Quarta-feira, 7 de Agosto de 2013
por Sérgio Lavos
Stephen Colbert dançando com Hugh Laurie, Jeff Bridges, Jimmy Fallon, John Stewart, Charlie Rose, Bryan Cranston, Matt Damon e Henry Kissinger (?) ao som do feel good hit of the summer "Get Lucky", dos Daft Punk. Dedicado com saudade e carinho a Joaquim Pais Jorge, mais uma vítima da "podridão dos hábitos políticos". Melhor sorte para a próxima. 

(História completa aqui.)

por Sérgio Lavos
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Sábado, 31 de Dezembro de 2011
por Sérgio Lavos

Um sortido rico de grandes músicas e/ou grandes vídeos dedicado a todos os colaboradores, fregueses e amigos do Arrastão. Que seja um 2012 melhor do que os Maias previram. Mesmo que seja muito pior do que as previsões do Álvaro. 

 


por Sérgio Lavos
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Sábado, 24 de Dezembro de 2011
por Sérgio Lavos

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Sexta-feira, 23 de Dezembro de 2011
por Miguel Cardina


por Miguel Cardina
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Domingo, 18 de Dezembro de 2011
por Sérgio Lavos

 

Os "liberais" descobrem a pólvora.

 

O primeiro-ministro começa finalmente a fazer alguma coisa para incentivar o crescimento da economia através das exportações.

 

Os pobres trabalhadores que costumam ir às reuniões da CIP esperam "prenda no sapatinho" para minorar um ano de 2010 "complicado e dramático".

 

António José Seguro continua a fazer o seu caminho... para lado nenhum.

 

Está tudo bem, tudo se vai resolver. 


por Sérgio Lavos
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Terça-feira, 29 de Novembro de 2011
por Sérgio Lavos

 

Passam hoje dez anos desde que partiu para outras paragens aquele que é considerado, pelas melhores famílias, o mais genial Beatle. Não sei, ninguém pode saber, e pouco importa. All in all, é tudo um sonho. Apenas a maravilhosa claridade da guitarra de George Harrison é real. E eterna.


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Sábado, 26 de Novembro de 2011
por Sérgio Lavos


por Sérgio Lavos
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Sábado, 29 de Outubro de 2011
por Sérgio Lavos

 

O vídeo do mais recente single ("My Machines") do álbum "Gloss Drop", dos Battles, parte de uma ideia simples: o que é que aconteceria se um homem caísse numas escadas rolantes e não se conseguisse levantar? O resultado final é excelente. O realizador é Daniels. Mais pormenores sobre o vídeo aqui. E a música tem o extra de voltarmos a ver Gary Numan, trinta anos depois do seu auge artístico.


por Sérgio Lavos
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Sábado, 22 de Outubro de 2011
por Sérgio Lavos

 

O rock português tem vivido nos últimos anos um fulgor que ultrapassa, de certo modo, o dos anos 80, considerada a década de ouro do género em Portugal. Das bandas da editora Flor Caveira e Amor Fúria a projectos que reúnem músicos que vêm da década de 90, tem havido muito por onde escolher; e ouvir. É verdade que na maior parte dos casos, o som está demasiado colado às influências, mas há alguns projectos que têm conseguido ser minimamente criativos, afastando-se do modelo original quanto baste.

 

Mas a música também é também corrente de influências, e um dos maiores prazeres de um melómano (estamos a falar de pop/rock, mas usemos o pretensioso termo) é descobrir acordes antigos em novas músicas, melodias de bandas de que gostamos numa canção de um novo projecto. Os Trêsporcento conseguem ser um objecto musical que cruza as duas particularidades - a criatividade e o gosto por referências acima de qualquer suspeita - de modo significativamente estimulante. Esta é a primeira música deles a rodar intensamente nas rádios, graças à Antena 3, e é retirada do álbum "Hora Extraordinária". É excelente.

 

(Devo evidenciar que o facto do Lourenço Cordeiro, benfiquista dos sete costados, pertencer à banda, não me influenciou minimamente na escrita deste post.)


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Sábado, 4 de Junho de 2011
por Miguel Cardina


por Miguel Cardina
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Sexta-feira, 18 de Fevereiro de 2011
por Sérgio Lavos

 

 

Eles voltaram.


