Sexta-feira, 17 de Maio de 2013
por Sérgio Lavos

A Maria Teixeira Alves, jornalista do Diário Económico, já encontrou a razão para todas as manifs e todos os "actos de terrorismo de interrupção": a "adopção de crianças por duas pessoas homossexuais do mesmo sexo que vivam juntas". Deixemo-la; todos têm direito à sua felicidade, sempre defendi isso.

"Os ignóbeis socialistas e bloquistas vão levar amanhã mais uma vez a adopção de crianças por duas pessoas homossexuais do mesmo sexo que vivam juntas, ao Parlamento. Não se enganem, todas as manifs, todos os Grandolas Vilas Morenas, todos os Galambas e Dragos, todos os actos de terrorismo de interrupção de membros do Governo em actos públicos, têm um único objectivo "dar crianças aos homossexuais"."


Adenda: mais dois posts indignados. Alguém ajude por favor a Maria Teixeira Alves; está claramente a descompensar.


por Sérgio Lavos
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por Sérgio Lavos

Se há coisa de que nós, portugueses, nos podemos orgulhar, é de termos das leis mais progressistas no que diz respeito aos direitos dos homossexuais. Hoje, foi dado mais um passo, com a aprovação do projecto de co-adopção por casais do mesmo sexo. É verdade que com esta aprovação se mantém a hipocrisia legal de a adopção ser permitida se for feita em nome individual, mas não pelo casal, mas, convenhamos, um passo de cada vez já é muito importante. Falta pouco para a plena cidadania. De notar que a lei passou com os votos a favor do BE, dos Verdes e do PCP (que mudou o seu sentido de voto desde a última vez), da maioria dos deputados do PS (três abstenções, três votos contra) e de dezasseis votos a favor no PSD e três abstenções, assim como três abstenções no CDS-PP. O país hoje está de parabéns.

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por Sérgio Lavos
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Terça-feira, 10 de Abril de 2012
por Sérgio Lavos

 

 

Homofóbicos escondem atração por pessoas do mesmo sexo.

 

E agora, caro arquitecto? Coragem, vá lá, a ciência até está do seu lado.

 

(Imagem daqui.)

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por Sérgio Lavos
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Sábado, 31 de Março de 2012
por Sérgio Lavos

Graças à pressão de dezenas de movimentos sociais, o concerto que o rapper Sizzla ia dar em Portugal foi cancelado. Os tais movimentos sociais que muitos sectores da sociedade, incluindo alguma esquerda, não querem perceber, mostram a importância que podem ter e que nem tudo passa se o número suficiente de pessoas se juntar e protestar. 

A polémica surgiu depois do cancelamento de concertos em Estocolmo e Barcelona. O rapper é conhecido pelo seu discurso homofóbico e pelo incitamento à violência contra homossexuais. 

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por Sérgio Lavos
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Terça-feira, 28 de Fevereiro de 2012
por Miguel Cardina

Em Janeiro de 2010, quando o Parlamento aprovou o casamento entre pessoas do mesmo sexo, introduziu-se uma cláusula discriminatória na lei: os homossexuais podem casar mas não podem adoptar. Ou melhor, casando deixam de poder adoptar, uma vez que no longo processo que culmina na adopção de crianças institucionalizadas não consta que haja um teste à justeza heterossexual. Esta situação, além de anacrónica, mais não faz do que reforçar estereótipos fortemente homofóbicos, como o que associa a homossexualidade à pedofilia. E, exactamente ao contrário do que se diz, não está centrada no interesse da criança, que é em primeiro lugar o de receber amor, educação e acolhimento da parte de quem está comprometido a fazê-lo. Ou, em alguns casos, de ver reconhecida por inteiro a família que já é a sua. Foi para resolver esta situção que na semana passada se apresentaram as iniciativas legislativas do Bloco de Esquerda e de Os Verdes. Sem sucesso, como sabemos. A direita votou contra (com algumas excepções) e o PS dividiu-se entre os votos a favor (a maioria), as abstenções e os votos contra. O PCP votou contra, alegando que a sociedade não estava ainda preparada para essa aprovação. A este respeito, espero sinceramente que o PCP não abandone a política em detrimento da metereologia, sob pena da esquerda minguar ainda mais em alguns domínios. Entretanto, e para reflexão, aqui fica uma breve e clarificadora entrevista à psicóloga Conceição Nogueira para nos lembrarmos de como abdicámos na semana passada de ser uma sociedade um bocadinho mais decente.

