanto dura apenas até se perceber os nomes convidados pela RTP: Daniel Bessa, Francisco Van Zeller, o presidente da AIP, e por aí fora. Ninguém falou dos offshores? A sério? Olhando para o pluralismo das vozes escolhidas pela RTP, quem diria?

por Pedro Sales
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“Mas gostava também de falar nos offshores, que não sei porquê ninguém falou aqui, mas acho que também é outro aspecto que temos que ter presente.” António Mendonça, presidente do ISEG.


Foi com esta frase, já corriam os créditos do programa, que terminou mais uma edição do Prós e Contras, ontem dedicada à crise financeira. Duas horas inteirinhas a debater a crise dos mercados financeiros e nem uma alminha a falar uma vez que fosse na desregulação dos mercados ou nos buracos negros em que se tornaram os offshores financeiros. O espanto dura apenas até se perceber os nomes convidados pela RTP: Daniel Bessa, Francisco Van Zeller, o presidente da AIP, e por aí fora. Ninguém falou dos offshores? A sério? Olhando para o pluralismo das vozes escolhidas pela RTP, quem diria?

por Pedro Sales
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Segunda-feira, 22 de Setembro de 2008
por Pedro Sales



José Manuel Fernandes, no editorial de ontem no Público, critica as “prioridades” e os “timings” de quem coloca na “agenda política” temas como o divórcio ou o casamento entre pessoas do mesmo sexo, quando, de acordo com o último eurobarómetro, o que preocupa os portugueses é “o desemprego, a inflação, a situação económica, o sistema de saúde e os impostos”. O povo, como se sabe, tem que se concentrar obsessivamente nas suas principais preocupações, não se vá dar o caso de esquecer o preço dos combustíveis, o aumento das taxas de juro, ou o Estatuto dos Açores que tanto preocupa Cavaco Silva e o director do Público.

Mas o que espanta no editorial de José Manuel Fernandes é mesmo a critica que faz às prioridades de agenda, mais não seja por parecer que está a criticar a sistemática desantenção a que o seu jornal tem votado o tão elogiado eurobarómeto. Senão vejamos. No dia seguinte à discussão no Parlamento do Código de Trabalho, a capa do Público fez manchete dizendo que os “deputados do PS querem voto livre para os casamentos homossexuais”, ao mesmo tempo que remeteu a discussão laboral para três colunas na obscura página 39. A fotografia que ocupava metade da capa? A captura em Sesimbra de um peixe com 419 quilos... O que eu gostava de saber o lugar que ocupa a pesca desportiva no eurobarómetro.

por Pedro Sales
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por Pedro Sales



José Manuel Fernandes, no editorial de ontem no Público, critica as “prioridades” e os “timings” de quem coloca na “agenda política” temas como o divórcio ou o casamento entre pessoas do mesmo sexo, quando, de acordo com o último eurobarómetro, o que preocupa os portugueses é “o desemprego, a inflação, a situação económica, o sistema de saúde e os impostos”. O povo, como se sabe, tem que se concentrar obsessivamente nas suas principais preocupações, não se vá dar o caso de esquecer o preço dos combustíveis, o aumento das taxas de juro, ou o Estatuto dos Açores que tanto preocupa Cavaco Silva e o director do Público.

Mas o que espanta no editorial de José Manuel Fernandes é mesmo a critica que faz às prioridades de agenda, mais não seja por parecer que está a criticar a sistemática desantenção a que o seu jornal tem votado o tão elogiado eurobarómeto. Senão vejamos. No dia seguinte à discussão no Parlamento do Código de Trabalho, a capa do Público fez manchete dizendo que os “deputados do PS querem voto livre para os casamentos homossexuais”, ao mesmo tempo que remeteu a discussão laboral para três colunas na obscura página 39. A fotografia que ocupava metade da capa? A captura em Sesimbra de um peixe com 419 quilos... O que eu gostava de saber o lugar que ocupa a pesca desportiva no eurobarómetro.