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Terça-feira, 1 de Fevereiro de 2011
por Miguel Cardina

 

Não tive a sorte de assistir ao concerto que na semana passada os Deolinda deram no Coliseu do Porto. Mas basta ver o vídeo para nos apercebermos que algo de significativo aconteceu. A dado momento, Ana Bacalhau anuncia que vai cantar uma música nova e não foi preciso chegarmos ao fim da canção para termos a certeza que nascera um hino. A comunhão entre a banda e o público mostrava que aquelas eram as palavras de uma inteira geração. De uma geração que estudou mas que não tem perspectivas, de uma geração que anseia por estabilidade familiar mas que vive enredada na precariedade, de uma geração que já não tem grandes cartilhas ideológicas mas que não permanecerá para sempre no desânimo e na apatia.

 

Houve quem dissesse que renascera a canção de intervenção. Talvez. No fundo, ela verdadeiramente nunca morreu. O campo musical português está cheio de exemplos de letras combativas, e não é preciso sequer remetermo-nos para o domínio do hip-hop. Veja-se por exemplo a poética artesanal cultivada por Pedro e Diana. Mas o que ali aconteceu foi diferente: a insatisfação de uma parte considerável da sociedade tinha encontrado maneira de se dizer. E se isso também não é novo - há quanto tempo andamos a falar de precariado, de falsos recibos verdes, de geração bloqueada? - aquele momento trouxe alguma coisa que faltava: uma linguagem simples para falar de experiências comuns.

 

A política não se confunde com uma canção, mas os sentimentos de pertença colectiva constroem-se de várias maneiras. E o que os Deolinda fizeram foi dar voz a esse sentimento. De repente, a vida adiada de cada um e de cada uma tornou-se parte de um todo. O reconhecimento desse "mundo tão parvo em que para ser escravo é preciso estudar" exorcizou um pouco a realidade. Chega? Não chega. Mas naquela noite a impotência morreu um bocadinho mais.


por Miguel Cardina
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Sábado, 30 de Outubro de 2010
por Sérgio Lavos


Há quem goste, nestes dias cinzentos, de ouvir música melancólica, sentado no sofá, a olhar para a chuva lá fora. Certamente haverá bandas-sonoras perfeitas para este estado de espírito. E admito já ter caído uma ou duas vezes nesse erro. Mas quando estamos limitados a um espaço reduzido e não queremos, de modo algum, cedermos a uma peregrinação ao centro comercial, juntando-nos ao desfile de zombies de fim-de-semana que não encontram nada de melhor para fazer do que olhar para as montras repletas de produtos que não podem comprar, o melhor é, no intervalo de um ou outro filme idiota que os canais nacionais nos costumam oferecer nestes dias, ouvir os clássicos.

Os clássicos, não aqueles discos do nosso crescimento - não queremos que a nostalgia dê cabo de um prazer único. Clássicos, os álbuns intemporais que chegaram até nós depois de gerações inteiras terem-nos fixados no cânone do rock. Não sinto qualquer vergonha em afirmar que apenas muito recentemente compreendi o fascínio de muitos perante os Led Zeppelin. Não terá acontecido antes por nunca ter prestado a atenção devida à melhor série de quatro álbuns da história (se excluirmos da contagem os Beatles a partir de Rubber Soul). Confesso que parte da razão da minha teimosia se funda num acidente biográfico: conheci em tempos um fanático da banda por quem não nutria muito respeito, e o preconceito sentido em relação à personagem acabou por se estender à música. Mas depois de algumas audições avulsas, admito que todo este tempo estava errado.

Immigrant Song é essencial não apenas por ser percursora do heavy-metal. Independentemente deste som ter definido um estilo musical, esta é um grande canção pela que será melhor combinação bateria/baixo/guitarra de sempre. Ao riff perfeito de Jimmy Page junta-se a bateria genial de John Bonham e o baixo acelerado de John Paul Jones. A voz de Plant confere um toque demoníaco ao conjunto; dando razão aos pais e aos avós que em tempos achavam ser o rock a música do diabo. Valha-nos deus por isso.

Os clássicos num dia de chuva. Valhalla, I am coming!