 

 

PS - O Paulo Jorge Vieira remete muito oportunamente para um estudo de Conceição Nogueira sobre o tema.


por Miguel Cardina
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Quarta-feira, 18 de Junho de 2008
por Daniel Oliveira



Depois do Supremo Tribunal da Califórnia ter, há um mês, declarado inconstitucionais as leis estaduais que proíbem o casamento entre pessoas do mesmo sexo, começaram, na segunda-feira, as primeiras cerimónias. Del Martin, com 87 anos, e Phyllis Lyon, de 83, que vivem juntas há 55 anos, puderam finalmente casar-se na Câmara Municipal de São Francisco.
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por Daniel Oliveira
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Terça-feira, 27 de Maio de 2008
por Daniel Oliveira


Foi hoje inaugurado em Berlim o memorial aos homossexuais vítimas do Holocausto, os perseguidos pelos nazis eternamente esquecidos. 54 mil foram para campos de concentração. Aqueles que a memória conseguiu apagar tornando assim e ainda tolerável aos olhos de tantos a homofobia.

A homossexualidade permaneceu ilegal na Alemanha até 1969 e só em 1994 foi formalmente descriminalizada. Só em 2000 o Parlamento alemão aprovou uma resolução reconhecendo que a descriminação existira. O memorial teve de esperar por um presidente de câmara gay para ser construido.
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por Daniel Oliveira
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Sexta-feira, 16 de Maio de 2008
por Daniel Oliveira
Questionado sobre a possibilidade de pessoas do mesmo sexo se poderem casar, Santa Lopes respondeu que “vivemos numa sociedade livre que respeita a intimidade das relações de cada cidadão", acrescentando: «O Estado, enquanto regulador da vida dos portugueses, não deve intervir nesse âmbito, de onde se conclui que não sou a favor da oficialização de casamentos entre pessoas do mesmo sexo».

De onde concluo que não devendo o Estado intervir neste âmbito, o da intimidade das relações de cada cidadão, Santana Lopes também é contra o casamento entre pessoas de sexo diferente. Ou a intimidade dos heterossexuais é menos intima do que a dos homossexuais?

Uma boa notícia: Passos Coelho e Neto da Silva concordam com a existência de um contrato com os mesmos direitos e deveres do casamento para pessoas do mesmo sexo. Só não lhe querem chamar de casamento. Apesar de ser a mesmíssima coisa, parece que o nome já foi patenteado. Ainda assim, a direita portuguesa parece estar a evoluir.

Sobre este assunto, Patinha Antão quer que se lance um debate mas parece não quer participar nele e nada diz sobre o assunto. Manuela Ferreira Leite não fala, nem sobre este assunto nem sobre nenhum outro. É o estilo cavaquista: opiniões, só depois dos votos.
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Sexta-feira, 28 de Março de 2008
por Daniel Oliveira
A Nebulosa Reaccionária, de Miguel Vale de Almeida.

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Terça-feira, 26 de Fevereiro de 2008
por Daniel Oliveira


Seyed Medhi Kazemi, um estudante homossexual iraniano de 19 anos que pediu sem êxito asilo político ao Reino Unido, esperava ontem em Roterdão ser devolvido a Londres depois de ter tentado obter, também em vão, asilo na Holanda. O jovem, cujo o pedido de asilo foi rejeitado por Londres, que pretende deporta-lo para o Irão, teme pela sua vida se regressar ao seu país. O seu namorado desde os 15 anos, com o nome de Parham, foi ali executado em Abril de 2006, acusado de sodomia, e a polícia iraniana tem uma órdem de prisão em seu nome para o levar a julgamento. O problema é que Medhi requereu asilo pelo mesmo motivo a dois países da UE, o que não é permitido pela Convenção de Dublin.