por Pedro Sales
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José Manuel Fernandes, no editorial de ontem no Público, critica as “prioridades” e os “timings” de quem coloca na “agenda política” temas como o divórcio ou o casamento entre pessoas do mesmo sexo, quando, de acordo com o último eurobarómetro, o que preocupa os portugueses é “o desemprego, a inflação, a situação económica, o sistema de saúde e os impostos”. O povo, como se sabe, tem que se concentrar obsessivamente nas suas principais preocupações, não se vá dar o caso de esquecer o preço dos combustíveis, o aumento das taxas de juro, ou o Estatuto dos Açores que tanto preocupa Cavaco Silva e o director do Público.

Mas o que espanta no editorial de José Manuel Fernandes é mesmo a critica que faz às prioridades de agenda, mais não seja por parecer que está a criticar a sistemática desantenção a que o seu jornal tem votado o tão elogiado eurobarómeto. Senão vejamos. No dia seguinte à discussão no Parlamento do Código de Trabalho, a capa do Público fez manchete dizendo que os “deputados do PS querem voto livre para os casamentos homossexuais”, ao mesmo tempo que remeteu a discussão laboral para três colunas na obscura página 39. A fotografia que ocupava metade da capa? A captura em Sesimbra de um peixe com 419 quilos... O que eu gostava de saber o lugar que ocupa a pesca desportiva no eurobarómetro.

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Sábado, 20 de Setembro de 2008
por Pedro Sales


(clicar na imagem para ver a reportagem da rtp)



Há dois dias que a imprensa fala da instalação em Portugal de uma réplica de uma das maiores organizações criminosas brasileiras, o Primeiro Comando da Capital, responsável por centenas de homicídios e sequestros. Segundo o Correio da Manhã, que é de onde parte a informação, serão centenas os jovens que vieram das favelas brasileiras para a Margem Sul de Lisboa e criaram o Primeiro Comando de Portugal. A fonte para tão bombástica e alarmante notícia? Fontes policiais, municipais, os habitantes do bairro? Nada disso. Um vídeo do Youtube, entretanto retirado, onde se pode ver uns jovens em atitude gabarola e com uma pose e linguagem agressiva. Vídeo esse onde não se vê nenhuma identificação que permita perceber que as imagens são referentes a Portugal. Pode ter sido filmado aqui, no Brasil, ou em qualquer país onde faça sol.

Como diz o Gabinete Coordenador de Segurança, a notícia não passa de “imaginação fértil”, até porque “comparar a situação em Portugal com o que se vive nas favelas das grandes cidades brasileiras não tem hipóteses de semelhança”. Mas nada disso importa. Se houve um brasileiro alegadamente envolvido nos crimes que agitaram o mês de Agosto, e vive na margem sul, é porque a "máfia das favelas entra em Portugal". Quando não há assaltos a caixas multibanco e a churrasqueiras vai-se desencantar uns vídeos ao Youtube para continuar o festim, nem que seja preciso desprezar todas as regras da investigação e ética jornalística.

Vale a pena ler o comunicado da Casa do Brasil.

por Pedro Sales
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por Pedro Sales


(clicar na imagem para ver a reportagem da rtp)



Há dois dias que a imprensa fala da instalação em Portugal de uma réplica de uma das maiores organizações criminosas brasileiras, o Primeiro Comando da Capital, responsável por centenas de homicídios e sequestros. Segundo o Correio da Manhã, que é de onde parte a informação, serão centenas os jovens que vieram das favelas brasileiras para a Margem Sul de Lisboa e criaram o Primeiro Comando de Portugal. A fonte para tão bombástica e alarmante notícia? Fontes policiais, municipais, os habitantes do bairro? Nada disso. Um vídeo do Youtube, entretanto retirado, onde se pode ver uns jovens em atitude gabarola e com uma pose e linguagem agressiva. Vídeo esse onde não se vê nenhuma identificação que permita perceber que as imagens são referentes a Portugal. Pode ter sido filmado aqui, no Brasil, ou em qualquer país onde faça sol.