(Para uma versão ao vivo, impossível de incorporar no post, ir aqui.)

por Sérgio Lavos
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Segunda-feira, 18 de Outubro de 2010
por Sérgio Lavos


Um país sem futuro. Exultemos.

por Sérgio Lavos
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Segunda-feira, 27 de Setembro de 2010
por Sérgio Lavos

Agora que já tenho idade, e portanto juízo, suficiente para julgar os Nirvana pela qualidade musical, e valorizar esse lado da banda mais do que a simbologia que lhe está associada, lembro-me de um tempo em que a música pouco tinha a ver com grandes músicos, refrões marcantes ou riffs de bateria irrepreensíveis. Quando gostava de música sem saber muito bem porquê, sem conhecer o suficiente nem ter lido uns quantos livros sobre a razão de gostar. Nirvana foi música em estado puro, sem racionalização absurda ou relativizações imbecis e redutoras. Tenho saudade disso. Da pureza e da descoberta, a sequência perfeita desse meio termo romântico entre o fim da adolescência e o princípio da idade adulta. Espero que os putos de agora ainda saibam sentir isso.  Acima de tudo, procurar.

por Sérgio Lavos
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Sábado, 31 de Julho de 2010
por Sérgio Lavos


Nunca se deve menosprezar o poder do assobio (esqueçamos os Scorpions) numa música pop, principalmente quando ela fala de praia, sol e miúdas. Os coros uma oitava acima e as harmonias vocais também costumam resultar - os Beach Boys deixaram uma lição valiosa. Junte-se a estes pressupostos a natureza passageira do Verão e já se pode ter uma boa canção. E se houver uma fixação pelos sons da new wave, versão anos 80, principalmente a facção Joy Division/New Order, sendo que aos primeiros pode-se ir buscar a bateria minimalista e a guitarra limitada de Bernard Sumner (os Cure também andam por aqui) e aos segundos a leveza vocal que estava ausente dos primeiros (a morte de Ian Curtis permitiu essa evolução), temos material mais do que suficiente para um feel good hit of the summer. Há uns anos foram os Peter, Bjorn and John (imediatamente seguidos de David Fonseca), agora há The Drums, com um álbum (Summertime! é o EP de 2009 que também inclui esta faixa) entre a nostalgia urbano-depressiva e a euforia do som de Brooklyn, versão Vampire Weekend e LCD Soundsystem, com passagem pela pop dos 80 (a minha década preferida), de Housemartins a Jesus and Mary Chain. E os Beach Boys sempre a espreitar. Combinação que primeiro se estranha, mas depois entranha-se, e bem. Durará o que durar esta estação. E já é muito.

por Sérgio Lavos
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Domingo, 11 de Julho de 2010
por Sérgio Lavos


Muitas vezes, a música pop é feita de transições na vida de uma banda que incluem saída e entrada de músicos, acasos que redefinem o som e muitas vezes a própria história da música.

Em 2002, os Queens of the Stone Age já tinham dois bons álbuns publicados, Rated R e o primeiro, homónimo. Os Foo Fighters eram uma das grandes bandas rock de época. Certamente que o êxito não seria suficiente para David Grohl, vocalista e guitarrista do projecto que sempre foi mais dele do que dos outros músicos que foram aparecendo nos álbuns e nos concertos, a ponto de no primeiro álbum ter tocado todos os instrumentos. Por um destes acasos, Grohl interessou-se pelos QOTSA e juntou-se a Josh Homme (que já nos anos 90 tinha estado numa banda marcante, os Kyuss, e a Mark Lannegan, antigo membro de outro projecto dos anos 90 que definiu o som da época, os Screaming Trees. O resultado desta cadeia de acasos foi um dos mais poderosos álbuns rock da história, Songs for the Deaf.

Aos riffs ácidos da guitarra de Homme juntou-se o baixo speedado de Nick Oliveri (membro fundador da banda) e a guitarra melódica de Lannegan. Já seria muito bom, este line up, mas o ingrediente que elevou o álbum a níveis estratoféricos foi a bateria de Grohl. Há quem fale de John Bonham como eventual competidor de Grohl. Eu acrescentaria também Keith Moon e Reni (Stone Roses) e não deixaria de gostar bastante do minimalismo de Stephen Morris (nos Joy Division). Mas sem dúvida (e talvez por ter crescido a ouvir Grohl nos Nirvana) que o duvidoso frontman de uma banda que nada de novo trouxe à música rock (os Foo Fighters) está neste Olimpo por mérito próprio, e muito à conta do seu trabalho neste magnífico álbum dos Queens of the Stone Age. Os riffs são certeiros e deslumbrantes e os solos são estonteantes - e todos os outros instrumentos vão atrás do trabalho do baterista. É claro que as melodias vocais de Homme e Lannegan, contrastantes com o som cru das guitarras, procuram, sobretudo nos dois singles mais conhecidos (No One Knows e Go With the Flow), a perfeição pop e a consequente consagração das tabelas. Mas o segredo do álbum (que não voltou a ser repetido nos que se seguiram) é a secção rítmica liderada pelo génio de Grohl. Passávamos bem sem um Grohl vocalista e guitarrista, mas se são os Foo Fighters que temos de suportar para ouvirmos estas aventuras de vez em quando, menos mal.