por Daniel Oliveira
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Quarta-feira, 23 de Janeiro de 2008
por Daniel Oliveira


por Daniel Oliveira
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Terça-feira, 22 de Janeiro de 2008
por Daniel Oliveira
O Tribunal Europeu de Direitos Humanos condenou hoje a França por ter impedido uma lésbica que tinha uma companheira a adotar uma criança, em uma decisão sem precedentes.
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por Daniel Oliveira
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Terça-feira, 18 de Dezembro de 2007
por Daniel Oliveira
A Associação Ilga apresentou uma petição à Assembleia da República solicitando o seu apoio à instituição de um “Dia Mundial de Luta Contra a Homofobia”. Esta petição teve o apoio internacional, entre outras instituições, do Congresso Mundial de Judeus e dos Grupos Verde, Socialista e Liberais e Democratas do Parlamento Europeu. Calhou na rotação parlamentar que o relatório sobre a aceitação da petição fosse entregue ao deputado Nuno da Câmara Pereira, que se pronunciou pelo seu arquivamento, com esta brilhante argumentação: «A instituição de um dia de luta contra a homofobia, entendida, de um modo genérico, como o medo irracional ou preconceito em relação à homossexualidade, seria, de alguma forma, atentar contra a liberdade de opinião. Ao instituir-se um dia mundial de luta contra a homofobia estar-se-ia, no fundo, a instituir um dia contra todos aqueles que pensam a sexualidade de modo distinto e, consequentemente, a colocá-los numa situação de discriminação.»

Com Zero de Conduta
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Sábado, 8 de Dezembro de 2007
por Daniel Oliveira

espermatozoide.jpg


Um tribunal inglês decidiu obrigar um dador de esperma a pagar uma pensão de alimentos ao casal de lésbicas (mãe e companheira) que tinha a criança à guarda. Legalmente, o dador não é pai da criança. Esta decisão do tribunal, depois da separação do casal e quando a legislação inglesa se prepara para dar direitos e obrigações iguais em relação aos seus filhos aos dois membros de casais do mesmo sexo, é um enorme recuo, levanta questões éticas gravíssimas e obriga a um debate sobre dadores não-anónimos.
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Sexta-feira, 7 de Dezembro de 2007
por Daniel Oliveira
«Na minha opinião, seria bom, assim, que os homossexuais portugueses permanecessem discretos e pouco afirmativos em público, que não desafiassem em excesso a cultura que tão bem os tem tratado, tornando-se visíveis em demasia, reivindincando explicitamente direitos, ou passeando-se pelo Chiado ou pela Avenida dos Aliados com o mesmo à-vontade que eu observei em S. Francisco. Nesse dia, a cultura portuguesa não vai abdicar da sua norma para os reconhecer e, ao mesmo tempo, meter num gueto. Vai ressenti-los profundamente e reagir indignadamente contra eles.»
Pedro Arroja

A obsessão de Pedro Arroja pelo tema faz-me suspeitar que estamos perante um mirone. Mas como não quero ser insultuoso com o senhor, como ele me acusa de ser, limito-me a repetir as suas palavras, que seguramente não são ofensivas para ninguém: na minha opinião, seria bom, assim, que os arrojas portugueses permanecessem discretos e pouco afirmativos em público, que não desafiassem em excesso a cultura que tão bem os tem tratado, tornando-se visíveis em demasia.

Porque dou tempo de antena a Pedro Arroja? Porque faz muito mais pelos direitos dos homossexuais do que eu. Exibindo-se de forma tão saudável, contribuiu para uma crescente auto-censura dos homofóbicos. Ninguém quer ser comparado com Arroja.

por Daniel Oliveira
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Terça-feira, 4 de Dezembro de 2007
por Daniel Oliveira



A Christian Broadcasting Network fala-nos de um grupo fundamentalista cristão que acredita que uma das maiores auto-estradas dos Estados Unidos é a estrada para a santidade referida no Velho Testamento. E andam por lá a tratar da pureza da dita. Mais uma malta que não aceita a homossexualidade como regra geral do comportamento humano. Pelo menos à beira da estrada. Já agora: a reportagem é a sério.
Vídeo roubado

por Daniel Oliveira
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Segunda-feira, 3 de Dezembro de 2007
por Daniel Oliveira
«O tema da homossexualidade é a este respeito ilustrativo. Este é um tema recorrente na história da humanidade. A solução herdada do passado - o preconceito - a respeito da homossexualidade é a da sua rejeição - e esta é a solução racional. Na realidade, não existem muitos problemas acerca da humanidade onde seja possível descortinar tão facilmente a racionalidade que presidiu às soluções adoptadas pelos nossos antepassados - e que eles nos legaram sob a forma de reacções automáticas, ou preconceitos - como o problema da homossexualidade.

