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Arrastão: Os suspeitos do costume.

A culpa é das pessoas homossexuais do mesmo sexo que vivem juntas

Sérgio Lavos, 17.05.13

A Maria Teixeira Alves, jornalista do Diário Económico, já encontrou a razão para todas as manifs e todos os "actos de terrorismo de interrupção": a "adopção de crianças por duas pessoas homossexuais do mesmo sexo que vivam juntas". Deixemo-la; todos têm direito à sua felicidade, sempre defendi isso.

"Os ignóbeis socialistas e bloquistas vão levar amanhã mais uma vez a adopção de crianças por duas pessoas homossexuais do mesmo sexo que vivam juntas, ao Parlamento. Não se enganem, todas as manifs, todos os Grandolas Vilas Morenas, todos os Galambas e Dragos, todos os actos de terrorismo de interrupção de membros do Governo em actos públicos, têm um único objectivo "dar crianças aos homossexuais"."


Adenda: mais dois posts indignados. Alguém ajude por favor a Maria Teixeira Alves; está claramente a descompensar.

Orgulho

Sérgio Lavos, 17.05.13

Se há coisa de que nós, portugueses, nos podemos orgulhar, é de termos das leis mais progressistas no que diz respeito aos direitos dos homossexuais. Hoje, foi dado mais um passo, com a aprovação do projecto de co-adopção por casais do mesmo sexo. É verdade que com esta aprovação se mantém a hipocrisia legal de a adopção ser permitida se for feita em nome individual, mas não pelo casal, mas, convenhamos, um passo de cada vez já é muito importante. Falta pouco para a plena cidadania. De notar que a lei passou com os votos a favor do BE, dos Verdes e do PCP (que mudou o seu sentido de voto desde a última vez), da maioria dos deputados do PS (três abstenções, três votos contra) e de dezasseis votos a favor no PSD e três abstenções, assim como três abstenções no CDS-PP. O país hoje está de parabéns.

Vale a pena lutar

Sérgio Lavos, 31.03.12

Graças à pressão de dezenas de movimentos sociais, o concerto que o rapper Sizzla ia dar em Portugal foi cancelado. Os tais movimentos sociais que muitos sectores da sociedade, incluindo alguma esquerda, não querem perceber, mostram a importância que podem ter e que nem tudo passa se o número suficiente de pessoas se juntar e protestar. 

A polémica surgiu depois do cancelamento de concertos em Estocolmo e Barcelona. O rapper é conhecido pelo seu discurso homofóbico e pelo incitamento à violência contra homossexuais. 

Ainda a adopção por casais do mesmo sexo

Miguel Cardina, 28.02.12

Em Janeiro de 2010, quando o Parlamento aprovou o casamento entre pessoas do mesmo sexo, introduziu-se uma cláusula discriminatória na lei: os homossexuais podem casar mas não podem adoptar. Ou melhor, casando deixam de poder adoptar, uma vez que no longo processo que culmina na adopção de crianças institucionalizadas não consta que haja um teste à justeza heterossexual. Esta situação, além de anacrónica, mais não faz do que reforçar estereótipos fortemente homofóbicos, como o que associa a homossexualidade à pedofilia. E, exactamente ao contrário do que se diz, não está centrada no interesse da criança, que é em primeiro lugar o de receber amor, educação e acolhimento da parte de quem está comprometido a fazê-lo. Ou, em alguns casos, de ver reconhecida por inteiro a família que já é a sua. Foi para resolver esta situção que na semana passada se apresentaram as iniciativas legislativas do Bloco de Esquerda e de Os Verdes. Sem sucesso, como sabemos. A direita votou contra (com algumas excepções) e o PS dividiu-se entre os votos a favor (a maioria), as abstenções e os votos contra. O PCP votou contra, alegando que a sociedade não estava ainda preparada para essa aprovação. A este respeito, espero sinceramente que o PCP não abandone a política em detrimento da metereologia, sob pena da esquerda minguar ainda mais em alguns domínios. Entretanto, e para reflexão, aqui fica uma breve e clarificadora entrevista à psicóloga Conceição Nogueira para nos lembrarmos de como abdicámos na semana passada de ser uma sociedade um bocadinho mais decente.

 

 

PS - O Paulo Jorge Vieira remete muito oportunamente para um estudo de Conceição Nogueira sobre o tema.

Longa espera

Daniel Oliveira, 18.06.08


Depois do Supremo Tribunal da Califórnia ter, há um mês, declarado inconstitucionais as leis estaduais que proíbem o casamento entre pessoas do mesmo sexo, começaram, na segunda-feira, as primeiras cerimónias. Del Martin, com 87 anos, e Phyllis Lyon, de 83, que vivem juntas há 55 anos, puderam finalmente casar-se na Câmara Municipal de São Francisco.

As vítimas esquecidas

Daniel Oliveira, 27.05.08

Foi hoje inaugurado em Berlim o memorial aos homossexuais vítimas do Holocausto, os perseguidos pelos nazis eternamente esquecidos. 54 mil foram para campos de concentração. Aqueles que a memória conseguiu apagar tornando assim e ainda tolerável aos olhos de tantos a homofobia.

A homossexualidade permaneceu ilegal na Alemanha até 1969 e só em 1994 foi formalmente descriminalizada. Só em 2000 o Parlamento alemão aprovou uma resolução reconhecendo que a descriminação existira. O memorial teve de esperar por um presidente de câmara gay para ser construido.

O Estado não dá os mesmos direitos aos homossexuais que dá aos heterossexuais porque não se quer meter na vida deles

Daniel Oliveira, 16.05.08
Questionado sobre a possibilidade de pessoas do mesmo sexo se poderem casar, Santa Lopes respondeu que “vivemos numa sociedade livre que respeita a intimidade das relações de cada cidadão", acrescentando: «O Estado, enquanto regulador da vida dos portugueses, não deve intervir nesse âmbito, de onde se conclui que não sou a favor da oficialização de casamentos entre pessoas do mesmo sexo».

De onde concluo que não devendo o Estado intervir neste âmbito, o da intimidade das relações de cada cidadão, Santana Lopes também é contra o casamento entre pessoas de sexo diferente. Ou a intimidade dos heterossexuais é menos intima do que a dos homossexuais?

Uma boa notícia: Passos Coelho e Neto da Silva concordam com a existência de um contrato com os mesmos direitos e deveres do casamento para pessoas do mesmo sexo. Só não lhe querem chamar de casamento. Apesar de ser a mesmíssima coisa, parece que o nome já foi patenteado. Ainda assim, a direita portuguesa parece estar a evoluir.

Sobre este assunto, Patinha Antão quer que se lance um debate mas parece não quer participar nele e nada diz sobre o assunto. Manuela Ferreira Leite não fala, nem sobre este assunto nem sobre nenhum outro. É o estilo cavaquista: opiniões, só depois dos votos.

Podemos bombardear países em nome dos direitos humanos. Esquecer a burocracia é que nunca!

Daniel Oliveira, 26.02.08