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Quinta-feira, 1 de Julho de 2010
por Sérgio Lavos


Os Stone Roses levaram anos a criar a obra-prima; e demoraram alguns mais a produzir uns dos segundos álbuns mais aguardados de sempre - ou assim me parecia, julgando pela histeria da imprensa inglesa que eu na altura lia, as manchetes do New Musical Express e do Melody Maker em pleno período de euforia britpop. O segundo álbum, Second Coming, deu cabo da reputação da banda e esta acabaria por se separar pouco tempo depois deste ser publicado (1994), em 1996, em consequência da saída do guitarrista John Squire e do baterista Reni. Pelo meio, Slash ofereceu-se para substituir Squire mas Ian Brown recusou - e continuo a imaginar o que poderia ser o som Stone Roses cortado com a guitarra hard-rock dos ex-guitarrista dos Guns'n'Roses.

De um som inspirado nos Who e nos Jam ao groove do primeiro álbum, homónimo, - o resultado desses anos passados. O sussurro de Brown para disfarçar a fragilidade da voz, uma secção rítmica do outro mundo (Reni e Mani), a guitarra entre o blues e o swing de John Squire. E um talento invulgar da banda para tornar cada música num épico, com mudanças de ritmo, crescendos emocionais, variações melódicas e apontamentos psicadélicos de guitarra resgatados à década de 60.

She Bangs the Drums é a perfeita música pop, uma de muitas naquele que é um dos melhores primeiros álbuns de sempre. Como dura apenas três minutos e quarenta e três segundos, só nos resta ouvir em repeat. E é sempre perfeita.

Álbum: The Stone Roses, Silvertone, 1989, produzido por John Leckie.

por Sérgio Lavos
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Quarta-feira, 30 de Junho de 2010
por Sérgio Lavos


Lembrei-me desta música do Bob Dylan ontem à noite, quando pensava no que haveria de escrever sobre a derrota da selecção portuguesa, mas como não tinha qualquer obrigação, deixei para hoje, quando já deixou de ser assunto do dia. A música de Bob Dylan foi o hino informal da selecção de Scolari no Europeu de 2008 e aparecia num anúncio da Galp. Nunca cheguei a perceber por que razão Dylan acedeu a que a música fosse usada para tais fins, mas no fundo quem ficou a ganhar foi a equipa portuguesa - e acabaria por se ficar pelos quartos-de-final*, no fim de contas o nosso lugar natural.

Somos obrigados a ver as coisas de modo realista: uma selecção que joga contra a melhor equipa europeia com uma ala direita composta por Ricardo Costa e Simão está a brincar perigosamente com o destino, neste caso arriscando a eliminação na altura certa. Continuo a achar que tivemos três azares neste campeonato: a lesão de Bosingwa; a lesão de Nani; o carácter de Carlos Queiroz. Sinceramente, e arriscando uma espécie de futurologia retroactiva, não estou a ver Bosingwa a ser ultrapassado cerca de 150 vezes sem fazer uma falta que se visse, como ontem aconteceu com Costa. O rapaz não tem culpa, de resto, visto que nem Ronaldo nem Simão tiveram um treinador que os obrigasse a descer e a ajudar o defesa direito. Relembremos: Carlos Queiroz teve noventa minutos para fazer qualquer coisa em relação à permanente ameaça de um Villa encostado à esquerda. Duvido que tenha sequer percebido a natureza da ameaça. Um defesa apenas seria sempre insuficiente; um Ricardo Costa foi um convite à miséria. Não interessa que o árbitro fosse hispânico ou o ridículo que é comparar os dois pontas-de-lança que levámos (Hugo Almeida e Liedson) com os das outras equipas de topo (Villa, Torres, Higuain, Tevez, Milito, Aguero, Klose, Cacau, Luís Fabiano, Van Persie, Fórlan, Suarez), por muito que nos custe ver Almeida falhar um centro milimétrico de Meireles na primeira parte. As insuficiências individuais e o egoísmo desvairado de Ronaldo poderiam ter sido mitigados se Queiroz soubesse como aplicar de forma competente a lição de Mourinho perante o Barcelona. Já que jogámos à defesa, então era preciso ter sido levado a sério o empreendimento. Mourinho, quando hoje falou do empenhamento defensivo de Eto'o em comparação com o desacerto de Simão, disse tudo. Queiroz quis defender com jogadores que, ou não o sabem fazer, ou não estão para aí virados, até porque já se percebeu que não existe qualquer empatia entre o treinador e os homens que dirige. E, consequentemente, falhou. O que mais doeu foi ter falhado frente uma equipa que joga bem mas é entediadamente previsível, ainda mais do que o Barcelona. Podem ser campeões do mundo, há piores destinos, mas apenas se não apanharem a Alemanha pela frente. Não estou a ver o tiki-taka a não ser dominado pelo estilo atacante e imprevisível da Mannschaft.