Nas soluções que adoptaram aos problemas que encontraram na vida, os nossos antepassados não foram diferentes de nós - eles foram guiados, em primeiro lugar, pela necessidade da sua própria sobrevivência e, em segundo lugar, pelo desejo da sua prosperidade. Por isso, eles nunca poderiam ter aceite a homossexualidade como uma regra geral de comportamento humano.

Na realidade, no dia em que os nossos antepassados tivessem aceite a homossexualidade como regra geral do comportamento humano teria sido o dia em que a sua cultura - ou, mais geralmente, a humanidade - teria iniciado o caminho para a sua própria extinção. A atitude racional em relação à homossexualidade está, portanto, do lado do preconceito, que implica a sua rejeição como regra geral de comportamento - não a sua aceitação.»


Pedro Arroja
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Sexta-feira, 30 de Novembro de 2007
por Daniel Oliveira

nariz.jpg



«Andamos vigiados. Precisamos de contar anedotas sobre brancos, pretos, judeus, muçulmanos, gays, machos, mulheres, loiras, morenas, católicos, papas, padres, rabinos, alentejanos, açorianos, portuenses, lisboetas, o que for. Para ver se somos gente normal. Ou se só copiamos os estereótipos politicamente correctos.»
Francisco José Viegas, a propósito do anúncio da Tagus

Parece a nova obsessão: o espartilho do “politicamente correcto”. E sempre que leio estas coisas fico com a sensação que devo viver num país diferente. No país de muitos colunistas, comentadores e bloggers vive-se no pânico de ferir susceptibilidades. Vive-se vigiado por uma polícia dos bons costumes em defesa das minorias. No país que eu conheço, que deve ser outro, os gays são chamados de paneleiros e ninguém pensa cinco segundos antes contar, para gáudio geral, piadas sobre os “maricas” (o termo mais carinhoso que se conhece). No país que eu conheço as “bichas” são histéricas e quem não se diverte com a sua triste condição ou é hipócrita ou é um deles. No país que eu conheço a maioria dos homossexuais esconde dos pais, dos irmãos, dos amigos e dos colegas a sua orientação. No país que eu conheço quem se cala, quem é patrulhado, vigiando e condicionado e quem tem receio das reacções alheias são os homossexuais e não a brigada suicida do "politicamente incorrecto". Com essa, quase ninguém se rala. E, apesar de menos generalizado, no país que eu conheço fala-se dos “pretos” como parasitas e criminosos e das mulheres como galinhas descerebradas, gastadoras do dinheiro dos maridos e fúteis bibelots. No país que eu conheço a «gente normal» dedica-se ao activismo proposto por Francisco José Viegas todos os dias. Se o seu apelo fosse ouvido não sei se alguém daria pela diferença. Novidade, talvez apenas nas anedotas sobre brancos e machos. Mas temo que não venham a ter grande sucesso.

A ver se nos entendemos: não tenho nenhum problema com anedotas de coisa nenhuma. Digo piadas sobre tudo em privado. Porque sou, de facto, «uma pessoa normal». Não faço de cada momento da minha vida um statement. Reservo-me o direito à incoerência, sem a qual qualquer pessoa se torna ou doida ou insuportável. Mas no domínio da vida pública não sou «uma pessoa normal». Por duas razões: porque isso não existe. A «normalidade» exige intimidade. Em público ela é tão fabricada com qualquer outra coisa. E porque não me acho suficientemete importante para que os outros queiram a minha «normalidade».

Por isso distingo, como qualquer pessoa civilizada (Francisco José Viegas incluido), o público e o privado. Porque o humor (como muitas outras coisas) depende dessa distinção. Em privado, com pessoas que conheço, há a cumplicidade do “não dito”. As pessoas que me ouvem sabem que não sou racista, não sou machista, não sou homofóbico. E eu, para além de saber o que elas sabem sobre mim, sei algumas coisas sobre elas. Sei como interpretam e reagem ao que digo. Tenho a certeza que Viegas não contaria uma anedota sobre judeus a um nazi. A razão é simples: falta a cumplicidade. O que para ele seria uma auto-ironia em relação às suas convicções (e aí reside parte da piada dos gays contarem anedotas sobre gays) seria ouvido pelo nazi de uma forma completamente inversa. E essa é uma das razões porque o humor em privado e em público são diferentes. Quando falamos para todos não sabemos como somos ouvidos.