Como diz o Gabinete Coordenador de Segurança, a notícia não passa de “imaginação fértil”, até porque “comparar a situação em Portugal com o que se vive nas favelas das grandes cidades brasileiras não tem hipóteses de semelhança”. Mas nada disso importa. Se houve um brasileiro alegadamente envolvido nos crimes que agitaram o mês de Agosto, e vive na margem sul, é porque a "máfia das favelas entra em Portugal". Quando não há assaltos a caixas multibanco e a churrasqueiras vai-se desencantar uns vídeos ao Youtube para continuar o festim, nem que seja preciso desprezar todas as regras da investigação e ética jornalística.

Vale a pena ler o comunicado da Casa do Brasil.

por Pedro Sales
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(clicar na imagem para ver a reportagem da rtp)



Há dois dias que a imprensa fala da instalação em Portugal de uma réplica de uma das maiores organizações criminosas brasileiras, o Primeiro Comando da Capital, responsável por centenas de homicídios e sequestros. Segundo o Correio da Manhã, que é de onde parte a informação, serão centenas os jovens que vieram das favelas brasileiras para a Margem Sul de Lisboa e criaram o Primeiro Comando de Portugal. A fonte para tão bombástica e alarmante notícia? Fontes policiais, municipais, os habitantes do bairro? Nada disso. Um vídeo do Youtube, entretanto retirado, onde se pode ver uns jovens em atitude gabarola e com uma pose e linguagem agressiva. Vídeo esse onde não se vê nenhuma identificação que permita perceber que as imagens são referentes a Portugal. Pode ter sido filmado aqui, no Brasil, ou em qualquer país onde faça sol.

Como diz o Gabinete Coordenador de Segurança, a notícia não passa de “imaginação fértil”, até porque “comparar a situação em Portugal com o que se vive nas favelas das grandes cidades brasileiras não tem hipóteses de semelhança”. Mas nada disso importa. Se houve um brasileiro alegadamente envolvido nos crimes que agitaram o mês de Agosto, e vive na margem sul, é porque a "máfia das favelas entra em Portugal". Quando não há assaltos a caixas multibanco e a churrasqueiras vai-se desencantar uns vídeos ao Youtube para continuar o festim, nem que seja preciso desprezar todas as regras da investigação e ética jornalística.

Vale a pena ler o comunicado da Casa do Brasil.

por Pedro Sales
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Quinta-feira, 18 de Setembro de 2008
por Pedro Sales
Braga: esfaqueamento mortal adiado para 13 Novembro.

por Pedro Sales
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Segunda-feira, 16 de Junho de 2008
por Daniel Oliveira


Ontem, o Diário de Notícias publicou, na primeira página, uma fotografia em que aparece a cara do bébé raptado em Penafiel. A nova direcção do DN quer mesmo mostrar naquilo em que transformou este jornal, não cumprindo sequer as regras mínimas e consensuais da deontologia profissional e da decência.

Apesar da capa estar em miniatura, a cara foi tapada por mim.

por Daniel Oliveira
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Segunda-feira, 2 de Junho de 2008
por Daniel Oliveira



“E agora Cavaco Silva vai ter a honra de cumprimentar a selecção”
Comentário de um jornalista da SIC, segundo um comentador do Arrastão


por Daniel Oliveira
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Quarta-feira, 28 de Maio de 2008
por Daniel Oliveira
Principais queixas: a RTP beneficia o governo; o Bloco de Esquerda é levado ao colo.
Principais conclusões da ERC em relação ao ano de 2007: a SIC dá mais espaço ao PS e ao governo do que a RTP; com votações semelhantes ao CDS e ao PCP, o BE tem de três a cinco vezes menos notícias que o CDS e três vezes menos do que o PCP.


por Daniel Oliveira
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