Agora que chegámos ao campeonato a sério e os adeptos sazonais dos grandes campeonatos de selecções vão deixar de incomodar, desfrutemos do que resta como deveria sempre ser, sem qualquer tipo de ansiedade patriótica ou outra fraqueza do género; futebol sem espinhas.

*corrigido.

por Sérgio Lavos
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Quinta-feira, 3 de Junho de 2010
por Sérgio Lavos


O novo álbum dos LCD Soundsystem saiu o mês passado. A receita de James Murphy não mudou, e ainda bem: This is Happening consegue ser tão excelente como os dois anteriores. Batidas electrónicas e bateria, sintetizadores analógicos e guitarra, baixo sintetizado e baixo tradicional. O crossover de instrumentos tem perfeita correspondência nos estilos: de Kraftwerk a Wire é apenas um pulinho, de Human League a Strokes também. E David Bowie é um convidado habitual, que agora regressa. A trepidação das músicas mais mexidas é temperada aqui e ali por algum baladismo de bom-gosto para acalmar o balanço, como os clássicos faziam. Ideal para o verão - e eles vêm cá, ao Optimus Alive*. Drunk Girls é o primeiro single e é mais um hino ao hedonismo e à noite nova-iorquina, tema que se repete nas letras de Murphy. E de cada vez que se ouve, soa melhor.

*Obrigado pela correcção, caro comentador Não Interessa.

por Sérgio Lavos
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Quinta-feira, 27 de Maio de 2010
por Sérgio Lavos


Sem a pressão de ter de escrever um texto para o Arrastão - os nossos comentadores valem mesmo muito - dedico o serão a ouvir velhos êxitos dos Beatles, como costuma dizer-se, a banda da nossa geração. Da minha, que nasci em 1975, da anterior e das que virão - tanto tempo passado e continuam a ser a última novidade. De Rubber Soul em diante há poucas canções que não sejam melhores do que noventa e nove por cento do que se produz actualmente, mas a diferença nem é esta divina contabilidade. Até chegarmos aos Beatles, a música era uma cómoda com gavetas onde cabiam os vários géneros, de forma muito arrumada e certinha. Havia o blues, havia o jazz, havia o country, havia a folk. Eles pegaram nisto tudo, misturaram, cortaram e copiaram, ampliaram a experiência musical das massas e revolucionaram o mundo. Existe praticamente uma música dos Beatles inspiradora de cada género surgido depois, da pop das harmonias vocais ao punk (Revolution), ao heavy-metal (Helter Skelter), à britpop e ao shoegazing, etc, etc. Pode-se afirmar, sem exagero, que há um pouco de Beatles em quase toda a música pop posterior, mesmo naquela que recusa a herança da banda.

Para além da música, a mitologia associada. O assassinato de John Lennon por um leitor de J. D. Salinger, a suposta morte e substituição do Paul McCartney original, a aproximação a Ravi Shankar e ao hinduísmo - a melhor letra dos Beatles foi escrita por George Harrison (neste momento estou a ouvir Revolution 9, uma cacofonia de ruído aleatório que inclui a música original tocada de trás para a frente, e é um arrepio na espinha) e chama-se Within without you - a intromissão de Yoko Ono, as letras escritas sob a influência de drogas, as visitas à Rainha.