O humor é a tragédia mais a distância, disse não sei quem. E esse é o meu segundo ponto. Uns dias depois do 11 de Setembro um comediante americano de Nova Iorque tentou fazer humor com o assunto num encontro com outros humoristas. Da plateia ouviu-se uma frase: “ainda é cedo!” Da mesma maneira, uma anedota sobre Auschwitz pode ser um insulto se contada na presença de um sobrevivente ou a um familiar. Para eles ainda é cedo. Está lá a tragédia, falta a distância. Vamos medindo até sabermos que já é possível. Para quem vive diariamente o segredo da sua homossexualidade, ou o olhar de esguelha no emprego, ou a incompatibilidade com a família e tem de aturar, todos os dias, a todo o momento, na televisão, no teatro de revista, no restaurante, no escritório, piadas inocentes sobre “paneleiros”, também é cedo. Não será, talvez, se for um amigo, alguém com quem tenha a tal cumplicidade. É se for um desconhecido ou alguém que essa pessoa sabe que despreza a sua opção. Faz diferença. Além de que, como se sabe, o que é demais enjoa.

Claro que Francisco José Viegas pode contar as anedotas que entender. E pode acusar muita gente de falta de sentido de humor por não achar grande graça. Eu digo aqui a única razão porque não acho: porque acho fácil. Viegas estaria apenas a procurar a simpatia da maioria sem beliscar as suas convicções. O que para ele seria visto como uma provocação seria, na realidade, ouvido, pela esmagadora maioria, como uma evidência. O humor sobre as minorias é tão legítimo como qualquer outro (não há humor ilegítimo e as minorias costumam ser o principal tema). É só mais cobarde. E pelo menos a mim a cobardia dá-me pouca vontade de rir. Em Portugal, prefiro piadas sobre católicos. É mais dificil e aí sim, como pode testemunhar Herman José, a censura pode fazer-se sentir.

Para acabar, uma notícia: Adolescente homossexual canadiano, de 14 anos, suicida-se depois de ter sido intimidado pelos seus colegas. O sofrimento extremo das vítimas do preconceito é muito mais comum do que algumas pessoas pensam, quando olham com bonomia para a homofobia. “Ainda é cedo”, digo eu da panteia. Quando isto for memória talvez tenha mais graça. Não tenciono ser polícia de ninguém. Apenas reservo para mim o mesmo direito que dou aos outros: o de achar ou não achar graça a qualquer piada. Um exemplo: achei muita a isto. Talvez porque tenha a auto-ironia de que falava. Ou talvez apenas porque tenha mesmo graça e eu não seja o campeão da coerência.

por Daniel Oliveira
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Sexta-feira, 23 de Novembro de 2007
por Daniel Oliveira


O texto do Boss sobre a campanha da Tagus diz tudo. Nada a acrescentar. A não ser uma coisa: transformar a Tagus, uma cerveja imbebível, em motivo de orgulho hetero só pode ser interpretado como uma descarada promoção da homossexualidade. Esperam-se reacções.

por Daniel Oliveira
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Terça-feira, 6 de Novembro de 2007
por Daniel Oliveira
Helena Matos pergunta se existe o direito de criticar este cartaz do Festival Internacional de Cinema Gay e Lésbico de Barcelona. E mostra-se indignada pelas críticas que são feitas aos críticos do cartaz.



Sim, existe o direito de criticar este cartaz.
Como existe o direito de criticar este livro:




Como existe o direito de criticar os críticos deste cartaz e deste livro.

Parece que apologistas do Novo Politicamente Correcto (NPC), que é uma recuperação do Politicamente Correcto do passado, acham que a crítica é livre, mas só se for num sentido. Se vier de volta é um ataque inominável à liberdade de expressão. À deles, claro, que é a que conta.

Reconhecendo que os pais autorizaram o uso da imagem do seu filho, Helena Matos não acha adequado «que se use o rosto duma criança para promover um festival de cinema gay, lésbico ou heterossexual». Só não explicou porquê e preferiu atirar-se para o chão e queixar-se da resposta. Eu percebo a estratégia: chorar contra a censura sem ter de abrir a boca, dando a entender que são os críticos e não os autores do cartaz que estão a ser moralmente condenados.

E gostava mesmo de perceber as suas razões. Tendo em conta que, suponho, nada tem contra a utilização de actores-criança em filmes de terror ou filmes de guerra, em publicidade variada e campanhas políticas. Se tem, então entramos noutro debate mais interessante sobre a utilização da imagem de crianças em coisas que não são para a sua idade. E eu retiro já a referência ao "Lolita" (que por sinal é um dos meus livros de sempre). Mas se assim for, o cartaz deste festival é apenas mais um episódio e até com muito menos impacto do que tantos outros. Mas se não for o caso, fica a pergunta: o que é que este festival tem que é diferente dos outros?


por Daniel Oliveira
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Quinta-feira, 25 de Outubro de 2007
por Daniel Oliveira
O sexo oral e anal consensual entre adultos heterossexuais acaba de ser legalizado em Singapura, mas o facto destas práticas continuarem a ser punidas se estiverem envolvidos pessoas do mesmo sexo desencadeou um forte movimento de protesto da comunidade gay. O primeiro-ministro Lee Hisen Loong critica esta reacção: "Quanto mais os activistas gay protestarem, mas forte será a reacção das forças conservadoras. O resultado será contraproducente, pois vai limitar o espaço da comunidade gay em Singapura".

Em grau diferente, a lógica lá é como a de cá: se não derem nas vistas talvez vos deixemos existir.
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Domingo, 21 de Outubro de 2007
por Daniel Oliveira
Vale a pena ler este artigo de Maria Fernanda Barroca, publicado no "Diário do Minho". Está na íntegra aqui em baixo. Mais um texto "científico" sobre o tratamento da homossexualidade. «A homossexualidade é uma doença e a medicina ocupa-se também de outras enfermidades que nem sempre se podem curar, como a asma ou o reumático, mas nenhum médico concluiria que não tem sentido submeter esses pacientes a tratamentos, ou estudar novas terapias». E explica: «dentro do homossexual vive um pobre menino que se consome em desejos insatisfeitos». Vele a pena ler na íntegra. No link em baixo.


A terapia das tendências homossexuais
Maria Fernanda Barroca

O psicólogo holandês Gerard vander Aardweg, apoiado na sua experiência clínica, afirma que a homossexualidade se pode superar com uma terapia adequada. No seu entender a ideia de que a homossexualidade não pode mudar é errada. Uma das razões que dá para esta visão fatalista do problema é o escasso número de pessoas que se têm dedicado à investigação e tratamento da homossexualidade.

O grande público olha para a homossexualidade com preconceitos e ideias superadas. Desta atitude se aproveita a estratégia da emancipação dos homossexuais assumidos, que pretendem estabelecer na sociedade alguns dogmas de cariz libertário: «a homossexualidade é uma variante normal da sexualidade»; «o único problema é a discriminação social»; «o homossexual nasce, não se faz»; «o homossexual não pode mudar e muito menos curar-se». Esta última afirmação expressa a atitude fatalista que se encontra cada vez mais difundida.

Há duas categorias de pessoas que se esforçam no tratamento da homossexualidade: uma são os psicólogos, psiquiatras e psico-analistas; outra, os grupos cristãos, de maioria protestante. De facto, quanto mais um homossexual se orientar para a fé em Deus, tanto melhor vê o sentido da sua vida, purifica a sua consciência e ganha vontade de lutar contra as suas tendências desordenadas. As causas devem localizar-se nos anos da juventude e o papel importante que tem neste processo o relacionamento com os pais. No homossexual está subjacente uma personalidade bloqueada, baseada numa vida sexual imatura e infantil. Ainda que os estudiosos do problema diferem na maior ou menor importância que se concede aos factores genéticos, existe um acordo em conceber a homossexualidade como uma reacção perante a dificuldade de se identificar com o próprio sexo, um «problema de identidade sexual».

É de realçar a importância que tem, para que um filho se identifique positivamente com a sua situação sexual, o facto de que tenha estima pelo progenitor do mesmo sexo. O adulto homossexual é uma pessoa que não viveu os anos da juventude com jovens do mesmo sexo. A criança ou o jovem dramatiza a sua situação e procura o afecto das pessoas do mesmo sexo que não o aceitam. Esta necessidade erotizada de atenção leva às fantasias homossexuais. Assim, o psiquiatra holandês Arndt resume esta situação numa fórmula: «dentro do homossexual vive um pobre menino que se consome em desejos insatisfeitos».