O idealismo pacifista e cínico que John Lennon mostra em Revolution continua a fazer todo o sentido nos dias que correm; acredite-se ou não em revoluções, tudo vai ficar bem.

por Sérgio Lavos
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Domingo, 23 de Maio de 2010
por Sérgio Lavos


Agora que os Divine Comedy - aquela banda que o norte-irlandês mais brilhante da actualidade usa como veículo para o seu génio distorcido - regressaram com mais um excelente álbum com um ainda melhor título - Bang Goes the Knighthood -, é tempo de recordar uma das canções que melhor define a pretensão na música pop. The Booklovers é uma ode aos escritores sem nunca falar de literatura; aliás, Neil Hannon - o tal génio - confessou em entrevistas que não tinha lido grande parte dos autores enumerados. Até o nome da banda, pedido de empréstimo a Dante, é uma fraudulenta homenagem - Hannon, quando começou o projecto, não tinha lido a obra homónima do escritor italiano. Esse é o encanto do músico: a pose de um aristocrata intelectual decadente aliada a uma precisão grandiosa na busca da perfeita melodia, que tanto pode citar os Beatles e os Beach Boys como Noel Coward, Scott Walker na sua fase pré-esquizofrénica ou Burt Bacharach, o rei da música de elevador. Tudo temperado com algum romantismo  tingido de cinismo e desilusão - Frog Princess é o melhor exemplo da lírica hannoniana neste aspecto, mas podia citar também todas as faixas do EP A Short Album About Love, obra-prima do kitsh sofisticado cozinhada com a ajuda de outro grande alquimista do romantismo pop, Stephen Merritt e de... lá está, Bacharach, na forma de duas covers que apenas aparecem em algumas versão comerciais do álbum. The Booklovers será uma brincadeira séria, e, naquele que será o melhor álbum dos Divine Comedy, Promenade, há muito por onde escolher, incluindo Summerhouse, a música indicada para a chegada do verão. De preferência acompanhada de um pouco de Evelyn Waugh ou E. M. Forster e um fim de tarde num alpendre. E um gin. Puro.

por Sérgio Lavos
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Sexta-feira, 14 de Maio de 2010
por Sérgio Lavos


Mais uma fabulosa cover de um excelente original. Jeff Buckley em modo divino, chegando onde nenhum homem - incluindo Leonard Cohen - chegou. O poema de Cohen, elegia amorosa que tresanda a sexo por todos os lados, na voz de Buckley torna-se um lamento desesperado e masoquista; o que em Cohen é fanfarronice masculina passa a ser submissão feminina em Buckley (como em Nina Simone) - o provável lugar onde Deus se esconde. Leonard Cohen é um grande escritor de canções cuja mudança de carreira, a partir dos anos 80 - enveredando por um futuro no circuito mundial de casinos - o tornou uma sombra do mito que viria a ser. Jeff Buckley foi um dos fogos-fátuos da música pop, um mártir que teve como recompensa a eterna juventude. As diferenças na interpretação da mesma música sublinham o que os distingue, a sua presença no mundo. Cada um no seu campeonato, e no seu tempo.

Álbum: Grace (1994, Columbia)

por Sérgio Lavos
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Quarta-feira, 12 de Maio de 2010
por Sérgio Lavos


O primeiro convidado é o grande Johnny Cash, em versão de uma música dos Depeche Mode (que dão nome a esta série). Considero esta uma das poucas covers superiores ao original, e isso é dizer muito quando se fala dos DM, a minha banda synth-pop de referência. Mas o blues sábio e sofrido de Cash consegue transformar os sons electrónicos do original em ouro de lei, com guitarra (de John Frusciante, dos Red Hot Chili Peppers) e piano a acompanhar, como se as palavras de Martin Gore fossem cantadas por um branco evangélico do Missisipi numa igreja cheia de negros. Maravilhosa alquimia - consegue transformar uma canção sobre devoção carnal num hino religioso, percorrendo o caminho inverso ao de Gore. Uma homenagem a quem acredita do fundo do coração.

Álbum: American IV: The Man Comes Around (2002, American Recordings/Universal)

(O vídeo é uma montagem do utilizador do YouTube, visto que não existe um oficial para o tema.)

por Sérgio Lavos
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