A terapia deve orientar-se a ensinar ao paciente a reconhecer e combater toda a gama de expressões de egocentrismo infantil, de medos, de sentimentos de inferioridade, de reacções de protesto, de motivações egocêntricas no modo de encarar a amizade e as relações sociais. O amadurecimento dá-se quando cresce a confiança em si próprio. Só quem se sente homem (ou mulher), e é feliz de o ser, está em condições de sentir atracção pelo outro sexo. Uma mulher lésbica curou-se radicalmente quando entendeu em profundidade o que lhe disse um sacerdote católico, dotado de bom sentido psicológico: «continuas a ser uma menina pequena». No homossexual também existem instintos heterossexuais, mas são bloqueados por um complexo de inferioridade homossexual. Os que desejam tratar-se melhoram em um ou dois anos e com o bem-estar que sentem e a alegria de viver, o seu egocentrismo esfuma-se. Alguns acabam por se enamorar por pessoas do outro sexo, casam e constituem família.

O caminho da libertação para um homossexual não passa pela compaixão e muito menos pelo reconhecimento
da “normalidade” das relações homossexuais. Ora, o que nós vemos actualmente é que os homossexuais querem ser tratados como as outras pessoas, assumindo-se em manifestações provocatórias, exigindo para si um direito que negam aos outros.

A homossexualidade é uma doença e a medicina ocupa-se também de outras enfermidades que nem sempre se podem curar, como a asma ou o reumático, mas nenhum médico concluiria que não tem sentido submeter esses pacientes a tratamentos, ou estudar novas terapias. Com os homossexuais passa-se o mesmo – não há outro caminho de libertação senão a luta por corrigir as tendências desviadas. Caso contrário, à frustração junta-se uma vida infeliz disfarçada por uma ruidosa alegria só aparente, que leva à destruição psíquica e ao desespero.

Muito ligada à homossexualidade está a problemática da SIDA e custa um pouco a aceitar que aqueles que aplicam ao tabaco a frase “a natureza sempre passa factura se se vai contra ela”, excluam a homossexualidade e as suas consequências dramáticas para terem para com eles e elas uma só atitude – compreensão (hipócrita, digo eu). Não precisam os homossexuais de compaixão, muito menos de discriminação, mas sim de serem tratados como doentes a quem é preciso aplicar a terapia adequada.
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Quarta-feira, 26 de Setembro de 2007
por Daniel Oliveira
Ahmadinejad garante que não há homossexuais no Irão. Todos rimos e bem. Ou mal, porque ser homossexual no Irão e não existir tem mesmo muito pouca graça:



Só que quem se ri muitas vezes não olha para casa. Como recorda Juan Cole, há ahmadinejads católicos, ahmadinejads evangélicos e ahmadinejads militares. Claro os gays não são enforcados e isso faz toda a diferença. Apenas se nega a sua existência, espera-se que se curem, impede-se que tenham os mesmos direitos que os restantes cidadãos ou se assobia para o lado quando algum leva o devido correctivo.

Talvez os discursos de Ahmadinejad sempre sirvam para alguma coisa. Talvez algumas pessoas um pouco baralhadas, que aplaudem o animal só porque não gostam de Bush, percebam a besta que têm à frente. Talvez algumas pessoas um pouco incoerentes, que só se lembram dos direitos dos homossexuais quando eles vivem em terras distantes, percebam a besta que guardam dentro de si.

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Quinta-feira, 5 de Julho de 2007
por Daniel Oliveira




Um amigo de Patrícia Lança, que descobri que foi deputada pelo PSD entre 1987 e 1991 e que não desarma. Agora descobriu que o loby gay usa a chantagem, desmascarando os políticos homossexuais para os calar na denúncia dos seus horrendos actos. Esta política de ‘outing’ (muito usado no nosso país, como se sabe), desenvolvida pela "aliança entre a extrema-esquerda e o lobi (gay)" repete apenas "uma prática que foi muito usada pelos comunistas, tanto na URSS como fora dela".

Vou formar o Patrícia Lança Fans Club. Para acabar de vez com o estalinismo sodomita. E porque com esta ex-deputada a blogosfera ficou bem mais colorida (terão reparado nesta maliciosa insinuação na tentativa de amedrontar a senhora a ver se ela não desmascara o nosso plano). Pena não termos dado por Patrícia Lança quando era deputada. Definitivamente, o Parlamento esconde os melhores talentos.

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